{"id":6576,"date":"2018-06-01T19:29:45","date_gmt":"2018-06-01T22:29:45","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6576"},"modified":"2018-06-12T21:31:53","modified_gmt":"2018-06-13T00:31:53","slug":"a-luta-da-populacao-lgbt-contra-a-opressao-e-a-exploracao-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/06\/a-luta-da-populacao-lgbt-contra-a-opressao-e-a-exploracao-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"A luta da popula\u00e7\u00e3o LGBT+ contra a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o do capitalismo"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\">O dia 28 de junho \u00e9 o Dia do Orgulho LGBT+ (l\u00e9sbica, gay, bissexual, travesti, transexual, todas as formas de express\u00e3o, de identidade de g\u00eanero e de sexualidade n\u00e3o convencionais). Essa data \u00e9 marcada por um epis\u00f3dio de enfrentamento dessa popula\u00e7\u00e3o aos policiais que queriam coagi-las, em Nova York (EUA), no bar Stonewall Inn. Ap\u00f3s essa situa\u00e7\u00e3o, a data se instituiu como o Dia do Orgulho LGBT+ e o m\u00eas de junho como o m\u00eas do Orgulho LGBT+.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Stonewall hoje e sempre, vivo na mem\u00f3ria LGBT+!<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O ano era 1969 e em Nova York o alvar\u00e1 para a venda de \u00e1lcool em bares gays era negado, por isso a m\u00e1fia realizava essa transa\u00e7\u00e3o. Portanto, sempre ocorriam \u201cbatidas\u201d policiais buscando sua parte no suborno, al\u00e9m de se aproveitarem e praticarem a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBT+ que frequentava os bares com coer\u00e7\u00f5es, intimida\u00e7\u00f5es e provoca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O dia era 28 de junho e o novo comandante da pol\u00edcia, Seymor Pine, n\u00e3o concordava com essa corrup\u00e7\u00e3o e queria prender todos os envolvidos em crimes de lavagem de dinheiro, para isso realizou o fechamento de bares gays da cidade como o Damierboard e o Tele-Star.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O local era o bar Stonewall Inn, na rua Christopher, no bairro de Greenwich Village, por volta da 1h30 da madrugada e em uma dessas batidas policiais ocorreu a pris\u00e3o de algumas LGBTs+ que se incomodaram com a abordagem policial. Na \u00e9poca era obrigat\u00f3rio o uso de pelo menos 3 pe\u00e7as de roupa \u201cadequadas ao g\u00eanero\u201d, logo, al\u00e9m de gar\u00e7ons e propriet\u00e1rios, a pol\u00edcia prendeu tamb\u00e9m v\u00e1rias travestis e l\u00e9sbicas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Enquanto aguardava o refor\u00e7o para levar as pessoas presas, o restante das LGBTs+ saiu e rodeou o cambur\u00e3o. Uma travesti foi agredida e revidou ao ataque policial, uma l\u00e9sbica resistiu \u00e0 pris\u00e3o e provocou o p\u00fablico ao redor questionando se ningu\u00e9m faria alguma coisa e uma drag queen tamb\u00e9m resistiu \u00e0 pris\u00e3o atacando um policial.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esse foi o estopim para que a multid\u00e3o ao redor come\u00e7asse a revidar e realizasse o enfrentamento direto aos policiais. O inspetor Pine e seus oficiais se refugiaram dentro do bar. As LGBTs+ arrancaram um parqu\u00edmetro e queriam derrubar a porta para enfrent\u00e1-los. Uma das hist\u00f3rias contadas diz que a ativista transg\u00eanero Sylvia Rivera arremessou o primeiro coquetel molotov contra os policiais, mas sabe-se que v\u00e1rios foram lan\u00e7ados.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As LGBTs+ entraram em estado de f\u00faria. Come\u00e7aram jogando moedas, depois garrafas e logo viraram carros, jogaram pedras, estilha\u00e7aram janelas, queimaram objetos&#8230; Foi lindo!!!