{"id":63,"date":"2008-12-13T16:47:27","date_gmt":"2008-12-13T16:47:27","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/63"},"modified":"2013-01-19T18:57:52","modified_gmt":"2013-01-19T18:57:52","slug":"supremacia-bourne-e-a-doutrina-bush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/supremacia-bourne-e-a-doutrina-bush\/","title":{"rendered":"&#8220;Supremacia Bourne&#8221; e a doutrina Bush"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;SUPREMACIA BOURNE&rdquo; E A DOUTRINA BUSH<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Nome original: The Bourne Supremacy<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Produ&ccedil;&atilde;o: Estados Unidos, Alemanha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Ano: 2004<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Idiomas: Ingl&ecirc;s, Russo, Alem&atilde;o, Italiano<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Diretor: Paul Greengrass<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span><span lang=\"EN-US\" style=\"\">Roteiro: Robert Ludlum, Tony Gilroy<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Elenco: Matt Damon, Franla Potente, Brian Cox, Julia Stiles, Karl Urban, Gabriel Mann, Joan Allen, Marton Csokas<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">G&ecirc;nero: aventura, mist&eacute;rio, thriller, a&ccedil;&atilde;o, drama<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">Fonte: &ldquo;The Internet Movie Database&rdquo; &ndash; <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\" style=\"\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"\"><span style=\"\">&nbsp; <\/span><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Os filmes do personagem Jason Bourne s&atilde;o uma esp&eacute;cie de epit&aacute;fio do g&ecirc;nero dos filmes de espionagem (Jason Bourne &eacute; o personagem de uma trilogia de livros de espionagem do escritor Robert Ludlum). O tipo de trama do qual o personagem em quest&atilde;o participa em &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo; representa uma muta&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica radical dos filmes de espionagem, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de um cen&aacute;rio p&oacute;s-Guerra Fria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O fim da Guerra Fria trouxe s&eacute;rias complica&ccedil;&otilde;es tem&aacute;ticas para a s&eacute;rie 007. Complica&ccedil;&otilde;es das quais James Bond somente se reergueu recentemente, com o &uacute;ltimo filme protagonizado por Pierce Brosnan, que s&oacute; foi bem sucedido porque assumiu e confirmou definitivamente o lado &ldquo;kitsch&rdquo; do personagem. Jason Bourne, por outro lado, atua num cen&aacute;rio marcado por uma outra estrutura de plausibilidade. Uma estrutura muito mais pr&oacute;xima &agrave; do nosso &ldquo;mundo real&rdquo; que do universo de 007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>No mundo p&oacute;s-Guerra Fria do agente Jason Bourne desapareceu o conflito EUA x URSS, que fornecia o pano de fundo para as tramas das disputas entre agentes secretos. A Guerra Fria era o conflito que fornecia &agrave;s superpot&ecirc;ncias em oposi&ccedil;&atilde;o a justificativa para manterem uma corrida armamentista em espiral, a qual produzia, entre outras coisas, armas nucleares e agentes secretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A guerra &eacute; &ldquo;a continua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica por outros meios&rdquo;, dizia Von Clausewitz. E a espionagem &eacute; a continua&ccedil;&atilde;o da guerra em tempos de paz. As disputas entre os Estados se resolvem, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, pela for&ccedil;a militar, o que configura o estado de guerra declarada. Em tempos de paz, os Estados em oposi&ccedil;&atilde;o recorrem &agrave; diplomacia e &agrave; espionagem para levar adiante sua guerra n&atilde;o-declarada. A Guerra Fria foi um per&iacute;odo de guerra n&atilde;o-declarada entre as duas superpot&ecirc;ncias e de apogeu da espionagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A referida disputa entre os Estados n&atilde;o &eacute; uma excepcionalidade acidental do sistema internacional, mas uma determina&ccedil;&atilde;o estrutural do modo de reprodu&ccedil;&atilde;o sociometab&oacute;lica do capital. O capital global &eacute; um sistema hier&aacute;rquica e conflitivamente estruturado, inerentemente inst&aacute;vel e incontrol&aacute;vel. O conflito faz parte de sua natureza mais &iacute;ntima, manifestando-se em m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es de destrutividade crescente: disputa entre indiv&iacute;duos, entre empresas, entre Estados e entre sistemas. As duas grandes Guerras Mundiais s&atilde;o o atestado definitivo da conflitividade e da destrutividade inerentes a esse sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A Guerra Fria, por sua vez, pareceu um par&ecirc;ntesis an&ocirc;malo no decurso do qual a superpot&ecirc;ncia capitalista defrontou-se com a superpot&ecirc;ncia que representava a suposta alternativa &ldquo;socialista&rdquo; ao capital, vivenciando ent&atilde;o