{"id":5767,"date":"2018-04-13T21:28:51","date_gmt":"2018-04-14T00:28:51","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5767"},"modified":"2018-05-28T16:59:46","modified_gmt":"2018-05-28T19:59:46","slug":"quem-matou-marielle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/04\/quem-matou-marielle\/","title":{"rendered":"Quem matou Marielle?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual que n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">S\u00e9rgio Lessa<\/p>\n<p class=\"western\">Depende de de qual grau de verdade voc\u00ea deseja: os milicianos que estavam no carro, apenas aquele miliciano que puxou o gatilho; Temer e os \u201cgolpistas\u201d; ou, ainda, o sistema do capital como um todo.<\/p>\n<p class=\"western\">A execu\u00e7\u00e3o de Marielle \u00e9 uma decorr\u00eancia direta da crise geral em que vive o pa\u00eds. A muni\u00e7\u00e3o utilizada, as pessoas envolvidas, o \u201cm\u00e9todo\u201d da execu\u00e7\u00e3o, as circunst\u00e2ncias de sua elei\u00e7\u00e3o e de suas den\u00fancias contra os \u201cmilicianos\u201d, a forma com se desenrola o <i>post-festum<\/i> (a pol\u00edtica federal cede lugar para a pol\u00edtica militar, Temer cancela viagem ao Rio para n\u00e3o ser hostilizado, Rodrigo Maia posa de defensor de uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, Pez\u00e3o fica calado no calabou\u00e7o do Pal\u00e1cio do Catete, a forma da cobertura jornal\u00edstica da Globo, do Estad\u00e3o e da Folha de S\u00e3o Paulo, a rea\u00e7\u00e3o do PT, do PSOL e do PCB etc.) \u2013 tudo se articula muito intimamente com os fundamentos da crise em que estamos engolfados. Portanto&#8230;<\/p>\n<p class=\"western\">\u2026 <b>de onde vem a crise?<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">De novo: qual o grau de verdade desejado? De fato, vem desde abril de 1500, quando Cabral aportou na Bahia. O Estado burgu\u00eas chegou no Brasil antes que aqui houvesse qualquer burguesia, o capitalismo aqui chegou pelas m\u00e3os da burguesia europeia e as nossas classes dominantes desde sempre foram s\u00f3cias minorit\u00e1rias na explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"western\">A forma de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-jur\u00eddicas e ideol\u00f3gicas que dela brotam etc. variam com o tempo \u2013 segundo as necessidades do capital internacional, predominantemente e, secundariamente, segundo as necessidades das classes dominantes brasileiras. Nessa hist\u00f3ria, o Estado tem um peso descomunal. Pois, como a media\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da direta subordina\u00e7\u00e3o das classes dominantes locais ao capital internacional, termina sendo important\u00edssimo na organiza\u00e7\u00e3o da economia. As suas \u201cpol\u00edticas econ\u00f4micas\u201d t\u00eam um papel central na produ\u00e7\u00e3o de riqueza. Para citar alguns exemplos: o epis\u00f3dio Delmiro Gouveia no Segundo Imp\u00e9rio, a pol\u00edtica de socializa\u00e7\u00e3o das perdas na Rep\u00fablica Velha, os investimentos getulistas na infraestrutura como a Petrobr\u00e1s e a CSN, os \u201c50 anos em 5\u201d de Juscelino, o financiamento estatal para a entrada das multinacionais no pa\u00eds e para a concentra\u00e7\u00e3o de terras no per\u00edodo da Ditadura Militar para culminar, no per\u00edodo petista, no assim dito \u201cdesenvolvimentismo lulista\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>O estamento burocr\u00e1tico-pol\u00edtico<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">Como resultado desse papel do Estado na economia, desenvolveu-se um estamento burocr\u00e1tico encastoado nas altas esferas estatais e nas altas esferas da pol\u00edtica que tem um peso econ\u00f4mico e pol\u00edtico que, se varia segundo o per\u00edodo hist\u00f3rico, tem sido sempre muito grande.