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A drag queen ativista Marsha P. Johnson chegou a quebrar o para-brisa do carro policial com sua bolsa! O bar foi incendiado e o confronto durou cerca de 45 minutos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Logo chegou o Corpo de Bombeiros e a For\u00e7a de Patrulha T\u00e1tica (uma unidade militarizada criada para conter os protestos da popula\u00e7\u00e3o negra do Harlem) e acabou o protesto. Foram levadas 13 pessoas presas. O restante deu os bra\u00e7os e saiu em coro cantando, atr\u00e1s da pol\u00edcia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No dia seguinte, os jornais menosprezaram o fato. O jornal Village Voice informou que o protesto ocorreu pela morte da atriz Judy Garland. Mas, mesmo sendo uma atriz querida pelo p\u00fablico LGBT+, o fato \u00e9 que o protesto foi em luta pelos direitos LGBTs+ e contra toda opress\u00e3o que sofrem em seu cotidiano, tanto pela viol\u00eancia quanto a desvaloriza\u00e7\u00e3o na sociedade. No dia seguinte retornaram ao bar e mantiveram o confronto por v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esse epis\u00f3dio teve repercuss\u00e3o mundial e trouxe \u00e0 tona a import\u00e2ncia da luta LGBT+. Foram criadas organiza\u00e7\u00f5es explicitamente homossexuais como a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Gay e a Alian\u00e7a de Ativistas Gays, assim como a cria\u00e7\u00e3o dos jornais Out! e o Gay Power dedicados a essa tem\u00e1tica.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No dia 28 de junho de 1970, um ano ap\u00f3s o in\u00edcio da batalha de Stonewall, as ativistas LGBTs+ da regi\u00e3o realizaram a primeira Parada do Orgulho Gay (hoje chama-se Parada do Orgulho LGBT+). Instituindo este dia como a data que marca a luta pela defesa da diversidade de g\u00eanero e sexualidade, o Dia do Orgulho LGBT+.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">O patriarcado e o capitalismo que massacram as LGBTs+ todos os dias<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A luta contra a opress\u00e3o \u00e0s LGBTs+ n\u00e3o surgiu no epis\u00f3dio de Stonewall, h\u00e1 registros anteriores de muitas outras a\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es. No entanto, a opress\u00e3o, esta sim, existe h\u00e1 muito mais tempo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A forma como se compreende a constitui\u00e7\u00e3o das identidades e das sexualidades hoje, tendo como padr\u00e3o a cisgeneridade e a heterossexualidade, imp\u00f5e o apagamento da diversidade que de fato existe.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Para compreender a forma como a diversidade enfrenta tantas resist\u00eancias e preconceitos \u00e9 necess\u00e1rio retomar, ainda que muito brevemente, a forma como se organizou a sociedade at\u00e9 os dias atuais, pois s\u00f3 assim podemos entender como se formou essa normatiza\u00e7\u00e3o de nossas identidades, corpos e de nossos desejos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Muitos estudos indicam que as comunidades primitivas (per\u00edodo que a humanidade extraia de forma direta da natureza a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades, tanto na Am\u00e9rica como na \u00c1frica) j\u00e1 possu\u00edam outros entendimentos sobre g\u00eanero e identidade sexual. Nessas sociedades j\u00e1 se apresentavam diversas manifesta\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00f5es homossexuais.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Al\u00e9m de que em muitas tamb\u00e9m se encontraram travestis, sendo muito reverenciadas e respeitadas como importantes entidades nas tribos. \u00c9 o caso dos Berdaches, pessoas cuja identidade de g\u00eanero n\u00e3o coincidia com o g\u00eanero f\u00edsico. A identidade compunha seu esp\u00edrito (dado anteriormente ao nascimento), enquanto a sexualidade poderia ser homossexual ou heterossexual.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Importante comentar que essas sociedades n\u00e3o tinham a figura masculina como centro da organiza\u00e7\u00e3o parental, mas, sim, a da mulher. Logo, n\u00e3o importava quem era o pai, mas como a fam\u00edlia materna se organizava para cuidar dos filhos, seja pelas av\u00f3s, tias, etc.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Com o desenvolvimento de novos instrumentos, aumenta a produ\u00e7\u00e3o e o ser humano passa a produzir al\u00e9m do necess\u00e1rio, surgindo a necessidade de armazenar bens. A partir da\u00ed, n\u00e3o precisava depender totalmente dos fen\u00f4menos da natureza para sobreviver j\u00e1 que poderia organizar a planta\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de animais em quantidades suficientes para a alimenta\u00e7\u00e3o da comunidade em qualquer per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Com isso surge a propriedade e a acumula\u00e7\u00e3o privada de recursos, levando a humanidade a outro patamar. Para