{"id":5279,"date":"2017-11-13T01:32:19","date_gmt":"2017-11-13T03:32:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5279"},"modified":"2017-11-15T09:29:23","modified_gmt":"2017-11-15T11:29:23","slug":"5279","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/11\/5279\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria de lutas e de resist\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Os livros de Hist\u00f3ria, inclusive os que circulam nas escolas p\u00fablicas, est\u00e3o recheados de falsidades sobre a luta de negros e negras contra a escravid\u00e3o, at\u00e9 mesmo de autores renomados em que, provavelmente, o mais famoso seja Gilberto Freire.<br \/>\nA teoria de Freire, de forma resumida, \u00e9 a de que houve de forma consensual e harm\u00f4nica uma miscigena\u00e7\u00e3o entre negros, \u00edndios e brancos. Segundo esse autor havia uma \u201cdo\u00e7ura\u201d nas rela\u00e7\u00f5es entre escravo e seu dono.<br \/>\nAl\u00e9m de ser uma teoria que busca contribuir para perpetuar o racismo, traz um elemento de nega\u00e7\u00e3o das lutas contra a escravid\u00e3o, ou seja, de que o negro se acomodou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de escravo, da\u00ed predominando uma rela\u00e7\u00e3o pac\u00edfica entre o escravizado e o senhor dos escravos.<br \/>\nUm monte de livros e textos foram escritos se apoiando nessa tese como o de Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis que chegou a afirmar que \u201cparece que n\u00e3o lhe convinha trocar a escravid\u00e3o pura pela escravid\u00e3o assalariada\u201d.<br \/>\nOutra falsidade comum na nossa hist\u00f3ria \u00e9 retirar o papel de protagonismo dos escravizados. Tentam apresentar a hist\u00f3ria brasileira como a de homens ricos, intelectuais e brancos. Mesmo na luta pela aboli\u00e7\u00e3o s\u00e3o os abolicionistas brancos (como Joaquim Nabuco) que aparecem nos livros de Hist\u00f3ria. Luiz Gama, por exemplo, negro e destacado ativista \u00e9 completamente desconhecido pela Hist\u00f3ria oficial. N\u00e3o \u00e9 por acaso.<br \/>\nJoaquim Nabuco era deputado pela prov\u00edncia de Pernambuco e defendia a aboli\u00e7\u00e3o via parlamento, com indeniza\u00e7\u00e3o, radicalmente contra as rebeli\u00f5es nas senzalas e agita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<br \/>\nJ\u00e1 Luiz Gama defendia que \u201co escravo que mata o senhor, seja em que circunst\u00e2ncia for, mata sempre em leg\u00edtima defesa\u201d.<\/p>\n<h2>As v\u00e1rias formas de resist\u00eancia<\/h2>\n<p>O fim da escravid\u00e3o n\u00e3o foi obra da Princesa Isabel, isso j\u00e1 \u00e9 sabido. Foi fruto da luta de mais de 350 anos.<br \/>\nOs negros e negras escravizados no Brasil (e em outras partes do mundo) resistiram a essa condi\u00e7\u00e3o desde o momento da captura na \u00c1frica. Eram derrotados, mas resistiam. O poder de fogo das armas e as t\u00e1ticas de combate dos traficantes de pessoas escravizadas pesavam a seu favor.<br \/>\nQuando chegavam aqui as formas de resist\u00eancia tamb\u00e9m se diversificavam. O cotidiano era de resist\u00eancia. As fugas, matar senhores e feitores, a organiza\u00e7\u00e3o dos quilombos, as in\u00fameras rebeli\u00f5es lideradas por escravizados, a participa\u00e7\u00e3o ativa em rebeli\u00f5es populares como a Cabanagem no Par\u00e1, eram radicalizadas.<br \/>\nHavia tamb\u00e9m v\u00e1rias outras formas mais amplas como resistir ao trabalho atrav\u00e9s da quebra de instrumentos, a automutila\u00e7\u00e3o, os infantic\u00eddios, a morosidade e outros atos contr\u00e1rios aos interesses dos seus donos.<br \/>\nMas, sem d\u00favida, a melhor express\u00e3o e mais consistente forma de resist\u00eancia eram os quilombos. Quando se aquilombavam n\u00e3o s\u00f3 se libertavam da condi\u00e7\u00e3o de \u201ccoisa\u201d, passavam a construir rela\u00e7\u00f5es sociais de igualdade no trabalho, de apropria\u00e7\u00e3o coletiva daquilo que produziam e com a organiza\u00e7\u00e3o para manter de p\u00e9 os quilombos tornavam-se sujeitos de sua hist\u00f3ria e podiam resgatar pr\u00e1ticas de liberdade e at\u00e9 mesmo dos rituais proibidos.<br \/>\nEnfim, n\u00e3o havia uma pacifica\u00e7\u00e3o ou acomoda\u00e7\u00e3o dos escravizados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es escravocratas, o que havia era muita resist\u00eancia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os livros de Hist\u00f3ria, inclusive os que circulam nas escolas p\u00fablicas, est\u00e3o recheados de falsidades sobre a luta de negros<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5281,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5279"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5283,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5279\/revisions\/5283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}