{"id":65,"date":"2008-12-13T16:50:02","date_gmt":"2008-12-13T16:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/65"},"modified":"2018-05-04T21:47:45","modified_gmt":"2018-05-05T00:47:45","slug":"olga-saindo-da-historia-para-entrar-na-telenovela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/olga-saindo-da-historia-para-entrar-na-telenovela\/","title":{"rendered":"&#8220;Olga&#8221;: Saindo da Hist\u00f3ria para entrar na telenovela"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>\u201cOLGA\u201d: SAINDO DA HIST\u00d3RIA<\/h1>\n<h1>PARA ENTRAR NA TELENOVELA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cOlga\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: Olga<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Brasil<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Portugu\u00eas, Alem\u00e3o<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Jayme Monjardin<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Roteiro: Rita Buzzar, Fernando Morais<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler, Edgar Amorim, Leona Cavalli, Maria Clara Fernandes, Isabel Coimbra, Pascoal da Concei\u00e7\u00e3o, Bruno Dayrrel, Jos\u00e9 Dumont, Thelmo Fernandes<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: biografia, hist\u00f3ria, romance, drama, guerra<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O filme do diretor Jayme Monjardim \u00e9 honesto. Honestamente ruim. O diretor, o elenco, a produ\u00e7\u00e3o em geral, todos d\u00e3o o melhor de si para o projeto. Infelizmente, o seu melhor n\u00e3o \u00e9 suficiente. O filme palpita de honestidade, de esfor\u00e7o sincero de envolver e de comover. E derrapa na sua f\u00f3rmula novelesca e superficial. Coisa diferente n\u00e3o se poderia esperar do diretor do absurdo folhetim televisivo \u201cO Clone\u201d, que trouxe de carona parte substancial do elenco da miniss\u00e9rie global \u201cA casa das sete mulheres\u201d, inclusive a protagonista.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cOlga\u201d revela porque o Brasil n\u00e3o tem um cinema popular de grande porte. Estamos condenados \u00e0 telenovela. Nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 o melodrama. Nas m\u00e3os do nosso cinema, uma hist\u00f3ria como a de Olga e Luis Carlos Prestes se transforma num novel\u00e3o choroso. O problema n\u00e3o \u00e9 apenas a op\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica de retratar em primeiro plano a vida particular e familiar do casal de protagonistas, em lugar da problem\u00e1tica hist\u00f3rico-pol\u00edtica, op\u00e7\u00e3o de todo modo leg\u00edtima no cinema de entretenimento. O problema \u00e9 a incapacidade pr\u00e1tica de dar a esse conte\u00fado um aspecto que n\u00e3o seja t\u00e3o piegas, afetado e caricato.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Quem tem d\u00favidas sobre a conven\u00e7\u00e3o novel\u00edstica predominante espere para ouvir a trilha sonora, sobrecarregada de arpejos e floreios de violino. O excesso de pieguice musical acaba por tirar a dignidade de muitas cenas. Se a m\u00fasica \u00e9 um ponto fraco, pelo menos a reconstitui\u00e7\u00e3o visual do per\u00edodo em quest\u00e3o merece um destaque positivo. O \u201cpadr\u00e3o Globo de qualidade\u201d chega ao cinema brasileiro. Em termos de cinema nacional, estamos falando de uma superprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Aspectos t\u00e9cnicos \u00e0 parte, o que sobressai por\u00e9m \u00e9 o esvaziamento da Hist\u00f3ria. A Hist\u00f3ria desaparece e cede lugar \u00e0 vida privada. O significado ideol\u00f3gico das lutas se dilui no drama pessoal. O hero\u00edsmo das figuras principais se desvanece num idealismo vago e abstrato. O contexto hist\u00f3rico \u00e9 t\u00e3o somente um pano