garantir o controle privado desse excedente, surge a propriedade privada, o Estado e tamb\u00e9m a viol\u00eancia. \u00c9 nesse processo que o patriarcado e a divis\u00e3o social e sexual do trabalho se desenvolvem. Foi como resultado do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas que os homens passaram a subjugar fisicamente as mulheres e os filhos, pois para manter a riqueza acumulada e a futura heran\u00e7a, o \u201cpatriarca\u201d precisava saber quem eram seus filhos leg\u00edtimos. Logo a mulher foi tendo seu espa\u00e7o restringido e controlado pelo homem para que se tivesse a certeza que os filhos gerados por ela fossem, de fato, dele. \u00c9 nesse contexto hist\u00f3rico que surge o casamento heterossexual e monog\u00e2mico constituindo o sistema patriarcal, que controla os afetos e desejos de homens e mulheres.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Outra mudan\u00e7a importante \u00e9 que os corpos passam a ser direcionados s\u00f3 \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, onde, segundo a ideologia constru\u00edda, n\u00e3o caberia outras rela\u00e7\u00f5es que n\u00e3o a heterossexual. E nesse novo esquema o prazer e o desejo tamb\u00e9m n\u00e3o tem espa\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A conex\u00e3o com a religi\u00e3o para que se compreendesse o sexo e o desejo como pecaminosos foi um passo para a consolida\u00e7\u00e3o desse processo, de modo que as religi\u00f5es monog\u00e2micas foram fundamentais para a consolida\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica do patriarcado.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O modelo de fam\u00edlia \u201cdoriana\u201d (unida, apegada, senso maternal, n\u00e3o se permitir horas livres, etc.) foi extremamente necess\u00e1rio para que a sociedade pudesse se consolidar com a estrutura de apropria\u00e7\u00e3o privada dos recursos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Na sociedade burguesa as fam\u00edlias de trabalhadores, mesmo n\u00e3o tendo posses, tamb\u00e9m seguiram esse modelo pela press\u00e3o da burguesia e seus mecanismos de controle do proletariado. Assim, criava leis que legitimavam esse modelode fam\u00edlia como \u00fanica poss\u00edvel e jogava a culpa nos trabalhadores por n\u00e3o seguirem esse padr\u00e3o. Usava ainda a moral religiosa, chantageando-os a seguirem os preceitos sagrados (que ela definia como \u201csagrados\u201d) para a obedi\u00eancia civil, sen\u00e3o teriam suas almas condenadas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Cabe destacar que essa estrutura \u201cbeneficiou\u201d ao homem heterossexual burgu\u00eas, que pode ter controle sobre os corpos das mulheres sem praticar a monogamia, j\u00e1 que haviam os bord\u00e9is para a \u201csatisfa\u00e7\u00e3o masculina\u201d e para a sua poligamia. Enquanto isso, a esposa se mantinha em casa fiel ao marido e cuidando dos filhos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Assim, tanto as sexualidades n\u00e3o heterossexuais e as identidades de g\u00eanero que n\u00e3o s\u00e3o cisg\u00eaneros foram colocadas \u00e0 margem da sociedade, criminalizadas e consideradas pecaminosas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Isso n\u00e3o significa que deixaram de existir, mas que as pr\u00e1ticas eram realizadas escondidas ou inibidas e levaram pessoas ao sofrimento (muitos casos at\u00e9 ao suic\u00eddio) ou, ainda, se criavam pr\u00e1ticas de resist\u00eancia e enfrentamento ao sistema social para que a diversidade pudesse ter novamente seu espa\u00e7o na sociedade.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">O que \u00e9 o qu\u00ea?<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Nesse curto espa\u00e7o n\u00e3o temos como expor todos os elementos sobre as quest\u00f5es de sexualidade e g\u00eanero, mas esperamos que seja um in\u00edcio para a compreens\u00e3o acerca dessas nomenclaturas:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong>Sexo<\/strong>: Diz respeito ao <strong>\u00f3rg\u00e3o genital<\/strong> e ao corpo que nascemos (com p\u00eanis \u2013 masculino; com vagina \u2013 feminino).