{"id":5297,"date":"2017-11-13T02:33:18","date_gmt":"2017-11-13T04:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5297"},"modified":"2018-03-11T17:31:26","modified_gmt":"2018-03-11T20:31:26","slug":"verbos-a-flor-da-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/11\/verbos-a-flor-da-pele\/","title":{"rendered":"Verbos \u00e0 flor da pele"},"content":{"rendered":"<p><em>Latifundi\u00e1rio escravagista ou os dois ao mesmo tempo\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>De norte a sul como pragas\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Alastrando a fome que acampa em quilombos ambulantes\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Na beira da pista \u00e9 morte na pista na lista de morte\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Dos modernos capit\u00e3es do mato\u00a0<\/em><\/p>\n<p>F.UR.T.O.<\/p>\n<p>No momento em que pisaram na Am\u00e9rica, os africanos transformados em escravos conspiraram e lutaram contra os senhores de terra no Brasil colonial. Enquanto durou a escravid\u00e3o, no Brasil, homens e mulheres que para c\u00e1 foram trazidos e vendidos como simples mercadorias resistiram. Utilizaram v\u00e1rias formas de resist\u00eancia, desde pequenos furtos, envenenamentos, suic\u00eddios, sabotagens at\u00e9 fugas, revoltas e quilombos.<\/p>\n<p>E foram v\u00e1rios os quilombos que se formaram e se espalharam pela Col\u00f4nia, sendo o mais famoso, Palmares. Os quilombos foram comunidades formadas por povos africanos (tamb\u00e9m \u00edndios, fugitivos, desertores) de diferentes etnias que se recusavam \u00e0 submiss\u00e3o, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o, \u00e0 viol\u00eancia do sistema colonial e do escravismo, que acabaram formando novos la\u00e7os de solidariedade e conviv\u00eancia coletiva.<\/p>\n<p>Palmares foi o quilombo que mais resistiu \u00e0 repress\u00e3o colonial, derrotando diversas expedi\u00e7\u00f5es militares (portugueses e holandeses), durou quase 100 anos. Composto por v\u00e1rias comunidades que se espalhavam pelas matas de Alagoas e Pernambuco ao longo do s\u00e9culo XVII, seu n\u00facleo ficava na Serra da Barriga (AL).<\/p>\n<p>Os quilombolas eram bastante organizados em termos militares e pol\u00edticos, tendo um governo pr\u00f3prio com l\u00edderes, conselhos e um sistema de defesa do seu territ\u00f3rio bem eficaz. Possuindo ainda diversas lavouras e uma estrutura de com\u00e9rcio que coexistia e se retroalimentava do com\u00e9rcio oficial com a sociedade vizinha.<\/p>\n<p>Os quilombos mantinham redes de com\u00e9rcio, rela\u00e7\u00f5es de trabalho, de amizades, parentesco, envolvendo escravos cativos, negros livres e libertos, comerciantes mesti\u00e7os e brancos.<\/p>\n<p>O governo da col\u00f4nia criou v\u00e1rias estrat\u00e9gias repressivas que n\u00e3o conseguiram acabar com as fugas das fazendas de cana-de-a\u00e7\u00facar. Evidente preju\u00edzo causavam os quilombos. Com isso os fazendeiros tentaram manter sob controle o n\u00famero de escravos fugidos e a forma\u00e7\u00e3o de novos quilombos.<\/p>\n<p>E, assim, surgiu a figura do capit\u00e3o-do-mato. Bandos armados financiados pelos fazendeiros, que formavam uma mil\u00edcia especializada na ca\u00e7a de escravos fugidos e na destrui\u00e7\u00e3o de quilombos mediante recompensas e pagamentos.<\/p>\n<p>Pode-se imaginar tamanha repress\u00e3o contra os negros e \u00edndios por sua resist\u00eancia contra a escravid\u00e3o. A repress\u00e3o brutal \u00e9 parte constitutiva do funcionamento do Brasil, n\u00e3o apenas na Col\u00f4nia, mas hoje inclusive. Garantindo estabilidade \u00e0 explora\u00e7\u00e3o dos que trabalham, ontem e hoje. Basta pensar no papel da pol\u00edcia nas periferias e lembrar imediatamente dos capit\u00e3es do mato da Col\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEmbora em lugares protegidos, os quilombolas na sua maioria viviam pr\u00f3ximos a engenhos, fazendas, lavras, vilas e cidades, na fronteira da escravid\u00e3o, mantendo uma rede de apoio e interesses que envolviam escravos, negros livres e mesmo brancos, de quem recebiam informa\u00e7\u00f5es sobre movimentos de tropas e outros assuntos estrat\u00e9gicos. Com essa gente eles trabalhavam, se acoitavam, negociavam alimentos, armas, muni\u00e7\u00f5es e outros produtos; com escravos e libertos podiam manter la\u00e7os afetivos, amig\u00e1veis, parentais e outros.\u201d (Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, 1996)<\/p>\n<p>Com o objetivo de conter o crescimento do Quilombo de Palmares, o governador de Pernambuco prop\u00f4s um \u201cacordo\u201d com os quilombolas. A contrapartida do \u201cacordo\u201d era o fim das fugas, portanto, a abdica\u00e7\u00e3o da luta pela liberdade por parte daqueles que ainda estavam nas senzalas.<\/p>\n<p>Com isso as for\u00e7as do Imp\u00e9rio portugu\u00eas financiaram um grande cerco ao Quilombo de Palmares, contratando os bandeirantes (ca\u00e7adores de \u00edndios paulistas) para derrot\u00e1-lo. Em 1675, o Quilombo \u00e9 sitiado por soldados portugueses e bandeirantes.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s v\u00e1rias batalhas em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se l\u00edder do Quilombo de Palmares, comandando a resist\u00eancia de uma guerrilha contra as tropas do governo. Apenas em 1694 o Quilombo \u00e9 finalmente derrotado. Mas, s\u00f3 um ano ap\u00f3s o l\u00edder dos Palmares \u00e9 capturado e executado, tendo sua cabe\u00e7a exposta em lugar p\u00fablico de Recife.<\/p>\n<p>Depois do Quilombo de Palmares os donos do poder no Brasil (fazendeiros, latifundi\u00e1rios, grandes comerciantes) trataram de tentar apagar essa experi\u00eancia da hist\u00f3ria para que esse exemplo de luta pela liberdade e resist\u00eancia \u00e0 explora\u00e7\u00e3o nunca mais se repetisse.<\/p>\n<p>Hoje precisamos organizar novos quilombos. Nossas periferias s\u00e3o gigantescos acampamentos urbanos com enorme contingente de trabalhadores e trabalhadoras explorados e oprimidos, desempregados, subempregados e vivendo com baix\u00edssimas condi\u00e7\u00f5es de vida. \u00c9 preciso um verdadeiro levante como os quilombos para promover uma luta n\u00e3o apenas de resist\u00eancia e sobreviv\u00eancia, mas de luta pelo socialismo no Brasil.<\/p>\n<p>Luta pela socializa\u00e7\u00e3o da terra, pela socializa\u00e7\u00e3o da moradia, por uma democracia de trabalhadores e trabalhadoras, pela emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Latifundi\u00e1rio escravagista ou os dois ao mesmo tempo\u00a0 De norte a sul como pragas\u00a0 Alastrando a fome que acampa em<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5297"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5297"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5297\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5312,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5297\/revisions\/5312"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}