{"id":5791,"date":"2018-04-13T20:20:37","date_gmt":"2018-04-13T23:20:37","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=5791"},"modified":"2018-04-20T12:04:56","modified_gmt":"2018-04-20T15:04:56","slug":"a-destruicao-do-meio-ambiente-e-o-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/04\/a-destruicao-do-meio-ambiente-e-o-capitalismo\/","title":{"rendered":"A destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e o capitalismo"},"content":{"rendered":"<p>Ar e rios polu\u00eddos, desmatamentos, esta\u00e7\u00f5es do ano desreguladas, seca de um lado e alagamento de outro. Esses s\u00e3o apenas alguns dos problemas ambientais enfrentados por todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Mas, qual a origem e a causa desses problemas?<\/p>\n<p>No nosso modo de ver, todos os problemas ambientais est\u00e3o relacionados \u00e0 forma como o capitalismo produz suas mercadorias. \u00c9 um sistema econ\u00f4mico, por ess\u00eancia, destruidor da natureza.<\/p>\n<h2>Natureza e necessidades humanas<\/h2>\n<p>O trabalho \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, uma forma de interc\u00e2mbio dos humanos com a natureza. Tudo que \u00e9 produzido \u00e9 natureza transformada.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o deveria funcionar para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas, pois essa rela\u00e7\u00e3o com a natureza \u00e9 fundamental para a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no capitalismo, que busca o lucro em tudo que produz, essa rela\u00e7\u00e3o com a natureza sofre modifica\u00e7\u00f5es profundas. Cada vez mais, a produ\u00e7\u00e3o deixa de atender \u00e0s necessidades humanas para manter ou aumentar os lucros dos empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como o lucro se tornou mais importante, os capitalistas come\u00e7aram a criar necessidades que justificam produzir tanta coisa desnecess\u00e1ria. Por exemplo: a produ\u00e7\u00e3o de armas (que precisa de guerras para serem consumidas); ou uma s\u00f3 pessoa ter 4 ou 5 carros para se sentir importante; ou um modelo novo de celular ou de televis\u00e3o a cada m\u00eas, dentre outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o essenciais para a exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Ou seja, produz-se coisas em excesso e sem controle. E como toda essa produ\u00e7\u00e3o afeta a natureza, h\u00e1 o desequil\u00edbrio<\/p>\n<p>E o pior: isso acontece ao mesmo tempo em que milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas passam fome no mundo.<\/p>\n<h2>Desastre ambiental e produ\u00e7\u00e3o capitalista<\/h2>\n<p>Mesmo que o comportamento individual, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, possa ser bastante problem\u00e1tico, este ainda n\u00e3o \u00e9 a causa principal do seu desequil\u00edbrio. Esse \u00e9 um discurso que serve para esconder a responsabilidade do sistema social ao qual estamos submetidos.<\/p>\n<p>Todos os desastres ambientais est\u00e3o ligados com o capitalismo, na causa ou nas consequ\u00eancias. Mesmo quando se trata de fen\u00f4menos puramente naturais (como fura\u00e7\u00e3o, terremoto, etc.) podemos ver que os efeitos mais danosos ocorrem onde est\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es mais pobres. O desastre \u00e9 natural, mas os efeitos n\u00e3o.<\/p>\n<p>Dois exemplos: a furac\u00e3o Katrina na Louisiana (Estados Unidos) que desabrigou milhares de pobres e o terremoto no Haiti, onde as popula\u00e7\u00f5es pobres at\u00e9 hoje sofrem as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o dos rios \u00e9 um outro exemplo. A forma\u00e7\u00e3o das grandes cidades, de forma desordenada e para atender as necessidades das empresas, criou a maior parte dos problemas ambientais. Ocupa\u00e7\u00e3o dos morros, o esgoto dom\u00e9stico, o despejo de detritos industriais que s\u00e3o jogados nos rios e c\u00f3rregos e a polui\u00e7\u00e3o do ar pelo excesso de carros no lugar de transporte coletivo.