{"id":5679,"date":"2018-03-05T22:14:33","date_gmt":"2018-03-06T01:14:33","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5679"},"modified":"2018-05-28T17:00:53","modified_gmt":"2018-05-28T20:00:53","slug":"nao-a-intervencao-militar-no-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/03\/nao-a-intervencao-militar-no-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 interven\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro!"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: left;\"><b>Pela desocupa\u00e7\u00e3o de morros e favelas!<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">Espa\u00e7o Socialista e Movimento de Organiza\u00e7\u00e3o Socialista<\/p>\n<h2><b>A ocupa\u00e7\u00e3o militar dos morros e favelas no Rio de Janeiro:<\/b><\/h2>\n<p><b>. N\u00e3o \u00e9 por conta da viol\u00ean<\/b><strong>cia no Rio de Janeiro<\/strong>, esse estado \u00e9 considerado o 10\u00ba mais violento;<\/p>\n<p><b>. N\u00e3o \u00e9 para prender os bandidos<\/b>, na verdade, a\u00e7\u00f5es desse tipo divulgadas antes servem para avis\u00e1-los. No Rio de Janeiro, h\u00e1 uma <span lang=\"pt-PT\">alian\u00e7a da pol\u00edcia com a mil\u00edcia que atua livremente nos bairros pobres. Na Rocinha, uma das maiores favelas da Am\u00e9rica do Sul, um garraf\u00e3o de \u00e1gua custa R$ 16,00 , um botij\u00e3o de g\u00e1s custa R$ 100,00 , os \u201cmoto-boys\u201d t\u00eam que pagar uma taxa semanal para trabalhar, fora os \u201cgatos\u201d e o acharque (extors\u00e3o, amea\u00e7as) aos comerciantes , fatos que ocorrem tamb\u00e9m na Zona Oeste.<\/span><\/p>\n<p><b>. N\u00e3o \u00e9 para acabar com a criminalidade, <\/b>pois nenhum Estado burgu\u00eas acaba com o crime. No m\u00e1ximo, o mant\u00e9m sob controle para justificar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o aparato policial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do fato, tamb\u00e9m, de estar no Rio de Janeiro v\u00e1rios dos envolvidos em corrup\u00e7\u00e3o, que est\u00e3o soltos ou, no m\u00e1ximo, em \u201cpris\u00e3o domiciliar\u201d em suas mans\u00f5es.<\/p>\n<p><b>. N\u00e3o \u00e9 para acabar com o tr\u00e1fico de drogas<\/b>, j\u00e1 que<b> <\/b>gerentes das \u201cbocas\u201d nos morros s\u00e3o base para estruturar do tr\u00e1fico de drogas no pa\u00eds. Esse <b>neg\u00f3cio envolve cerca de 320 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano no mundo<\/b> e precisa se apoiar nos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o e nos meios pol\u00edticos, seja aqui ou em qualquer parte do mundo. S\u00e3o v\u00e1rias as ocorr\u00eancias de apreens\u00e3o de drogas que se aproximam de pol\u00edticos do alto escal\u00e3o. O caso da fazenda de Aloysio Nunes, por exemplo. Ou o caso famoso dos 400 kg de coca\u00edna no helic\u00f3ptero dos Perrela, em Minas. Todos sem as devidas investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>. N\u00e3o \u00e9 para acabar com o crime organizado<\/b>, pois temos presenciado h\u00e1 muito tempo a forma\u00e7\u00e3o de quadrilhas por pol\u00edticos, com participa\u00e7\u00e3o em fraudes nas licita\u00e7\u00f5es, desvios de verbas p\u00fablicas e um longo etecetera. Ou seja, os mesmos que organizam a interven\u00e7\u00e3o deveriam ser os primeiros presos. Mas, claro, n\u00e3o v\u00e3o prender os chefes.<\/p>\n<h2><strong>Interven\u00e7\u00e3o civil ou militar?<\/strong><\/h2>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o militar do Rio de Janeiro \u00e9 um instrumento t\u00edpico do per\u00edodo da ditadura militar. Um interventor, desconhecido da popula\u00e7\u00e3o e sem elei\u00e7\u00e3o que passa a assumir um alto posto no Estado e a dar as ordens de Estado. Mesmo relacionado somente com a seguran\u00e7a p\u00fablica, pela for\u00e7a dos \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, na pr\u00e1tica, tudo que acontece no estado nada \u00e9 sem o seu aval.