{"id":62,"date":"2008-12-13T16:46:19","date_gmt":"2008-12-13T16:46:19","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/62"},"modified":"2018-05-04T21:47:59","modified_gmt":"2018-05-05T00:47:59","slug":"terminal-passaporte-falsificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/terminal-passaporte-falsificado\/","title":{"rendered":"&#8220;Terminal&#8221;: Passaporte falsificado"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>\u201cTERMINAL\u201d: PASSAPORTE FALSIFICADO<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cTerminal\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Nome original: The terminal<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/span>Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas, Franc\u00eas, Russo, B\u00falgaro<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Diretor: Steven Spielberg<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Andrew Niccol, Sacha Gervasi<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Tom Hanks, Catherine Zeta-Jones, Stanley Tucci, Chi McBride, Diego Luna<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">G\u00eanero: drama, romance, com\u00e9dia<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Depois de revolucionar o cinema entre meados dos anos 70 e 80, Steven Spielberg vive agora uma fase de pr\u00e9-aposentadoria, dedicando-se a filmes menores e despretensiosos, como \u201cPrenda-me se for capaz\u201d e \u201cO Terminal\u201d. N\u00e3o por coincid\u00eancia, os dois contam com o talento testado e aprovado de Tom Hanks para carregar a trama. Em \u201cO Terminal\u201d, Tom Hanks \u00e9 \u201cViktor Navorsky\u201d, um viajante de um pa\u00eds fict\u00edcio que fica preso no aeroporto internacional de Nova York, depois que seu pa\u00eds de origem sofre um golpe de Estado e entra em guerra civil. Sem que haja um governo reconhecido em \u201cKrakozhia\u201d, o governo dos Estados Unidos n\u00e3o pode aceitar seus documentos, n\u00e3o pode autoriz\u00e1-lo a entrar no pa\u00eds, nem pode deport\u00e1-lo de volta. Navorsky fica assim preso numa brecha do sistema, uma \u201cfalha na Matrix\u201d, condenado a habitar o aeroporto, at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o institucional se resolva no seu pa\u00eds de origem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa situa\u00e7\u00e3o surreal serve de pretexto para que experimentemos uma sucess\u00e3o de embara\u00e7os c\u00f4micos, que envolvem o estrangeiro incapaz de falar ingl\u00eas no bab\u00e9lico mundo do aeroporto. Sendo o terminal um ponto de chegada de rotas internacionais, a \u00e1rea \u00e0 qual Navorsky est\u00e1 confinado est\u00e1 repleta de viajantes de todos os continentes e origens. Muitos, como ele pr\u00f3prio, n\u00e3o falam ingl\u00eas. Sem ser capaz de se comunicar, Navorsky acaba deduzindo, gra\u00e7as \u00e0 televis\u00e3o, o que est\u00e1 se passando no seu pa\u00eds, e porque est\u00e1 condenado ao sagu\u00e3o internacional do aeroporto. Permanecendo simples e inocente, ele espera at\u00e9 que seu caso seja resolvido pelas autoridades, a quem se submete.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Sem perspectivas a curto prazo, Navorsky limita-se \u00e0s demandas b\u00e1sicas da sobreviv\u00eancia, procurando comida, roupa e um lugar para dormir. Aos poucos, por meio de sua simplicidade e inoc\u00eancia, ele conquista a simpatia de funcion\u00e1rios do aeroporto, e at\u00e9 uma improv\u00e1vel namorada, a aeromo\u00e7a vivida por Catherine Zeta-Jones. A maior parte da divers\u00e3o est\u00e1 na primeira hora do filme, em que a incomunicabilidade de Navorsky o reduz aos expedientes m\u00ednimos e improvisados da sobreviv\u00eancia. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, Tom Hanks consegue convencer na pele de um cidad\u00e3o que n\u00e3o fala ingl\u00eas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Spielberg habilmente tira partido da situa\u00e7\u00e3o da incomunicabilidade para explorar a condi\u00e7\u00e3o da humanidade totalmente despojada de r\u00f3tulos e identifica\u00e7\u00f5es. Navorsky \u00e9 literalmente um cidad\u00e3o de lugar nenhum. Um produto da globaliza\u00e7\u00e3o. Como tal, ele pode se identificar com qualquer espectador global. Mais ou menos como os personagens de Chaplin, na \u00e9poca do cinema mudo, que prescindiam da fala para criar empatia com os imigrantes de todo o mundo, que corriam em massa aos E.U.A. em busca do sonho. O humano indeterminado \u00e9 um objeto de observa\u00e7\u00e3o curioso. Como um animal no zool\u00f3gico, Navorsky encontra suas solu\u00e7\u00f5es, e o pessoal do aeroporto, assim como o espectador, se diverte com ele. Isso n\u00e3o deixa de ser reflexo de uma esp\u00e9cie de cultura voyeurista contempor\u00e2nea, moldada pelo recente fen\u00f4meno dos \u201creality shows\u201d na TV.