<\/p>\n<p class=\"western\">O funcionamento desse estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico est\u00e1, hoje, escancarado. Os casos da Odebrecht e da JBS s\u00e3o t\u00edpicos. O toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1 entre esse estamento e o capital privado, milh\u00f5es em corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a contrapartida da transforma\u00e7\u00e3o desses empres\u00e1rios de nacionais em \u201cmultinacionais\u201d gra\u00e7as aos financiamentos ajeitados pelo estamento burocr\u00e1tico-pol\u00edtico. Do \u201coutro lado\u201d, amealha-se a fortuna de milh\u00f5es do filho de 7 anos de Temer! O pagamento de propinas se tornou t\u00e3o organizado e racional que a Odebrecht criou at\u00e9 mesmo um departamento para cuidar das mesmas, o famoso \u201cDepartamento de Opera\u00e7\u00f5es Especiais\u201d. Estradas, dormit\u00f3rios e est\u00e1dios para as Olimp\u00edadas ou Copa do Mundo, compra de material did\u00e1tico ou de rem\u00e9dios, merenda escolar ou equipamento b\u00e9lico &#8212; tudo \u00e9 \u201cazeitado\u201d pelas propinas, pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Hoje, em meio \u00e0 crise, \u00e9 poss\u00edvel delimitar os contornos desse estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico at\u00e9 os seus integrantes mais importantes: no Congresso, na ala mais tradicional, temos Cunha, Sarney, Juc\u00e1, Temer, os Maia (pai e filho), Moreira Franco, Carlos Marun ao lado dos novos integrantes, Lula, A\u00e9cio Neves, Geno\u00edno, Jos\u00e9 Dirceu, Dilma, Garotinho, Cabral etc.; do lado do Estado, Guido Mantega, Palocci, Paulo Bernardo, Paulo Rabelo de Castro, Arm\u00ednio Fraga, Gra\u00e7a Foster, a alta burocracia do BNDEs, do Banco do Brasil, da Caixa Econ\u00f4mica, dos Fundos de Pens\u00e3o, do Banco Central etc. Com uma vasta ramifica\u00e7\u00e3o que passa dos centros decis\u00f3rios nacionais aos Estados e Munic\u00edpios.<\/p>\n<p class=\"western\">Essa ramifica\u00e7\u00e3o se generalizou. Em plena \u201cfarra dilmista\u201d, at\u00e9 a libera\u00e7\u00e3o do pagamento para as empreiteiras locais da constru\u00e7\u00e3o das \u201cminha casa, minha vida\u201d em cidades pequenas dependia de pagamento de um \u201cagrado\u201d ao gerente da Caixa Econ\u00f4mica local! A constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura para as Olimp\u00edadas e a Copa do Mundo, programas como \u201cminha casa, minha vida\u201d etc. possibilitaram a esses ramos mais distantes de Bras\u00edlia acesso a um volume de corrup\u00e7\u00e3o que nunca tinham antes visto \u2013 exemplar, nesse processo, \u00e9 o caso do Rio de Janeiro. O poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico do estamento burocr\u00e1tico-pol\u00edtico nunca foi t\u00e3o forte e ramificado pelo pa\u00eds afora.<\/p>\n<p class=\"western\">Esta situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se tornaria um problema depois que a crise de 2008. Mas, at\u00e9 l\u00e1, n\u00e3o se reclamava nem da corrup\u00e7\u00e3o nem da bandalheira\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>A genialidade pol\u00edtica de Lula<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">Desde os \u00faltimos anos dos governos FHC, o Brasil foi se tornando um dos mais lucrativos investimentos para o grande capital. Com um governo \u201cconfi\u00e1vel\u201d, uma classe oper\u00e1ria \u201cd\u00f3cil\u201d, uma vasta for\u00e7a de trabalho desempregada e submetida a uma elevada taxa de explora\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, com mat\u00e9rias-primas baratas e abundantes, energia subsidiada pelo Estado, terras virgens ainda a serem ocupadas etc. \u2013 com tudo isso o Brasil se converteu em um dos investimentos preferidos do grande capital financeiro.