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A imprensa e o governo t\u00eam se esfor\u00e7ado para caracterizar essa interven\u00e7\u00e3o como \u201ccivil\u201d para tentar desviar o real significado dela, no entanto, s\u00e3o as For\u00e7as Armadas que est\u00e3o no comando (<\/span><span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2017\/08\/o-rio-de-janeiro-sob-dominio-do-exercito-e-sob-controle-da-burguesia\/\"><span style=\"color: #000000;\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2017\/08\/o-rio-de-janeiro-sob-dominio-do-exercito-e-sob-controle-da-burguesia\/<\/span><\/a><\/u><\/span><span style=\"color: #000000;\">).<\/span><\/p>\n<p>. Os tanques, as fardas, as barreiras e o general como interventor n\u00e3o deixam nenhuma d\u00favida sobre o car\u00e1ter militar da ocupa\u00e7\u00e3o. Ainda, o secret\u00e1rio de seguran\u00e7a nomeado e o chefe de gabinete do interventor s\u00e3o generais do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Todo esse quadro configura sim uma interven\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>Caso fosse uma interven\u00e7\u00e3o civil, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o melhoraria em favor da interven\u00e7\u00e3o, pois continuaria tendo o car\u00e1ter contra trabalhadores.<\/p>\n<h2><b>Por tr\u00e1s da interven\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro: ofensiva da burguesia contra a classe trabalhadora<\/b><\/h2>\n<p>Os v\u00e1rios problemas que a burguesia enfrenta na esfera pol\u00edtica (corrup\u00e7\u00e3o, desgaste dos pol\u00edticos, etc.) t\u00eam levado a uma certa instabilidade e encontram dificuldades para solucionar nas \u201cvias normais\u201d. \u00c9 o caso do Rio de Janeiro, com o governo estadual e o prefeito sem credibilidades, com a perda de legitimidade das pol\u00edcias diante da popula\u00e7\u00e3o, com o alto desemprego e com o caos social transformando o estado em um \u201cbarril de p\u00f3lvora\u201d.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o por for\u00e7as militares no Rio de Janeiro somente pode ser compreendida a partir da luta de classes, ou seja, a tentativa da burguesia em conseguir impor seu projeto pol\u00edtico de poder.<\/p>\n<p>Esse projeto agrega, como exemplo, a necessidade em controlar a classe trabalhadora, o processo de privatiza\u00e7\u00e3o (entrega!) da Petrobr\u00e1s para as grandes corpora\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas do mundo, etc. Algo que vem ocorrendo, cada um a seu modo e a seu tempo no <span lang=\"pt-PT\">Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia, Venezuela e, nesse momento, com profundas atrocidades na S\u00edria.<\/span>N\u00e3o pode ser coincid\u00eancia que essa interven\u00e7\u00e3o \u00e9 no Rio de Janeiro, o principal produtor de petr\u00f3leo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O discurso de combate ao crime, retomar o papel do Estado, acabar com o tr\u00e1fico de drogas, etc. \u00e9 falso pois, na verdade, o real objetivo da ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 derrotar a classe trabalhadora, do Rio de Janeiro e do Brasil.<\/p>\n<p>Os objetivos da interven\u00e7\u00e3o s\u00e3o pol\u00edticos. Buscam manter com a for\u00e7a e a repress\u00e3o aos pobres, o controle pol\u00edtico do estado pelos mesmos grupos que o dominam h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>Em regra, as For\u00e7as Armadas n\u00e3o atuam nas quest\u00f5es pol\u00edticas se n\u00e3o fizerem parte de um plano da burguesia. S\u00e3o raros os casos na hist\u00f3ria de os militares atuarem \u201cpor cima das classes sociais\u201d.<\/p>\n<p>A profundidade da crise do capital em escala global afeta diretamente os neg\u00f3cios da burguesia no Brasil. O aumento da competi\u00e7\u00e3o no mercado mundial a empurra para reduzir os seus custos de produ\u00e7\u00e3o e buscar garantir, ao mesmo tempo, a diminui\u00e7\u00e3o de produtos e a manuten\u00e7\u00e3o de seus lucros. Para isso ocorrer \u00e9 fundamental fazer a classe trabalhadora aceitar esses planos, mesmo que seja na marra.