a dimens&atilde;o destrutiva terminal do conflito entre sistemas. Encerrado esse par&ecirc;ntesis, por&eacute;m, o capital continua a manifestar o n&iacute;vel mais elevado e terminal de sua conflitividade destrutiva estrutural, o n&iacute;vel do conflito intersist&ecirc;mico. N&atilde;o havendo mais o sistema supostamente socialista para opor-se ao capital, este passa a buscar advers&aacute;rios numa parte do mundo que n&atilde;o esteja inteiramente assimilada ao capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Mas o que &eacute; hoje o mundo n&atilde;o-capitalista? N&atilde;o existe. E na aus&ecirc;ncia desse advers&aacute;rio concreto, &eacute; preciso criar um inimigo qualquer, mesmo que seja fict&iacute;cio. Em lugar da Guerra Fria como princ&iacute;pio totalizador\/conflitivo estruturador da din&acirc;mica pol&iacute;tica internacional, erige-se o mito de uma &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;. Em lugar da URSS como advers&aacute;rio sist&ecirc;mico, temos a &ldquo;Al Qaeda&rdquo;. Convenientemente, temos um advers&aacute;rio que n&atilde;o pode ser delimitado sob qualquer crit&eacute;rio racional. O terror &eacute; ub&iacute;quo e onipresente. Est&aacute; simultaneamente em toda parte e ao mesmo tempo em lugar nenhum. O terrorista &eacute; um inimigo sem rosto, sem nome e sem p&aacute;tria, movendo-se num cen&aacute;rio sem fronteiras e sem restri&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Qualquer elemento subitamente tornado inconveniente para a &ldquo;l&oacute;gica&rdquo; do sistema pode ser &ldquo;plausivelmente&rdquo; acusado de terrorista e transformado em inimigo, sendo subseq&uuml;entemente ca&ccedil;ado e morto pelas for&ccedil;as da &ldquo;ordem&rdquo;. Essa indetermina&ccedil;&atilde;o pode se prolongar interminavelmente, visto que a &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;, uma vez iniciada, por for&ccedil;a das caracter&iacute;sticas do objeto contra o qual se define, pode nunca ter fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">A conflitividade estrutural do sistema do capital encontra assim o pretexto complementar e necess&aacute;rio em fun&ccedil;&atilde;o do qual sua destrutividade sist&ecirc;mica pode se deslocar indefinidamente para fora de qualquer espacialidade e temporalidade concretas. George W. Bush encontra <st1:personname w:st=\"on\" productid=\"em Bin Laden\">em Bin Laden<\/st1:personname> o pretexto providencial para um or&ccedil;amento militar equivalente ao PIB do Brasil. A irracionalidade e a contradi&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;am uma elasticidade virtualmente infinita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A situa&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica global assim configurada d&aacute; origem a uma crise tem&aacute;tica do universo ficcional da espionagem. Como justificar dramaticamente a atua&ccedil;&atilde;o de agentes secretos num mundo onde a oposi&ccedil;&atilde;o ao capital n&atilde;o possui mais uma face racional claramente identific&aacute;vel?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>A ind&uacute;stria hollywoodiana do entretenimento, trabalhando com vistas a um mercado global, n&atilde;o pode endossar integralmente a tese bushiana da &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;, demonizando explicitamente povos, pa&iacute;ses, religi&otilde;es. Esse procedimento exp&otilde;e-se ao risco de atrair a hostilidade anti-estadunidense e prejudicar o mercado dos filmes. Assim, o advers&aacute;rio preferencial do her&oacute;i\/espi&atilde;o precisa ser identificado com algum tipo de oposi&ccedil;&atilde;o abstrata e gen&eacute;rica aos valores &ldquo;consensualmente&rdquo; aceitos do mundo globalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Um ditador do Terceiro Mundo, um pol&iacute;tico corrupto, um traficante internacional, um mafioso russo, s&atilde;o exemplos caracter&iacute;sticos de subprodutos delet&eacute;rios do sistema hier&aacute;rquico-conflitivo do capital que podem ser apresentados como anomalias patol&oacute;gicas a serem devidamente extirpadas. S&atilde;o inimigos convenientes que podem ser justificadamente ca&ccedil;ados e mortos sem que isso ofenda a boa consci&ecirc;ncia do &ldquo;espectador m&eacute;dio global&rdquo;, se &eacute; que se pode falar em algo t&atilde;o abstrato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Jason Bourne &eacute; um personagem perfeitamente assimil&aacute;vel a essa &ldquo;consci&ecirc;ncia m&eacute;dia global&rdquo; abstrata. A sua crise dram&aacute;tica representa uma esp&eacute;cie de acerto de contas com a m&aacute; consci&ecirc;ncia do mundo da espionagem pregressa. Apropriadamente, ele &eacute; um personagem amn&eacute;sico, que precisa ao mesmo tempo tentar entender e combater seu passado. No primeiro filme (&ldquo;Identidade Bourne&rdquo;), ele tenta fugir desse passado. Em &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo;, ele ter&aacute; que enfrent&aacute;-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>O &ldquo;mundo da espionagem pregressa&rdquo; &eacute; aquele em que os inimigos &ldquo;podem ser justificadamente ca&ccedil;ados e mortos&rdquo;. Um mundo onde &eacute; leg&iacute;timo invadir qualquer pa&iacute;s e matar qualquer pessoa para obter objetivos geopol&iacute;ticos estrat&eacute;gicos. Jason Bourne &eacute; um agente que realizava opera&ccedil;&otilde;es desse tipo. Quem sintetiza melhor o &ldquo;modus operandi&rdquo; desse sistema &eacute; o personagem do veterano e competente Brian Cox, que diz, em 30 anos de ag&ecirc;ncia (CIA), ter &ldquo;encoberto muita @#$%&amp; em quatro continentes.