{"id":5381,"date":"2017-12-13T16:10:34","date_gmt":"2017-12-13T18:10:34","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5381"},"modified":"2017-12-14T11:17:31","modified_gmt":"2017-12-14T13:17:31","slug":"os-debates-nas-atividades-de-100-anos-da-revolucao-socialista-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/12\/os-debates-nas-atividades-de-100-anos-da-revolucao-socialista-russa\/","title":{"rendered":"Os Debates nas Atividades de 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Russa"},"content":{"rendered":"<p>Em 2017 celebramos os 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Russa, a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o socialista vitoriosa da hist\u00f3ria e o principal feito da humanidade que comprovou a possibilidade de destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo, de autogoverno dos trabalhadores e de constru\u00e7\u00e3o de um novo tipo de sociedade, humana.<\/p>\n<p>Ao longo desse ano e, sobretudo, a partir do segundo semestre, houve milhares de atividades sobre esse processo revolucion\u00e1rio. Atividades organizadas por coletivos, partidos pol\u00edticos, sindicatos, entidades estudantis, grupos de pesquisas, dentre outros. Houve tamb\u00e9m a publica\u00e7\u00e3o de um extenso material de an\u00e1lises, debates e caracteriza\u00e7\u00f5es sobre o que foi, o que representou, os problemas e os significados da Revolu\u00e7\u00e3o Russa na atualidade.<\/p>\n<p>N\u00f3s do Espa\u00e7o Socialista (OMR), desde mar\u00e7o, temos publicado mensalmente ao menos um texto no nosso jornal sobre o processo que desembocou na Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Russa em Outubro de 1917, mais precisamente no dia 25 de Outubro (no antigo calend\u00e1rio russo, juliano) e 7 de Novembro (no calend\u00e1rio ocidental, gregoriano).<\/p>\n<p>As pol\u00eamicas em torno da Revolu\u00e7\u00e3o Russa s\u00e3o muitas. No entanto, n\u00e3o tem como ser diferente, uma vez que, al\u00e9m de estarmos tratando de um processo real e concreto da luta de classes, \u00e9 o \u00fanico processo vitorioso em que a classe oper\u00e1ria atrav\u00e9s dos Conselhos (sovietes) ou, ainda, dos organismos de duplo poder, conseguiu expropriar a burguesia, destruir o Estado burgu\u00eas e impor uma nova ordem social. Tudo isso no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e num pa\u00eds perif\u00e9rico de dimens\u00f5es continentais.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendemos aqui fazer discuss\u00f5es a respeito do processo hist\u00f3rico que levou a tal acontecimento, at\u00e9 porque isso j\u00e1 foi feito em jornais anteriores, este texto busca apresentar uma breve s\u00edntese das discuss\u00f5es e debates mais gerais que estiverem presentes nas atividades do Centen\u00e1rio acerca da tomada do poder, da caracteriza\u00e7\u00e3o da URSS (Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Sovi\u00e9ticas Socialistas) e do fim da URSS, em especial, as que nos s\u00e3o familiares enquanto organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica marxista, al\u00e9m de ressaltar a import\u00e2ncia de manter a Revolu\u00e7\u00e3o Russa na mem\u00f3ria dos movimentos de luta e da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das pol\u00eamicas em torno da tomada do poder pelo Partido Bolchevique e pelo Comit\u00ea Militar do Soviete de Petrogrado atrav\u00e9s de uma insurrei\u00e7\u00e3o armada \u00e9 de que tal ato representou um golpe de Estado. Esse \u00e9 um dos principais argumentos dos contrarrevolucion\u00e1rios para deslegitimar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Evidentemente, a tomada do poder n\u00e3o representou um golpe, por motivos como: um golpe de Estado \u00e9 uma conspira\u00e7\u00e3o ilegal de tomar o poder de uma m\u00e1quina estatal operante, o que n\u00e3o foi o caso da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Nesse caso, o regime pol\u00edtico e o Estado oficial estavam esvaziados, sem confian\u00e7a e sem qualquer legitimidade da ampla maioria da popula\u00e7\u00e3o, pois os sovietes de oper\u00e1rios, camponeses e soldados j\u00e1 eram, de fato, os que exerciam o poder.<\/p>\n<p>Tais sovietes, em que o Partido Bolchevique (na \u00e9poca com mais de 250 mil militantes) era a maioria, legitimaram a tomada do poder horas depois no II Congresso dos Sovietes de toda a R\u00fassia que, enquanto Congresso dos Sovietes, assumiu a dire\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi a maior revolu\u00e7\u00e3o social do mundo, um processo que n\u00e3o trocou uns \u201cpol\u00edticos\u201d por outros ou, em termos marxistas, que mudou apenas a superestrutura. Esse processo transformou as bases da sociedade, mudou a forma de organiza\u00e7\u00e3o da propriedade, do trabalho e de todas as demais dimens\u00f5es da vida. Outro aspecto a considerar \u00e9 que uma Revolu\u00e7\u00e3o sempre tem um sujeito social e um sujeito pol\u00edtico e que, no caso da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, esses sujeitos foram as oper\u00e1rias, os oper\u00e1rios e o Partido Bolchevique.