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">De um certo momento em diante, a mistifica\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da aceita\u00e7\u00e3o do estrangeiro se torna o substrato da trama e o filme perde a for\u00e7a. Recorre-se ent\u00e3o \u00e0 f\u00f3rmula b\u00e1sica da com\u00e9dia rom\u00e2ntica, na qual uma mentira qualquer une os enamorados, mas a verdade acaba vindo \u00e0 tona, para por \u00e0 prova o seu amor. As aeromo\u00e7as s\u00e3o apresentadas estereotipadamente como seres inerentemente prom\u00edscuos. E esse estere\u00f3tipo tem at\u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o \u201ccient\u00edfica\u201d. Devido ao \u201crel\u00f3gio biol\u00f3gico desregulado\u201d, as aeromo\u00e7as est\u00e3o sempre prontas para fazer \u201caquilo\u201d. Sorte do homem que estiver no seu caminho, como o pr\u00f3prio Navorsky. A personagem de Catherine Zeta-Jones sujeita-se ao estere\u00f3tipo e n\u00f3s somos convidados a aceit\u00e1-la dessa maneira. Trata-se de um fato da vida. O sonho n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o cor de rosa. Gra\u00e7as ao amante poderoso e influente, a aeromo\u00e7a consegue o visto para que Navorsky visite os E.U.A. e realize seu sonho. Porque, \u201cevidentemente\u201d, todos sonham em ir para os E.U.A.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Spielberg continua sendo aquele bom estadunidense que acredita piamente que o seu pa\u00eds representa o bem no mundo. Ele se esfor\u00e7a para mostrar o lado simp\u00e1tico dos E.U.A., que existe por tr\u00e1s da m\u00e1scara do seu sistema. O sistema \u00e9 representado pelo personagem do diretor da seguran\u00e7a do aeroporto. O diretor representa a intransig\u00eancia fria das regras e n\u00fameros, a burocracia kafkiana e a indiferen\u00e7a desumana do mundo moderno. O chefe da seguran\u00e7a do aeroporto \u00e9 obrigado a desconfiar de todo e qualquer passageiro que desembarca no aeroporto. Todo passageiro \u00e9 suspeito at\u00e9 que prove o contr\u00e1rio. Por defini\u00e7\u00e3o, qualquer um deles pode estar tentando burlar a imigra\u00e7\u00e3o e se tornar mais um trabalhador clandestino. Ou pode ser um traficante de drogas vindo do Brasil.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A li\u00e7\u00e3o que Spielberg tenta passar \u00e9 que apesar dessa aparente frieza e desumanidade, o sistema ainda pode ser burlado. O chefe da seguran\u00e7a mais dur\u00e3o e intransigente pode acabar cedendo, diante de quem demonstrar, ao fim de sucessivas provas, a pureza e a simplicidade de Navorsky. O sistema, afinal de contas, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00edgido assim. O chefe da seguran\u00e7a n\u00e3o quer resolver a situa\u00e7\u00e3o de Navorsky. Quer apenas se livrar dele. Quer passar a \u201cbatata quente\u201d para outro departamento. O refugiado de lugar nenhum \u00e9 um inc\u00f4modo no seu mundo. O chefe da seguran\u00e7a n\u00e3o se preocupa humanamente com Navorsky. Ocupa-se dele como um empecilho, como se fosse uma bagagem perdida, algo do qual precisa livrar-se para manter seu mundo\/aeroporto limpo e ass\u00e9ptico, com cara de \u201cshopping center\u201d.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A prop\u00f3sito de \u201cshopping center\u201d, o chefe da seguran\u00e7a explica a Navorsky que a \u00fanica coisa que se pode fazer naquele setor do aeroporto (e no restante do pa\u00eds, podemos acrescentar) \u00e9 comprar. Nos E.U.A., tudo est\u00e1 \u00e0 venda. Para tudo se pode dar um jeito, na \u201cterra das oportunidades\u201d. Mesmo n\u00e3o sendo cidad\u00e3o de lugar nenhum, n\u00e3o tendo documentos, nem resid\u00eancia fixa, Navorsky consegue emprego como pe\u00e3o de obras na reforma de uma ala do aeroporto onde \u201cmora\u201d. N\u00e3o importa ao empreiteiro quem ele \u00e9, importa que tem \u201ctalento\u201d para lidar com acabamento de constru\u00e7\u00e3o, o que faz com que mere\u00e7a seu dinheiro.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O empreiteiro contrata Navorsky \u201cpor fora\u201d, pagando-lhe uma quantia que deixa o chefe da seguran\u00e7a com inveja. Na terra da iniciativa privada, o funcion\u00e1rio p\u00fablico como o do aeroporto \u00e9 um zero \u00e0 esquerda. O sucesso do imigrante de lugar nenhum \u00e9 s\u00f3 mais um motivo para que o odeiem. Tentando se livrar de Navorsky, o chefe da seguran\u00e7a quer ensin\u00e1-lo o \u201cjeitinho estadunidense\u201d para burlar a imigra\u00e7\u00e3o, pedindo asilo pol\u00edtico. N\u00e3o lhe importa que Navorsky venha a ser preso logo em seguida, o que importa \u00e9 que n\u00e3o fique mais no seu aeroporto. N\u00e3o lhe importa o lado humano das situa\u00e7\u00f5es. Quando Navorsky serve de tradutor e ajuda um russo a contrabandear rem\u00e9dios para seu pai, a hostilidade do chefe da seguran\u00e7a se torna pessoal.