{"id":5342,"date":"2017-12-02T15:36:49","date_gmt":"2017-12-02T17:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5342"},"modified":"2018-05-28T17:03:51","modified_gmt":"2018-05-28T20:03:51","slug":"as-lutas-de-2017-e-a-necessaria-continuidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/12\/as-lutas-de-2017-e-a-necessaria-continuidade\/","title":{"rendered":"As lutas de 2017 e a necess\u00e1ria continuidade"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade iniciarmos uma reflex\u00e3o mencionando que o pa\u00eds est\u00e1 imerso em uma intensa crise pol\u00edtica aliada \u00e0 crise econ\u00f4mica, esta \u00faltima sendo express\u00e3o, no Brasil, da crise c\u00edclica iniciada em 2008.<br \/>\nCom esse cen\u00e1rio tamb\u00e9m h\u00e1 o risco da an\u00e1lise se prender apenas ao momento conjuntural, quando n\u00e3o \u00e9. Precisamos compreender o processo desde os governos Itamar, FHC e das eras Lula e Dilma (PT), que adotaram medidas respaldadas em uma s\u00e9rie de iniciativas dos parlamentares e propagandeadas como \u201cmedidas necess\u00e1rias para sair da crise\u201d pela grande m\u00eddia.<\/p>\n<h2>Um ano marcado por muitos ataques aos direitos sociais e trabalhistas<\/h2>\n<p>Alguns desses ataques mais recentes podem ser observados na PEC 55\/241 do Teto; na Terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita; na (contra)Reforma Trabalhista; na (contra)Reforma da Previd\u00eancia; na Portaria do Minist\u00e9rio do Trabalho, que buscava mudar o conceito de trabalho escravo contempor\u00e2neo no pa\u00eds (entre as novidades, estava a necessidade de impedimento do direito de ir e vir para a caracteriza\u00e7\u00e3o de crime, tornando irrelevante as condi\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e0s quais uma pessoa est\u00e1 submetida, mas uma decis\u00e3o do STF obrigou o governo a recuar); no Projeto de Lei entregue por parlamentares da bancada ruralista do Amazonas , que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia a 65% do total e que aprofundar\u00e1 o genoc\u00eddio aos povos ind\u00edgenas; no Projeto Escola Sem Partido; nos ataques ao funcionalismo e aos servi\u00e7os p\u00fablicos configurados nas medidas que pressup\u00f5em a reestrutura\u00e7\u00e3o de carreiras, Plano de Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria (PDV), adiamento de reajuste acordado com diversas categorias do funcionalismo, eleva\u00e7\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de 11% para 14% (para quem recebe mais de 5 mil reais), redu\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios como o de alimenta\u00e7\u00e3o, fim da estabilidade e demiss\u00e3o por suposta \u201cinsufici\u00eancia de desempenho\u201d (atrav\u00e9s de crit\u00e9rios subjetivos); na PEC 181\/2015 j\u00e1 aprovada na Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara que prev\u00ea criminalizar totalmente o aborto no Brasil (esse Projeto dilacera os direitos das mulheres de abortarem caso a gravidez seja de risco, fruto de estupro ou de feto anencef\u00e1lico e fortalece tamb\u00e9m a cultura do machismo e do estupro), coloca ainda mais em risco a vida das mulheres, especialmente, as mais pobres e das periferias das pequenas e grandes cidades.<br \/>\nNo conjunto, se aliados \u00e0 ofensiva para aprova\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, por exemplo, d\u00e1 a dimens\u00e3o de uma conjuntura bastante preocupante.<\/p>\n<h2>Aumento da resist\u00eancia da classe trabalhadora para derrotar o governo e as reformas<\/h2>\n<p>Entretanto, acontece algo que \u00e9 bastante rico para quem pensa a revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil: os tempos hist\u00f3ricos, em determinadas conjunturas, se aceleram e essa acelera\u00e7\u00e3o se d\u00e1, muitas vezes, pelo fato de que n\u00e3o se trata apenas de uma mera crise conjuntural.