<\/p>\n<p class=\"western\">A entrada desses capitais fez a festa dos governos petistas. Eram os anos em que planejavam permanecer no poder at\u00e9 2028 (Lembram-se do plano? Depois de um governo Dilma, mais dois governos Lula?). Foi o apogeu do \u201cdesenvolvimentismo petista\u201d: estradas, casas, usinas hidroel\u00e9tricas, biocombust\u00edveis, pr\u00e9-sal, etc. Com duas consequ\u00eancias. A primeira, o apoio incondicional da parcela da burguesia que se locupletava (os Odebrechts da vida) e, a segunda, a ades\u00e3o ao bloco petista da parte majorit\u00e1ria e mais forte do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico que mencionamos acima. As propinas que as invers\u00f5es do Estado propiciavam comprariam a ades\u00e3o desse estamento aos petistas. Cunha, Temer, Renan Calheiros, Juc\u00e1, Sarney, os Maia (do Rio), Collor etc. passam a descobrir as virtudes dos petistas. (Tal como hoje Paulo Paim, deputado federal pelo PT, reconhece hoje os m\u00e9ritos de Collor).<\/p>\n<p class=\"western\">O restante da burguesia, ainda que n\u00e3o diretamente favorecida pelos investimentos estatais, tamb\u00e9m apoiava o governo petista, por duas raz\u00f5es. A primeira, porque o aquecimento da economia tamb\u00e9m aquecia seus neg\u00f3cios. A segunda, porque isen\u00e7\u00f5es e mais isen\u00e7\u00f5es de impostos impulsionavam ind\u00fastrias chaves, como a automobil\u00edstica e a da \u201clinha branca\u201d (geladeiras, fog\u00f5es etc.), a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e a exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas e assim por diante.<\/p>\n<p class=\"western\">Como bem-vindo efeito colateral desse toma-l\u00e1-da-c\u00e1, o aquecimento da economia gerava empregos e melhorava a sorte de setores significativos da classe m\u00e9dia. O bolsa-fam\u00edlia e programas cong\u00eaneres davam a impress\u00e3o \u2013 falsa impress\u00e3o \u2013 de uma distribui\u00e7\u00e3o de renda. O aumento dos sal\u00e1rios dos professores universit\u00e1rios comprou o sil\u00eancio, quando n\u00e3o o apoio entusiasta, desse importante setor \u201cformador de opini\u00e3o p\u00fablica\u201d, etc., etc.<\/p>\n<p class=\"western\">Foi assim que Lula se tornou o preferido de Obama, do conjunto do capital, do agroneg\u00f3cio e do conjunto dos trabalhadores. Era uma unanimidade nacional! Como duvidar que esse \u201csimples oper\u00e1rio\u201d fosse, de fato, um \u201cg\u00eanio da pol\u00edtica\u201d, um \u201cestadista de porte internacional\u201d?<\/p>\n<p class=\"western\">Foi nesse clima de \u201cfelicidade geral\u201d que os petistas acrescentaram ao estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico uma sua contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica: a burocracia sindical. A aristocracia oper\u00e1ria, base social e pol\u00edtica da burocracia sindical, passou a ser s\u00f3cia minoritar\u00edssima na reparti\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o. Milhares de cargos para sindicalistas foram criados no Estado, os fundos de pens\u00e3o passaram a ter nos sindicalistas diretores e dirigentes de peso, foi retirada a fiscaliza\u00e7\u00e3o do TCU das contas das centrais sindicais e, ent\u00e3o, a farra sindical com dinheiro do Estado se tornou oficial.<\/p>\n<p class=\"western\">Tudo parecia indicar que a estrat\u00e9gia petista daria certo: nada amea\u00e7ava a perman\u00eancia de Lula em Bras\u00edlia por mais tempo que Get\u00falio Vargas no Catete.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>A crise de 2008 p\u00f4s tudo a perder.<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">Ao se instalar a crise, era not\u00f3rio que terminara a fartura de recursos do per\u00edodo imediatamente anterior. Quem pagaria pela crise?<\/p>\n<p class=\"western\">N\u00e3o dava mais para agradar a todos, algu\u00e9m tinha que perder. A press\u00e3o subiu entre as camadas dirigentes.