{"id":5760,"date":"2018-04-14T14:21:44","date_gmt":"2018-04-14T17:21:44","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5760"},"modified":"2018-05-28T16:59:20","modified_gmt":"2018-05-28T19:59:20","slug":"siria-7-anos-de-guerra-civil-e-de-avancos-no-massacre-a-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/04\/siria-7-anos-de-guerra-civil-e-de-avancos-no-massacre-a-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"S\u00edria: 7 anos de guerra civil e de avan\u00e7os no massacre \u00e0 classe trabalhadora"},"content":{"rendered":"<p>Desde a Primavera \u00c1rabe, em 2011, na S\u00edria se estabeleceu uma s\u00e9rie de confrontos que culminou numa guerra civil entre o Ex\u00e9rcito S\u00edrio, comandado pelo ditador Bashar Al Assad, e a oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria que tem se organizado em diversos grupos pol\u00edticos armados.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, muitos grupos t\u00eam se levantado e entrado em embate na regi\u00e3o reivindicando interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos, religiosos e, inclusive, liberdades democr\u00e1ticas (http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/2013\/09\/siria-nem-bombardeio-e-nem-intervencao-do-imperialismo\/).<\/p>\n<p>Concomitante a essa situa\u00e7\u00e3o, temos governos imperialistas buscando influ\u00eancia pol\u00edtica na regi\u00e3o diante dessa instabilidade para conquistar mais territ\u00f3rio (regi\u00e3o \u00e9 importante rota comercial) e, consequentemente, suas reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, por isso, que EUA, R\u00fassia, Turquia, Catar e Ar\u00e1bia Saudita t\u00eam dado apoio pol\u00edtico e t\u00eam feito financiamento de armas aos v\u00e1rios grupos, de acordo com os interesses de cada um dos diversos grupos armados e atuantes.<\/p>\n<p>Entre os dois lados em combate nessa guerra civil est\u00e1 a classe trabalhadora s\u00edria sendo massacrada e sofrendo os mais diversos atentados com gera\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as nascendo, crescendo e morrendo em meio a esse terror.<\/p>\n<h2>Bashar Al Assad e sua ditadura: o dom\u00ednio totalit\u00e1rio da S\u00edria<\/h2>\n<p>Bashar Al Assad est\u00e1 no governo s\u00edrio desde o ano 2000. Substituiu seu pai, Hafez Al-Assad, que governou o pa\u00eds por 30 anos, at\u00e9 a sua morte. Segue estritamente a tradi\u00e7\u00e3o secular de opress\u00e3o e viol\u00eancia contra qualquer for\u00e7a que se oponha ao regime totalit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra civil, Al Assad recebe apoio da R\u00fassia, principalmente, no embate e enfrentamento aos opositores do regime e mant\u00e9m a ofensiva sobre eles.<\/p>\n<p>Em uma \u00faltima a\u00e7\u00e3o, entre fevereiro e mar\u00e7o de 2018, na regi\u00e3o de Ghouta Oriental pr\u00f3ximo a Damasco, as tropas s\u00edrias e russas realizaram ataques a\u00e9reos e terrestres, bombardeios, que mataram mais de 1000 civis e expulsaram cerca de 20 mil pessoas que buscam ref\u00fagio em outros locais.<\/p>\n<p>Assim, Assad vai pouco a pouco restabelecendo o controle total do pa\u00eds. O Ex\u00e9rcito j\u00e1 domina 55% do territ\u00f3rio s\u00edrio. E mant\u00e9m importantes regi\u00f5es inteiras, como Damasco, sob seu dom\u00ednio, o que possibilita avan\u00e7ar em seu projeto totalit\u00e1rio, conservador e de dom\u00ednio sobre a regi\u00e3o.<\/p>\n<h2>Grupos fan\u00e1ticos religiosos e a oposi\u00e7\u00e3o a Al Assad<\/h2>\n<p>Nos levantes contra Bashar Al Assad v\u00e1rios grupos t\u00eam se organizado e mantido o enfrentamento ao regime totalit\u00e1rio. Por\u00e9m, apesar das diferen\u00e7as, muitos desses grupos t\u00eam em comum a tradi\u00e7\u00e3o salafista que \u00e9 um bra\u00e7o ultraconservador sunita. Umas das v\u00e1rias correntes do islamismo mundial. Esses grupos, cada um com seu respectivo l\u00edder religioso, aglutina seus fi\u00e9is e realizam os combates n\u00e3o s\u00f3 por quest\u00f5es pol\u00edticas, mas principalmente em nome da f\u00e9, de uma concep\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica ou de Estado amparado na interpreta\u00e7\u00e3o do alcor\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 40 grupos armados, cada um com uma quantidade de combatentes que varia de algumas centenas a milhares. Devido \u00e0s necessidades b\u00e9licas consolidaram duas frentes amplas para os embates: Jaish al Fatah (Ex\u00e9rcito da Conquista) e Fatah Halab (Conquista de Aleppo). Em ambas tamb\u00e9m predomina o salafismo.