{"id":56,"date":"2008-12-13T16:38:29","date_gmt":"2008-12-13T16:38:29","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/56"},"modified":"2018-05-04T21:48:24","modified_gmt":"2018-05-05T00:48:24","slug":"oscar-2005-introducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/oscar-2005-introducao\/","title":{"rendered":"Oscar 2005 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>OSCAR 2005 &#8211; INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um dos crit\u00e9rios mais importantes para a qualifica\u00e7\u00e3o de um filme para a disputa dos Oscar diz respeito \u00e0 data de lan\u00e7amento. Os filmes que concorrer\u00e3o em um determinado ano devem ter sido lan\u00e7ados comercialmente at\u00e9 dezembro do ano anterior no territ\u00f3rio estadunidense (exibi\u00e7\u00f5es em festivais n\u00e3o contam). Essa restri\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para a defini\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia dos executivos encarregados de pensar o aspecto puramente comercial do cinema. Em muitos casos, o \u00fanico atrativo mercadol\u00f3gico com o qual os est\u00fadios esperam poder contar para vender um determinado g\u00eanero de filme \u00e9 o pr\u00eamio da Academia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Pensando no impulso de marketing que as estatuetas podem proporcionar, os est\u00fadios e distribuidoras seguram seus filmes de prest\u00edgio e potenciais concorrentes at\u00e9 a \u00faltima hora, para que n\u00e3o enfrentem a concorr\u00eancia dos \u201cblockbusters\u201d mais comerciais ao longo do ano. No \u00faltimo m\u00eas do ano acontece ent\u00e3o o lan\u00e7amento dos filmes com os quais os est\u00fadios esperam poder ser indicados. Os filmes lan\u00e7ados nos Estados Unidos em dezembro chegam ao Brasil em janeiro ou at\u00e9 depois. Muitas vezes, j\u00e1 chegam ao mercado nacional com o embrulho promocional enriquecido pelo adendo de \u201cn\u201d indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O resultado dessa estrat\u00e9gia dos est\u00fadios e distribuidoras \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de uma divis\u00e3o do ano cinematogr\u00e1fico em temporadas de lan\u00e7amento. Como se se tratasse do ano esportivo, onde temos a temporada da N.B.A., a do Baseball, a do Superbowl, etc.. No meio do ano cinematogr\u00e1fico temos a temporada dos filmes de ver\u00e3o, que acompanha as f\u00e9rias escolares do Hemisf\u00e9rio Norte para lotar as salas dos \u201cmultiplex\u201d com milh\u00f5es de adolescentes ansiosos por personagens de gibi, efeitos especiais, tiroteios, persegui\u00e7\u00f5es de carro, etc. No final do ano, em contrapartida, temos a temporada dos \u201cfilmes do Oscar\u201d, com os \u00e9picos, dramas, biografias, etc.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso significa que \u00e9 preciso esperar um ano inteiro para assistir filmes minimamente inteligentes, com uma certa dose de conte\u00fado, interpreta\u00e7\u00f5es decentes, di\u00e1logos bem escritos, amarra\u00e7\u00e3o bem feita. O fato de que estes filmes cheguem ao Brasil numa avalanche origina uma esp\u00e9cie de deforma\u00e7\u00e3o da recep\u00e7\u00e3o. O fato de que cheguem ao mercado depois de terem recebido as indica\u00e7\u00f5es para o Oscar d\u00e1 a impress\u00e3o de que s\u00f3 est\u00e3o sendo lan\u00e7ados porque est\u00e3o concorrendo. Essa impress\u00e3o por sua vez gera a impress\u00e3o secund\u00e1ria de que foram produzidos apenas para concorrer ao pr\u00eamio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A estrat\u00e9gia mercadol\u00f3gica dos est\u00fadios se sobrep\u00f5e \u00e0 inten\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos autores. N\u00e3o se enxerga o filme como filme, mas como concorrente ao Oscar. O racioc\u00ednio fica invertido em rela\u00e7\u00e3o ao processo real que origina um filme. Um roteirista, um diretor, um ator t\u00eam uma id\u00e9ia abstrata de um projeto est\u00e9tico e procuram realiz\u00e1-la da melhor maneira em um filme. Em fun\u00e7\u00e3o desse trabalho, s\u00e3o posteriormente reconhecidos por seus colegas da Academia com indica\u00e7\u00f5es ao Oscar. Mas o lan\u00e7amento comercial subseq\u00fcente desses filmes j\u00e1 como concorrentes d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que foram produzidos desde o come\u00e7o com a inten\u00e7\u00e3o expressa de disputar estatuetas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em alguns casos, foram de fato. Mas em outros n\u00e3o. Pensar em filmes como em carros de corrida alinhados num grid de largada para uma competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a melhor maneira de aproveitar o que eles podem ter para mostrar. Entretanto, \u00e9 dessa maneira que pensa a ind\u00fastria cultural estadunidense e no reboque dela a m\u00e1quina promocional nas col\u00f4nias \u201cworldwide\u201d. Em princ\u00edpio a id\u00e9ia de competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 de todo equivocada. Os pr\u00f3prios festivais europeus s\u00e3o organizados como mostras competitivas. N\u00e3o h\u00e1 como resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de selecionar como vencedores os melhores do ano em determinada atividade e de homenage\u00e1-los com o devido destaque.