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos temos nos deparado com uma brutal ofensiva contra os direitos sociais e trabalhistas. Temer s\u00f3 acelerou esse processo com a Reforma Trabalhista e a amplia\u00e7\u00e3o da Terceiriza\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 vem ocorrendo desde os governos petistas com medidas de restri\u00e7\u00e3o de acesso ao seguro desemprego e limita\u00e7\u00f5es aos benef\u00edcios previdenci\u00e1rios por Dilma.<\/p>\n<p>Como tem aumentado a resist\u00eancia da classe trabalhadora, como no 28 de abril contra a Reforma da Previd\u00eancia, a medida de interven\u00e7\u00e3o \u00e9 parte de uma tend\u00eancia de maior repress\u00e3o sobre a classe trabalhadora, visando n\u00e3o s\u00f3 aprovar a Reforma Previdenci\u00e1ria como tamb\u00e9m garantir a aplica\u00e7\u00e3o de outros ataques contra os nossos direitos.<\/p>\n<p>Esses ataques s\u00e3o tamb\u00e9m sobre a consci\u00eancia de classe e buscam ganhar os trabalhadores para aceitar e concordar com os projetos da burguesia. Infelizmente t\u00eam conseguido alguns \u00eaxitos. O fortalecimento da direita e de suas ideias na cena pol\u00edtica nacional, al\u00e9m de dificultar uma a\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de forma independente, ajudam a criar um clima favor\u00e1vel a essa interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem o fato de o fortalecimento, o reconhecimento e a simpatia de uma parte da popula\u00e7\u00e3o para com as For\u00e7as Armadas, depois de d\u00e9cadas, servirem para apagar lembran\u00e7as das atrocidades cometidas pela ditadura militar.<\/p>\n<h2><b>O Haiti como laborat\u00f3rio<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"color: #000000;\">A atua\u00e7\u00e3o dos militares no Rio de Janeiro tem como refer\u00eancia a experi\u00eancia que dizem ter adquirido no Haiti quando, a servi\u00e7o dos Estados Unidos, Lula\/PT autorizou a ocupa\u00e7\u00e3o. O objetivo era tamb\u00e9m controlar a popula\u00e7\u00e3o pobre rebelada e tamb\u00e9m proteger as \u00e1reas industriais onde empresas como a Nike, Wrangler e Levis produziam para exporta\u00e7\u00e3o e pagavam sal\u00e1rios baix\u00edssimos. Na ocasi\u00e3o, 2004, in\u00edcio da ocupa\u00e7\u00e3o pelas tropas da ONU lideradas pelo Brasil, o governo havia sido deposto pelos Estados Unidos (<\/span><span style=\"color: #0563c1;\"><u><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?s=haiti\"><span style=\"color: #000000;\">http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?s=haiti<\/span><\/a><\/u><\/span><span style=\"color: #000000;\">).<\/span><\/p>\n<p>\u00c1reas com alta densidade populacional, favelas, vielas ao inv\u00e9s de ruas, pobreza e o risco de rebeli\u00e3o popular formam o \u201cmesmo cen\u00e1rio\u201d. Acumularam vasta experi\u00eancia e agora aplicam por aqui contra brasileiros, pobres&#8230; Essas t\u00e1ticas j\u00e1 foram utilizadas tamb\u00e9m nas UPP\u2019s (Unidades Pacificadoras?), implementadas nas favelas e morros do Rio de Janeiro e j\u00e1 tiveram como base a experi\u00eancia no Haiti.<\/p>\n<p>Em comum tamb\u00e9m o fato de terem como objetivo pol\u00edtico bem definido: manter sob controle a popula\u00e7\u00e3o pobre e tentar evitar que se rebele contra a explora\u00e7\u00e3o a que est\u00e1 submetida.