<\/p>\n<p>Lembremos do rompimento das barragens da empresa Samarco (controlada pela BHP Billiton Brasil e a Vale), em Mariana, em 2015. Agora o dep\u00f3sito de rejeitos qu\u00edmicos da multinacional norueguesa Norks Hydro em Barcarena, no Par\u00e1. Esses s\u00e3o os mais graves exemplos do car\u00e1ter destrutivo da produ\u00e7\u00e3o capitalista. (vejam box)<\/p>\n<p>O complexo militar mundial \u00e9 o maior exemplo de destrui\u00e7\u00e3o dessa produ\u00e7\u00e3o. Com um poderio capaz de destruir o planeta \u201cv\u00e1rias vezes\u201d, \u00e9 evidente que o dom\u00ednio que o capital tem sobre a natureza se tornou contradit\u00f3rio a ponto de colocar em risco a nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie.<\/p>\n<h2>A impunidade a servi\u00e7o das empresas (BOX)<\/h2>\n<p>A ind\u00fastria da Hydro j\u00e1 \u00e9 uma velha conhecida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s irregularidades ambientais, a exemplo da constru\u00e7\u00e3o de um dep\u00f3sito de produtos t\u00f3xicos em \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental. H\u00e1 anos, as comunidades Quilombolas da regi\u00e3o fazem essas den\u00fancias sem que o poder p\u00fablico tome qualquer medida.<\/p>\n<p>Essa empresa processa min\u00e9rio de Bauxita (mat\u00e9ria prima do alum\u00ednio) e no processo utiliza soda c\u00e1ustica, b\u00e1rio, chumbo e outras subst\u00e2ncias corrosivas e muito nocivas.<\/p>\n<p>No dia 17 de fevereiro deste ano esse dep\u00f3sito estourou jogando todas essas subst\u00e2ncias (uma \u00e1gua avermelhada) nas comunidades e rios da regi\u00e3o. Tamb\u00e9m foram descobertos tr\u00eas dutos clandestinos os quais j\u00e1 jogavam essas subst\u00e2ncias nos rios e igarap\u00e9s. Ou seja, a polui\u00e7\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica recorrente.<\/p>\n<p>Em 2009 j\u00e1 tinha ocorrido outro vazamento, dessa mesma empresa, causando a mortandade de peixes e contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. H\u00e1 outras empresas que atuam na regi\u00e3o e tamb\u00e9m com v\u00e1rias den\u00fancias de destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o papel das institui\u00e7\u00f5es do Estado, como a Secretaria de Meio Ambiente, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o Judici\u00e1rio. At\u00e9 mesmo a OAB solicitou a demiss\u00e3o do secret\u00e1rio do meio ambiente por n\u00e3o cumprir com o papel de fiscaliza\u00e7\u00e3o. A corrup\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o \u00e9 t\u00e3o escancarada que fiscais dessa secretaria atestaram n\u00e3o haver irregularidade.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico, mesmo com as den\u00fancias, s\u00f3 agora depois do desastre, come\u00e7ou a atuar. E o Judici\u00e1rio atende os pleitos das empresas atrav\u00e9s de suspens\u00e3o de multas, atrasos nos processos e desobrigando-as de indenizar as pessoas atingidas.<\/p>\n<p>No caso de Mariana, j\u00e1 se passaram quase 2,5 anos desde o crime ambiental provocado pela empresa Samarco (controlado pela Vale do Rio Doce).<\/p>\n<p>Foram 19 mortos e 55 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de min\u00e9rios despejados nos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce, este poluindo at\u00e9 a sua foz no Esp\u00edrito Santo. Esse foi um dos maiores crimes ambientais da hist\u00f3ria do Brasil. Estima-se que 500 mil pessoas foram atingidas com soterramento de casas, planta\u00e7\u00f5es e interrup\u00e7\u00e3o de fornecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>A lama n\u00e3o soterrou s\u00f3 as casas e planta\u00e7\u00f5es. Soterrou tamb\u00e9m os planos e sonhos das pessoas. Cerca de metade das v\u00edtimas n\u00e3o foram indenizadas e as que foram tiveram que abrir m\u00e3o de direitos para conseguir fazer o acordo. Muitos atingidos n\u00e3o conseguiram sequer fazer o cadastro.<\/p>\n<p>Nesse caso, os respons\u00e1veis por esse crime ambiental continuam livres e com o processo \u201ccaminhando para tr\u00e1s\u201d. Em julho do ano passado, a Justi\u00e7a Federal de Minas Gerais suspendeu o processo criminal contra os diretores da empresa. Isso porque o Minist\u00e9rio P\u00fablico j\u00e1 tinha demorado um ano para denunciar os respons\u00e1veis.<\/p>\n<h2>Alguns problemas de destrui\u00e7\u00e3o da natureza que enfrentamos<\/h2>\n<p>&#8211; <strong>Desmatamento<\/strong>: fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis para exporta\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola e pecu\u00e1ria est\u00e3o entre as principais causas de desmatamento.