{"id":5345,"date":"2017-12-01T15:51:50","date_gmt":"2017-12-01T17:51:50","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5345"},"modified":"2018-05-28T17:04:05","modified_gmt":"2018-05-28T20:04:05","slug":"as-lutas-das-mulheres-da-classe-trabalhadora-e-a-necessidade-de-enfrentamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/12\/as-lutas-das-mulheres-da-classe-trabalhadora-e-a-necessidade-de-enfrentamento\/","title":{"rendered":"As lutas das mulheres da classe trabalhadora e a necessidade de enfrentamento"},"content":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a \u201cregi\u00e3o mais violenta do mundo contra as mulheres fora de um contexto de guerra\u201d (PNUD). \u00c9 triste come\u00e7ar um texto com esta constata\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio para reafirmarmos o quanto o sistema capitalista cria desumanidades e que, embora sejam imposs\u00edveis de serem superadas em seu interior, necessitam ser duramente combatidas. O capitalismo e os modos de produ\u00e7\u00e3o divididos em classes sociais que o antecederam colocam a mulher em condi\u00e7\u00e3o de subservi\u00eancia e domina\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o da propriedade privada e, por isso, entendemos, que a total liberta\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 poss\u00edvel com o fim do capitalismo.<\/p>\n<h2>A realidade das mulheres brasileiras: uma breve descri\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A realidade para as mulheres brasileiras, especificamente, n\u00e3o \u00e9 uma das melhores\u2026 Apesar de pequenos avan\u00e7os conquistados ao longo da hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00e3o suficientes para alegar que homens e mulheres (entendendo homens e mulheres socialmente constru\u00eddos) s\u00e3o socialmente iguais. E o que presenciamos cotidianamente \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o dessas desigualdades.<br \/>\nNo que tange a viol\u00eancia contra a mulher os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes: S\u00e3o cerca de 12 assassinatos por dia. S\u00e3o mais de 40 mil estupros por ano e estupros coletivos s\u00e3o cerca de 10 por dia. Somados a isso, as mulheres precisam lidar diariamente com fato de n\u00e3o terem o controle sobre seus pr\u00f3prios corpos. Se tratando da liberdade ao aborto ainda temos diversos entraves no campo pol\u00edtico, ideol\u00f3gico e moral: fechasse os olhos para as demais quest\u00f5es concretas das necessidades das mulheres, o aborto seguro permanece uma delas. S\u00e3o mais de 850 mil casos por ano de aborto clandestino, sendo que a cada dois dias uma mulher morre v\u00edtima do m\u00e9todo clandestino e inseguro. O que o torna uma das principais causas de mortalidade materna no pa\u00eds.<br \/>\nAl\u00e9m desses altos n\u00fameros de viol\u00eancia, a mulher trabalhadora conta tamb\u00e9m com o alto \u00edndice de desemprego (14,9%, no segundo semestre), t\u00edpico de per\u00edodos de crise em que \u00e9 uma das primeiras a ser colocada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o pelo capital para for\u00e7ar ainda mais o rebaixamento do n\u00edvel salarial, para que assuma vagas prec\u00e1rias sem direitos e para que em seus lares se responsabilize pelos servi\u00e7os que a fam\u00edlia n\u00e3o mais ter\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de arcar.<\/p>\n<h2>Um ano intenso de luta<\/h2>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que as mulheres t\u00eam se organizado pelo mundo em manifesta\u00e7\u00f5es, greves e em v\u00e1rias entidades para se unirem e se fortalecerem em luta contra a opress\u00e3o, a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o e o machismo. As mulheres da classe trabalhadora se posicionaram de alguma forma contra a ordem vigente, demonstrando o potencial dessas lutas na luta de classes. \u00c9 a rela\u00e7\u00e3o classe e luta das mulheres que potencializa a luta contra o modo de produ\u00e7\u00e3o que vem destruindo as nossas vidas.