{"id":66,"date":"2008-12-13T16:51:14","date_gmt":"2008-12-13T16:51:14","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/66"},"modified":"2018-05-04T21:47:38","modified_gmt":"2018-05-05T00:47:38","slug":"homem-aranha-2-herois-sem-mascara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2008\/12\/homem-aranha-2-herois-sem-mascara\/","title":{"rendered":"&#8220;Homem Aranha 2&#8221;: Her\u00f3is sem m\u00e1scara"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<h1>\u201cHOMEM ARANHA 2\u201d:<\/h1>\n<h1>HER\u00d3IS SEM M\u00c1SCARA<\/h1>\n<h1><\/h1>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: center;\" align=\"center\">(Coment\u00e1rio sobre o filme \u201cHomem Aranha 2\u201d)<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Nome original: Spider-Man 2<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Produ\u00e7\u00e3o: Estados Unidos<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano: 2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Idiomas: Ingl\u00eas<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Diretor: Sam Reimi<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <span lang=\"EN-US\">Roteiro: Stan Lee, Steve Ditko<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><span lang=\"EN-US\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Elenco: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Alfred Molina, Willem Dafoe, Rosemary Harris, J. K. Simmons, Donna Murphy, Daniel Gillies, Dylan Baker, Bill Nunn, Vanessa Ferlito, Aasif Mandvi, Cliff Robertson, Ted Reimi<\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">G\u00eanero: a\u00e7\u00e3o, fantasia, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, thriller<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\"><span lang=\"EN-US\">Fonte: \u201cThe Internet Movie Database\u201d \u2013 <\/span><a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/\"><span lang=\"EN-US\">http:\/\/www.imdb.com\/<\/span><\/a><span lang=\"EN-US\">\u00a0 <\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Um filme como \u201cHomem Aranha 2\u201d se reveste de v\u00e1rias \u201cm\u00e1scaras\u201d, ou camadas interpretativas, a serem desvendadas. Como uma teia de aranha, o seu centro est\u00e1 envolto em v\u00e1rios c\u00edrculos conc\u00eantricos de urdidura. Como um \u00e1gil aracn\u00eddeo, o filme desliza facilmente pelos dedos apressados que tentarem captur\u00e1-lo de imediato. \u00c9 preciso ir por partes para apreender com precis\u00e3o o objeto que temos em m\u00e3os.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">1.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Sob um primeiro aspecto, o filme \u00e9 um \u201cblockbuster\u201d hollywoodiano, um mega produto da ind\u00fastria cultural estadunidense. Foi fabricado ao custo de dezenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares gastos em efeitos especiais; e foi ainda embalado por uma campanha de marketing or\u00e7ada em outras tantas dezenas. Aparentemente, uma pura e simples opera\u00e7\u00e3o comercial, aspecto real\u00e7ado pelo fato de que se trata de uma continua\u00e7\u00e3o. Como tal, est\u00e1 projetado para ocupar milhares de salas de cinema pelo mundo, esmagar a d\u00e9bil \u201cconcorr\u00eancia\u201d de produ\u00e7\u00f5es culturais locais em vias de extin\u00e7\u00e3o, atrair massas incont\u00e1veis de espectadores\/consumidores, e faturar centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 nessa escala de valores que a ind\u00fastria cultural e a m\u00eddia a ela associada medem a efic\u00e1cia de um produto.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">2.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Sob um segundo aspecto, trata-se de um filme sobre um her\u00f3i-prolet\u00e1rio. Peter Parker salva o mundo com seus poderes de Homem Aranha, mas n\u00e3o tem dinheiro para pagar as contas. Ganha a vida como entregador de pizza e faz bico como fot\u00f3grafo free-lancer explorado por um patr\u00e3o sovina (o personagem mais bem caracterizado em rela\u00e7\u00e3o aos quadrinhos). Vive de aluguel numa espelunca a cujo senhorio sempre atrasa o pagamento e de quem tem que se esconder. N\u00e3o consegue chegar a tempo nas aulas e ter um bom desempenho na faculdade. Sua \u00fanica fam\u00edlia \u00e9 uma tia idosa, de cuja viuvez ali\u00e1s, se considera culpado. N\u00e3o consegue estar perto da mulher por quem \u00e9 apaixonado.