{"id":5273,"date":"2017-11-13T01:12:39","date_gmt":"2017-11-13T03:12:39","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5273"},"modified":"2018-05-28T17:05:23","modified_gmt":"2018-05-28T20:05:23","slug":"desigualdade-racismo-e-machismo-contra-as-mulheres-negras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/11\/desigualdade-racismo-e-machismo-contra-as-mulheres-negras\/","title":{"rendered":"Desigualdade, racismo e machismo contra as mulheres negras"},"content":{"rendered":"<p>A mulher negra, no Brasil, tem sofrido muito com as duras consequ\u00eancias da crise estrutural, que al\u00e9m de retirar direitos e intensificar a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de conjunto leva a retrocessos ainda maiores essa parcela.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da Reforma Trabalhista e da Terceiriza\u00e7\u00e3o Irrestrita, no governo Temer, atingem profundamente a popula\u00e7\u00e3o negra e, em particular, as mulheres negras. E a aprova\u00e7\u00e3o da Reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 diferente.<\/p>\n<h2>As mulheres negras e as consequ\u00eancias das Reformas<\/h2>\n<p>Hoje essa parcela da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 a que possui a renda mais baixa. Embora tenha tido um crescimento significativo nos \u00faltimos anos, segundo o IPEA, ainda assim continua sendo a menor.\u00a0 E possui tamb\u00e9m taxas de desempregos maiores.\u00a0Tudo isso mesmo tendo aumentado os n\u00edveis de escolaridade das mulheres negras nos \u00faltimos dez anos, isto \u00e9, de 4,2 para 7,1 anos de estudo.<\/p>\n<p>Com o acordado prevalecendo sobre o legislado, com a terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade-fim, com a carteira assinada sendo substitu\u00edda por contrato, etc. as mulheres negras arcar\u00e3o ainda mais com a intensifica\u00e7\u00e3o da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>E se a Reforma da Previd\u00eancia for aprovada o caminho ser\u00e1 o mesmo. Al\u00e9m de j\u00e1 come\u00e7ar a trabalhar cedo e trabalhar mais horas diariamente, as mulheres negras arcar\u00e3o ainda mais com uma das consequ\u00eancias da precariza\u00e7\u00e3o que \u00e9 o aumento do trabalho informal, isto \u00e9, sem carteira assinada, o que dificultar\u00e1 ainda mais a contagem de tempo para sua aposentaria.<\/p>\n<p>Quando levamos em considera\u00e7\u00e3o a expectativa de vida de 60 anos, levantada pelo IBGE, o tempo de trabalho necess\u00e1rio e os 49 anos de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria para receber um sal\u00e1rio integral na aposentadoria, podemos imaginar o quanto essa Reforma atingir\u00e1 as mulheres negras e a sua qualidade de vida j\u00e1 que s\u00e3o a maior parte do setor mais precarizado.<\/p>\n<h2>Viver e lutar como express\u00f5es de resist\u00eancia \u00e0 viol\u00eancia capitalista<\/h2>\n<p>N\u00e3o bastando esse tipo de viol\u00eancia institucionalizada em que governos, parlamentares e judici\u00e1rio alteram as leis para favorecerem a explora\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o observada em cada um desses ataques e nos dados atuais, podemos ainda observar o aumento da viol\u00eancia machista e racista.<\/p>\n<p>Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2017, o assassinato de mulheres negras subiu em 22% nos \u00faltimos anos. Todas essas informa\u00e7\u00f5es comprovam a import\u00e2ncia da resist\u00eancia e das lutas travadas pelas mulheres e, especialmente, pelas mulheres negras para sobreviverem e de forma independente. E indicam ainda a necessidade de intensifica\u00e7\u00e3o das lutas e da organiza\u00e7\u00e3o nesse pr\u00f3ximo per\u00edodo. Menores sal\u00e1rios e maior desemprego, mesmo tendo avan\u00e7ado na escolariza\u00e7\u00e3o, demonstram o quanto o capitalismo reserva para parcelas da classe trabalhadora n\u00edveis ainda maiores de explora\u00e7\u00e3o necessitando, assim, se utilizar da discrimina\u00e7\u00e3o, do racismo e do machismo para se reproduzir.<\/p>\n<p>N\u00f3s, mulheres da classe trabalhadora, necessitamos reagir a tudo isso e precisamos nos fortalecer com a luta e a organiza\u00e7\u00e3o em cada local de trabalho, estudo e moradia para combater cada um desses ataques, impedir que essas v\u00e1rias formas de viol\u00eancia se intensifiquem e continuem tirando nossas vidas.