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong>Identidade de g\u00eanero<\/strong>: Compreende uma constru\u00e7\u00e3o social a partir de constructos que se definem historicamente na sociedade, resvalando na individualidade de cada pessoa. Pode uma pessoa se constituir enquanto homem, mulher ou fugir a esse binarismo e se entender enquanto outras possibilidades de ser. Pode at\u00e9 se manter na transi\u00e7\u00e3o de ambos os g\u00eaneros apresentados. A identidade de g\u00eanero nada tem a ver com o sexo de nascimento. Assim, pessoas que nascem com p\u00eanis e se constroem como mulheres s\u00e3o travestis e <strong>trans<\/strong>g\u00eaneros. J\u00e1 pessoas que nascem com p\u00eanis e se constroem como homens s\u00e3o pessoas <strong>cis<\/strong>g\u00eaneros.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\"><strong>Orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/strong>: \u00c9 a forma como a pessoa constr\u00f3i a sua sexualidade e afetividade. Seja homossexual (pessoa que se sente <strong>atra\u00edda<\/strong> por outras do mesmo g\u00eanero), heterossexual (pessoa que <strong>se atrai<\/strong> por outras do g\u00eanero que n\u00e3o \u00e9 o seu), bissexual (pessoa que sente <strong>atra\u00e7\u00e3o<\/strong> por homens e mulheres) e pansexual (pessoa que sente <strong>atra\u00e7\u00e3o<\/strong> por qualquer pessoa independente do g\u00eanero), dentre outros. \u00c9 errado dizer \u201cop\u00e7\u00e3o sexual\u201d, pois a sexualidade n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de escolha, faz parte do desenvolvimento da identidade de uma pessoa. Assim, \u00e9 imposs\u00edvel que a pessoa se \u201ccure\u201d ou se ad\u00e9que a outra sexualidade, necessita sim trabalhar o reconhecimento e o fortalecimento de si para enfrentar os preconceitos.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">A luta contra a opress\u00e3o e a viol\u00eancia \u00e0s LGBTs+<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Hoje vemos o crescimento da visibilidade para as LGBTs+ na TV, na literatura, na m\u00fasica, etc. Por\u00e9m, temos cada vez mais a viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica, que ocorre em nosso cotidiano e possui cada vez mais dados alarmantes.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Segundo o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), no ano de 2017, foram registradas 193 den\u00fancias de viol\u00eancia praticadas contra essa popula\u00e7\u00e3o. Representam 127% a mais que no ano anterior, o que equivale a 16 den\u00fancias por m\u00eas!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Lembramos que em 2016 o Brasil j\u00e1 havia recebido o t\u00edtulo de pa\u00eds que mais mata LGBTs+ no mundo! Ainda cabe destacar que esses dados se referem aos coletados oficialmente.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">J\u00e1 os dados coletados de forma independente como da ONG Grupo Gay da Bahia (GGB), que acompanha a muito mais tempo que o Governo Federal, informa o registro de 445 homic\u00eddios de LGBTs+ no Brasil em 2017. \u00c9 bem superior aos dados do Disque 100, evidenciando que o pr\u00f3prio Estado encoberta, negligencia e subnotifica os crimes LGBTf\u00f3bicos&#8230;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 importante lembrar que a viol\u00eancia em geral est\u00e1 aumentando no pa\u00eds, especialmente pelo aumento do desemprego e diminui\u00e7\u00e3o de verbas para as pol\u00edticas p\u00fablicas. Isso tem diminu\u00eddo a renda da popula\u00e7\u00e3o e levado cada vez mais para a pobreza extrema.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No entanto, a viol\u00eancia LGBTf\u00f3bica acarreta n\u00e3o apenas a a\u00e7\u00e3o bruta de um homic\u00eddio, um tiro ou uma facada como em outros crimes, carrega ainda uma viol\u00eancia adicional praticada pelo \u00f3dio e intoler\u00e2ncia \u00e0s pessoas que n\u00e3o seguem o padr\u00e3o heterossexual e\/ou cisg\u00eanero. A viol\u00eancia simb\u00f3lica, pr\u00f3pria do patriarcado, corrobora com homic\u00eddios e agress\u00f5es expl\u00edcitas por manter cotidianamente o silenciamento sobre piadas, rejei\u00e7\u00f5es e exclus\u00f5es de certos ambientes.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Um casal de homossexuais que andam de m\u00e3os dadas em p\u00fablico, uma demonstra\u00e7\u00e3o de afeto (como um abra\u00e7o), a pr\u00f3pria exist\u00eancia de uma travesti ou transexual nas ruas j\u00e1 s\u00e3o pass\u00edveis de xingamentos, pedradas, pauladas e at\u00e9 de um homic\u00eddio!