<\/p>\n<p class=\"western\">A parcela da burguesia que n\u00e3o se reproduz \u201cmamando nas tetas do Estado\u201d, como diz Gaspari, passou a precisar do \u201capoio do Estado\u201d para atravessar a crise. Tinha, para isso, que diminuir a parcela da riqueza abocanhada pelo estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico (os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o seguros, mas fala-se que 46% do todos dos investimentos no pa\u00eds vinham do Estado e geravam propinas; alguns c\u00e1lculos indicam que R$ 600 milh\u00f5es passam diariamente \u00e0s m\u00e3os do estamento pol\u00edtico-burocrata via corrup\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"western\">Frente \u00e0 crescente press\u00e3o e avaliando equivocadamente que a crise seria passageira, os petistas cometeram seu maior erro estrat\u00e9gico. Decidiram privilegiar aqueles aliados que, julgavam, seriam os mais fi\u00e9is, pois mais dependentes do Estado. O estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, evidentemente. Em seguida, os setores da burguesia mais dependentes das encomendas estatais (as grandes empreiteiras, a constru\u00e7\u00e3o civil, uma parte do agrobusiness e o capital interessado nos grandes eventos). E, por fim, a burocracia sindical, a CUT e a central do PC do B. Avaliavam que, com esse \u201carco de alian\u00e7as\u201d garantiriam apoio suficiente no Congresso e entre o empresariado para sobreviver \u00e0 crise que, repetimos, na avalia\u00e7\u00e3o deles, seria curta. Foi assim que Temer virou vice-presidente.<\/p>\n<p class=\"western\">Erro mortal! Deixaram fora do poder todo o restante do grande capital. Metalurgia, eletro-eletr\u00f4nica, papel e celulose, qu\u00edmica, automobil\u00edstica etc. etc. \u2013 ou seja, praticamente todo o grande capital industrial \u2013 mais a maior parte dos bancos, do com\u00e9rcio e uma parte do agrobusiness. A estrat\u00e9gia petista formou contra ela \u201cum arco de alian\u00e7as\u201d imposs\u00edvel de ser derrotado. O fim do petismo era quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p class=\"western\">Intensificaram-se as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o, a Lava a Jato entrou em a\u00e7\u00e3o com o apoio dos \u00f3rg\u00e3os de imprensa mais importantes; Moro se tornou personalidade internacional e v\u00e1rios dos operadores-chave do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico e v\u00e1rios dos empres\u00e1rios integrantes do \u201cbloco petista\u201d foram para a cadeia. A Fiesp, a Febraban, uma enorme quantidade de entidades patronais, entraram agressivamente em campo. Publicaram manifestos e manifestos contra o governo, organizaram manifesta\u00e7\u00f5es, conspiraram o quanto puderam. A luta era pra valer entre estes setores da burguesia e o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p class=\"western\">Foi para desmontar o esquema articulado a partir do Planalto que veio o impeachment da Dilma. As \u201cpedaladas fiscais\u201d foram s\u00f3 o pretexto: o PT se tornara um elo decisivo da corrup\u00e7\u00e3o que concentrava os recursos no Estado no estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico e nos setores do capital eleitos pelos petistas como seus aliados preferenciais.<\/p>\n<p class=\"western\">O desenvolvimento da crise pol\u00edtica a partir de ent\u00e3o foi marcado pela dissolu\u00e7\u00e3o do \u201cbloco petista\u201d no poder. Os primeiros a abandonar o barco foram os \u201cdonos do Congresso\u201d. Velhas raposas, burocratas e pol\u00edticos de d\u00e9cadas, que conhecem as mazelas e os meandros do poder estatal, perceberam que era melhor negociar com o grande capital do que enfrent\u00e1-lo. Mas negociar a partir de uma posi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, visando a sobreviv\u00eancia do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico. Temer, aliado de Cunha, ungido vice-presidente por Lula para \u201cgarantir\u201d o apoio do Congresso, entrega a cabe\u00e7a de Dilma para o grande capital.