de fundo frouxo para os epis\u00f3dios rocambolescos de uma aventura desesperada. Que Olga e Prestes tenham sido comunistas aparece como um acidente em suas vidas, id\u00eantico ao que teria sido se fossem anarquistas, naturistas ou budistas. \u00c9 o \u201cseu trabalho\u201d que fortuitamente os transforma em figuras tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O fiasco do levante comunista de 1935 aparece como algo totalmente inexplic\u00e1vel, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, totalmente desarticulado, mero pretexto para que em seguida os revolucion\u00e1rios sejam perseguidos. Em momento algum o espectador \u00e9 convencido de que existiram revolucion\u00e1rios no Brasil. Gente lutando para derrubar o governo, e coisa e tal. N\u00e3o parece real. N\u00e3o parece algo que o espectador seja capaz de associar ao que acontece no Brasil real. Revolu\u00e7\u00e3o no Brasil? S\u00f3 em filme mesmo. S\u00f3 como fic\u00e7\u00e3o. A\u00ed est\u00e1 Lula, que n\u00e3o nos deixa mentir.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Entretanto, a hist\u00f3ria de \u201cOlga\u201d n\u00e3o \u00e9 fic\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria \u00e9 real, e o problema \u00e9 que no filme n\u00e3o parece real. Parece filme. Ou seja, a hist\u00f3ria do Brasil n\u00e3o convence no cinema. N\u00e3o vira Hist\u00f3ria com \u201ch\u201d mai\u00fasculo. Se bem que o embotamento da consci\u00eancia hist\u00f3rica \u00e9 um fen\u00f4meno cultural geral peculiar \u00e0 nossa \u00e9poca, fen\u00f4meno do qual \u201cOlga\u201d \u00e9 apenas um sintoma.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Apesar dos seus problemas de concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o, o filme n\u00e3o deixa de produzir algumas frases antol\u00f3gicas, atrav\u00e9s das quais os aspectos verdadeiramente interessantes do seu conte\u00fado hist\u00f3rico vem \u00e0 tona:<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 1 Em 1928, no trem a caminho da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ao lado de seu mentor Otto Braun, Olga diz que: \u201cNa Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica falta tudo, mas existe liberdade.\u201d Essa frase \u00e9 dita no momento mesmo em que o terror stalinista come\u00e7ava a grassar de maneira implac\u00e1vel e excluir qualquer possibilidade de um leg\u00edtimo desenvolvimento socialista da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Em face do que foi a experi\u00eancia do \u201csocialismo real\u201d sob Stalin, essa frase expressa de maneira crua a tr\u00e1gica ilus\u00e3o que viciou todo o movimento comunista do s\u00e9culo XX. A ilus\u00e3o de que a URSS fosse o \u201cmodelo\u201d para o comunismo mundial. Ilus\u00e3o mantida a ferro e fogo pelo sectarismo e pelo fanatismo dos PCs mundo \u00e0 fora, e que por sua brutal falsidade desacreditou perante a consci\u00eancia humanista a id\u00e9ia de comunismo. Uma grave perda da qual a causa da emancipa\u00e7\u00e3o humana ainda n\u00e3o se recuperou.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">2 Contraposta ao idealismo de Olga, surge a p\u00e9rola de cinismo de Manuilski, esbirro de Stalin na Internacional Comunista: \u201cO mundo inteiro vai ser comunista. Com exce\u00e7\u00e3o da Su\u00ed\u00e7a. Porque em algum lugar a gente precisa descansar do comunismo.