{"id":5307,"date":"2017-11-13T03:20:36","date_gmt":"2017-11-13T05:20:36","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5307"},"modified":"2017-11-15T09:28:23","modified_gmt":"2017-11-15T11:28:23","slug":"vidas-na-somalia-quem-liga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/11\/vidas-na-somalia-quem-liga\/","title":{"rendered":"Vidas na Som\u00e1lia: quem liga?"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 14 de outubro, duas explos\u00f5es provocadas em Mogad\u00edscio, capital da Som\u00e1lia, mataram mais de 350 pessoas e deixaram mais de 100 feridos. Eram \u00e1reas de intenso movimento, pr\u00f3ximas ao Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e da Universidade Nacional Somali. O atentado foi reivindicado pelo grupo jihadista Al Shabab, ligado \u00e0 Al-Qaeda. Em termos de n\u00fameros de v\u00edtimas, foi o pior atentado desde julho de 2016, quando uma s\u00e9rie de ataques a bombas matou mais de 320 pessoas em um mercado de Bagd\u00e1.<br \/>\nToda a gravidade do fato n\u00e3o foi suficiente para romper o sil\u00eancio da m\u00eddia corporativa burguesa, tampouco para promover a como\u00e7\u00e3o que os casos mais recentes de atentados causaram como o de \u201cCharlie Hebdo\u201d em Paris ou os ocorridos em Nice, Barcelona, Manchester e Las Vegas. O sil\u00eancio, o desprezo e a indiferen\u00e7a repetem-se como no atentado da Nig\u00e9ria em 2015, em que a morte de 111 pessoas negras sequer penetrou as redes sociais.<br \/>\nEste comportamento social nas m\u00eddias p\u00f5e em evid\u00eancia aquilo que a passividade em torno do genoc\u00eddio do povo negro no Brasil tamb\u00e9m nos revela: a morte e o sofrimento de gente pobre e negra s\u00e3o tidos como normal, naturalizam-se como um fardo a ser carregado Ad eternum.<br \/>\nO corte \u00e9tnico-racial reproduzido pela m\u00eddia corporativa refor\u00e7a a a\u00e7\u00e3o intencional da burguesia em aprofundar a desigualdade racial e, desta forma, aproveitar-se para pagar sal\u00e1rios mais baixos e aumentar a taxa de explora\u00e7\u00e3o em cima de quem, no Brasil, representa mais da metade da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO racismo se integrou \u00e0 sociedade capitalista como uma luva e, com a intensifica\u00e7\u00e3o da crise estrutural do capital, se reproduz tamb\u00e9m com intensidade em todas as esferas da sociedade. O preconceito racial interessa \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital e aos n\u00edveis de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia exigidos para manuten\u00e7\u00e3o ou retomada de taxas de lucro para a classe dominante.<br \/>\nMas, a quest\u00e3o n\u00e3o se encerra aqui. Na forma de sociabilidade capitalista, a vida humana importa enquanto capacidade de trabalho a ser vendida no mercado. O aprofundamento da crise estrutural, no entanto, faz com que a autorreprodu\u00e7\u00e3o do capital se torne cada vez mais degenerativa, destruindo as pr\u00f3prias bases constitutivas que d\u00e3o vitalidade ao sistema e a capacidade de desenvolver as for\u00e7as produtivas: as formas de exist\u00eancia humana e a natureza est\u00e3o em ru\u00ednas.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, dentro dos marcos do capital, para o agravamento das contradi\u00e7\u00f5es ampliadas geradas e o que temos \u00e9 a eje\u00e7\u00e3o de parcelas da popula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria como popula\u00e7\u00e3o sup\u00e9rflua, isto \u00e9, pessoas que n\u00e3o interessam ao capital como for\u00e7a de trabalho ou como mercado consumidor. O sil\u00eancio, a n\u00e3o como\u00e7\u00e3o, a falta de solidariedade de que falamos tamb\u00e9m encontram suas bases aqui. Se vidas negras n\u00e3o importam, vidas negras antiprodutivas, muito menos.