<\/p>\n<p>Entre outras coisas, a ocupa\u00e7\u00e3o no Haiti deu ao ex\u00e9rcito brasileiro o \u201cknow how\u201d (o conhecimento para saber como fazer) para opera\u00e7\u00f5es urbanas em favelas e agora \u00e9 usada nas guerras contra a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<h2><b>Os pobres s\u00e3o vistos como inimigos do Estado<\/b><\/h2>\n<p>As For\u00e7as Armadas (e as pol\u00edcias) s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es fundamentais do aparato repressivo do Estado burgu\u00eas, portanto, atuam n\u00e3o para a \u201cdefesa da p\u00e1tria\u201d, mas, para a continuidade desse sistema social. Defesa da p\u00e1tria, lei e ordem, dentre outras s\u00e3o express\u00f5es que comp\u00f5em o discurso ideol\u00f3gico para justificar essas a\u00e7\u00f5es, ou seja, para esconder as suas reais inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os alarmantes dados sociais do Brasil (ver jornal<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2018\/02\/jornal-107-brasil-um-pais-de-poucos-com-muito-e-tambem-muitos-com-pouco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Espa\u00e7o Socialista e MOS 107<\/a>) como desemprego, aumento de pre\u00e7os, cortes de verbas, o desgaste das for\u00e7as pol\u00edticas (e dos pol\u00edticos), a desconfian\u00e7a no judici\u00e1rio e nas pol\u00edcias s\u00e3o elementos de instabilidade pol\u00edtica e, juntamente com isso, a dificuldade de a burguesia encontrar um nome para suavizar o discurso e ser candidato \u00e0s pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es podem contribuir com uma rebeli\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o grande temor.<\/p>\n<p>H\u00e1 tempos que a esquerda socialista tem denunciado a criminaliza\u00e7\u00e3o da pobreza. Ser pobre e morador de favela, no Rio de Janeiro ou em qualquer outro local do pa\u00eds, j\u00e1 se torna alvo das for\u00e7as policiais.<\/p>\n<p>As invas\u00f5es nas comunidades, o arrombamento de portas sem mandado judicial nas periferias, as mortes provocadas por policiais \u201cpor resist\u00eancia \u00e0 pris\u00e3o\u201d, o encarceramento em massa de jovens negros das periferias, entre outras tantas barbaridades s\u00e3o a express\u00e3o de que <b>as for\u00e7as policiais (como agente do Estado) t\u00eam os pobres como os inimigos internos. <\/b>Esse encarceramento em massa de jovens negros demonstra tamb\u00e9m a exist\u00eancia do racismo estrutural que constitui todas as institui\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas de seguran\u00e7a p\u00fablica j\u00e1 adotadas em nossa hist\u00f3ria e evidencia a reatualiza\u00e7\u00e3o do controle social, que possue endere\u00e7o e cor de pele bem definidos.<\/p>\n<p>E todo inimigo precisa estar sob vigil\u00e2ncia. Essa \u00e9, de fundo, a raz\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o militar, que aumenta a escalada de viol\u00eancia policial contra a popula\u00e7\u00e3o pobre.<\/p>\n<p>Como disse um morador indignado com as abordagens policiais na favela: <i>\u201c\u00c9 muita humilha\u00e7\u00e3o. Mas aqui \u00e9 favela, eles acham que podem tudo. Quero ver fazer isso na Zona Sul\u201d<\/i> (jornal Estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<h2><b>Lei e da ordem<\/b><\/h2>\n<p>\u201cPara o Estado fazer-se presente\u201d. Essa \u00e9 a frase mais usada no discurso dos defensores da ocupa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 parece ser simples assim.<\/p>\n<p>Por que o Estado n\u00e3o se faz presente com Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade p\u00fablicas gratuitas e de qualidade, acabando com o d\u00e9ficit habitacional e as condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de moradia e com sal\u00e1rio digno para os trabalhadores?<\/p>\n<p>Nenhum Estado burgu\u00eas vai fazer isso, pois existe exatamente para garantir a continuidade da explora\u00e7\u00e3o capitalista sobre a classe trabalhadora (com a manuten\u00e7\u00e3o da propriedade privada e a extra\u00e7\u00e3o da mais-valia).