\u201d Olga n\u00e3o entendeu essa frase. Ou fingiu que n\u00e3o entendeu. N\u00e3o lhe passava pela cabe\u00e7a que o camarada Manuilski pudesse realmente querer descansar do comunismo. Que o comunismo de Manuilski fosse uma farsa encenada perante o povo da URSS. Uma farsa na qual o povo carregava a cruz da constru\u00e7\u00e3o do socialismo e a elite do partido desfrutava dos privil\u00e9gios da antiga autocracia czarista. Com direito a desejar f\u00e9rias no para\u00edso capitalista da Su\u00ed\u00e7a. O cansa\u00e7o de encenar essa farsa perante o povo d\u00e1 o ensejo para o cinismo auto-indulgente do camarada Manuilski. Para algu\u00e9m que realmente acreditava no comunismo como Olga, esse tipo de pensamento era inalcan\u00e7\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">3 Olga diz \u00e0 sua amiga Szabo em certo momento: \u201cEu nunca vou entender o Brasil.\u201d O Brasil certamente representa uma experi\u00eancia desconcertante para quem est\u00e1 acostumado a pensar nos termos da racionalidade europ\u00e9ia transparente e linear. No momento em que a repress\u00e3o ao recente levante comunista ainda corre solta, o povo festeja o carnaval na rua. Olga observa a festa pela janela e descobre uma esp\u00e9cie de beleza inocente na alegre aliena\u00e7\u00e3o daquele povo negro fantasiado de nobre para o tr\u00edduo momesco. Que alegria \u00e9 essa? Esse povo parece feliz! Como pode ser isso? Ser\u00e1 que esse povo \u00e9 realmente feliz? Feliz em sua mis\u00e9ria? Esse povo n\u00e3o precisa do comunismo? N\u00e3o quer o comunismo?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">4 A frase anterior de Olga se conecta diretamente com a pergunta expressa em outro momento: \u201cEsse mundo n\u00e3o quer ser transformado?\u201d Essa pergunta fundamental se desdobra em uma multid\u00e3o de interroga\u00e7\u00f5es. A que se prop\u00f5e realmente o comunismo? N\u00e3o \u00e9 o comunismo a \u00fanica sa\u00edda para a liberdade e a felicidade dos povos? O que um povo precisa fazer para ser feliz? O que \u00e9 ser feliz? Sem respostas para essas interroga\u00e7\u00f5es, \u00e9 imposs\u00edvel entender o Brasil.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O que torna mais complicado entender o Brasil, o mundo, a humanidade, \u00e9 que n\u00e3o existe uma negatividade absoluta. A negatividade hist\u00f3rica \u00e9 sempre relativa \u00e0 dimens\u00e3o das realiza\u00e7\u00f5es humanas positivamente poss\u00edveis. A humanidade pode ser muito melhor do que atualmente \u00e9. O mundo sob o regime do capital \u00e9 uma realiza\u00e7\u00e3o humana deformada, mas ainda assim humana. O capital precisa do Homem, n\u00e3o existe sem ele. A humanidade, por sua vez, n\u00e3o precisa do capital e pode existir sem ele. A humanidade pode existir antes, durante e depois da fase hist\u00f3rica transit\u00f3ria do regime do capital, sempre lutando para encontrar a si mesma.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A humanidade encontra a si mesma num momento como o carnaval visto por Olga. Mas o carnaval n\u00e3o \u00e9 o substituto feliz para o malogrado projeto da Revolu\u00e7\u00e3o. O carnaval n\u00e3o pode ser a salva\u00e7\u00e3o para a humanidade. Ele \u00e9 certamente parte indispens\u00e1vel da receita, mas n\u00e3o toda ela. Eis uma alquimia que Olga n\u00e3o p\u00f4de entender completamente em sua curta vida, enriquecida e tamb\u00e9m truncada por sua passagem pelo Brasil. Para adentrar nesse terreno das ilus\u00f5es e motiva\u00e7\u00f5es pessoais, nada mais pr\u00f3prio do que abordar a confus\u00e3o que reinava em suas concep\u00e7\u00f5es acerca de rela\u00e7\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O comunismo de Olga exclu\u00eda o relacionamento amoroso, assim como qualquer forma de sentimentalismo devotado a \u201cexcresc\u00eancias da vida burguesa\u201d, como por exemplo a fam\u00edlia. Prestes aparece como o pr\u00edncipe encantado (o \u201ccavaleiro da esperan\u00e7a\u201d) que a livra desse engano e a ensina a se relacionar de maneira um pouco mais satisfat\u00f3ria com sua condi\u00e7\u00e3o de mulher e posteriormente, de m\u00e3e. O relacionamento Olga Prestes n\u00e3o