<br \/>\nNo 8 de mar\u00e7o deste ano, a Greve Internacional Contra a Viol\u00eancia Machista e a Desigualdade de G\u00eanero, com o chamado \u201cse nossas vidas n\u00e3o valem, que produzam sem n\u00f3s\u201d em mais de 40 pa\u00edses, colocou a classe trabalhadora em movimento em v\u00e1rios cantos da Am\u00e9rica Latina e do mundo. Al\u00e9m disso, levantou quest\u00f5es profundas que se chocam aos interesses do capital. Isso porque as mulheres assumem um duplo papel na esfera da reprodu\u00e7\u00e3o social: ela produz e reproduz. Esse fator nos faz compreender a atual import\u00e2ncia da luta das mulheres contra o capitalismo e faz entender a necessidade do confronto dos limites dessa sociedade em atender as reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres.<br \/>\nNo Brasil, logo ap\u00f3s o Dia Internacional de Luta da Mulher, ocorreu o 28 de abril com a maior Greve Geral dos \u00faltimos anos. E lembrou, inclusive, a 1\u00aa Greve Geral no pa\u00eds ocorrida h\u00e1 100 anos e iniciada com trabalhadoras t\u00eaxteis de S\u00e3o Paulo. Em linhas gerais pelo mundo, foram greves, atos e mobiliza\u00e7\u00f5es que insistiram na import\u00e2ncia da luta contra as v\u00e1rias formas de viol\u00eancia \u00e0 mulher e o fato de o trabalho no mercado formal ser apenas uma parte do trabalho da mulher sob o capitalismo, que para manter a explora\u00e7\u00e3o necessita do trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado para a reprodu\u00e7\u00e3o da sociedade e das rela\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nDurante todo esse ano n\u00e3o foram poucas as mobiliza\u00e7\u00f5es das mulheres organizadas e dos movimentos feministas pelos mais diversos motivos, demonstrando o quanto tem sido necess\u00e1rio reagir aos grotescos abusos e retrocessos do atual momento. Chegamos no \u00faltimo m\u00eas de novembro com milhares de mulheres em manifesta\u00e7\u00f5es contra a PEC 181, que al\u00e9m de buscar impedir a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez mesmo em caso de estupro, por considerar a vida inviol\u00e1vel desde a concep\u00e7\u00e3o, o Projeto de Emenda Constitucional, tenta criminalizar o aborto tamb\u00e9m nesse caso. Algo que j\u00e1 era indiscut\u00edvel para as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<br \/>\nIsso indica tamb\u00e9m o quanto o Estado brasileiro patriarcal busca, a todo momento, se alinhar \u00e0s for\u00e7as reacion\u00e1rias para controlar o corpo e a vida da mulher a fim de submet\u00ea-la e subjuga-la, necessidade tamb\u00e9m do capital para impor \u00e0 classe trabalhadora a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, nesse momento, inclusive, com as reformas.<\/p>\n<h2>O caminho \u00e9 intensificar a organiza\u00e7\u00e3o e as lutas<\/h2>\n<p>N\u00e3o tem sido f\u00e1cil lutar pela sobreviv\u00eancia (emprego, estudo, moradia, etc.), contra a ofensiva do governo sobre os cortes no or\u00e7amento p\u00fablico e o corte dos servi\u00e7os p\u00fablicos (bolsas estudos, transporte, postos de sa\u00fade, etc.), ter que enfrentar o avan\u00e7o da direita que \u00e9 machista, racista e homof\u00f3bica e, ainda, combater o machismo cotidianamente e em cada a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNesse sentido, a unidade da mulher da classe trabalhadora no dia a dia e nas lutas tem sido fundamental para intensificar os enfrentamentos e necessita de maior organiza\u00e7\u00e3o tanto para seu fortalecimento quanto para construir caminhos anticapitalistas de supera\u00e7\u00e3o desta sociedade, para que enfim possamos obter uma liberdade substantiva. As lutas que se seguem apontam o caminho, mas ainda \u00e9 insuficiente. \u00c9 preciso avan\u00e7ar.