<\/p>\n<p>E quando se fala de garantir a Lei e a Ordem quer-se dizer:<\/p>\n<p>Sobre a Lei: Impor sobre as pessoas a for\u00e7a e a viol\u00eancia para se aceitar ou aprovar legisla\u00e7\u00f5es, ou seja, impor leis que retiram direitos como a da Reforma Trabalhista; aceitar que se pague a D\u00edvida P\u00fablica que n\u00e3o foi criada pelos trabalhadores em troca de diminuir verbas e deixar de investir nos servi\u00e7os p\u00fablicos (que s\u00e3o os trabalhadores que usam); impor a regra de que temos que esperar as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para tirar os deputados ou governadores que votam contra n\u00f3s, etc.<\/p>\n<p>Sobre a tal Ordem: \u00e9 garantir que n\u00e3o nos mobilizemos e que tudo ficar\u00e1 como est\u00e1. N\u00e3o por acaso o lema da bandeira brasileira \u00e9 \u201cOrdem e progresso\u201d, foi inspirada na teoria reacion\u00e1ria positivista.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o da \u201cLei e da Ordem\u201d nunca vai ser acionada contra empresas e empres\u00e1rios que burlam a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, mant\u00eam trabalho escravo, participam de esquema de corrup\u00e7\u00f5es, etc. \u00c9 Lei e Ordem para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter ideol\u00f3gico da \u201cLei e da ordem\u201d, serve principalmente aos capitalistas, pois garante nos locais de trabalho a submiss\u00e3o de classe com todo desmando e superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Golpe militar? N\u00e3o. \u00c9 democracia dos ricos mesmo!<\/b><\/h2>\n<p>Aqueles que se iludem com a democracia dos ricos tentam associar essa interven\u00e7\u00e3o como a \u201cantessala\u201d de um golpe militar. Ainda que devamos permanecer vigilantes, entendemos que ainda n\u00e3o \u00e9 assim. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 express\u00e3o do poder da burguesia, que n\u00e3o tem limites para manter esse poder.<\/p>\n<p>A democracia dos ricos no Brasil tem um car\u00e1ter cada vez mais autocr\u00e1tico (de poder absoluto). \u00c9 pr\u00f3prio da burguesia as medidas de repress\u00e3o contra os movimentos sociais e a classe trabalhadora:<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma passeata que n\u00e3o tenha pol\u00edcia e amea\u00e7a de repress\u00e3o. As ocupa\u00e7\u00f5es de sem-terra e de sem-teto s\u00e3o tratadas como criminosas (a propriedade privada \u00e9 sempre mais importante do que a necessidade das pessoas em comer e morar). H\u00e1 v\u00e1rios militantes sendo acusados e com processos administrativos ou criminais. Nas f\u00e1bricas h\u00e1 um verdadeiro terror, pois basta o trabalhador reclamar das condi\u00e7\u00f5es de trabalho vem a amea\u00e7a de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, essa \u00e9 uma das caracter\u00edsticas de pa\u00edses de economia dependente em que a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 a base da acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Para impor essas condi\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e sua intensifica\u00e7\u00e3o faz-se necess\u00e1rio manter sempre de prontid\u00e3o o aparato repressivo.<\/p>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o, que precisamos derrotar, est\u00e1 prevista na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, isto \u00e9, faz parte da forma como a democracia parlamentar burguesa (dos ricos) se assentou no Brasil e assim temos: Um Estado centralizado, com forte peso das for\u00e7as repressivas estatais, com uma legisla\u00e7\u00e3o com tra\u00e7os reacion\u00e1rios, com uma Lei de Seguran\u00e7a Nacional ainda vigente e com a atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas em v\u00e1rios estados como parte da \u201cGarantia da Lei e da Ordem\u201d.<\/p>\n<h2><b>As restri\u00e7\u00f5es \u00e0s liberdades individuais <\/b><\/h2>\n<p>Esse car\u00e1ter autorit\u00e1rio da democracia dos ricos se expressa tamb\u00e9m no ataque \u00e0s garantias democr\u00e1ticas conquistadas com muita luta pela classe trabalhadora brasileira. Garantias m\u00ednimas como o direito de ir e vir, restri\u00e7\u00f5es legais (ainda que muitas vezes n\u00e3o cumpridas) a a\u00e7\u00e3o policial, n\u00e3o atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas com o papel de pol\u00edcia, entre outros. At\u00e9 mesmo essas garantias m\u00ednimas est\u00e3o sob ataque.