<\/p>\n<p class=\"western\">Logo foram os \u201ccompanheiros\u201d da CUT e dos sindicatos que mostraram o quanto vale sua lealdade. Fizeram manifesta\u00e7\u00f5es contra o impeachment na medida exata para que n\u00e3o fossem acusados de \u201cc\u00famplices\u201d dos \u201cgolpistas\u201d e, tamb\u00e9m na medida exata para que as manifesta\u00e7\u00f5es n\u00e3o inviabilizassem o impeachment da \u201ccompanheira Dilma\u201d (do mesmo modo como t\u00eam feito manifesta\u00e7\u00f5es \u201ccontra\u201d a reforma trabalhista e \u201ccontra\u201d a reforma da previd\u00eancia, em nossos dias).<\/p>\n<p class=\"western\">Sobrou para o PT o apoio do MST apelegado e das pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica que colocam Lula como o favorito para as elei\u00e7\u00f5es deste ano.<\/p>\n<p class=\"western\">A disputa no interior do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico tamb\u00e9m se acentuou. Temer teve que pagar literalmente bilh\u00f5es para os congressistas n\u00e3o entregarem sua cabe\u00e7a \u00e0 justi\u00e7a. Alguns setores v\u00e3o perdendo a disputa (por exemplo, a \u201csucursal\u201d do Rio de Janeiro do esquema das propinas), mas quem \u00e9 mais rapidamente expulso da festa \u00e9 a burocracia sindical que, lembremos, foi trazida ao \u201cpoder\u201d pelos petistas. A reforma sindical inclui o fim do imposto sindical e fala-se no retorno da fiscaliza\u00e7\u00e3o do TCU sobre as verbas transferidas \u00e0s centrais sindicais pelo Estado.<\/p>\n<p class=\"western\">A burocracia sindical sente o golpe e passa a negociar: promete se comportar n\u00e3o agitando as massas contra o impeachment da Dilma e, depois contra as reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria. Topa perder, desde que n\u00e3o \u201cem demasia\u201d. Com isso d\u00e1 um tiro em seu pr\u00f3prio p\u00e9: sem o apoio das massas nas ruas contra as reformas, tamb\u00e9m n\u00e3o tem for\u00e7a para negociar o que gostaria. Perde o imposto sindical n\u00e3o apesar, mas porque se \u201ccomportou\u201d na defesa dos trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>A \u201cofensiva\u201d de Temer<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">Acuado, o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico fez valer seu peso hist\u00f3rico. Atrav\u00e9s de manobras e contramanobras, de vais-e-vens, de alian\u00e7as e trai\u00e7\u00f5es, de dela\u00e7\u00f5es premiadas e morte de testemunhas, de compras de falsos testemunhos e esquemas milion\u00e1rios, como o de Cunha, para manter pe\u00e7as chaves de boca fechada, etc., o estamento burocr\u00e1tico-pol\u00edtico se reorganizou sob Temer e Rodrigo Maia (presidente da C\u00e2mara dos Deputados). Ent\u00e3o, fez perceber aos do bloco \u201cda oposi\u00e7\u00e3o\u201d que a \u00fanica alternativa \u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\">Eles aceitam rifar o governo petista, atrav\u00e9s do impeachment da Dilma; topam reduzir o n\u00edvel da corrup\u00e7\u00e3o (isto \u00e9, a parcela da riqueza nacional que fica com eles); topam aprovar no Congresso legisla\u00e7\u00f5es impopulares &#8212; desde que n\u00e3o seja colocada em risco a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Aceitam at\u00e9 mesmo que alguns dos seus sejam presos (Cunha, Garotinho, Cabral etc.) desde que a estrutura de poder ao redor de Cunha, Temer, Maia, Juc\u00e1, etc. se mantenha mais ou menos intacta. V\u00e3o vendendo caro cada reforma que o capital necessita: desde a flexibiliza\u00e7\u00e3o da entrada de capital estrangeiro na Petrobr\u00e1s e nos campos do pr\u00e9-sal, no in\u00edcio do governo Temer, at\u00e9 a reforma trabalhista do ano passado.<\/p>\n<p class=\"western\">A resist\u00eancia do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico teve efeito e, em alguns poucos meses, o grande capital come\u00e7ou a mudar a sua postura.