{"id":6609,"date":"2018-05-30T20:06:22","date_gmt":"2018-05-30T23:06:22","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6609"},"modified":"2018-06-11T00:19:31","modified_gmt":"2018-06-11T03:19:31","slug":"de-operarios-patroes-e-caminhoneiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/05\/de-operarios-patroes-e-caminhoneiros\/","title":{"rendered":"De oper\u00e1rios, patr\u00f5es e caminhoneiros"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"justify\">Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual que n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta assinado por seu autor.<\/p>\n<p class=\"western\" style=\"text-align: right;\" align=\"justify\">Sergio Lessa<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A greve dos caminhoneiros e o locaute das empresas de transporte devem ou n\u00e3o ser apoiados pelos revolucion\u00e1rios? Se sim, qual o crit\u00e9rio desse apoio? H\u00e1 v\u00e1rias quest\u00f5es e aspectos a serem considerados, tanto t\u00e1ticos quanto estrat\u00e9gicos, e o que se segue n\u00e3o \u00e9 mais do que uma contribui\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise de um desses aspectos: o car\u00e1ter de classe dos caminhoneiros. N\u00e3o que esse seja um aspecto secund\u00e1rio da quest\u00e3o, longe disso. Mas ele apenas n\u00e3o basta para uma \u201can\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta\u201d, como dizia Lenin.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">L\u00e1 nos anos de 1980, com a crise estrutural do capital passando por sua primeira d\u00e9cada, o capital passou a implementar uma nova modalidade de extra\u00e7\u00e3o da mais-valia. Seu polo pioneiro tinha lugar, desde a d\u00e9cada anterior, na \u201cTerceira It\u00e1lia\u201d. N\u00e3o se tratava de uma nova rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, portanto de um novo tipo de capitalismo ou mesmo de uma supera\u00e7\u00e3o do capitalismo. Muito pelo contr\u00e1rio, era apenas de um aprofundamento da velha e surrada rela\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o que produz o capital pela expropria\u00e7\u00e3o da mais-valia produzida pelos oper\u00e1rios. T\u00edpico dessa nova modalidade foi a Benetton, fabricante de roupas.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Oper\u00e1rios propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Conta a hist\u00f3ria que a Benetton, pressionada pela crise, decidiu reestruturar sua produ\u00e7\u00e3o. A finalidade era n\u00e3o apenas aumentar a extra\u00e7\u00e3o da mais-valia pela redu\u00e7\u00e3o dos custos, como tamb\u00e9m ganhar vantagem no mercado oferecendo mercadorias mais de acordo com os desejos dos consumidores e mais rapidamente que seus concorrentes. Para isso montou uma rede informatizada pela qual a produ\u00e7\u00e3o recebia informa\u00e7\u00f5es \u201cao vivo\u201d das vendas e, ent\u00e3o, se ajustava mais rapidamente que seus concorrentes \u00e0 mudan\u00e7a de humores dos consumidores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A flexibilidade era a marca da nova forma de organiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o: n\u00e3o apenas as m\u00e1quinas deveriam ser adequadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as de roupas as mais variadas sem demoradas e custosas adapta\u00e7\u00f5es, como ainda a for\u00e7a de trabalho deveria estar disposta a produzir no ritmo que fosse necess\u00e1rio a atender o mercado. Isto \u00e9, trabalhar pouco e receber correspondentemente pouco quando n\u00e3o houvesse demanda \u2013 e trabalhar at\u00e9 a exaust\u00e3o, quando o inverso fosse o caso. De prefer\u00eancia, sem uma cadeia de controle e supervis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o que fosse onerosa ao capital.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em poucas palavras, alguma adapta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento t\u00e9cnico eram necess\u00e1rios, mas imprescind\u00edvel mesmo era quebrar as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas regulamentadas pelo Estado de tal modo a que o oper\u00e1rio (no caso da Benetton) n\u00e3o mais fosse juridicamente caracterizado como um empregado da f\u00e1brica.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A solu\u00e7\u00e3o implementada pela Benetton n\u00e3o era completamente original. Sergio Mallet, em um texto do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, j\u00e1 citava o exemplo da refinaria da Texaco em Bordeaux (Fran\u00e7a) na qual j\u00e1 estavam presentes v\u00e1rios aspectos importantes da nova modalidade de expropria\u00e7\u00e3o da mais-valia. A novidade \u00e9 que, ao contr\u00e1rio da d\u00e9cada de 1960, a crise estrutural tornava vi\u00e1vel uma generaliza\u00e7\u00e3o antes imposs\u00edvel da nova modalidade para outros setores econ\u00f4micos. O que era antes um caso isolado, tornou-se um exemplo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em poucas palavras, a Benetton fechou as suas f\u00e1bricas e demitiu seus oper\u00e1rios e trabalhadores. Prop\u00f4s, ent\u00e3o, uma nova \u201cparceria\u201d. Aqueles que assim quisessem (pois o capitalismo \u00e9 sin\u00f4nimo de liberdade, sabemos!) poderiam comprar, com a indeniza\u00e7\u00e3o da demiss\u00e3o, as m\u00e1quinas da Benetton e passar a trabalhar em casa para a mesma Benetton. Ent\u00e3o, uma resid\u00eancia passou a produzir a manga de uma camiseta, outra a parte frontal, uma terceira a parte dorsal, uma quarta resid\u00eancia passou a costurar as tr\u00eas pe\u00e7as que comp\u00f5em a camiseta e assim por diante.