{"id":5613,"date":"2017-04-01T19:31:21","date_gmt":"2017-04-01T22:31:21","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5613"},"modified":"2018-02-20T19:34:03","modified_gmt":"2018-02-20T22:34:03","slug":"as-forcas-da-revolucao-estao-vivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/04\/as-forcas-da-revolucao-estao-vivas\/","title":{"rendered":"As for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o vivas"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" style=\"text-align: right;\" align=\"center\"><span style=\"font-size: medium;\">Lu\u00eds C\u00e9sar Nunes \u2013 MOS (RJ) <\/span><\/p>\n<p class=\"western\">Os recentes realinhamentos geoestrat\u00e9gicos da pot\u00eancia mundial militar em crise, respondem ao esgotamento do modelo econ\u00f4mico. A quest\u00e3o principal da conjuntura \u00e9 que a ofensiva de direita ocorre em raz\u00e3o, principalmente, da pol\u00edtica capituladora da esquerda.<\/p>\n<p class=\"western\">Primeiro, a da Terceira Via, seguida pelas variantes anticapitalistas que se contentam com o programa m\u00ednimo. Segundo, o dilema do imperialismo que decide enfrentar a China, num momento em que esta \u00e9 a principal respons\u00e1vel pela globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>A Direita cresce sobre os erros da Esquerda<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\">O crescimento da direita como alternativa pol\u00edtica para a burguesia revela o fracasso da Terceira Via, na qual baseou-se a Doutrina Bush, com seu aliado Tony Blair, que transformou o Reino Unido num 51\u00ba estado norte-americano.<\/p>\n<p class=\"western\">A Terceira Via sofreu tamb\u00e9m um duro rev\u00e9s na Alemanha e o projeto de Uni\u00e3o Europeia passou a ser questionado por plebiscitos no pr\u00f3prio Tratado da Constitui\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, a Uni\u00e3o Europeia \u2013 \u00e0 revelia da san\u00e7\u00e3o popular \u2013 passou a legislar sobre os m\u00ednimos detalhes dos pa\u00edses que aderiram, quando estava num crescimento vertiginoso que inclu\u00edam os antigos Estados Oper\u00e1rios do Leste.<\/p>\n<p class=\"western\">Hoje, a esquerda europeia \u2013 j\u00e1 bastante combalida por anos de Eurocomunismo e de Terceira Via (no dizer de Bobbio, nem Marx e nem contra Marx) \u2013 tentou se rearticular no altero mundismo dos F\u00f3runs Sociais conciliadores e no anticapitalismo do programa m\u00ednimo. Essa pol\u00edtica transferiu Porto Alegre para Davos, que significativamente foi visitado em sequ\u00eancia por Lula. Logo t\u00ednhamos a chave de como a &#8220;esquerda&#8221; enfrentaria a crise mundial de 2008.<\/p>\n<p class=\"western\">E nesse aspecto foi emblem\u00e1tica a atua\u00e7\u00e3o de Tsipras, na Gr\u00e9cia, que esperava que o povo grego dissesse \u201csim\u201d aos banqueiros, numa reprise dos sonhos consumistas dos alem\u00e3es de 9 de novembro[1], quando acreditavam que bastaria derrubar o muro para possuir um gordo cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Mas, o povo disse \u201cn\u00e3o\u201d e, diferentemente, da Ucr\u00e2nia, esse \u201cn\u00e3o\u201d se voltava contra os Euro Bankers.<\/p>\n<p class=\"western\">Isso os conciliadores da nova esquerda, anticapitalistas que se negam ao programa de transi\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o socialista, n\u00e3o poderiam admitir. Foi ent\u00e3o o pr\u00f3prio Tsipras a dizer o \u201csim\u201d. Data de ent\u00e3o o fracasso dessa &#8220;nova esquerda&#8221; como alternativa revolucion\u00e1ria, que semeou ilus\u00f5es como o Podemos, NPA, PD, etc.<\/p>\n<p class=\"western\">Com a crise dos refugiados ressurge o nacionalismo xen\u00f3fobo e o fortalecimento eleitoral de pol\u00edticas de direita explorando os erros dos partidos anticapitalistas, de esquerda e at\u00e9 liberais.<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Da Globaliza\u00e7\u00e3o ao Neocolonialismo<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\">A crise de 2008 ampliou a busca fren\u00e9tica por uma geoestrat\u00e9gia diretamente ligada ao controle da geoeconomia, que hoje torna-se uma retomada do neocolonialismo. E isso j\u00e1 era prenunciado nas guerras do Iraque, nos Balc\u00e3s e, posteriormente, na ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o e do Iraque.<\/p>\n<p class=\"western\">Essa estrat\u00e9gia n\u00e3o foi apenas para o dom\u00ednio da geopol\u00edtica do Petr\u00f3leo, a qual se completou com o ataque \u00e0 L\u00edbia e o posterior controle dos pre\u00e7os com a estrat\u00e9gia combinada de superprodu\u00e7\u00e3o saudita e o xisto de Obama. Isso tornou mais onerosa a explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal no Brasil e p\u00f4s em crise a economia do g\u00e1s russo e da Venezuela.<\/p>\n<p class=\"western\">Reciclando os geopol\u00edticos brit\u00e2nicos da era imperial, a ofensiva foi desencadeada para controle dos pa\u00edses do chamado Cora\u00e7\u00e3o do Mundo (Heartland) [2], esse era o espa\u00e7o cujo dom\u00ednio determinaria o dom\u00ednio global. Por\u00e9m, essa estrat\u00e9gia se completaria com as chamadas revolu\u00e7\u00f5es coloridas, as principais delas ucraniana e S\u00edria. Estava a\u00ed a f\u00f3rmula que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma novidade na teoria pol\u00edtica: uma revolu\u00e7\u00e3o anticorrup\u00e7\u00e3o e nacionalista.