<\/p>\n<p class=\"western\">Logo ap\u00f3s o impeachment da Dilma, discutia-se abertamente se n\u00e3o seria o caso de se botar Temer abaixo, tamb\u00e9m. Jornais como o Estad\u00e3o e a Folha eram claramente simp\u00e1ticos a essa tese. A resist\u00eancia do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico os fez enxergar a realidade: a n\u00e3o ser por um golpe, n\u00e3o havia como se livrar do Congresso tal como ele \u00e9 hoje. As tentativas de impeachment do Temer n\u00e3o d\u00e3o em nada, ele resiste \u00e0s press\u00f5es\u2026 O Estad\u00e3o \u00e9 o primeiro a mudar de posi\u00e7\u00e3o: se Temer \u00e9 ruim, a alternativa de um golpe \u00e9 ainda pior. Logo em seguida, o Estad\u00e3o come\u00e7ou a defender a limita\u00e7\u00e3o da Lava-Jato e, num momento posterior, passa a atacar o judici\u00e1rio no que este tem de calcanhar de Aquiles: os sal\u00e1rios e privil\u00e9gios. O mote do Estad\u00e3o passa a ser: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel jogar todos os pol\u00edticos nas pris\u00f5es de Curitiba, isto seria ir longe demais. H\u00e1 que se colocar um limite!<\/p>\n<p class=\"western\">Foi ent\u00e3o que estamento burocr\u00e1tico-pol\u00edtico colheu sua maior vit\u00f3ria: todas as press\u00f5es do grande capital \u201cde oposi\u00e7\u00e3o\u201d para que o Congresso aprovasse a reforma da previd\u00eancia, fracassam! Os pol\u00edticos e burocratas est\u00e3o mostrando sua for\u00e7a e, a burguesia, arrega! N\u00e3o se fala mais, ent\u00e3o, em derrubar Temer, mas discute-se qual o candidato a substitu\u00ed-lo a partir de 2018. H\u00e1, de fato, parece reconhecer o grande capital \u201cda oposi\u00e7\u00e3o\u201d, que negociar com o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, derrot\u00e1-lo n\u00e3o seria poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>A interven\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">Sentindo-se fortalecido , Temer decidiu passar \u00e0 iniciativa. Promoveu a interven\u00e7\u00e3o no Rio e se declarou candidato \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial. Do alto de seus 90% de rejei\u00e7\u00e3o, sabe que o decisivo para as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 o apoio popular. A interven\u00e7\u00e3o, como disse algu\u00e9m, foi um \u201cgolpe de mestre\u201d. Temer posou de <i>sheriff<\/i> nacional contra o crime e trouxe para o seu lado o prest\u00edgio e o apoio da burocracia fardada. Como parte do acordo com os militares, Temer entregou a eles diversos cargos importantes no governo, inclusive o Minist\u00e9rio da Defesa, desde 1988 ocupado sempre por um civil.<\/p>\n<p class=\"western\">A situa\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro \u00e9 apenas mais grave e aguda do que a situa\u00e7\u00e3o no restante do pa\u00eds. Est\u00e1 longe de ser uma situa\u00e7\u00e3o \u00fanica e exclusiva. Desde h\u00e1 muito o poder do crime organizado e desorganizado constitui um dos importantes fatores da \u201cgovernabilidade\u201d: sem um acordo com o crime, n\u00e3o apenas o controle da viol\u00eancia, mas o controle do pr\u00f3prio crime torna-se inimagin\u00e1vel. Nem a Ditadura Militar conseguiu quebrar a for\u00e7a do jogo do bicho. De l\u00e1 para c\u00e1, com as drogas e o com\u00e9rcio de armas, a situa\u00e7\u00e3o apenas se agravou.<\/p>\n<p class=\"western\">Ao longo dos anos foi sendo constru\u00eddo um modo de conviv\u00eancia: dentro de limites e em \u00e1reas geogr\u00e1ficas delimitadas, o tr\u00e1fico de drogas e armas, prostitui\u00e7\u00e3o e jogo do bicho s\u00e3o permitidos pelos governantes. Mas a l\u00f3gica n\u00e3o se interrompe a\u00ed.<\/p>\n<p class=\"western\">Tal como o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico que, a partir de seu poder no Estado, cobra sua taxa de corrup\u00e7\u00e3o, os policiais tamb\u00e9m cobram dos criminosos sua \u201ccaixinha\u201d. Esta \u00faltima nada mais \u00e9 que a vers\u00e3o pobre do esquema de corrup\u00e7\u00e3o administrado pelos Temers e Cunhas da vida. H\u00e1 dados que indicam que a \u201ccaixinha\u201d era, h\u00e1 alguns anos, quase o dobro do total que o Estado do Rio de Janeiro ent\u00e3o pagava de sal\u00e1rios aos policiais.