<br \/>\nAs lutas imediatas tamb\u00e9m s\u00e3o importantes nesse primeiro momento e por isso n\u00e3o podemos aceitar ou baixar a cabe\u00e7a para os desmandos de setores reacion\u00e1rios que buscam retirar nossos direitos duramente conquistados e dominar os nossos corpos. N\u00e3o podemos permitir que o n\u00famero de assassinatos de mulheres continue! N\u00e3o podemos permitir que precarizem ainda mais as nossas vidas. A explora\u00e7\u00e3o do trabalho, o trabalho n\u00e3o pago, a jornada tripla, o machismo, o racismo e a homofobia, existentes no capitalismo, t\u00eam feito da vida da mulher algo distante das necessidades humanas. \u00c9 necess\u00e1rio revertemos isso, com organiza\u00e7\u00e3o e com a luta!<\/p>\n<h2>Mirar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e o importante papel das Revolucion\u00e1rias<\/h2>\n<p>Esse ano faz exatamente 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e apesar das cr\u00edticas e diverg\u00eancias que existem em torno do debate sobre esse processo, uma coisa n\u00e3o podemos negar, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa abalou o mundo. E dizer isso \u00e9 tamb\u00e9m afirmar que nos trouxe um ac\u00famulo hist\u00f3rico em diversos sentidos, como por exemplo o papel das mulheres para a Revolu\u00e7\u00e3o acontecer, para os avan\u00e7os que proporcionou ao mundo e pela indica\u00e7\u00e3o do caminho \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o humana.<br \/>\nAp\u00f3s 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 ineg\u00e1vel qu\u00e3o avan\u00e7adas eram as pautas que tocavam nos direitos das mulheres. Pautas como o direito ao aborto seguro, o fim do trabalho dom\u00e9stico, o div\u00f3rcio livre, o direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho, a vida p\u00fablica, etc. J\u00e1 eram pautas concretas do movimento de mulheres tanto fora quanto no interior do Partido Bolchevique. Pautas que eram vistas como prioridades, pois se se quisesse uma sociedade verdadeiramente livre era preciso que todas as pessoas humanas tivessem livres de suas aliena\u00e7\u00f5es.<br \/>\nHoje, percebemos que as pautas hist\u00f3ricas do movimento de mulheres continuam na ordem do dia, assim como o horizonte da emancipa\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 por isso que defendemos a import\u00e2ncia da luta das mulheres tanto nas reivindica\u00e7\u00f5es imediatas, contra as reformas, contra a direita quanto no enfrentamento aos limites do capital, que n\u00e3o pode conceder essa liberdade e tampouco esses direitos sem muita luta.<br \/>\nAfinal n\u00e3o se trata apenas de mulheres ganharem o mesmo sal\u00e1rio que os homens simplesmente \u2013 o que pode ser importante a curto prazo, na atual conjuntura de crise que tende a precarizar ainda mais as condi\u00e7\u00f5es de emprego e de aumento da pobreza \u2013 mas se trata de lutarmos por uma sociedade em que sejamos \u201c socialmente iguais e humanamente diferentes\u201d at\u00e9 que tenhamos mulheres livres!<br \/>\n\u00c9 neste sentido que afirmamos que a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o humana passa pelas m\u00e3os da mulher, pois uma sociedade que se prop\u00f5e emancipada, mas na pr\u00e1tica seus setores oprimidos continuam oprimidos, n\u00e3o revela essa liberdade substantiva. Da mesma forma que as condi\u00e7\u00f5es para tal liberdade perpassa uma por revolu\u00e7\u00e3o social contra o sistema capitalista e s\u00f3 a unidade da classe trabalhadora em conjunto com todos os setores oprimidos da sociedade \u00e9 capaz de um enfrentamento radical ao sistema do capital nas lutas e na vida cotidiana.<br \/>\nViva a luta das mulheres trabalhadoras!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a \u201cregi\u00e3o mais violenta do mundo contra as mulheres fora de um contexto de guerra\u201d (PNUD).<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":5346,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,14],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5345"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5345"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5347,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5345\/revisions\/5347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}