<br \/>\nTrata-se do fechamento de um ciclo hist\u00f3rico, ou seja, de um per\u00edodo e que, normalmente, vem junto com mais do que uma mera crise pol\u00edtica ou conjuntura desfavor\u00e1vel. Vem no bojo de uma s\u00e9ria crise da ordem capitalista e do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<br \/>\nPortanto, \u00e9 um momento em que necessitamos superar o esgotamento das lutas de pauta \u00fanica ou exclusiva de categorias e que tem predominado nos \u00faltimos anos sob a dire\u00e7\u00e3o das c\u00fapulas burocr\u00e1ticas da maioria das Centrais (CUT, CTB, For\u00e7a Sindical, UGT, Nova Central e CSB) no movimento da classe trabalhadora. Esse momento j\u00e1 tem motivado um ciclo de lutas constru\u00eddas na cidade e no campo, inclusive, como rep\u00fadio \u00e0 Reforma da Previd\u00eancia, proposta por Temer e que a maioria da popula\u00e7\u00e3o se coloca contr\u00e1ria.<br \/>\nNesse marco h\u00e1 o retorno \u00e0 cena pol\u00edtica das grandes mobiliza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora brasileira com a chama acesa no \u201cDia Internacional de Luta das Mulheres\u201d, no dia 08 de mar\u00e7o, a maior j\u00e1 vista em que milh\u00f5es de mulheres foram \u00e0s ruas pela manuten\u00e7\u00e3o de direitos, contra o machismo, contra a cultura do estupro, contra o feminic\u00eddio de que s\u00e3o v\u00edtimas cotidianamente e contra os diversos ataques do capital com as (contra)reformas em curso.<br \/>\nTivemos em seguida, a partir da Greve Nacional dos Professores, no dia 15 de mar\u00e7o, a mobiliza\u00e7\u00e3o de outras milhares de pessoas, que tamb\u00e9m impulsionaram Comit\u00eas de Base, fortaleceram o movimento e pressionando as Centrais Sindicais para a constru\u00e7\u00e3o da Greve Geral.<br \/>\nDepois seguiu o 31 de mar\u00e7o, Dia Nacional de Lutas, com greves e paralisa\u00e7\u00f5es em categorias importantes como metal\u00fargicos, petroleiros, servidores p\u00fablicos, etc.<br \/>\nEsse cen\u00e1rio incendi\u00e1rio tomou o Brasil no dia 28 de abril, na maior Greve Geral dos \u00faltimos 30 anos, em que boa parte do setor produtivo, dos servi\u00e7os p\u00fablicos, transportes e com\u00e9rcio por todo o pa\u00eds foram paralisados, evidenciando a disposi\u00e7\u00e3o de luta da classe trabalhadora.<br \/>\nEssa chama fomentou o dia 24 de maio no Ocupa Bras\u00edlia, tomada por milhares de trabalhadoras e trabalhadores para barrarem as reformas, e que foi duramente reprimida pelo governo.<br \/>\nEsse processo de lutas, a rejei\u00e7\u00e3o das trabalhadoras e trabalhadores \u00e0 Reforma da Previd\u00eancia e a impopularidade combinados com as den\u00fancias do Minist\u00e9rio P\u00fablico contra Temer por corrup\u00e7\u00e3o fizeram o governo e seus deputados adiarem a vota\u00e7\u00e3o da Reforma da Previd\u00eancia.<br \/>\nAgora, no 2\u00ba semestre, sob as lonas do MTST, o movimento por moradia se colocou no cen\u00e1rio pol\u00edtico como um dos principais movimentos de resist\u00eancia. H\u00e1 mais 2 meses, mais de 8 mil fam\u00edlias ocupam um terreno na zona metropolitana de S\u00e3o Bernardo do Campo, pelo direito \u00e0 moradia digna. A ocupa\u00e7\u00e3o vem crescendo e n\u00e3o se limita exclusivamente a sem tetos, agrega tamb\u00e9m pessoas que aguardam uma oportunidade para adquirir moradia e que n\u00e3o est\u00e3o conseguindo pagar aluguel, sufocados pela crise, pelas reformas e pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria das grandes cidades.<\/p>\n<h2>A criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais<\/h2>\n<p>Por\u00e9m, tamb\u00e9m foi um per\u00edodo muito antag\u00f4nico, pois houve lutas e enfrentamentos importantes pelo conjunto da classe trabalhadora, dos movimentos sociais e populares e, ao mesmo tempo, aumentou a criminaliza\u00e7\u00e3o aos movimentos sociais com diversos coletivos e segmentos sendo criminalizados pelo governo para favorecer os capitalistas.<br \/>\nA repress\u00e3o policial \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es, a persegui\u00e7\u00e3o aos ativistas e lutadores, as amea\u00e7as de morte, os processos judiciais e as demiss\u00f5es de dirigentes sindicais t\u00eam sido armas do governo e dos capitalistas para barrar essas lutas, o que demonstra bem o car\u00e1ter reacion\u00e1rio da \u201cdemocracia\u201d dos ricos.<\/p>\n<h2>A necessidade de seguirmos com as lutas<\/h2>\n<p>Portanto, urge construirmos novamente uma jornada de lutas que seja oriunda e resultado de todo esse processo de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da classe e dos setores marginalizados pelo capitalismo, para intensificarmos e radicalizarmos as lutas nas ruas contra a explora\u00e7\u00e3o burguesa e contra todos os ataques do capital.