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Cabe destacar que a viol\u00eancia se pratica n\u00e3o s\u00f3 fisicamente, mas de diversas formas e que inibem uma LGBT+ a lidar com sua identidade e\/ou sua orienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Desse modo, a ONG GGB tamb\u00e9m avaliou que jovens rejeitados pela fam\u00edlia t\u00eam 8,4 vezes mais chance de cometer suic\u00eddio. O que vimos em 2017 \u00e9 que, al\u00e9m dos homic\u00eddios registrados, ocorreram 58 suic\u00eddios de LGBTs+ no Brasil.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">A homofobia que persegue em cada esquina<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Uma pesquisa recente mostrou que, na cidade de S\u00e3o Paulo, 43% das pessoas entrevistadas s\u00e3o contra manifesta\u00e7\u00f5es de afeto como beijos e abra\u00e7os entre homossexuais em locais p\u00fablicos, tal qual heterossexuais praticam. Ainda, 30% se mostraram nem contra e nem a favor e somente 22% se mostraram favor\u00e1veis! Em contrapartida, 51% dos homossexuais entrevistados j\u00e1 informaram que sofreram homofobia em lugares p\u00fablicos, sendo 46% no transporte p\u00fablico. (Fonte: Ibope)<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Com isso, podemos entender que a homofobia cresce na propor\u00e7\u00e3o da intoler\u00e2ncia e do preconceito.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Lesbofobia: a prepot\u00eancia do patriarcado!<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Mulheres l\u00e9sbicas sofrem duplamente: pela homofobia e pelo machismo, que promovem a imposi\u00e7\u00e3o da servilidade ao homem justamente por n\u00e3o se disporem a ter homens em suas rela\u00e7\u00f5es sexuais-afetivas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em 2017, cerca de 43 l\u00e9sbicas foram violentadas. Al\u00e9m dessa viol\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 somente f\u00edsica h\u00e1 a viol\u00eancia sexual machista do \u201cestupro corretivo\u201d, que homens praticam para tentar mostrar a elas \u201ccomo devem sentir prazer\u201d violando, assim, seus corpos e a identidade l\u00e9sbica.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 necess\u00e1rio enfrentarmos o machismo em todas as suas formas: pelo fim da lesbofobia!<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">A bifobia existe!<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A orienta\u00e7\u00e3o bissexual tem muita dificuldade de ser compreendida enquanto uma possibilidade de exist\u00eancia, pois sofre preconceito tanto na sociedade em geral quanto no pr\u00f3prio meio LGBT+ que n\u00e3o reconhece a possibilidade de uma pessoa ter rela\u00e7\u00f5es com homens e mulheres.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por isso, a \u201cpassibilidade hetero\u201d, que coloca as pessoas bissexuais como mais propensas a serem heterossexuais e, assim, n\u00e3o sofrerem preconceitos n\u00e3o passa de fal\u00e1cias.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Estudos da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres mostram que bissexuais t\u00eam muito mais dificuldades de aceitarem a sua orienta\u00e7\u00e3o sexual, tendo 64% mais chances de que homossexuais de terem dist\u00farbios alimentares, 37% mais chances de praticarem a automutila\u00e7\u00e3o e 26% mais propensas de desenvolverem quadros depressivos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Portanto, \u00e9 fundamental reconhecer que a bifobia existe e mata as pessoas bissexuais tamb\u00e9m!<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">O impedimento da exist\u00eancia T: A Transfobia<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata travestis e pessoas transexuais ao redor do planeta! Segundo a ONG Transrespect, nosso pa\u00eds \u00e9 o respons\u00e1vel pelo assassinato de 40% de todas as travestis e transexuais nos \u00faltimos 10 anos em todo o mundo!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em 2017, 191 pessoas sofreram viol\u00eancia transf\u00f3bica. S\u00f3 para se ter no\u00e7\u00e3o do tamanho da viol\u00eancia no pa\u00eds, se comparado aos EUA, uma pessoa trans tem 12 vezes mais risco de morrer de forma violenta no Brasil que em solo estadunidense!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Entre as 58 den\u00fancias registradas, at\u00e9 o m\u00eas de maio de 2018, pelo Disque 100, foram 41 contra pessoas travestis e transexuais!