<\/p>\n<p>No Jaish al Fatah (Ex\u00e9rcito da Conquista) haviam diversos grupos e a dissid\u00eancia da Al Qaeda na S\u00edria, a Frente Fatah al Sham, \u00e9 um deles. As den\u00fancias s\u00e3o de que esses grupos recebem financiamentos (ainda que indiretos e algumas vezes n\u00e3o declarados) do Catar, da Turquia e dos EUA.<\/p>\n<p>A Fatah Halab (Conquista de Aleppo) contava em suas fileiras algumas fra\u00e7\u00f5es salafistas do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria (ELS). O Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria \u00e9 uma dissid\u00eancia do Ex\u00e9rcito S\u00edrio oficial que se levantou contra Al Assad. Possuem tamb\u00e9m financiamento b\u00e9lico da Turquia. Nessa frente predomina diversos grupos isl\u00e2micos como o Jeish al Islam, financiado pela Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses, em a\u00e7\u00e3o isolada, h\u00e1 o Estado Isl\u00e2mico (ISIS, em ingl\u00eas), formado por um grupo dissidente da Al Qaeda, no Iraque. \u00c9 um grupo de origem sunita. Religioso, fundamentalista, extremista e conservador e se fortaleceu como um dos grupos de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Extremista religioso, esse grupo, segue uma linha do islamismo chamada sunita e defende a aplica\u00e7\u00e3o da sharia, conjunto de leis que regulam o comportamento das pessoas e preveem penas como o de chicoteamento de mulheres consideradas \u201cpecadoras\u201d. Prega a morte para quem n\u00e3o seguir as doutrinas do Isl\u00e3, a partir de sua concep\u00e7\u00e3o. Seu auge foi em 2014 com a conquista de um vasto territ\u00f3rio que inclu\u00edam cidades da S\u00edria e do Iraque. O financiamento vinha principalmente da Turquia e da Ar\u00e1bia Saudita, regimes reacion\u00e1rios.<\/p>\n<h2>O conflito pol\u00edtico e as grandes pot\u00eancias<\/h2>\n<p>A S\u00edria \u00e9 uma importante produtora de petr\u00f3leo e g\u00e1s e tamb\u00e9m uma importante rota em dire\u00e7\u00e3o a Europa. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que importantes pot\u00eancias econ\u00f4micas mundiais como EUA e R\u00fassia realizam financiamentos para a continuidade dessa guerra. Os interesses na regi\u00e3o s\u00e3o meramente econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Apesar de os campos de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo serem considerados de produ\u00e7\u00e3o em pequena escala, a S\u00edria possui o destaque econ\u00f4mico por sua pr\u00f3pria localiza\u00e7\u00e3o. O seu territ\u00f3rio fica entre o Ir\u00e3 que produz g\u00e1s natural e petr\u00f3leo em larga escala e o territ\u00f3rio europeu que \u00e9 um dos maiores consumidores desses produtos.<\/p>\n<p>A R\u00fassia \u00e9 respons\u00e1vel pelo fornecimento de 30% do g\u00e1s natural usado na Europa hoje. Dessa forma, tenta garantir que a Gazprom (Empresa russa de g\u00e1s natural) seja a respons\u00e1vel pelo fornecimento desse produto extra\u00eddo do Ir\u00e3 para o mercado europeu, num acordo j\u00e1 realizado com o governo de Al Assad que garante tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um gasoduto.<\/p>\n<p>No entanto, os EUA tamb\u00e9m buscam a constru\u00e7\u00e3o de um gasoduto para o fornecimento de g\u00e1s natural, desde as reservas do Qatar e do Ir\u00e3, atravessando a Jord\u00e2nia e S\u00edria at\u00e9 chegar na Turquia. Essa estrat\u00e9gia tem o apoio da Uni\u00e3o Europeia, que busca independ\u00eancia da influ\u00eancia russa no tabuleiro energ\u00e9tico da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa forma, fica evidente os interesses nos financiamentos realizados para os grupos armados na S\u00edria: de um lado, a R\u00fassia que busca aumentar seu poder econ\u00f4mico e imperialista na regi\u00e3o em acordo com Al Assad. De outro, os EUA e a UE que disputam o controle dessas reservas naturais e buscam dar apoio b\u00e9lico para os grupos rebeldes, numa tentativa indireta de enfraquecer a R\u00fassia. Ambos os grupos utilizam a guerra civil na S\u00edria como forma de escoar seu armamento, aumentar a produ\u00e7\u00e3o de armas, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico nessa \u00e1rea e garantir o rendimento do capital. Enquanto isso, \u00e9 a vidas da classe trabalhadora que est\u00e1 sendo dizimada em nome do lucro imperialista e dos grandes capitalistas.