<\/p>\n<p>Com o aumento da repress\u00e3o e controle sobre os pobres, os militares t\u00eam adotado v\u00e1rias medidas ilegais. Uma delas \u00e9 o fichamento pela pol\u00edcia de moradores em favelas onde realiza opera\u00e7\u00e3o. Todos os moradores que passam pelo bloqueio t\u00eam seus dados e documentos registrados.<\/p>\n<p>A medida mais pol\u00eamica e criticada por v\u00e1rios setores \u00e9 o chamado Mandado de Busca e Apreens\u00e3o Coletivo. Em regra, esse instrumento exige endere\u00e7o, nome completo e outros dados precisos, ou seja, s\u00f3 se pode entrar em local especificado. A proposta das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o e de Temer \u00e9, na pr\u00e1tica, autorizar as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o a entrar em qualquer casa, independentemente de ter ordem judicial.<\/p>\n<p>Outra reivindica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as militares \u00e9 sobre o tipo de julgamento de atos praticados por militares (abusos, mortes e outros delitos) durante a ocupa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, exigem que soldados sejam julgados pela justi\u00e7a militar. Por exemplo, se um soldado do ex\u00e9rcito matar uma crian\u00e7a nessas opera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o seria julgado por um j\u00fari popular (Justi\u00e7a comum), mas por ju\u00edzes militares.<\/p>\n<p>As cenas de crian\u00e7as com mochila escolar encostadas nos muros e sendo revistadas pelos agentes militares tamb\u00e9m \u00e9 demonstra\u00e7\u00e3o da intensidade dos ataques \u00e0 integridade moral dessas crian\u00e7as, alimentando um dos imagin\u00e1rios reacion\u00e1rios de que as crian\u00e7as moradoras em morros e favelas s\u00e3o os \u201cfuturos marginais\u201d.<\/p>\n<h2><b>A crise social \u00e9 sustentada com o corte de verbas e dos gastos p\u00fablicos<\/b><\/h2>\n<p>O caos social e os problemas do Rio de Janeiro est\u00e3o relacionados com a pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo federal e dos sucessivos cortes e redu\u00e7\u00e3o de or\u00e7amentos para os servi\u00e7os p\u00fablicos, no entanto, ocorreram grandes investimentos para eventos como Copa e Olimp\u00edadas.<\/p>\n<p>Para dar um exemplo: a pol\u00edtica de sucateamento e entrega do setor petrol\u00edfero para o capital estrangeiro influi diretamente na arrecada\u00e7\u00e3o do estado do Rio de Janeiro (maior produtor) porque h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o dos royalties (antes repassados ao estado e aos v\u00e1rios munic\u00edpios).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m foram feitos v\u00e1rios cortes de investimento como parte do acordo de renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida do estado com Uni\u00e3o. Para isso foi exigido por Temer que o estado tomasse v\u00e1rias medidas para reduzir os gastos com servi\u00e7os p\u00fablicos. E Pez\u00e3o aceitou sem nenhuma resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Assim, o caos nos servi\u00e7os p\u00fablicos e por tudo que passa o Rio de janeiro t\u00eam a ver diretamente com o projeto econ\u00f4mico em andamento no pa\u00eds e que tira dos pobres para dar aos ricos.