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Quem quer que j\u00e1 tenha passado por qualquer uma dessas situa\u00e7\u00f5es acaba por se identificar prontamente com Peter Parker. Especialmente na primeira hora de filme. A seq\u00fc\u00eancia de cenas em que ele chega sempre atrasado, no trabalho, na faculdade, no teatro onde sua musa se apresenta, at\u00e9 na disputa pelos canap\u00e9s servidos num coquetel, \u00e9 antol\u00f3gica. O fardo de ser super her\u00f3i mas ter que manter isso em segredo e ainda dar conta das exig\u00eancias de uma vida comum num mundo competitivo \u00e9 pesado demais para qualquer mortal.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A evidente injusti\u00e7a de um mundo que n\u00e3o reconhece o esfor\u00e7o de seus her\u00f3is an\u00f4nimos \u00e9 exasperante. Peter Parker est\u00e1 sempre em d\u00e9bito, com o trabalho, com a faculdade, com a fam\u00edlia, com os amigos, com a mulher que ama. N\u00e3o consegue corresponder a nenhuma expectativa. Tudo por culpa da miss\u00e3o de ser o Homem Aranha. Miss\u00e3o que a cidade n\u00e3o reconhece, pois o jornal (o mesmo para o qual trabalha) o apresenta como vil\u00e3o. Tamanha injusti\u00e7a captura imediatamente a simpatia do espectador.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O filme funciona porque o p\u00fablico sofre com o her\u00f3i. Todo her\u00f3i t\u00edpico estadunidense \u00e9 um her\u00f3i popular; a este respeito, vide o item 3. O p\u00fablico sente que esse her\u00f3i \u00e9 um dos seus. Seus problemas s\u00e3o os mesmos que os nossos. Tanto assim que o her\u00f3i acusa o golpe e passa a se ressentir de \u201cstress\u201d. Seus poderes falham e sua teia n\u00e3o emerge como antes. Um psicanalista veria nisso uma clara met\u00e1fora da impot\u00eancia sexual que acomete indiv\u00edduos submetidos a uma carga excessiva de esfor\u00e7o f\u00edsico e mental no trabalho, no estudo, na vida social. A sobrecarga \u00e9 tanta que Peter Parker chega a desistir de ser o Homem Aranha.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Temos ent\u00e3o um \u201cmomento auto-ajuda\u201d. Um m\u00e9dico aconselha a Peter deixar de lado o \u201csonho\u201d de ser o Homem Aranha e viver como uma pessoa comum. Rebaixar suas expectativas, conviver com suas limita\u00e7\u00f5es. A esse respeito, \u00e9 conveniente lembrar que o Homem Aranha, nos quadrinhos, se caracterizava por ser o mais bem-humorado dos super-her\u00f3is. Combatia os super-vil\u00f5es mais tenebrosos sempre com uma piada na ponta da l\u00edngua. Temos uma amostra desse bom humor na cena do elevador, em que o her\u00f3i faz tro\u00e7a de seu pr\u00f3prio uniforme. Esse \u00e9 outro momento antol\u00f3gico do filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Seja como for, ali, Peter Parker est\u00e1 prestes a desistir de ser o Homem Aranha. As palavras do m\u00e9dico surtem efeito e Peter reaparece altaneiro, livre leve e solto, sorridente, no dia seguinte. Mas ao rejeitar psicologicamente seus poderes de aranha, ele volta a ser m\u00edope. E trope\u00e7a. Mau press\u00e1gio. O Homem Aranha mudou, mas a cidade continua a mesma. A mesma viol\u00eancia que o Homem Aranha combatia continua \u00e0 solta. Pessoas continuam sendo espancadas nos becos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Peter n\u00e3o consegue virar os olhos para o que acontece. Ainda mais agora que um outro vil\u00e3o amea\u00e7a a cidade, o Dr. Octopus (que por sua vez, fornece o ponto forte deste epis\u00f3dio na compara\u00e7\u00e3o com o primeiro filme, que tinha um vil\u00e3o muito ruim). O Homem Aranha se retirou, mas isso n\u00e3o poder\u00e1 durar para sempre. Peter sabe disso. Mas ele s\u00f3 decide voltar a ativa quando um discurso da tia May o convence. E com o discurso da tia May, passamos para o terceiro aspecto, o da utiliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica dos her\u00f3is estadunidenses.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">3.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A filosofia do Homem Aranha se resume \u00e0 frase: \u201cgrandes poderes trazem grandes responsabilidades\u201d. Essa frase pode ser evocada como justificativa da pol\u00edtica externa imperialista do governo estadunidense. \u00c9 uma frase que conv\u00e9m muito bem ao Presidente Bush. Os Estados Unidos s\u00e3o o \u201cgrande poder\u201d material que existe nesse mundo. Logo, cabe-lhe a \u201cresponsabilidade\u201d de zelar pelo bem-estar do planeta. Os Estados Unidos se apresentam como a pol\u00edcia global e v\u00eaem a si mesmos como her\u00f3is por causa disso.