<\/p>\n<h2>Resist\u00eancia curda: a luta por seu territ\u00f3rio<\/h2>\n<p>H\u00e1 de se considerar ainda a importante luta do povo Curdo na regi\u00e3o, que tem sido por sua independ\u00eancia e procura se manter como polo de resist\u00eancia. O maior grupo \u00e9tnico sem Estado no mundo \u00e9 de curdos. S\u00e3o mais de 40 milh\u00f5es de pessoas vivendo numa regi\u00e3o entre diversos pa\u00edses como Ir\u00e3, Iraque, S\u00edria, Turquia, Arm\u00eania e Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 instabilidade pol\u00edtica na S\u00edria e as disputas, os curdos da regi\u00e3o conseguiram se organizar e realizam importantes enfrentamentos, especialmente contra o Estado Isl\u00e2mico, na luta por territ\u00f3rios. Foram fundamentais para impedir e derrotar o avan\u00e7o militar do Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Possuem seus pr\u00f3prios ex\u00e9rcitos na defesa de sua autodetermina\u00e7\u00e3o: o YPG (masculino) e YPJ (feminino, em uma importante luta numa regi\u00e3o predominantemente dominada por homens e suas tradi\u00e7\u00f5es religiosas, com o patriarcado, a viol\u00eancia e o machismo buscando impedir a auto-organiza\u00e7\u00e3o e a luta das mulheres).<\/p>\n<p>Hoje uma parte dos curdos est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3xima de acordos com os EUA, algo que na pr\u00e1tica inviabiliza sua independ\u00eancia pol\u00edtica e a constitui\u00e7\u00e3o de um Estado Nacional. Ainda assim, sua atua\u00e7\u00e3o tem sido um importante polo de debates e lutas sobre a organiza\u00e7\u00e3o desse territ\u00f3rio.<\/p>\n<h2>Qual a sa\u00edda para a Guerra Civil na S\u00edria?<\/h2>\n<p>A guerra civil na S\u00edria op\u00f5e setores da burguesia s\u00edria. Trata-se de uma disputa para ver quem vai ficar com as riquezas naturais e explorar o povo s\u00edrio.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na S\u00edria mostra a gravidade do uso de um territ\u00f3rio como estrat\u00e9gia para pol\u00edticas de expans\u00e3o e de dom\u00ednio dos pa\u00edses imperialistas, que buscam controlar territ\u00f3rios inteiros se apossando de seus recursos naturais, a qualquer custo, para aumentar suas taxas de lucros e seus recursos financeiros.<\/p>\n<p>Assim, toda luta contra o capital e seus agentes \u00e9 fundamental para que em cada canto do mundo nenhum povo sofra mais com guerras promovidas pelo sistema capitalista.<\/p>\n<p>Destacamos que o que ocorre na S\u00edria n\u00e3o \u00e9 nenhuma revolu\u00e7\u00e3o, pois a propriedade privada n\u00e3o est\u00e1 questionada, a classe trabalhadora n\u00e3o est\u00e1 organizada de forma independente e com seu programa anticapitalista. \u00c9, como dissemos, uma guerra civil financiada pelo capital! Somente com o fim do sistema do capital as guerras ter\u00e3o fim.<\/p>\n<p>Isso se mostra pelo fato de n\u00e3o ser a classe oper\u00e1ria a dirigir esse processo; por n\u00e3o haver uma luta consciente e um programa da classe trabalhadora contra a burguesia; por n\u00e3o haver organismos de poder da classe trabalhadora em seu conjunto e por n\u00e3o haver organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias (ainda que exista um processo incipiente na regi\u00e3o curda) em unidade nessa luta. Assim, s\u00e3o necess\u00e1rios o apoio e a solidariedade mundial da classe trabalhadora ao povo s\u00edrio, para que enfrentem todos os ataques que o grande capital imp\u00f5e na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nem Assad nem oposi\u00e7\u00e3o burguesa s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o!<br \/>\n<strong>Fora o imperialismo da S\u00edria! Contra os bombardeios!<\/strong><br \/>\n<strong>Abaixo a ditadura de Assad!<\/strong><br \/>\n<strong>Fora o imperialismo do Oriente M\u00e9dio!<\/strong> Fora as tropas e recursos imperialistas da S\u00edria!<br \/>\n<strong>Contra as ideologias fundamentalistas! Contra a opress\u00e3o das mulheres!<\/strong><br \/>\nPela resist\u00eancia do povo curdo e sua autodetermina\u00e7\u00e3o!<br \/>\n<strong>Por uma alternativa socialista dos trabalhadores!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde a Primavera \u00c1rabe, em 2011, na S\u00edria se estabeleceu uma s\u00e9rie de confrontos que culminou numa guerra civil entre<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":5761,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5760"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5760"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5762,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5760\/revisions\/5762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}