deixa de ser uma vers\u00e3o do confronto entre a fria racionalidade germ\u00e2nica e a ardente sentimentalidade latina. \u00c9 s\u00f3 atrav\u00e9s desse confronto que Olga parece perceber que os sentimentos n\u00e3o s\u00e3o uma \u201cfraqueza\u201d que impede o desenvolvimento perfeito da personalidade completa do \u201cnovo homem\u201d revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Os sentimentos n\u00e3o s\u00e3o o \u201coposto indesej\u00e1vel\u201d da raz\u00e3o, a serem devidamente expurgados pela f\u00e9rrea disciplina revolucion\u00e1ria; s\u00e3o na verdade o componente essencial do ser humano, por meio dos quais ele exerce a plenitude de suas capacidades e rela\u00e7\u00f5es propriamente humanas. \u00c9 justamente para humanizar o mundo, e permitir o livre desenvolvimento de todas essas capacidades latentes, que trabalha a Revolu\u00e7\u00e3o. O n\u00e3o perceber isso constitui o cerne do conflito dram\u00e1tico que emoldura a trajet\u00f3ria exemplar de Olga como personagem.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">5 Infelizmente, como foi dito, o tratamento desse tema submerge \u00e0s conven\u00e7\u00f5es novelescas de narrativa. Desse modo, a rigidez de Olga antes de se tornar esposa de Prestes e m\u00e3e de Anita aparece como uma caricatura de esquerdista, a qual o espectador facilmente associa aos tipos contempor\u00e2neos de militantes radicais, \u201cchatos de galocha\u201d, ne\u00f3fitos empolgados com seu catecismo revolucion\u00e1rio debaixo do bra\u00e7o, \u201crevoltados\u201d rec\u00e9m-sa\u00eddos da adolesc\u00eancia, ou ainda em plena adolesc\u00eancia, que querem mudar o mundo e vivem na casa dos pais.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">S\u00e3o esses tipos caricaturais que vem \u00e0 mente, para divertimento do espectador, quando Olga e Prestes iniciam seu envolvimento rom\u00e2ntico, da maneira mais c\u00e2ndida e desajeitada poss\u00edvel. Onde uma narrativa cinematogr\u00e1fica madura poderia extrair momentos de simplicidade, inoc\u00eancia e beleza, a narrativa novelesca de \u201cOlga\u201d produz t\u00e3o somente pieguice e um certo constrangimento, quando n\u00e3o o completo rid\u00edculo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Se o objetivo do filme \u201cOlga\u201d era ridicularizar os comunistas por meio da abordagem caricatural de suas confus\u00f5es emocionais, certamente conseguiu por meio de momentos como a frase de Prestes: \u201cVoc\u00ea se parece com a minha m\u00e3e.\u201d A frase parece feita para se encaixar no mais batido clich\u00ea freudiano, o do complexo de \u00c9dipo. Prestes \u00e9 o bom rapaz, bom filho, homem sens\u00edvel, que toda revolucion\u00e1ria gostaria de ter como marido. Olga por sua vez \u00e9 a boa mo\u00e7a que apenas o equivoco ideol\u00f3gico pode ter transformado numa mulher dura e fria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">E Fernanda Montenegro \u00e9 a vov\u00f3 que vem trazer a dignidade que faltava para a fam\u00edlia revolucion\u00e1ria, com sua luta para conseguir a guarda de Anita, filha do desafortunado casal. Esse \u00e9 o desfecho da hist\u00f3ria. Um drama de fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 desimportante, com certeza. Mas \u00e9 pouco, muito pouco para um filme que se prop\u00f5e a tratar de um tema importante da nossa Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">01\/10\/2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;OLGA&rdquo;: SAINDO DA HIST&Oacute;RIA<\/h1>\n<h1>PARA ENTRAR NA TELENOVELA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Olga&rdquo;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6119,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions\/6119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}