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O que causa esp\u00e9cie \u00e9 a maneira extremamente r\u00edgida e formal como a Academia de Hollywood concebe sua premia\u00e7\u00e3o, como se se tratasse de uma competi\u00e7\u00e3o esportiva de fato. Porque somente cinco filmes concorrentes? Ser\u00e1 que h\u00e1 somente cinco produ\u00e7\u00f5es de destaque ao longo de determinado ano? Ser\u00e1 que h\u00e1 somente cinco performances, ou cinco roteiros, ou trilhas sonoras, etc., dignos de aten\u00e7\u00e3o? Como equiparar produ\u00e7\u00f5es de caracter\u00edsticas diferentes, com propostas autorais e objetivos est\u00e9ticos diversificados? Como coloc\u00e1-los frente a frente num ringue, emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es \u00fanicas e peculiares?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Na falta de crit\u00e9rios objetivos absolutos, cria-se o \u201cgrid\u201d com base em aspectos secund\u00e1rios e categorias t\u00e9cnicas, o que por sua vez subdivide os filmes em hierarquias estat\u00edsticas artificiais: os que tiveram uma ou duas indica\u00e7\u00f5es, os que tiveram quatro ou cinco, ou os que tiveram uma d\u00fazia. Essa hierarquia se prolonga para al\u00e9m do ano espec\u00edfico em quest\u00e3o, agrupando e comparando filmes de anos e at\u00e9 de d\u00e9cadas diferentes pelo n\u00famero de indica\u00e7\u00f5es e pr\u00eamios, o que \u00e9 ainda mais bizarro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O modo como a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica estadunidense avalia suas realiza\u00e7\u00f5es est\u00e1 de acordo com a cultura do pa\u00eds em geral, que dilui todos os valores e qualidades em quantidades abstratas numericamente hierarquizadas, at\u00e9 mesmo as pessoas (em fun\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, por exemplo). Naquele pa\u00eds, tudo tem que ser reduzido a n\u00fameros e cifras. H\u00e1 um c\u00e9lebre cr\u00edtico gastron\u00f4mico que d\u00e1 notas de 0 a 100 para todos os vinhos do mundo, o que cria artificialmente um padr\u00e3o \u00fanico para a experi\u00eancia de degustar vinhos. Experi\u00eancia que na verdade comporta infinitas nuances, tantas quantas s\u00e3o as pessoas que bebem vinho, as garrafas de vinho e as ocasi\u00f5es em que se bebe vinho.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Teremos ocasi\u00e3o de falar sobre vinho (ou quase) em um dos coment\u00e1rios que comp\u00f5em essa s\u00e9rie, pois um dos filmes em discuss\u00e3o tem precisamente a cultura do vinho como pano de fundo. O que cabe aqui assinalar \u00e9 o fato de que o cr\u00edtico Robert Parker, com seu olfato sobrenatural capaz de identificar um milh\u00e3o de vinhos (isto n\u00e3o \u00e9 uma ironia, e sim uma constata\u00e7\u00e3o) acabou por aglutinar todo o mercado de vinho no planeta ao redor de seu gosto particular.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Este escriba n\u00e3o tem nenhuma sensibilidade comparavelmente t\u00e3o poderosa para avaliar filmes, por isso recusa-se a dar notas e criar hierarquias. Ou arriscar palpites sobre quem vai ganhar o Oscar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Tentando respeitar a especificidade de cada projeto, assistiu-se a cada um dos cinco filmes indicados, mas tentando n\u00e3o tomar conhecimento do fato de que estavam indicados e para quais categorias. Realizou-se uma maratona com o simples objetivo de tentar aproveitar o que de mais interessante cada filme pudesse oferecer, usufruindo o feliz acidente de ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o um conjunto respeit\u00e1vel de obras de arte, antes que a entressafra do mercado traga de volta o deserto criativo que grassa no resto do ano.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">25\/02\/2005<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>OSCAR 2005 &#8211; INTRODU&Ccedil;&Atilde;O<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6126,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56\/revisions\/6126"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}