<\/p>\n<p>O setor de agroneg\u00f3cio \u00e9 quem mais desmata e na maioria das vezes de forma ilegal, sem garantir at\u00e9 mesmo as \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente e preserva\u00e7\u00e3o de rios e nascentes. Ao desmatamento soma-se a utiliza\u00e7\u00e3o de pesticidas e agrot\u00f3xicos poluentes e causadores de v\u00e1rias doen\u00e7as nas popula\u00e7\u00f5es rurais e trabalhadores dessas empresas e polui\u00e7\u00e3o dos rios e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A desertifica\u00e7\u00e3o e eros\u00e3o de extensas \u00e1reas colocam em risco a produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria no mundo. Isso tamb\u00e9m obriga a migra\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas pelo mundo.<\/p>\n<p><strong>-Morte de rios e lagos:<\/strong> O desmatamento tem como uma das consequ\u00eancias a altera\u00e7\u00e3o do regime de chuvas aumentando o tempo de estiagem e consequentemente alterando as nascentes e vaz\u00e3o dos rios. Outro problema \u00e9 o assoreamento (movimenta\u00e7\u00e3o de terras em dire\u00e7\u00e3o ao leito dos rios) influenciando tamb\u00e9m na vaz\u00e3o e altera\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua com prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias e morte de esp\u00e9cies desses rios.<\/p>\n<p>Os rios das grandes cidades tamb\u00e9m est\u00e3o biologicamente mortos servindo como dep\u00f3sito de esgotos (uma das consequ\u00eancias da ocupa\u00e7\u00e3o desordenada das cidades) detritos industriais.<\/p>\n<p>Esse processo tamb\u00e9m influi nos oceanos e mares que recebem toda essa polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>-Perda de diversidade biol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p>Estima-se que anualmente 8700 esp\u00e9cies s\u00e3o extintas no mundo, causando um grande impacto no meio ambiente e na pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o dos seres humanos com a natureza. A diversidade biol\u00f3gica \u00e9 fundamental para a vida e a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies tornando-as mais fortes e saud\u00e1veis. A causa da extin\u00e7\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o dos habitat naturais.<\/p>\n<p><strong>-Aquecimento global<\/strong><\/p>\n<p>Outro problema e com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis \u00e9 o aumento das temperaturas m\u00e9dias do planeta, atualmente, s\u00e3o as maiores dos \u00faltimos cinco s\u00e9culos, com aumento de cerca de 0,74\u00baC nos \u00faltimos cem anos. Nessa din\u00e2mica, segundo o 4\u00b0 Relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), pode haver um acr\u00e9scimo m\u00e9dio da temperatura global de 2\u00baC a 5,8\u00b0C. Degelo, tempestades, alagamento de \u00e1reas \u00famidas, mais estiagens nas \u00e1reas secas, aumento do n\u00edvel do mar, mudan\u00e7as que afetar\u00e3o principalmente a planta\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n<h2>A atual forma de produzir no campo \u00e9 destrutiva<\/h2>\n<p>Um dos grandes desafios da humanidade \u00e9 conseguir formas de aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, pois a fun\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 garantir a alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Mas, essa produtividade deve ser (e \u00e9 poss\u00edvel) com t\u00e9cnicas que n\u00e3o causem males a humanidade, comprovadamente, e nem tenha o lucro como motiva\u00e7\u00e3o principal.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 essa a pr\u00e1tica do agroneg\u00f3cio. O aumento da produtividade do agroneg\u00f3cio \u00e9 em base a utiliza\u00e7\u00e3o de pesticidas e agrot\u00f3xicos, bastante prejudiciais ao meio ambiente.<\/p>\n<p>O uso do agrot\u00f3xico no Brasil \u00e9 outro crime praticado pelas empresas e que tamb\u00e9m conta com a ajuda do governo e dos parlamentares. S\u00e3o 504 tipos de agrot\u00f3xicos com licen\u00e7a de comercializa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Cerca de 150 desses s\u00e3o proibidos de serem comercializados na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Aqui \u00e9 onde mais de consome agrot\u00f3xico no mundo. Em 2014 foram 500 mil toneladas, 20% do total do mundo.