<\/p>\n<p class=\"western\">Al\u00e9m disso, o capital envolvido nas drogas e armas precisa ser \u201clavado\u201d: a coniv\u00eancia, se n\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o ativa, das altas autoridades da seguran\u00e7a e, por extens\u00e3o, dos governos estaduais e municipais, \u00e9 um pressuposto indispens\u00e1vel para esta lavagem. A qual, ainda, interessa a uma enorme quantidade de doleiros e alguns grandes banqueiros. Essa enorme base social \u2013 traficantes, policiais, burocratas de todos os escal\u00f5es do Estado, banqueiros, doleiros e, n\u00e3o nos esque\u00e7amos, de ju\u00edzes e procuradores \u2013 possuem uma for\u00e7a de press\u00e3o consider\u00e1vel sobre os governos cariocas os quais, por sua vez, n\u00e3o se fazem de rogados em ceder a estas press\u00f5es desde que, claro, recebam sua parte do butim.<\/p>\n<p class=\"western\">Esse esquema estadual apenas pode se manter com uma articula\u00e7\u00e3o com o esquema nacional. Os no poder em Bras\u00edlia devem receber \u201co seu\u201d para n\u00e3o apoiarem as for\u00e7as de \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d no Estado, por sua vez os \u201cde Bras\u00edlia\u201d devem, pela aloca\u00e7\u00e3o das verbas federais, abrir oportunidades para que o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico nos Estados se locuplete com a corrup\u00e7\u00e3o decorrente. O Pan-Americano e as Olimp\u00edadas que n\u00e3o me deixem mentir. Garotinho e Cabral s\u00e3o apenas os casos mais emblem\u00e1ticos dessa articula\u00e7\u00e3o entre a corrup\u00e7\u00e3o federal, a corrup\u00e7\u00e3o carioca, os traficantes e os milicianos.<\/p>\n<p class=\"western\">Esse esquema se equilibrava precariamente, mas se equilibrava, at\u00e9 alguns anos atr\u00e1s. Havia momentos de maior tens\u00e3o e viol\u00eancia intermediados por outros de pacifica\u00e7\u00e3o aparente. Mas nada semelhante ao que hoje vivemos no Rio de Janeiro. A crise econ\u00f4mica e o agravamento das tens\u00f5es sociais \u00e9 o pano de fundo desta explos\u00e3o. A desarticula\u00e7\u00e3o do bloco petista no poder, as disputas no interior da burguesia e do estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, a Lava-Jato e suas consequ\u00eancias etc. s\u00e3o fatores que tamb\u00e9m contribu\u00edram para romper o antigo equil\u00edbrio.<\/p>\n<p class=\"western\">A causa imediata e direta desta explos\u00e3o \u00e9 a disputa entre os milicianos e os traficantes pelo controle de \u00e1reas inteiras da cidade. Em poucas palavras, grupos de policiais descobriram que podiam disputar com os traficantes o controle de \u00e1reas de periferia da cidade. Tal como os traficantes, a partir deste controle eles vendem servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, vendem \u201cseguran\u00e7a\u201d acima de tudo e, ainda, podem cobrar ped\u00e1gio dos traficantes para que \u201coperem\u201d nas \u00e1reas sob seu controle. Essa \u00e9 uma atividade muito mais lucrativa que simplesmente a tradicional \u201ccaixinha\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\">Al\u00e9m do conflito entre policiais e traficantes, agora surge um novo, mais agudo e violento conflito, entre os milicianos e os traficantes. Diferente do confronto policiais-traficantes, temos agora um conflito entre dois grupos armados ilegais e semiclandestinos: um conflito para al\u00e9m do Estado. As UPPs serviram de fachada legal para o estabelecimento das mil\u00edcias \u2013 e n\u00e3o passaram muito disto.<\/p>\n<p class=\"western\">A interven\u00e7\u00e3o tem uma dire\u00e7\u00e3o precisa: trata-se de combater o crime organizado e n\u00e3o as mil\u00edcias. A corrup\u00e7\u00e3o entre as for\u00e7as de repress\u00e3o, desde ju\u00edzes e procuradores at\u00e9 o policial mais modesto, n\u00e3o ser\u00e1 alvo da a\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Afinal, direta ou indiretamente, eles s\u00e3o s\u00f3cios e aliados do esquema de corrup\u00e7\u00e3o que articula, em infinitos canais, a podrid\u00e3o de Bras\u00edlia com a viol\u00eancia nas periferias das grandes cidades.