{"id":5431,"date":"2018-02-04T16:19:35","date_gmt":"2018-02-04T18:19:35","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5431"},"modified":"2018-02-08T17:49:15","modified_gmt":"2018-02-08T19:49:15","slug":"breve-reflexao-sobre-os-ultimos-anos-do-movimento-petroleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/02\/breve-reflexao-sobre-os-ultimos-anos-do-movimento-petroleiro\/","title":{"rendered":"Breve reflex\u00e3o sobre os \u00faltimos anos do movimento petroleiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Acordo Coletivo de trabalho dos petroleiros 2017-2019 foi o pior dos \u00faltimos anos. Num cen\u00e1rio de constante amea\u00e7a de privatiza\u00e7\u00e3o de unidades e uma pol\u00edtica de culpar v\u00edtimas de acidentes, os petroleiros ainda amargam no Acordo perda de benef\u00edcios sem qualquer contrapartida e um reajuste de 1,73%. Benef\u00edcios como AMS (Assist\u00eancia Multidisciplinar de Sa\u00fade) ficar\u00e3o bem mais caros aos bolsos dos trabalhadores e alguns como o Benef\u00edcio Farm\u00e1cia podem, na pr\u00e1tica, acabar sendo invi\u00e1veis \u00e0 maioria. Al\u00e9m disto, cl\u00e1usulas como de despedida coletiva, ficaram nebulosas, se limitando a formalidades como &#8220;discuss\u00e3o&#8221; com sindicatos.<\/p>\n<p>O principal culpado deste fechamento de acordo \u00e9 a Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP), Federa\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 CUT que, sem tentar qualquer resist\u00eancia, indicou que seus s\u00f3cios aprovassem o que a diretoria da empresa queria.<\/p>\n<p>\u00c9 importante entender que o fechamento deste acordo coroa o jejum de 2 anos sem greves nacionais dos petroleiros, ap\u00f3s a hist\u00f3rica greve de 2015. O ano de 2015 foi um divisor de \u00e1guas, uma greve onde a empresa tentava retirar benef\u00edcios e, com a luta, os petroleiros garantiram sua manuten\u00e7\u00e3o. Contudo, no meio do caminho, quando era poss\u00edvel avan\u00e7ar, a FUP retirou o time de campo e orientou que suas bases recuassem. O diferencial foi que, na \u00e9poca, tr\u00eas de suas quinze bases se rebelaram e se mantiveram na luta junto com a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Petroleiros (FNP), uma Federa\u00e7\u00e3o independente que coordena cinco sindicatos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As bases &#8220;rebeldes&#8221; de 2015 tiveram de lutar contra o inimigo de classe, mas tamb\u00e9m tiveram que lutar contra seu falso aliado, diretorias de sindicatos que faziam de tudo para desanimar o grevista. No final, acabaram recuando de forma honrosa, vendo que seus l\u00edderes se mostraram incapazes no momento que mais se precisava deles.<\/p>\n<p>Um processo de luta como o de 2015 gera li\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias na categoria e nas dire\u00e7\u00f5es. Parte importante da categoria entendeu que se precisava de ferramentas que n\u00e3o temos nos dias de hoje, que fossem capazes de unificar os trabalhadores de base, o &#8220;ch\u00e3o-de-f\u00e1brica&#8221; dos diversos cantos do pa\u00eds, sem depender de qualquer l\u00edder sindical cheio de motivos obscuros&#8230; e tamb\u00e9m sentiu que n\u00e3o estava pronta para enfrentar o time advers\u00e1rio quando seu t\u00e9cnico est\u00e1 vendido&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 parte das dire\u00e7\u00f5es Fupistas aprendeu que a greve \u00e9 perigosa demais para ela, pois mostra aos trabalhadores quem eles s\u00e3o de fato. Nestes elementos devem estar \u00e0 explica\u00e7\u00e3o para os dois anos seguintes&#8230;<\/p>\n<p>O ano de 2016 foi o ano em que s\u00f3 tivemos lutas isoladas, que n\u00e3o foram pequenas, mas n\u00e3o unificaram as diversas bases como, por exemplo, a greve de H1 (greve apenas no turno da noite), que enfrentou amea\u00e7a de advert\u00eancia e o medo de diretores sindicais locais. Tivemos tamb\u00e9m blefes da FUP. Quem n\u00e3o se lembra da &#8220;greve de Natal e Ano Novo&#8221;? Naquele ano, a FNP ficou a reboque da FUP, sempre tentando fazer um acordo com as dire\u00e7\u00f5es, sem alcan\u00e7ar as bases Fupistas.<\/p>\n<p>Em 2017, na sequ\u00eancia, foi o ano onde vivemos num eterno &#8220;estado de greve e assembleia permanente&#8221; que nunca chegou a uma greve de fato. At\u00e9 que em 2018 se assina o limitado acordo que a diretoria da FUP diz ser uma grande conquista. Isolada e sem for\u00e7as, a FNP teve de voltar atr\u00e1s em suas tentativas de greve e acabou por assinar tamb\u00e9m o acordo, contudo deixando seus trabalhadores cientes dos limites. Enquanto a FUP assume cada vez mais seu papel de dire\u00e7\u00e3o que freia os trabalhadores, a FNP apesar de tentar mobilizar suas bases, se mostrou incapaz de ser dire\u00e7\u00e3o nas bases da FUP.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do processo \u00e9 que as tarefas colocadas em 2015 para os petroleiros ainda n\u00e3o foram cumpridas. N\u00e3o se conseguiu at\u00e9 aqui, de forma unificada, criar rebeldia nas bases da FUP, e n\u00e3o se conseguiu trocar as dire\u00e7\u00f5es Fupistas. Apesar de suas particularidades, o processo de petroleiros se assemelha ao processo mais geral do proletariado brasileiro que, ap\u00f3s as grandes lutas de 2013, n\u00e3o consegue avan\u00e7ar superando as tarefas que se abriram, ou trocando suas dire\u00e7\u00f5es vendidas\/burocratizadas, perdendo direitos sem apresentar uma resist\u00eancia \u00e0 altura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Acordo Coletivo de trabalho dos petroleiros 2017-2019 foi o pior dos \u00faltimos anos. 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