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dessas subst\u00e2ncias \u00e9 muito flex\u00edvel. O limite m\u00e1ximo para res\u00edduos em alimentos chega a ser, em alguns casos como o inseticida melationa usado no feij\u00e3o, 400 vezes superior ao permitido na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Quando se trata de res\u00edduos tolerados na \u00e1gua pot\u00e1vel a diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais escandalosa. \u00c9 o caso do agrot\u00f3xico Glifosato. Na Uni\u00e3o Europeia \u00e9 permitido no m\u00e1ximo 0,1 UG\/L, no Brasil \u00e9 tolerado 500 UG\/L, ou seja, 5000 mil mais.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que os pequenos agricultores tamb\u00e9m utilizam agrot\u00f3xicos, pela cultura ou imposi\u00e7\u00e3o do mercado, o qual exige n\u00edveis altos de produtividade para concorrer com as grandes empresas.<\/p>\n<p>Outra t\u00e9cnica utilizada s\u00e3o os transg\u00eanicos. Alimentos geneticamente alterados largamente utilizados e sem estudos mais detalhados e conclusivos. Podem provocar alergia, resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, toxinas no corpo e at\u00e9 risco de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>No Brasil est\u00e3o liberados para altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica: soja, milho, feij\u00e3o, etc. Cerca de 93% da \u00e1rea total onde s\u00e3o produzidos soja, milho e algod\u00e3o no pa\u00eds utiliza essa t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>O Brasil ocupa o segundo lugar em \u00e1rea plantada com transg\u00eanicos: 49 milh\u00f5es de hectares. Estados Unidos \u00e9 o primeiro.<\/p>\n<h2>Mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua<\/h2>\n<p>Na maioria das resid\u00eancias e das empresas h\u00e1 um gal\u00e3o de \u00e1gua. Ou seja, n\u00e3o se consome mais \u00e1gua que chega pelos canos. J\u00e1 se consolidou a ideia de n\u00e3o ser pr\u00f3pria para consumo. \u00c9 verdade, visto que h\u00e1 muitos problemas por conta da quantidade de produtos qu\u00edmicos utilizados no processo de tratamento .<\/p>\n<p>Mas, e a qualidade das \u00e1guas engarrafadas? Segundo Maria Fernanda, da Unesp, 65% dos gal\u00f5es de \u00e1gua mineral t\u00eam contaminantes.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a \u00e1gua se transformou em uma mercadoria. Ali\u00e1s, como tudo no capitalismo. A grande batalha de grandes grupos econ\u00f4mico, a exemplo da multinacional Nestl\u00e9 ou a Coca-Cola, \u00e9 se apropriar por completo das fontes e aqu\u00edferos, transformando a \u00e1gua em uma commoditie e negociada nas bolsas de valores, mesmo a \u00e1gua encanada que chega nas casas j\u00e1 n\u00e3o sendo totalmente p\u00fablica.<\/p>\n<p>Em alguns lugares essa realidade j\u00e1 \u00e9 mais cruel. Metade da SABESP \u00e9 privatizada, inclusive com a\u00e7\u00f5es negociadas na bolsa de valores de Nova Iorque. Outro exemplo \u00e9 a tentativa de privatiza\u00e7\u00e3o da CEDAE (companhia de \u00e1gua e esgoto do Rio de Janeiro), exig\u00eancia do governo Temer para o socorro financeiro do Estado. Isso significa mais restri\u00e7\u00e3o ao acesso da popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e0 \u00e1gua: se n\u00e3o tiver dinheiro, morre de sede.<\/p>\n<p>Um elemento da natureza que, por cota da destrui\u00e7\u00e3o ambiental provocada pelo capitalismo, vai se tornando escasso e aumenta as possibilidades de lucro. E o pre\u00e7o? \u00c9 comum uma garrafa de meio litro custar R$ 3,00 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h2>Industrializa\u00e7\u00e3o e natureza<\/h2>\n<p>As decis\u00f5es pol\u00edticas do capital em construir regi\u00f5es industriais s\u00f3 levam em conta as possibilidades de lucro. Os impactos na natureza nunca s\u00e3o pensados. \u00c9 a irracionalidade desse sistema social que op\u00f5e desenvolvimento e progresso \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>E mesmo quando h\u00e1 algum n\u00edvel de industrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada do mesmo n\u00edvel de destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos anos 70, o Brasil, passou por um intenso processo de industrializa\u00e7\u00e3o na Grande S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte e algumas outras cidades. Combinado com isso trabalhadores rurais eram expulsos de suas terras e \u201cempurrados\u201d para essas cidades disponibilizando uma imensa quantidade de m\u00e3o de obra com sal\u00e1rios baixos que sequer mantinham o sustento de suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o os levou para as periferias e morros dessas cidades, desmatando, com loteamentos irregulares, sem obras p\u00fablicas e sem saneamento b\u00e1sico. Sem nenhum planejamento ou investimento, pois boa parte do dinheiro p\u00fablico era destinado aos incentivos \u00e0s empresas, sobretudo multinacionais. As cidades cresceram desordenadamente e hoje temos como efeito enchentes, alagamentos, desmoronamentos, etc.<\/p>\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es no meio ambiente demonstram haver uma contradi\u00e7\u00e3o estrutural entre a natureza e o capital. Ou seja, a preserva\u00e7\u00e3o da natureza \u00e9 imposs\u00edvel sob esse sistema, pois o progresso no capitalismo necessariamente significa destrui\u00e7\u00e3o da natureza. \u00c9 um processo que ocorre em todos os pa\u00edses com o capitalismo, destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o de tudo isso \u00e9 simples. Medidas de prote\u00e7\u00e3o ambiental significariam aumentar os custos para produzir e isso abaixaria os lucros dos capitalistas. Entre manter o lucro e preservar a natureza, os capitalistas ficam com o lucro.<\/p>\n<h2>Os pa\u00edses imperialistas tratam os pa\u00edses pobres como \u201clix\u00e3o\u201d<\/h2>\n<p>A quest\u00e3o ambiental \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de dom\u00ednio dos pa\u00edses imperialistas sobre os demais. Por isso essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave nos pa\u00edses subdesenvolvidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o da superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e maior destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Quanto mais pobre \u00e9 o pa\u00eds mais problemas ambientais existem. O papel de fornecer mat\u00e9ria prima (min\u00e9rios, por exemplo) e produtos agr\u00edcolas para os pa\u00edses desenvolvidos, como vimos, atividades de maior intensidade do trabalho e maiores danos ambientais, s\u00e3o causas da destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o param por a\u00ed. Os pa\u00edses imperialistas tamb\u00e9m transferem res\u00edduos radioativos e t\u00f3xicos, lixo hospitalar, etc. para os pa\u00edses pobres. Os Estados Unidos \u201cexportam\u201d mais de 80% do lixo de produtos eletr\u00f4nicos para pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica. No Brasil, j\u00e1 foram v\u00e1rias apreens\u00f5es desse tipo de lixo em containers nos portos de Santos e Rio Grande. Uma das apreens\u00f5es era de 1200 toneladas, quase 10% de todo lixo produzido na cidade de S\u00e3o Paulo por dia.<\/p>\n<p>Outra pr\u00e1tica, na maioria dos casos se escondendo em a\u00e7\u00e3o de Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais (ONG) e miss\u00f5es evang\u00e9licas, \u00e9 a chamada biopirataria que procuram explorar e se apropriarem dos conhecimentos dos povos das florestas sobre ervas medicinais que s\u00e3o sintetizadas e transformadas em rem\u00e9dios car\u00edssimos.<\/p>\n<h2>Luta ecol\u00f3gica e anticapitalismo<\/h2>\n<p>Com os problemas ambientais se agravando, at\u00e9 mesmo as burguesias come\u00e7aram a se preocupar com a repercuss\u00e3o desse tema. Minist\u00e9rios do meio ambiente, Partidos Verdes, diretorias e departamentos ambientais nas empresas, v\u00e1rios movimentos ecol\u00f3gicos e ONG\u2019s com atua\u00e7\u00e3o focada nesse tema. Tamb\u00e9m surgiram muitos neg\u00f3cios lucrativos como o \u201cecoturismo\u201d, transformando o problema ambiental em fonte de lucro.<\/p>\n<p>\u00c9 uma consci\u00eancia ecol\u00f3gica do mundo sem representar uma alternativa, pois as propostas defendidas por eles representam os interesses dos capitalistas e a manuten\u00e7\u00e3o da propriedade privada.