<\/p>\n<p class=\"western\">A primeira visando o cerco da R\u00fassia e a segunda procurando fechar a sa\u00edda da Rota da Seda, que conectaria a China aos mercados europeus. A reviravolta ocorreu no envolvimento russo na S\u00edria que provocou o colapso da pol\u00edtica militar externa dos Estados Unidos, essa a raz\u00e3o da derrota de Clinton.<\/p>\n<p class=\"western\">A entrada em cena das for\u00e7as armadas russas no conflito gerou uma alian\u00e7a inusitada entre a R\u00fassia, a China e o Ir\u00e3. Prevalecendo-se do seu amplo poder militar, o imperialismo norte-americano controla a geoestrat\u00e9gia da Uni\u00e3o Europeia e do Jap\u00e3o, por\u00e9m resta o poder militar da R\u00fassia e o econ\u00f4mico da China.<\/p>\n<p class=\"western\">Ainda que a globaliza\u00e7\u00e3o tenha sido o resultado da derrota do socialismo real no leste europeu e do fim da URSS, n\u00e3o foi por si s\u00f3 o equivalente ao fim dos Estados Oper\u00e1rios no mundo todo. Por isso a globaliza\u00e7\u00e3o assentou-se sobre as bases do maior proletariado mundial, o proletariado chin\u00eas. Isso foi confirmado pela recente declara\u00e7\u00e3o de Xi Jinping, no F\u00f3rum de Davos, ao defender a globaliza\u00e7\u00e3o contra os arremates desesperados de Trump.<\/p>\n<p class=\"western\">Com a globaliza\u00e7\u00e3o e a transfer\u00eancia produtiva para as ZEE[3] a China passou a ser a grande locomotiva da economia mundial. Esse era o quadro at\u00e9 a crise de 2008, quando surgiu o fen\u00f4meno chamado, por alguns especialistas, de desglobaliza\u00e7\u00e3o[4].<\/p>\n<p class=\"western\">Simultaneamente, a ofensiva imperialista global prossegue e a instabilidade pol\u00edtica no Brasil e na Rep\u00fablica Sul-Africana oportunizou uma estrat\u00e9gia de desmonte do BRICS pelo seu elo mais fraco, cujas megacorpora\u00e7\u00f5es do subimperialismo brasileiro[5] est\u00e3o indissoluvelmente associadas ao Estado.<\/p>\n<p class=\"western\">Novos realinhamentos prosseguem como o de Putin com a candidata da direita francesa Le Pen, como j\u00e1 havia ocorrido com Trump.<\/p>\n<p class=\"western\">Tudo isso leva a pensar que, ainda que a China (como antes o stalinismo e o neoestalinismo sovi\u00e9tico) tenha possibilitado a sobreviv\u00eancia do capitalismo monopolista global, \u00e9 um grande inc\u00f4modo para a sobreviv\u00eancia desse sistema-mundo.<\/p>\n<p class=\"western\">Trump quer um redirecionamento da ofensiva contra a China, buscando aliados na R\u00fassia, na Am\u00e9rica do Sul e na nova Europa nacionalista de direita. Al\u00e9m disso, busca ampliar o cerco com acordos com o Jap\u00e3o e a recente mudan\u00e7a de regime nas Filipinas. Nesse aspecto, a \u00cdndia coloca-se como um p\u00eandulo num quadro mundial muito inst\u00e1vel, em que nada est\u00e1 decidido e que teve de enfrentar, inclusive, maior greve geral da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Superar a esquerda colaboracionista<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\">As for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o vivas, cabe ao movimento mundial dos trabalhadores dotar-se de uma pol\u00edtica, uma estrat\u00e9gia e um partido mundial que a desenvolvam e imponham uma solu\u00e7\u00e3o de poder oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio na cena internacional. \u00c9 isso ou teremos o aumento dos ataques da direita diante de uma esquerda colaboracionista e incapaz de organizar a classe para a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><b>Notas<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size: small;\">[1] Schicksalstag, coincidentemente nessa data em 1918, o socialdemocrata Friedrich Ebert, tornou-se Chanceler da Rep\u00fablica de Weimar, ap\u00f3s fim da monarquia. J\u00e1 em 1923: deu-se o Putsch nazista de Munique e em 1938, a Kristallnacht marca o in\u00edcio do Holocausto. Esses dois \u00faltimos fatos fizeram com que a data tenha ainda hoje um significado pejorativo. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size: small;\">[2] Halford John Mackinder, Chap. 3 (The Seaman\u2019s Point of View), in Democratic Ideals and Reality (London, U.K.: Constables and Company Ltd., 1919), pp.88. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size: small;\">[3] Zonas Econ\u00f4micas Especiais, na liberaliza\u00e7\u00e3o capitalista de Deng Xiao Ping. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size: small;\">[4] Antonio Luiz M. C. Costa, O nacionalismo de direita e a era da desglobaliza\u00e7\u00e3o. Reportagem publicada originalmente na edi\u00e7\u00e3o 924 de Carta Capital, com o t\u00edtulo &#8220;A era da desglobaliza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\"><span style=\"font-size: small;\">[5] Luce Mathias Seibel retoma a tese de Ruy Mauro Marini em O subimperialismo brasileiro revisitado: a pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o regional do governo Lula (2003-2007).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00eds C\u00e9sar Nunes \u2013 MOS (RJ) Os recentes realinhamentos geoestrat\u00e9gicos da pot\u00eancia mundial militar em crise, respondem ao esgotamento do<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5613"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5613"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5613\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5614,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5613\/revisions\/5614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}