&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Entretanto, Bourne quer se afastar desse mundo. Ele corporifica o assassino com crise de culpa. Bourne faz quest&atilde;o de contar a verdade para a filha de um casal de v&iacute;timas suas, pois descobriu a import&acirc;ncia da verdade ao ter vivido uma esp&eacute;cie de vida de mentira. Para se livrar das mentiras, ele ter&aacute; que enfrentar a &ldquo;banda podre&rdquo; da CIA, a organiza&ccedil;&atilde;o para a qual trabalhava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Nesse sentido, Bourne &eacute; um her&oacute;i que est&aacute; simultaneamente dentro e fora do sistema. Ele &eacute; um her&oacute;i convincente precisamente por isso. Essa ambig&uuml;idade lhe garante a independ&ecirc;ncia necess&aacute;ria para agir. A sua independ&ecirc;ncia em a&ccedil;&atilde;o &eacute; o prato principal do filme. O jogo de gato e rato que ele disputa contra a CIA, enfrentando simultaneamente sua face oficial e sua &ldquo;banda podre&rdquo;, coadjuvadas pelas respectivas conex&otilde;es (empres&aacute;rio russo corrupto, etc.), fornece a definitiva demonstra&ccedil;&atilde;o de habilidade de um espi&atilde;o. &Eacute; ent&atilde;o que Jason Bourne demonstra o seu &ldquo;realismo&rdquo; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fantasia desbragada de 007. Ao mesmo tempo, ele exibe tamb&eacute;m a dose certa de racioc&iacute;nio r&aacute;pido e adrenalina que se requer de um bom filme de a&ccedil;&atilde;o. Em mat&eacute;ria de filme de a&ccedil;&atilde;o com neur&ocirc;nios, &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo; est&aacute; definitivamente acima da m&eacute;dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">A luta de Bourne &agrave; margem do sistema &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica inteligente para o contexto do p&oacute;s-Guerra Fria. Na falta de um advers&aacute;rio de grande porte, o sistema volta-se contra si mesmo. A tarefa da CIA no contexto do filme &eacute; &ldquo;limpar a sujeira&rdquo; deixada por opera&ccedil;&otilde;es fracassadas no passado. Ao inv&eacute;s de um objetivo estrat&eacute;gico de grande porte, temos a corriqueira tarefa de &ldquo;por ordem na casa&rdquo;. Como filme de espionagem, &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo; segue assim uma linha &ldquo;minimalista&rdquo;, propondo ao espectador um objetivo limitado. Bourne n&atilde;o est&aacute; tentando salvar o mundo, mas salvar a pr&oacute;pria pele. E subseq&uuml;entemente, conseguir vingan&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">A c&uacute;pula da CIA, por sua vez, est&aacute; mobilizada para ca&ccedil;ar o agente transviado Jason Bourne. N&atilde;o &eacute; apenas o pr&oacute;prio Bourne que est&aacute; em crise de consci&ecirc;ncia, mas a ag&ecirc;ncia tamb&eacute;m. A disputa entre os personagens de Brian Cox e Joan Allen, representando respectivamente a &ldquo;banda podre&rdquo; e a nova face oficial da ag&ecirc;ncia, n&atilde;o deixa de representar tamb&eacute;m uma esp&eacute;cie de acerto de contas da CIA. A ag&ecirc;ncia vive a transi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;vale tudo&rdquo; da Guerra Fria para o mundo &ldquo;politicamente correto&rdquo; da globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\" class=\"MsoNormal\">Parece um contra-senso falar em &ldquo;politicamente correto&rdquo; no cen&aacute;rio da espionagem. Mas a escolha de uma mulher para liderar a transi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixa de ser sintom&aacute;tico a esse respeito. Ao final, Bourne alcan&ccedil;a algum tipo de entendimento com a nova manda-chuva da organiza&ccedil;&atilde;o e aparentemente coloca-se &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para um terceiro epis&oacute;dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><span style=\"\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/span>Em resumo, para ser bem sucedido, um filme de espionagem n&atilde;o pode endossar explicitamente a &ldquo;doutrina Bush&rdquo; da &ldquo;guerra contra o terror&rdquo;, mas precisa tangenci&aacute;-la sutilmente. &Eacute; o que este &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo; faz com compet&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\">05\/10\/2004<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;SUPREMACIA BOURNE&rdquo; E A DOUTRINA BUSH<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Supremacia Bourne&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":525,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63\/revisions\/525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}