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A mitologia do her\u00f3i estadunidense \u00e9 v\u00e1lida para qualquer povo do mundo, menos para o pr\u00f3prio povo estadunidense. Justamente por isso, ela teve que nascer nos Estados Unidos. A mitologia do her\u00f3i estadunidense \u00e9 uma reprodu\u00e7\u00e3o do conflito b\u00edblico entre Davi e Golias. Davi \u00e9 o her\u00f3i improv\u00e1vel que enfrenta e vence um inimigo infinitamente mais poderoso. O povo estadunidense enxerga a si mesmo como Davi e a seus inimigos como Golias. No mundo real, acontece exatamente o contr\u00e1rio: o poder dos Estados Unidos e do capitalismo em geral \u00e9 que oprime o mundo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Naturalmente, nenhum Estado e nenhuma classe dominante pode apresentar a seu povo a id\u00e9ia de que exerce um poder maligno sobre o resto do mundo. Para que a influ\u00eancia estadunidense sobre o resto do mundo seja digerida para consumo interno, ela precisa ser apresentada como benigna. Para que o povo estadunidense considere essa influ\u00eancia como benigna, precisa acreditar em sua pr\u00f3pria inoc\u00eancia e bondade essencial. Para refor\u00e7ar essa cren\u00e7a, s\u00e3o produzidos her\u00f3is\/Davi que se definem por seu conflito contra um inimigo\/Golias. Quanto mais falsa \u00e9 uma ideologia, mais insistentemente ela deve ser apregoada. Quanto maior a mentira, maior a credulidade. Quanto mais os Estados Unidos se comportam como Octopus em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, mais eles precisam acreditar que s\u00e3o Peter Parker.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 claro que esse processo n\u00e3o \u00e9 imediato, direto, intencionalmente determinado. A causalidade social \u00e9 sempre dial\u00e9tica, ou seja rec\u00edproca, mediata e articulada, constitu\u00edda de camadas contradit\u00f3rias. A ind\u00fastria cultural, no caso o cinema e as H.Q.s, n\u00e3o produz diretamente essa cren\u00e7a. Como produtos para o mercado, os her\u00f3is devem oferecer o tipo de identifica\u00e7\u00e3o que o p\u00fablico quer consumir. Ou como gostam de dizer os liberais, os produtos da ind\u00fastria cultural devem ser adequados \u00e0 sua demanda. A ind\u00fastria cultural de modo geral n\u00e3o contraria seu p\u00fablico, pois se o fizesse perderia mercado. Ela tenta agrad\u00e1-lo, bajul\u00e1-lo, satisfaz\u00ea-lo, obedecer seus apetites e compactuar com suas cren\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 4.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Para que n\u00e3o venha a parecer que este escriba est\u00e1 insinuando que o discurso da tia May foi enxertado no roteiro para fazer campanha para a reelei\u00e7\u00e3o de Bush Jr., coloquemos as coisas novamente no lugar. A verdade de \u201cHomem Aranha 2\u201d constitui sua mentira; sua mentira, a verdade. Trata-se de um filme estadunidense, portanto comercial. Mas seu conte\u00fado \u00e9 um her\u00f3i popular, portanto universal. O seu discurso, por\u00e9m, presta-se a uma instrumentaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica oportunista, para a qual \u00e9 importante estar atento.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Todo filme estadunidense carrega consigo esta teia de contradi\u00e7\u00f5es, inerente a um sistema mundial hier\u00e1rquica e conflituosamente estruturado. Ele pode ser um bom filme, mesmo sendo estadunidense. Fornece um her\u00f3i com quem podemos facilmente nos identificar, ainda que seja um her\u00f3i protot\u00edpico de uma cultura que se nos op\u00f5e como for\u00e7a de domina\u00e7\u00e3o. Na chave cr\u00edtica aqui proposta, os her\u00f3is estadunidenses podem servir de modelo para uma atitude que afronta o pr\u00f3prio poderio estadunidense.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Os Estados Unidos pensam que s\u00e3o a Alian\u00e7a Rebelde de \u201cGuerra nas Estrelas\u201d, mas na verdade s\u00e3o o Imp\u00e9rio. Mesmo assim, na condi\u00e7\u00e3o de Imp\u00e9rio, nos fornecem algo de \u00fatil. Fornecem o modelo her\u00f3ico da Rebeli\u00e3o. E o humor do Homem Aranha.