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Mas nesse momento j\u00e1 estamos no campo dos estere\u00f3tipos de mocinho e bandido. Navorsky \u00e9 o mocinho, irrepreens\u00edvel, incorrupt\u00edvel, incapaz de tirar partido da \u201cfalha na Matrix\u201d que o beneficiou. Ele quer entrar nos E.U.A., mas o quer honestamente. Spielberg com isso est\u00e1 dizendo que todos s\u00e3o bem vindos aos E.U.A., desde que sejam \u201cboa gente\u201d como Navorsky.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u00c9 de pessoas assim que os E.U.A. foram feitos, de imigrantes do tipo \u201cboa gente\u201d. Os E.U.A. s\u00e3o tamb\u00e9m o ref\u00fagio de todos aqueles que querem escapar de persegui\u00e7\u00f5es em seus pa\u00edses de origem, como o faxineiro indiano. O qual era perseguido na \u00cdndia por esfaquear um policial corrupto. Porque no Terceiro Mundo, evidentemente, todas as autoridades s\u00e3o corruptas&#8230; (como se nos E.U.A., terra do jeitinho, n\u00e3o acontecesse isso) Como imigrante ilegal precariamente estabelecido, o velho imigrante indiano \u00e9 o mais desconfiado em rela\u00e7\u00e3o a Navorsky dentre o pessoal do aeroporto. Acostumado \u00e0 frieza e indiferen\u00e7a das multid\u00f5es an\u00f4nimas, tornou-se ele pr\u00f3prio indiferente e \u201cs\u00e1dico\u201d. A divers\u00e3o do faxineiro era observar as pessoas escorregarem no piso rec\u00e9m-lavado por ele. Essa era sua vingan\u00e7a por todas as rasteiras que levou na vida.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Entretanto, n\u00e3o se pode acusar Spielberg de ser preconceituoso com rela\u00e7\u00e3o aos estrangeiros. Krakozhia, como qualquer pa\u00eds real do Leste Europeu ou do Terceiro Mundo, est\u00e1 sujeito a golpes de Estado e guerras civis. Isso n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mais pura realidade. Trata-se de uma infelicidade do mundo globalizado, da qual, felizmente, os Estados Unidos est\u00e3o \u201clivres\u201d. A instabilidade pol\u00edtica, os golpes de Estado e a \u201cviola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos\u201d s\u00e3o tristes realidades que pertencem ao \u201cresto do mundo\u201d, cr\u00ea o povo estadunidense. Cr\u00eaem piamente nisso, mesmo vivendo num pa\u00eds que tem Bush como Presidente e o \u201cPatriotic Act\u201d como lei.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Spielberg n\u00e3o \u00e9 pois hostil ou preconceituoso em rela\u00e7\u00e3o ao \u201cresto do mundo\u201d, ele \u00e9 simplesmente incapaz de compreend\u00ea-los. Como bom estadunidense que \u00e9, acredita piamente que toda hostilidade que possa haver entre os E.U.A. e \u201co resto do mundo\u201d s\u00f3 pode ser fruto de mal-entendido. Um mal-entendido a ser solucionado por meio de gestos de amizade e profiss\u00f5es de f\u00e9. Spielberg faz sua profiss\u00e3o de f\u00e9 nos E.U.A., o pa\u00eds mitol\u00f3gico que recebe os imigrantes de bra\u00e7os abertos (ou nem tanto).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ele n\u00e3o exige de n\u00f3s fidelidade pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica. N\u00e3o exige ades\u00e3o \u00e0s modas ou slogans pol\u00edticos da \u00faltima temporada. O teste definitivo da cidadania para os que querem entrar na terra de Spielberg \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o aos \u00edcones estadunidenses. A fidelidade exigida \u00e9 a devo\u00e7\u00e3o aos elementos da cultura \u201cpop\u201d estadunidense, cultura que Spielberg acredita ser capaz de representar tamb\u00e9m todo o \u201cresto do mundo\u201d. No caso de \u201cTerminal\u201d, a viagem de Navorsky \u00e9 justificada pela devo\u00e7\u00e3o ao jazz (pelo menos, um sinal de bom gosto). O jazz era a m\u00fasica dos negros pobres, que sobreviveram por meio da criatividade, do improviso, do charme, criando uma sofisticada arte musical.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A arte como uma maneira de superar limita\u00e7\u00f5es de uma situa\u00e7\u00e3o social prec\u00e1ria. Os E.U.A. continuam de bra\u00e7os abertos para quem quer que viva esse sonho. Essa \u00e9 a cren\u00e7a de Spielberg.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">05\/10\/2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;TERMINAL&rdquo;: PASSAPORTE FALSIFICADO<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Terminal&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6121,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions\/6121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}