<br \/>\nA continuidade da luta com os m\u00e9todos da democracia oper\u00e1ria, uma Greve Geral que paralise por completo as principais fontes de produ\u00e7\u00e3o e o trancamento das principais rodovias para impedir o escoamento de mercadorias se faz urgente para a retirada da Reforma da Previd\u00eancia e para o cancelamento das reformas aprovadas sem o aval da classe trabalhadora.<br \/>\nComo dissemos no Jornal de n\u00ba 104, essa constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tarefa simples j\u00e1 que inverter a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as n\u00e3o se d\u00e1 de um dia para o outro, \u201cmas as coisas podem mudar a nosso favor. A nossa luta faz os poderosos tremerem, pois sabem da nossa for\u00e7a. A classe trabalhadora unida e organizada pode destruir o capitalismo, transformar e mudar o mundo!<\/p>\n<h2>A maioria das Centrais Sindicais na contram\u00e3o das lutas<\/h2>\n<p>O processo de ebuli\u00e7\u00e3o das lutas tem sido constantemente golpeado pelas dire\u00e7\u00f5es da maioria das Centrais \u2013 CUT, CTB, For\u00e7a Sindical e UGT. Foi o que vimos no decorrer do ano e mais nitidamente quando desmobilizou a convoca\u00e7\u00e3o da greve geral do dia 30 de junho levando confus\u00e3o as trabalhadoras e trabalhadores no processo de divulga\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o, disseminando uma atmosfera de d\u00favidas e incertezas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 data.<br \/>\nPriorizaram, por todo o ano durante os ataques, a negocia\u00e7\u00e3o com o governo para a manuten\u00e7\u00e3o do Imposto Sindical. Essas dire\u00e7\u00f5es mostraram toda a irresponsabilidade com a classe trabalhadora e com os ataques de retirada de direitos historicamente conquistados. Junto com isso, buscavam apontar para a burguesia que as mobiliza\u00e7\u00f5es da classe n\u00e3o teriam for\u00e7as suficientes para barrar as reformas.<br \/>\nO resultado foi uma dolorosa derrota pol\u00edtica para as trabalhadoras e trabalhadores com a aprova\u00e7\u00e3o da Terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita, da Reforma Trabalhista e com a possibilidade de o governo se rearticular para a aprova\u00e7\u00e3o da Reforma Previdenci\u00e1ria.<br \/>\nCom toda a press\u00e3o da base das categorias, dos movimentos e com o aumento das mobiliza\u00e7\u00f5es as Centrais Sindicais foram obrigadas a iniciar a convoca\u00e7\u00e3o de um Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es e Greves, desta vez marcado para o dia 05 de dezembro.<br \/>\nNo entanto, mais uma vez, na primeira oportunidade (em que houve a desmarca\u00e7\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o, prevista para o dia 06 de dezembro, na C\u00e2mara dos Deputados), essas dire\u00e7\u00f5es das Centrais pelegas e burocr\u00e1ticas recuaram. Cancelaram o Dia Nacional de Mobiliza\u00e7\u00f5es e Greves sem consultar as categorias, os movimentos, etc., que j\u00e1 haviam decidido em suas assembleias e locais pela participa\u00e7\u00e3o. For\u00e7ando as bases das categorias postergarem suas a\u00e7\u00f5es de ruas, num momento crucial que poder\u00edamos enterrar de vez a Reforma da Previd\u00eancia. Com isso, insistimos em dizer que j\u00e1 est\u00e1 na hora do movimento oper\u00e1rio e de lutas superar essas dire\u00e7\u00f5es, tomar nas m\u00e3os os rumos da luta, construir seu calend\u00e1rio e colocar abaixo os ataques do governo e da burguesia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade iniciarmos uma reflex\u00e3o mencionando que o pa\u00eds est\u00e1 imerso em uma intensa crise pol\u00edtica aliada \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":5343,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,63],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5342"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5342"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5342\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5344,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5342\/revisions\/5344"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5342"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5342"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5342"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}