{"id":5634,"date":"2017-06-01T19:47:34","date_gmt":"2017-06-01T22:47:34","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5634"},"modified":"2018-05-28T16:48:25","modified_gmt":"2018-05-28T19:48:25","slug":"eleicoes-na-franca-2017-disputa-entre-as-fracoes-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2017\/06\/eleicoes-na-franca-2017-disputa-entre-as-fracoes-do-capital\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a, 2017: disputa entre as fra\u00e7\u00f5es do Capital"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"right\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\"><b>Alex Brasil &#8211; Movimento de Organiza\u00e7\u00e3o Socialista<\/b><\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Ao final do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es francesas de 2017, realizado no dia 07 de maio, o resultado apontou a vit\u00f3ria do candidato Emmanuel Macron, do partido pol\u00edtico Em Marcha!, o ex-banqueiro do Rothschilld e coprinc\u00edpe de Andorra, sobre a candidata Marine Le Pen, do partido Frente Nacional e filha do fascista Jean Marie Le Pen. Com 66,10 % dos votos, o &#8220;jovem&#8221; Macron de 39 anos venceu sua advers\u00e1ria que obteve 33,90% dos votos.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">No mundo e aqui no Brasil, as elei\u00e7\u00f5es francesas repercutiram bastante. Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o procuraram mostrar Macron como o &#8220;mal menor&#8221;, assim como fizeram com Hillary Clinton, na disputa em que a ex-primeira dama norte-americana perdeu para Donald Trump, no final do ano passado. O que \u00e9 alarmante \u00e9 como muitos militantes honestos de esquerda brasileiros compraram esse &#8220;discurso do mal menor&#8221;. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Talvez, preocupados com o fato das pesquisas \u00faltimas para as elei\u00e7\u00f5es no Brasil (antes das den\u00fancias feitas pela JBS, envolvendo Temer, A\u00e9cio, Lula, Serra, Dilma, Kassab e outros) apontarem para um segundo turno entre Lula e o ultradireitista Jair Bolsonaro, muitos ativistas j\u00e1 ensaiam o discurso para justificar o voto no &#8220;menos pior&#8221; Lula, tra\u00e7ando at\u00e9 paralelos hist\u00f3ricos equivocados com o fato do Partido Comunista Alem\u00e3o ter se recusado a compor uma frente com o Partido Socialista, em 1933, para derrotar Adolf Hitler e o partido nazista.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Venhamos e convenhamos: Emmanuel Macron n\u00e3o \u00e9 de uma socialdemocracia reformista e n\u00e3o revolucion\u00e1ria ou de um stalinismo empedernido e burocr\u00e1tico, correntes do movimento oper\u00e1rio europeu e franc\u00eas na \u00e9poca, com influ\u00eancia de massas. Muito pelo contr\u00e1rio: seu hist\u00f3rico o mostra como um &#8220;reformista&#8221; pr\u00f3-capital. Em 2007, por exemplo, participou da Comiss\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o do Crescimento Franc\u00eas, do presidente Nicolas Sarkozy, este \u00faltimo conhecido pelo seu \u00f3dio aos imigrantes. Nessa \u00e9poca, Macron era integrante do Partido Socialista.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">O socialista passou um per\u00edodo curto e &#8220;enriquecedor&#8221; \u00e0 frente do banco Rotschilld: intermediou a transa\u00e7\u00e3o de compra de uma filial da Pfizer pela Nestl\u00e9, em 2012, quando se tornou um milion\u00e1rio. Depois, largou o banco para se tornar secret\u00e1rio adjunto do ent\u00e3o presidente franc\u00eas, o &#8220;social-liberal&#8221; Fran\u00e7ois Hollande. Em 2014, virou o respons\u00e1vel pela pasta de economia, ind\u00fastria e assuntos digitais do primeiro-ministro Manuel Valls.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">O yuppie no aparelho de Estado franc\u00eas prop\u00f4s a chamada &#8220;Lei Macron&#8221;, que a pretexto de impulsionar o crescimento econ\u00f4mico, inclu\u00eda a liberaliza\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo de trabalho, como permitir o aumento do n\u00famero de domingos laborais e a liberaliza\u00e7\u00e3o do acesso a profiss\u00f5es muito reguladas, como os advogados, not\u00e1rios ou oficiais de justi\u00e7a. Tamb\u00e9m previu a simplifica\u00e7\u00e3o dos procedimentos na resolu\u00e7\u00e3o de conflitos e flexibiliza os despedimentos. Algo muito parecido com a hist\u00f3ria de que o &#8220;negociado&#8221; passa a prevalecer sobre o &#8220;legislado&#8221;, algo muito parecido com o que est\u00e1 embutido na Reforma Trabalhista de Temer, Henrique Meireles e do Congresso. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Aproveitando-se de uma brecha na Constitui\u00e7\u00e3o francesa, o projeto foi aprovado por decreto em final de 2014, sem vota\u00e7\u00e3o, pois o governo n\u00e3o tinha seguran\u00e7a de que ia vencer e conseguir a sua aprova\u00e7\u00e3o. A &#8220;Lei Macron&#8221; foi a senha para que Hollande e Valls levassem ao Congresso um projeto de Reforma Trabalhista para &#8220;melhorar a competitividade das empresas francesas&#8221;, que enfrentou greves e protestos explosivos em toda a Fran\u00e7a, em 2016 e 2017.