<br \/>\nNa Som\u00e1lia, o intervencionismo imperialista em torno da posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do pa\u00eds (proximidade ao Golfo P\u00e9rsico e ao Canal de Suez), promoveu um cen\u00e1rio pol\u00edtico inst\u00e1vel e um quadro social t\u00e3o grave que metade de sua popula\u00e7\u00e3o &#8211; cerca de 6,7 milh\u00f5es de pessoas &#8211; necessita de ajuda humanit\u00e1ria. Destas, 275 mil crian\u00e7as sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o aguda severa e o pa\u00eds corre o risco de ter decretado o seu terceiro estado de fome, situa\u00e7\u00f5es ocorridas em 1992 e 2011.<br \/>\nCom a pior seca dos \u00faltimos anos e grande parte de sua produ\u00e7\u00e3o de alimentos voltada ao mercado internacional, as migra\u00e7\u00f5es internas est\u00e3o deslocando parte consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o norte do pa\u00eds em busca de \u00e1gua pot\u00e1vel e alimentos. Ali, 739 mil pessoas vivem em campos de refugiados, dormindo em tendas e em condi\u00e7\u00f5es extremamente prec\u00e1rias de vida. Como as previs\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o boas e o estio tende a se prolongar, a situa\u00e7\u00e3o nutricional e o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel v\u00e3o se tornando ainda mais graves.<br \/>\nAl\u00e9m disso, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, uma epidemia de c\u00f3lera e diarreia ceifou a vida de centenas de somalis e nas \u00e1reas superpovoadas dos campos de refugiados a popula\u00e7\u00e3o sofre com um surto de sarampo.<br \/>\nA inger\u00eancia do imperialismo na regi\u00e3o vem de longa data e o pa\u00eds, assim como ocorreu no Haiti, possui uma miss\u00e3o militar operando supostamente para combater o avan\u00e7o do Al Shabab. Ainda este ano, o presidente estadunidense Donald Trump autorizou o envio de tropas e um ataque a\u00e9reo como \u201cresposta\u201d contra o terrorismo.<\/p>\n<h2>Toda solidariedade ao povo somali!<\/h2>\n<p>A ofensiva burguesa e imperialista vem assolando os trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo com subtra\u00e7\u00e3o de direitos, rebaixamento brutal do padr\u00e3o de vida, sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, desemprego e privatiza\u00e7\u00f5es. Em alguns pa\u00edses da periferia do sistema as consequ\u00eancias se tornam ainda mais perversas com as guerras, atentados, deslocamentos, doen\u00e7as e a extrema pen\u00faria da imensa maioria da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDenunciamos a mis\u00e9ria capitalista, que mata e extermina em v\u00e1rias partes do mundo! Denunciamos o sil\u00eancio racista da m\u00eddia corporativa burguesa e a passividade com que trata o genoc\u00eddio negro, que tamb\u00e9m ocorre em todas as partes do mundo!<br \/>\nSolidarizamo-nos com a vida do povo somali e pelo fim de suas mortes, tamb\u00e9m com todas as lutas que a classe trabalhadora vem travando pelo mundo!<br \/>\n\u00c9 central enfrentarmos a ofensiva burguesa e imperialista! Necessitamos resgatar a concep\u00e7\u00e3o real e de pr\u00e1tica internacionalista, isto \u00e9, de unidade e solidariedade das lutas da classe trabalhadora pelo mundo! Precisamos de organiza\u00e7\u00f5es internacionais que coordenem e unifiquem mundialmente as lutas dos trabalhadores em \u00e2mbito global! Globalizar a luta contra o capital para fazer avan\u00e7ar a consci\u00eancia de classe, socialista e revolucion\u00e1ria!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 14 de outubro, duas explos\u00f5es provocadas em Mogad\u00edscio, capital da Som\u00e1lia, mataram mais de 350 pessoas e<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":5308,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5307"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5307"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5307\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5309,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5307\/revisions\/5309"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5308"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}