<\/p>\n<p>Outro tema pol\u00eamico \u00e9 o car\u00e1ter do estado. H\u00e1 discuss\u00f5es se o que houve na URSS foi um socialismo real, se foi um Estado oper\u00e1rio degenerado, se foi um capitalismo de Estado ou se foi um Estado burocratizado. Para compreender esse debate \u00e9 necess\u00e1rio entender todo o processo revolucion\u00e1rio e os anos subsequentes \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>No entanto, podemos afirmar que durante a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e ainda por alguns anos n\u00e3o eram mais os patr\u00f5es que decidiam o que seria produzido e sim a classe oper\u00e1ria; n\u00e3o era mais a pol\u00edcia que fazia a vigil\u00e2ncia e seguran\u00e7a e sim as mil\u00edcias populares comandadas pela pr\u00f3pria comunidade. E, assim, v\u00e1rios outros aspectos da vida eram decididos pela classe oper\u00e1ria at\u00e9 que uma casta (chamada tamb\u00e9m de burocracia) se apossou dos \u00f3rg\u00e3os de decis\u00e3o e passou a decidir sem considerar os organismos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o passar dos anos e, principalmente, com a ascens\u00e3o do stalinismo houve uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica no regime, com uma intensa repress\u00e3o aos militantes que se contrapunham \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o (intensificada com os Processos de Moscou), ao cerceamento das liberdades democr\u00e1ticas, ao fim da autonomia dos sovietes (que passaram a ser controlados pelo Estado), ao fim da Internacional Comunista (que expandiria a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista para outros pa\u00edses), ao controle do trabalho e das diversas formas de express\u00f5es art\u00edsticas e sexuais, dentre v\u00e1rios outros problemas.<\/p>\n<p>A burocracia ao se instalar no poder e para manter e perpetuar seus privil\u00e9gios passou a defender os seus interesses pr\u00f3prios e particulares. Embora n\u00e3o fosse diretamente propriet\u00e1ria dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a burocracia controlava todo o processo de trabalho e mantinha os oper\u00e1rios em situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, o que possibilitava viver de forma parasit\u00e1ria consumindo as riquezas produzidas pelos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os meios de produ\u00e7\u00e3o eram propriedades do Estado, que passou a ser controlado pela burocracia afastando a classe trabalhadora de qualquer forma de controle, inclusive do controle de sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Burguesia, propriedade privada, capitalismo e capital foram colocados em questionamento com a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Mas, \u00e9 certo que o socialismo n\u00e3o se efetivou em sua real ess\u00eancia, porque ainda havia divis\u00e3o social do trabalho dentro dos moldes burgueses, o assalariamento (separa\u00e7\u00e3o entre trabalhador e meios de produ\u00e7\u00e3o), n\u00e3o eram os oper\u00e1rios que controlavam o poder pol\u00edtico atrav\u00e9s dos seus organismos de poder (separa\u00e7\u00e3o entre trabalhador e meios de gest\u00e3o da vida social) e, sobretudo, n\u00e3o controlavam a produ\u00e7\u00e3o de riquezas.<\/p>\n<p>Com isso entendemos que a URSS representou um Estado burocratizado, pois a classe oper\u00e1ria n\u00e3o controlava o poder pol\u00edtico e nem a produ\u00e7\u00e3o de riquezas, tarefa que era exercida por uma burocracia contrarrevolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Dessa forma, passamos a uma outra pol\u00eamica que sobre o fim da URSS. Muitos dizem representou o fim do socialismo, que foi uma grande derrota dos trabalhadores ou que foi uma vit\u00f3ria pelo fim da contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00f3s entendemos que o fim da URSS representou um retrocesso de dimens\u00f5es gigantescas para o movimento oper\u00e1rio, pois se por um lado acabou com todo aquele aparato burocr\u00e1tico, por outro, abriu um per\u00edodo de crise de alternativas socialistas em que a classe oper\u00e1ria, a classe trabalhadora e as amplas massas populares perderam o referencial socialista para suas lutas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos maiores, se n\u00e3o o maior dos problemas que enfrentamos no movimento hoje. Com a crise do capital, o desemprego estrutural, a falta de perspectivas de futuro e o esfacelamento de direitos b\u00e1sicos da classe trabalhadora n\u00e3o h\u00e1 outro caminho sen\u00e3o a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista, que \u00e9 mundial.<\/p>\n<p>Contudo, h\u00e1 esse empecilho subjetivo para constru\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia socialista em um momento em que, mais do que nunca, o Socialismo continua sendo uma necessidade para a preserva\u00e7\u00e3o da humanidade e do planeta Terra.<\/p>\n<p>Vale lembrar que no momento em n\u00e3o se acreditava na Revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia as oper\u00e1rias russas paralisaram a produ\u00e7\u00e3o e sa\u00edram \u00e0s ruas e nas demais f\u00e1bricas fazendo piquetes e buscando a solidariedade dos demais oper\u00e1rios, dando in\u00edcio a maior Revolu\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>Esse ano, do centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, vivemos no Brasil um grande levante das mulheres e a maior Greve Geral das \u00faltimas d\u00e9cadas o que veio saudar as diversas atividades e debates que reascendem a chama da maior Revolu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Por isso, assim como disse Marx, dizemos: \u201cA revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 morta! \u2014 Viva a revolu\u00e7\u00e3o! \u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2017 celebramos os 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista Russa, a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o socialista vitoriosa da hist\u00f3ria e o principal<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":4949,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5381"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5381"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5382,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5381\/revisions\/5382"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}