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Foi nesse ambiente de mais um desencanto com a chamada &#8220;esquerda oficial&#8221;, mas tamb\u00e9m refletindo o crescimento e vit\u00f3rias de alternativas de extrema-direita (o progresso do Alternativa para a Alemanha \u2013 AFD, na Alemanha. O Aurora Dourada, na Gr\u00e9cia. Os governos da \u00c1ustria e Pol\u00f4nia) na Europa e no mundo, que Marise Le Pen construiu a sua plataforma eleitoral. Em um pa\u00eds atingido pela desindustrializa\u00e7\u00e3o e por um desemprego end\u00eamico de 10%, o discurso nacionalista da candidata da Frente Nacional, anti-Uni\u00e3o Europeia e a Zona do Euro, tinha bastante espa\u00e7o. Ainda mais com a sa\u00edda da Gr\u00e3-Bretanha da Zona do Euro, o chamado Brexit.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">J\u00e1 a plataforma anti-imigrantes de Le Pen ganhou peso com a histeria antiterrorismo, principalmente depois dos ataques ao jornal Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, e o ataque em Champs de \u00c9lys\u00e9e, em novembro do mesmo, ambos em Paris, atribu\u00eddos a \u00e1rabes mul\u00e7umanos. A xenofobia, base dessa plataforma, agravou-se com a chegada de milhares de refugiados, inclusive, de pa\u00edses destru\u00eddos por guerras que vieram a calhar com os interesses imperialistas, como L\u00edbia e S\u00edria.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Diante desse quadro e temendo a repeti\u00e7\u00e3o de uma vit\u00f3ria ao estilo Trump, a burguesia francesa mais vinculada ao capital financeiro e ao projeto de globaliza\u00e7\u00e3o da economia se uniu na Fran\u00e7a, para barrar a vit\u00f3ria de Le Pen. Mesmo obtendo somente 1\/3 dos votos apurados, a Frente Nacional obteve o seu mais expressivo resultado eleitoral, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1972.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Quanto \u00e0 classe trabalhadora francesa houve mais resist\u00eancias \u00e0 chantagem do voto no &#8220;mal menor&#8221;. Diferentemente de 2002, quando ocorreu quase uma unanimidade do movimento sindical franc\u00eas em apoiar o &#8220;mal menor&#8221;, o direitista Jacques Chirac contra o fascista Jean Marie Le Pen, dessa vez houve mais resist\u00eancias a tal ades\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Mesmo com os marqueteiros e os meios de comunica\u00e7\u00e3o tentando &#8220;pintar o bezerro de ouro&#8221; e mostrar Macron como a volta da terceira via de Bill Clinton, Tony Blair e Gerhard Schr\u00f6der (como se a mesma fosse de alguma valia para os trabalhadores), no primeiro dia, ap\u00f3s a sua vit\u00f3ria, o presidente eleito j\u00e1 enfrentou protestos de trabalhadores contra as suas reformas.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">Alguns resultados do 1\u00ba turno dessa elei\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a mostram que existe um espa\u00e7o \u00e0 esquerda, mas ainda difuso. O candidato Jean-Luc M\u00e9lechon, da Fran\u00e7a Insubmissa (frente com apoio do Partido Comunista Franc\u00eas; de um racha do Partido Socialista, Partido da Esquerda e de um racha do Partido Comunista, P\u00f3lo do Renascimento Comunista em Fran\u00e7a), obteve 19,58% dos votos e Philippe Poutou do Novo Partido Anticapitalista (veio da antiga Liga Comunista Revolucion\u00e1ria, de orienta\u00e7\u00e3o trotskista) ficou com 1,09% da vota\u00e7\u00e3o. Esses novos agrupamentos de esquerda na Fran\u00e7a refletem muito alternativas neorreformistas como o Podemos, na Espanha, o Syriza na Gr\u00e9cia e o pr\u00f3prio PSOL no Brasil. J\u00e1 Nathalie Arthaud, do tradicional partido trotskista Lutte Ouvri\u00e8re (Luta Oper\u00e1ria) obteve somente 0,64% dos votos, bem distantes dos 5,3% dos votos que sua candidata Arlette Laguiller conseguiu no pleito presidencial de 1995.<\/span><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Garamond, serif;\">O pa\u00eds de Revolu\u00e7\u00f5es Burguesas com forte conte\u00fado e radicaliza\u00e7\u00e3o popular (1789, 1830, 1848) e de revolu\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias derrotadas pela burguesia (1871, 1936, 1945 e 1968) vive uma conjuntura em que hoje as duas fra\u00e7\u00f5es do Capital s\u00e3o as protagonistas. Resta a classe trabalhadora francesa impulsionar a busca pela unifica\u00e7\u00e3o dos agrupamentos revolucion\u00e1rios que n\u00e3o apostam na sa\u00edda eleitoral, como tamb\u00e9m a unidade da luta do proletariado com a juventude e com os imigrantes, este segmento importante por ocupar os postos do trabalho mais precarizado na Fran\u00e7a. Essa \u00e9 a \u00fanica alternativa para enfrentar os ataques sociais do capital globalizado que Macron representa e o crescimento do fascismo societal que Marise Le Pen \u00e9 o atual rosto.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alex Brasil &#8211; Movimento de Organiza\u00e7\u00e3o Socialista Ao final do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es francesas de 2017, realizado no dia<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[80,6,98],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5634"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5634"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5634\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5635,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5634\/revisions\/5635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}