<\/p>\n<p class=\"western\">Foi a interven\u00e7\u00e3o que criou as condi\u00e7\u00f5es para a execu\u00e7\u00e3o de Marielle Franco.<\/p>\n<p class=\"western\"><b>A execu\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p class=\"western\">No ambiente social do Rio de Janeiro, n\u00e3o h\u00e1 mais lugar para o meio-termo. N\u00e3o por uma quest\u00e3o de radicaliza\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es, mas pela radicaliza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o real. No conflito entre milicianos e traficantes, quem apoia os direitos humanos est\u00e1 ao lado dos traficantes contra os \u201cde bem\u201d, como os milicianos se autodenominam. E isto independente do desejo ou da inclina\u00e7\u00e3o das pessoas, tem um elevado grau de veracidade. Quem milita em uma favela como a Mar\u00e9 sabe muito bem que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma atua\u00e7\u00e3o qualquer sem a anu\u00eancia do chefe do peda\u00e7o, traficante ou miliciano. N\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel que a vereadora do PSOL tenha recebido, sem que tenha solicitado ou que tenha negociado, o apoio eleitoral do tr\u00e1fico da Mar\u00e9. E, a bem da verdade, seja lembrado que a maior parte de seus votos veio das regi\u00f5es mais ricas da cidade e n\u00e3o das favelas.<\/p>\n<p class=\"western\">Com a interven\u00e7\u00e3o, os milicianos entenderam o recado: \u00e9 a oportunidade para ocupar as \u00e1reas que o Ex\u00e9rcito vai tomando do crime organizado, \u00e9 o momento de se expandirem e, por isso, \u00e9 tamb\u00e9m a hora de calar quem denuncia a expans\u00e3o dos milicianos e as suas consequ\u00eancias. Os democratas e defensores dos direitos humanos n\u00e3o s\u00e3o apenas advers\u00e1rios ideol\u00f3gicos, s\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que \u201catrapalham os neg\u00f3cios\u201d. \u00c9, hora, al\u00e9m disso, de acertar velhas contas.<\/p>\n<p class=\"western\">Quem executou Marielle? Temer com sua interven\u00e7\u00e3o, para come\u00e7o de conversa. Mas s\u00f3 para come\u00e7o, pois o fundo do po\u00e7o \u00e9 muito mais embaixo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, mais de 10 dias depois, apenas se sabe que vieram da Pol\u00edcia Federal as balas do crime. E nada mais!<\/p>\n<p class=\"western\">Enquanto isso\u2026<\/p>\n<p class=\"western\">Enquanto isso, o \u201carco de alian\u00e7as\u201d na nossa pobre esquerda eleitoreira nada mais faz do que clamar por uma melhor a mais justa administra\u00e7\u00e3o do \u00fanico Estado que o capital pode nos oferecer neste pa\u00eds. Para essa esquerda, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em superar o capital, mas em administr\u00e1-lo com maior efici\u00eancia e justi\u00e7a: elejam a n\u00f3s que tudo isso ser\u00e1 resolvido. Do PSOL ao PCB, do PC do B ao PSTU, do MST ao MTST, o clamor \u00e9 um s\u00f3: nos elejam!<\/p>\n<p class=\"western\">Pobre essa esquerda que n\u00e3o consegue \u2013 nem nessas circunst\u00e2ncias \u2013 ir al\u00e9m do horizonte eleitoreiro burgu\u00eas. Mas h\u00e1, para isso, uma raz\u00e3o de fundo: s\u00e3o tamb\u00e9m, ou gostariam de ser, financiados pelas verbas estatais. As mesmas verbas que servem \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e, em outras m\u00e3os, executaram Marielle. Bem pesadas as coisas, s\u00e3o apenas a ala esquerda do Partido da Ordem \u2013 se \u00e9 que o Partido da Ordem tem uma ala esquerda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual que n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":5768,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,63,75],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5767"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5767"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5789,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5767\/revisions\/5789"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}