<\/p>\n<h2><b>Dados sociais do Rio de Janeiro<\/b><\/h2>\n<p>&#8211; O estado tem uma d\u00edvida de R$ 106 bilh\u00f5es. Em 2016, mesmo suspendendo o pagamento para a Uni\u00e3o, foram pagos quase 2 bilh\u00f5es de reais de juros e amortiza\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>&#8211; S\u00e3o mais de 1,2 milh\u00e3o desempregados no estado. No ano de 2017, das 5 cidades que mais fecharam postos de trabalho, tr\u00eas s\u00e3o do estado;<\/p>\n<p>&#8211; O d\u00e9ficit habitacional no estado \u00e9 de aproximadamente 470 mil moradias (Funda\u00e7\u00e3o Jo\u00e3o Pinheiro, 2014);<\/p>\n<p>&#8211; O funcionalismo p\u00fablico convive com atrasos nos sal\u00e1rios. S\u00f3 em 16 de fevereiro foram pagos os sal\u00e1rios de janeiro. Muitos ainda n\u00e3o receberam o total do 13\u00ba de 2017;<\/p>\n<p>&#8211; A Sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 marcada pelo caos. O or\u00e7amento estadual para a sa\u00fade em 2018 \u00e9 de R$ 6,3 bilh\u00f5es. E o or\u00e7amento da Sa\u00fade municipal foi reduzido em 500 milh\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; O Or\u00e7amento da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 de 7,5 bilh\u00f5es. Insuficiente at\u00e9 mesmo para a recupera\u00e7\u00e3o das escolas sucateadas e para garantir pagamento de sal\u00e1rios do funcionalismo do setor;<\/p>\n<p>&#8211; J\u00e1 para os setores de repress\u00e3o do Estado (pol\u00edcias, penitenci\u00e1rias, etc.) o valor \u00e9 de R$ 11 bilh\u00f5es, fora a interven\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<p><b>Que fazer?<\/b><\/p>\n<p>O governo, a burguesia e a m\u00eddia t\u00eam apresentado com \u00fanica sa\u00edda para a situa\u00e7\u00e3o do Rio de janeiro a interven\u00e7\u00e3o. Sabemos que isso n\u00e3o vai resolver o problema, ao contr\u00e1rio, a presen\u00e7a de militares \u00e9 mais um dos problemas.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos entre aqueles que acreditam que essa tal \u201cinterven\u00e7\u00e3o social\u201d poder\u00e1 melhorar a situa\u00e7\u00e3o porque o Estado burgu\u00eas \u00e9 um instrumento de conten\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e de aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da burguesia. N\u00e3o temos ilus\u00e3o que esse mesmo Estado que assassina jovens negros na periferia e reprime os movimentos sociais possa cumprir qualquer papel que n\u00e3o seja esse.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o da crise da Rio de Janeiro passa pela ado\u00e7\u00e3o de um programa radical, que ataque a fundo os problemas sociais como o desemprego, que construa uma rede de servi\u00e7os p\u00fablicos e gratuitos de qualidade, que invista em uma Educa\u00e7\u00e3o de qualidade que atraia crian\u00e7as e juventude e n\u00e3o negue vaga nas creches, escolas e universidades p\u00fablicas e que se invista tamb\u00e9m em cultura e lazer, dentre outros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entendemos que \u00e9 fundamental:<\/p>\n<p><span lang=\"pt-PT\">I \u2013 Deixar de pagar as d\u00edvidas externa e interna (juros, servi\u00e7os, etc.) aos bancos, respons\u00e1veis e benefici\u00e1rios do desmonte dos servi\u00e7os p\u00fablicos e com esse dinheiro investir em um plano de obras p\u00fablicas, que possa gerar milh\u00f5es de empregos, recuperar escolas, hospitais, construir moradias populares e saneamento b\u00e1sico.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-PT\">II &#8211; Fim da Pol\u00edcia Militar, que est\u00e1 diretamente vinculada ao crime organizado, tr\u00e1fico e mil\u00edcias. <\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-PT\">III &#8211; Legaliza\u00e7\u00e3o das drogas. A ilegalidade das drogas serve aos prop\u00f3sitos dos traficantes, que se utilizam do monop\u00f3lio para aumentar o pre\u00e7o e o lucro e manter sob seu controle milhares de jovens atuando nas bocas.<\/span><\/p>\n<p><span lang=\"pt-PT\">IV &#8211; Fora Braga Neto! Fora Ex\u00e9rcito e a interven\u00e7\u00e3o militar!!!<\/span><\/p>\n<p>V \u2013 Pela revoga\u00e7\u00e3o dos mandatos de busca coletivos!<\/p>\n<p>VI \u2013 Em defesa das liberdades democr\u00e1ticas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela desocupa\u00e7\u00e3o de morros e favelas! 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