<\/p>\n<p>Esses movimentos procuram se apropriar desse tema tentando evitar que movimentos de esquerda e que representam os interesses da classe trabalhadora se coloquem na frente dessa luta. Tamb\u00e9m vendem uma utopia reacion\u00e1ria, como se fosse um problema de gest\u00e3o e n\u00e3o da pr\u00f3pria l\u00f3gica do sistema.<\/p>\n<p>O capitalismo nunca ter\u00e1 um sistema produtivo preservando a natureza. Por isso a luta ambiental deve estar vinculada a luta contra o capitalismo.<\/p>\n<p>E a classe trabalhadora acumula experi\u00eancias importantes. H\u00e1 um verdadeiro movimento de defesa ambiental. S\u00e3o os pequenos agricultores que n\u00e3o utilizam agrot\u00f3xicos e utilizam m\u00e9todos naturais de controle de pragas, os \u00edndios enfrentando os madeireiros e garimpeiros, a luta dos quilombolas pela demarca\u00e7\u00e3o de suas terras ou dos pescadores lutando contra a polui\u00e7\u00e3o de rios e mares, entre outros tantos.<\/p>\n<h2>A quest\u00e3o ambiental no socialismo<\/h2>\n<p>S\u00f3 uma sociedade socialista, com a classe trabalhadora no poder poder\u00e1 produzir as nossas necessidades e ao mesmo tempo garantir a prote\u00e7\u00e3o ambiental, pois h\u00e1 um plano definido o que precisa ser produzido, como vai ser produzindo e onde vai ser produzido.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o se busca o lucro \u00e9 poss\u00edvel ter esse tipo de planifica\u00e7\u00e3o. Nessa sociedade com a produ\u00e7\u00e3o sob controle da classe trabalhadora n\u00e3o haveria o consumismo. No capitalismo as pessoas compram impulsionadas pela propaganda e pela ideologia de ter coisas e que nem v\u00e3o usar e s\u00e3o completamente sup\u00e9rfluas para as suas vidas.<\/p>\n<p>Em um mundo sem classes sociais a rela\u00e7\u00e3o da humanidade com a natureza ser\u00e1 harmoniosa, planejada e regulada, garantindo a produ\u00e7\u00e3o das necessidades humanas e ao mesmo tempo preservando o meio ambiente.<\/p>\n<p>Por isso a luta ecol\u00f3gica, para tratar das quest\u00f5es realmente importantes, deve estar vinculada a luta anticapitalista. A raz\u00e3o \u00e9 simples: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar algum tipo de racionalidade nesse sistema, pois a mercantiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 o que predomina em todas as rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Medidas emergenciais<\/h2>\n<p>O fato de esses problemas serem solucionados definitivamente s\u00f3 no socialismo n\u00e3o significa deixar as coisas como est\u00e3o. \u00c9 preciso lutar e exigir algumas medidas do governo, como:<\/p>\n<p>&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o, sob controle dos trabalhadores, de todas empresas poluentes e as que est\u00e3o envolvidas em crimes ambientais;<\/p>\n<p>&#8211; Revoga\u00e7\u00e3o do atual c\u00f3digo florestal que n\u00e3o protege ao meio ambiente e ainda salvaguarda as grandes empresas e latifundi\u00e1rios poluentes;<\/p>\n<p>&#8211; Pris\u00e3o a todos os assassinos dos militantes em defesa do meio ambiente;<\/p>\n<h2>Brasil lidera em assassinatos de ativistas ambientais<\/h2>\n<p>Os capitalistas n\u00e3o s\u00f3 destroem a natureza como persegue e assassina quem luta em defesa do meio ambiente. Ano ap\u00f3s ano s\u00e3o centenas de mortes. Em 2016 foram assassinados mais de 200 ativistas no mundo. Em 2017 foram 197 mortos. O Brasil \u00e9 o campe\u00e3o: 49 mortos em 2016 e 46 em 2017.<\/p>\n<p>A maioria desses mortos estavam lutando contra empresas mineradoras, principalmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m impera no Brasil a impunidade. Quando o poder p\u00fablico consegue identificar mandantes e assassinos, a condena\u00e7\u00e3o e a pris\u00e3o, tamb\u00e9m quando ocorre, demora anos. Um exemplo \u00e9 o fazendeiro mandante da morte da freira Dorothy Stang que foi preso s\u00f3 em 2017, doze anos ap\u00f3s o assassinato. Por todo esse per\u00edodo ficou solto beneficiado por decis\u00e3o do judici\u00e1rio daquele estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ar e rios polu\u00eddos, desmatamentos, esta\u00e7\u00f5es do ano desreguladas, seca de um lado e alagamento de outro. 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