{"id":5267,"date":"2017-11-13T00:47:51","date_gmt":"2017-11-13T02:47:51","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5267"},"modified":"2017-11-15T09:29:39","modified_gmt":"2017-11-15T11:29:39","slug":"a-riqueza-no-brasil-tem-as-maos-de-sangue-com-a-escravidao-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/11\/a-riqueza-no-brasil-tem-as-maos-de-sangue-com-a-escravidao-negra\/","title":{"rendered":"A riqueza no Brasil tem as m\u00e3os de sangue com a escravid\u00e3o negra"},"content":{"rendered":"<p>Iniciada no s\u00e9culo XVI, a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil j\u00e1 \u00e9 a parte do desenvolvimento do capitalismo inserida, no que Marx chama, na acumula\u00e7\u00e3o primitiva do capital.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de mercadorias a serem comercializadas na Europa, os grandes neg\u00f3cios e altamente lucrativos com a escravid\u00e3o de pessoas negras s\u00e3o parte fundamental do processo de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza, ou seja, do desenvolvimento do capitalismo no Brasil e por tabela na Europa.<br \/>\nNeste contexto \u00e9 que se pode compreender como se deu a introdu\u00e7\u00e3o do trabalho escravo por terras brasileiras. Al\u00e9m de garantir produtos agr\u00e1rios em condi\u00e7\u00f5es de atender o mercado europeu, o tr\u00e1fico negreiro envolvia uma enorme quantidade de capital que s\u00f3 as grandes empresas tinham condi\u00e7\u00f5es de participar. E, claro, pessoas muito ricas.<br \/>\nPesquisas recentes d\u00e3o conta que vieram cerca de 5,8 milh\u00f5es de pessoas escravizadas para o Brasil, 60% de toda a popula\u00e7\u00e3o escrava das Am\u00e9ricas. Outros milhares morreram nos por\u00f5es dos navios negreiros. Foram mais de 9 mil viagens da \u00c1frica para as am\u00e9ricas. Como se v\u00ea o tr\u00e1fico negreiro era um neg\u00f3cio que envolvia muito dinheiro.<br \/>\nEsse capital foi fundamental para os investimentos na Europa, num primeiro momento para atividades comerciais e depois para o desenvolvimento da ind\u00fastria na \u201cfase madura\u201d do capitalismo.<br \/>\nComo se v\u00ea, o desenvolvimento do capitalismo n\u00e3o \u00e9 resultado de \u201chomens de neg\u00f3cios brilhantes\u201d, mas de uma explora\u00e7\u00e3o brutal e desumana.<\/p>\n<h2>A acumula\u00e7\u00e3o da riqueza no Brasil tem sua origem na escravid\u00e3o<\/h2>\n<p>Durante mais de 3 s\u00e9culos (ou seja, a maior parte da nossa hist\u00f3ria) ser rico no Brasil era sin\u00f4nimo de ser dono de escravos. As pessoas escravizadas eram mercadorias como o a\u00e7\u00facar, o tabaco ou o cavalo, vendidas, compradas ou trocadas, ou seja, uma \u201ccoisa\u201d.<br \/>\nO trabalho escravo negro est\u00e1 na base da forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro e das primeiras gera\u00e7\u00f5es da burguesia do pa\u00eds.<br \/>\nE n\u00e3o se trata de algo muito distante na nossa hist\u00f3ria. As planta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9, j\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX, um produto que enriqueceu muitas fam\u00edlias \u2013 os chamados bar\u00f5es do caf\u00e9 que habitavam os casar\u00f5es da Avenida Paulista em S\u00e3o Paulo \u2013 concentravam a maioria das pessoas escravizadas no pa\u00eds.<br \/>\nE em torno da escravid\u00e3o havia v\u00e1rios neg\u00f3cios como o tr\u00e1fico, o parlamento fazendo as leis para proteger os donos de escravos, o judici\u00e1rio e o aparato repressivo estatal para reprimir as rebeli\u00f5es escravas, etc.<br \/>\nComo forma de justificar uma sociedade em que as pessoas eram mercadorias se construiu um conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais e ideologias: o racismo foi acompanhado da imposi\u00e7\u00e3o da ideia de que os africanos eram inferiores, a coisifica\u00e7\u00e3o de negros e negras, a naturaliza\u00e7\u00e3o de estupros de negras realizados pelos donos de escravos, o preconceito, a sataniza\u00e7\u00e3o de dan\u00e7as e rituais africanos, etc. Ideias t\u00e3o fortes que ainda fazem parte do nosso cotidiano.<br \/>\nTamb\u00e9m deve ser destacado o papel da Igreja Cat\u00f3lica. Como religi\u00e3o oficial era parte desse esquema e cumpria a fun\u00e7\u00e3o de legitima\u00e7\u00e3o com a cristianiza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada atrav\u00e9s do batismo, da proibi\u00e7\u00e3o dos rituais e, como propriet\u00e1ria, da comercializa\u00e7\u00e3o de escravos j\u00e1 que em v\u00e1rios conventos e ordens religiosas haviam pessoas escravizadas.<br \/>\nQueiram ou n\u00e3o essa \u00e9 a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Brasil. A explora\u00e7\u00e3o que a classe trabalhadora brasileira ainda est\u00e1 submetida \u00e9 um cap\u00edtulo dessa hist\u00f3ria, em que negros e negras s\u00e3o obrigados a se submeterem aos empregos mais precarizados, aos sal\u00e1rios mais baixos e enfrentarem a maior taxa de desempregados.<br \/>\n\u00c9, portanto uma riqueza com marca de sangue e de mortes de pessoas escravizadas. N\u00e3o nos resta outro caminho que n\u00e3o seja o de superar o da explora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciada no s\u00e9culo XVI, a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil j\u00e1 \u00e9 a parte do desenvolvimento do capitalismo inserida, no que Marx<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5268,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5269,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267\/revisions\/5269"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}