<\/p>\n<p>Essa tarefa deve ser tamb\u00e9m assumida por toda a classe trabalhadora para enfrentar os ataques dos patr\u00f5es e dos governos, al\u00e9m de combater em seu pr\u00f3prio seio a discrimina\u00e7\u00e3o, o racismo e o machismo que a cada dia s\u00e3o ainda mais assumidos por setores de nossa classe que colaboram com a classe que nos humilha, a burguesia.<\/p>\n<h2>Alguns dados das desigualdades<\/h2>\n<p>No acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos como Educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, moradia, etc. e em todos os indicadores sociais, negros e negras est\u00e3o sempre com os \u00edndices mais baixos.<\/p>\n<p>A necessidade de trabalho desde jovem e a pobreza das fam\u00edlias empurram os jovens negros para fora da escola. Isso faz com que as taxa de analfabetismo seja de 11,2% entre os pretos e entre os brancos seja de 5%. Para a popula\u00e7\u00e3o acima de 18 anos 62% da popula\u00e7\u00e3o branca conseguiu completar o ensino fundamental, j\u00e1 entre os negros \u00e9 de 47%.<\/p>\n<p>E no \u201cmundo\u201d do trabalho, os capitalistas, al\u00e9m de pagarem os sal\u00e1rios mais baixos, criam um conjunto de rela\u00e7\u00f5es que agravam ainda mais as desigualdades:\u00a0A renda de negros \u00e9 em m\u00e9dia 56% daquilo que um trabalhador branco recebe. Os postos de trabalho oferecidos s\u00e3o os mais prec\u00e1rios e degradantes mesmo quando negros e negras possuem alto grau de escolaridade. Sujeitam \u00e0s maiores taxas de desemprego.\u00a0Enquanto 10,3% de trabalhadores brancos est\u00e3o desempregados sobe para 15,8% entre pretos e 15,1% entre pardos.<\/p>\n<p>Na estrutura de cargos \u00e9 disponibilizado\u00a0apenas 6,3% na ger\u00eancia e 4,7% no quadro executivo.<\/p>\n<h2>O mito da democracia racial<\/h2>\n<p>Nos Estados Unidos o racismo sempre foi uma pol\u00edtica de Estado. Nos \u00f4nibus os negros n\u00e3o podiam sentar no banco da frente, eram proibidos de frequentar escola, eram proibidos de realizar manifesta\u00e7\u00f5es, etc. Era um racismo direto, assumido.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Brasil o combate ao racismo \u00e9 uma das batalhas mais dif\u00edceis, pois \u00e9 mascarado. Leis o pro\u00edbem e o discurso oficial \u00e9 o de que h\u00e1 igualdade entre negros e brancos.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s desse discurso tem um mito, constru\u00eddo h\u00e1 d\u00e9cadas, que serve s\u00f3 para esconder o racismo e merece ser desmascarado: de que vivemos em uma democracia racial.<\/p>\n<p>\u00c9 como se no Brasil conviv\u00eassemos de forma harmoniosa e pacifica entre as ra\u00e7as por conta da mistura e da miscigena\u00e7\u00e3o \u201cvolunt\u00e1ria\u201d que n\u00e3o ocorreu em nenhum outro lugar do mundo.<\/p>\n<p>Com isso a burguesia brasileira quer provar que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as entre as ra\u00e7as, que as oportunidades s\u00e3o iguais para todos e que o sucesso ou insucesso s\u00f3 depende da dedica\u00e7\u00e3o de cada. Dessa forma, faz o discurso do m\u00e9rito para desconsiderar o processo hist\u00f3rico de exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra desde a chamada aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contudo, no cotidiano, negros e negras vivem situa\u00e7\u00f5es de racismo, de viol\u00eancias e de desigualdades como demonstram todos os indicadores.<\/p>\n<p>Para lutarmos contra o racismo \u00e9 fundamental o reconhecimento de sua exist\u00eancia. Por isso, a burguesia brasileira faz de tudo para escond\u00ea-lo e n\u00f3s fazemos de tudo para mostra-lo! Queremos p\u00f4r fim ao racismo e a tudo que o sustenta!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mulher negra, no Brasil, tem sofrido muito com as duras consequ\u00eancias da crise estrutural, que al\u00e9m de retirar direitos<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5272,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,14,13],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5273"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5280,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5273\/revisions\/5280"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}