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\u201cHomem Aranha 2\u201d \u00e9 pois um filme composto de v\u00e1rias camadas, ainda que seja um simples filme de hist\u00f3rias em quadrinho. \u00c9 um eficiente filme de quadrinhos, apesar do diretor ser origin\u00e1rio do ramo de filmes de terror. Sam Raimi consagrou-se na s\u00e9rie \u201cEvil dead\u201d (no Brasil, \u201cA morte do dem\u00f4nio\u201d). Seu talento nessa \u00e1rea evidencia-se na cena do hospital, em que a equipe m\u00e9dica que se preparava para operar o Dr. Octopus \u00e9 inteiramente dizimada. Cena que constitui o terceiro momento antol\u00f3gico do filme.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Infelizmente, a carreira de Raimi \u00e0 frente do Aranha deve se limitar a apenas mais um filme. Sabemos que um gibi com 40 anos de hist\u00f3ria tem muito material para ser filmado. Mas a temporalidade dos quadrinhos \u00e9 diferente daquela do cinema. Sua estrutura de plausibilidade \u00e9 muito mais flex\u00edvel. Na tela grande, a s\u00edntese tem que ser proporcionalmente muito mais r\u00e1pida. O corte deve ser objetivo. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para as idas e vindas da cronologia quadrin\u00edstica. O diretor tem algumas poucas armas para usar e deve sac\u00e1-las logo. Por isso o epis\u00f3dio 2 j\u00e1 queima alguns cartuchos importantes. E com isso chegaremos \u00e0 ultima m\u00e1scara do filme, a m\u00e1scara do Homem Aranha propriamente dita.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">5.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">A premissa que fazia Peter Parker recusar o fardo de her\u00f3i se torna desde o come\u00e7o objetivamente falsa. A id\u00e9ia de manter sua identidade secreta para proteger as pessoas que ama deixa de fazer sentido, pois sucessivamente, sua tia e sua musa s\u00e3o amea\u00e7adas por vil\u00f5es que querem atingi-lo. Ali\u00e1s, qualquer um parece saber que para chegar ao Homem Aranha, basta se aproximar de seu \u201cfot\u00f3grafo oficial\u201d. Assim, inevitavelmente, as pessoas pr\u00f3ximas a Peter Parker sempre sofrer\u00e3o pelo fato de que ele \u00e9 o Homem Aranha. Logo, de que adianta carregar o fardo de ser o her\u00f3i sem poder gozar do merecido reconhecimento, sequer o das pessoas amadas?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Isso fornece a desculpa para que o Homem Aranha tire a m\u00e1scara. E com isso, o diretor agrada o p\u00fablico gen\u00e9rico do cinema, que n\u00e3o necessariamente tem a paci\u00eancia para suportar indefinidamente a injusti\u00e7a prolongada feita ao her\u00f3i, tal como p\u00fablico de quadrinhos. J\u00e1 vimos isso em \u201cX-Men 2\u201d, quando os mutantes v\u00e3o se justificar perante o Presidente. O p\u00fablico de cinema, pelo menos o dos Estados Unidos, n\u00e3o suporta ver o her\u00f3i sofrer e ser injusti\u00e7ado indefinidamente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">O sofrimento do p\u00fablico com seu her\u00f3i injusti\u00e7ado \u00e9 redimido por essas cenas em que ele \u00e9 reconhecido. Mas isso \u00e9 um truque que n\u00e3o se pode usar mais de uma vez. Seja para conceder uma satisfa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil ao p\u00fablico, seja para encaminhar uma terceira obra na qual dar\u00e1 por encerrada sua participa\u00e7\u00e3o criativa, o diretor quebra uma regra fundamental dos quadrinhos: exibir a identidade secreta do her\u00f3i.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mas est\u00e1 tudo bem, porque n\u00f3s, como as pessoas do trem, n\u00e3o vamos contar para ningu\u00e9m. Ali\u00e1s, de que adianta conhecermos a identidade do Aranha? Ele \u00e9 apenas um rapaz desconhecido. Um de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">12\/07\/2004<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<h1>&ldquo;HOMEM ARANHA 2&rdquo;:<\/h1>\n<h1>HER&Oacute;IS SEM M&Aacute;SCARA<\/h1>\n<h1><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/h1>\n<p align=\"center\" style=\"text-align: center;\" class=\"MsoNormal\">(Coment&aacute;rio sobre o filme &ldquo;Homem Aranha <st1:metricconverter w:st=\"on\" productid=\"2&rdquo;\">2&rdquo;<\/st1:metricconverter>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" class=\"MsoNormal\"><o:p>&nbsp;<\/o:p><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,76],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6118,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66\/revisions\/6118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}