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O \u00f3dio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o T leva \u00e0 intensa marginaliza\u00e7\u00e3o e condena a n\u00e3o ter acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, moradia e muitas vezes nem ao nome social! Possuem uma expectativa de vida no Brasil, em m\u00e9dia, de 35 anos (menos da metade da m\u00e9dia nacional de 75 anos!).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">N\u00e3o aceitamos isso! A luta por direitos de travestis e transexuais \u00e9 urgente! Pela garantia e pelo o direito de viver!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Respeitamos e devemos conviver com cada pessoa a partir do que se \u00e9 e sem julgamentos, pois enquanto n\u00f3s trabalhadores nos matamos, nossos patr\u00f5es riem da nossa cara e continuam sugando nosso trabalho. Paz entre n\u00f3s, guerra aos senhores!<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">A luta contra a opress\u00e3o: o Movimento LGBT+!<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A todo momento querem impor o silenciamento, como na R\u00fassia que no dia-a-dia criminaliza as manifesta\u00e7\u00f5es LGBT+, mas, durante a Copa do Mundo liberou os s\u00edmbolos LGBTs+. Isso n\u00e3o \u00e9 respeito. \u00c9 s\u00f3 uma forma de aumentar o consumo, ou seja, est\u00e3o interessados no dinheiro!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Sabemos que o movimento LGBT+ lida com diversas pol\u00eamicas e contradi\u00e7\u00f5es como a coopta\u00e7\u00e3o de alguns setores ao aparatos do Estado (o mesmo que massacra e legitima a viol\u00eancia contra essa popula\u00e7\u00e3o), assim como outras s\u00e3o seduzidas ao poder do Pink Money, mercado de produtos direcionados ao p\u00fablico LGBT+. Buscam usar essas identidades como massa de consumo e buscam \u201cpatrocinar\u201d a\u00e7\u00f5es que, no fundo, servem para criar formas de explor\u00e1-las tamb\u00e9m!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Precisamos resgatar Stonewall e todas as lutas que as LGBTs+ travaram em nossa hist\u00f3ria!<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por\u00e9m, precisamos nos reconhecer enquanto popula\u00e7\u00e3o marginalizada e exclu\u00edda desse sistema que nos oprime e explora. Precisamos usar nossas for\u00e7as para enfrentar todo tipo de preconceito. Somos parte da classe trabalhadora e precisamos nos unir! Queremos uma sociedade livre! Lutamos pelo socialismo!<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Defendemos um movimento LGBT+:<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">a) <strong>de luta<\/strong> \u2013 de atua\u00e7\u00e3o na realidade e que tenha a concep\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 a luta poder\u00e1 garantir a conquista dos direitos do movimento LGBT+;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">b) <strong>antigovernista<\/strong> \u2013 ou seja, de oposi\u00e7\u00e3o aos governos burgueses de plant\u00e3o e contra a pol\u00edtica aplicada por esses governos para o setor;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">c) <strong>classista<\/strong> \u2013 formado por trabalhadores\/as e de defesa dos interesses da classe trabalhadora;<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">d) <strong>socialista<\/strong> \u2013 que luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista e por uma sociedade livre de todo tipo de opress\u00e3o (de g\u00eanero, sexual e racial).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Se voc\u00ea tiver interesse em debater esses temas, nos conhecer mais ou sente a necessidade de se organizar, entre em contato e venha construir o Espa\u00e7o Socialista conosco!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 28 de junho \u00e9 o Dia do Orgulho LGBT+ (l\u00e9sbica, gay, bissexual, travesti, transexual, todas as formas de<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":6573,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,17],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6576"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6576"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6617,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6576\/revisions\/6617"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}