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O decisivo \u00e9 que h\u00e1, no mercado, apenas um comprador para essas pe\u00e7as: a pr\u00f3pria Benetton. Ela, assim, imp\u00f5e aos novos propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o: teriam que comprar o tecido, a linha etc. da pr\u00f3pria Benetton, o que garantiria a homogeneidade necess\u00e1ria das partes componentes do produto final. Mas n\u00e3o apenas isso \u2013 e nem sequer isso era o mais importante. O decisivo era que, como a Benetton era a \u00fanica fornecedora da mat\u00e9ria-prima e a \u00fanica compradora do que se produzia nas resid\u00eancias de seus antigos oper\u00e1rios, ela podia impor o pre\u00e7o tanto da mat\u00e9ria-prima quanto do produto final. Ao final das contas, a Benetton, com a produ\u00e7\u00e3o sendo nas casas, passou a ter um maior poder de extra\u00e7\u00e3o da mais-valia do que em suas f\u00e1bricas anteriores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Isso tem, para o capital, tr\u00eas vantagens: 1) o oper\u00e1rio passa, agora, a fornecer ao menos uma parte importante do capital fixo, isto \u00e9, aquele capital investido nos meios de produ\u00e7\u00e3o; 2) o oper\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 mais um empregado da Benetton, portanto a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista n\u00e3o se aplica mais; 3) como o oper\u00e1rio passa a receber por pe\u00e7a (a forma mais dura de sal\u00e1rio ), ele tem interesse em produzir o m\u00e1ximo poss\u00edvel e, com isso, a cadeia de controle e supervis\u00e3o sobre o trabalhador pode ser diminu\u00edda e simplificada. Mas, por outro lado, tem uma desvantagem que n\u00e3o \u00e9 pequena e que terminaria inviabilizando que o modelo se generalizasse para todos os setores produtivos: a produ\u00e7\u00e3o em larga escala na f\u00e1brica \u00e9 substitu\u00edda por uma produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, com o que se perde a vantagem da escala na produ\u00e7\u00e3o e o controle de qualidade se torna mais problem\u00e1tico &#8212; com o que se perde uma segunda importante vantagem da produ\u00e7\u00e3o fabril: a extrema igualdade entre os exemplares produzidos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Do ponto de vista do oper\u00e1rio, esta transforma\u00e7\u00e3o possui ao menos duas consequ\u00eancias imediatas. Como ele se torna propriet\u00e1rio da m\u00e1quina em que trabalha, como ele produz em sua pr\u00f3pria resid\u00eancia e como est\u00e1 em concorr\u00eancia imediata com todos os outros oper\u00e1rios que adentraram \u00e0 nova rela\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, o fato de receber por pe\u00e7a o faz produzir insanamente. Cada um quer tirar do outro oper\u00e1rio uma \u201cfatia do mercado\u201d que \u00e9 integralmente composto pela demanda da Benetton. Esta tira vantagem dessa situa\u00e7\u00e3o, joga um oper\u00e1rio contra o outro, uma resid\u00eancia contra a outra, e maximiza a extra\u00e7\u00e3o da mais-valia. A jornada de trabalho passa a ter por limite a capacidade f\u00edsica da pessoa, os membros da fam\u00edlia entram tamb\u00e9m no processo produtivo e a vida vai se tornando ainda mais exaustiva que na antiga f\u00e1brica. A tend\u00eancia \u00e9 essa situa\u00e7\u00e3o se agravar ainda mais na medida em que a Benetton tende a vender a mat\u00e9ria-prima cada vez mais cara e a comprar o produzido a um pre\u00e7o cada vez mais baixo: a \u00fanica resposta poss\u00edvel ao oper\u00e1rio \u00e9 aumentar a intensidade do seu trabalho, aumentando diretamente a mais-valia absoluta expropriada pela Benetton.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Essa a primeira consequ\u00eancia para o oper\u00e1rio. A segunda consequ\u00eancia diz respeito \u00e0 consci\u00eancia. Com a nova modalidade de produ\u00e7\u00e3o, os oper\u00e1rios que realizam a mesma atividade produtiva deixam de se relacionar como companheiros de classe e se assumem como concorrentes. Se na f\u00e1brica o velho sindicato e as velhas formas de organiza\u00e7\u00e3o ainda tinham uma raz\u00e3o de ser, agora elas se tornaram n\u00e3o apenas desnecess\u00e1rias mas, pior ainda, imposs\u00edveis. O pr\u00f3prio oper\u00e1rio as rejeita e se recusa a se organizar coletivamente. Ele n\u00e3o tem nem mais tempo, nem energias, para se dedicar \u00e0 luta coletiva.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Esta altera\u00e7\u00e3o na consci\u00eancia do oper\u00e1rio \u00e9 o resultado da altera\u00e7\u00e3o de sua vida cotidiana. Convertido em um \u201cpequeno empres\u00e1rio\u201d, como agora ele \u00e9 propriet\u00e1rio de parte dos meios de produ\u00e7\u00e3o, em sua imagina\u00e7\u00e3o ele se converteu em seu pr\u00f3prio patr\u00e3o quando, na verdade, n\u00e3o deixou a sua condi\u00e7\u00e3o objetiva de ser um oper\u00e1rio que, agora, \u00e9 tamb\u00e9m seu pr\u00f3prio supervisor. Sua atividade produtiva continua sendo a do oper\u00e1rio antigo, n\u00e3o raramente trabalha na mesma m\u00e1quina e produz o mesmo produto que fazia antes, no interior da f\u00e1brica. Agora, contudo, deixa de ser juridicamente um assalariado para se converter em um pequeno empres\u00e1rio. Pode, se prosperar, contratar um outro oper\u00e1rio para trabalhar para ele em uma segunda m\u00e1quina; mas mesmo quando n\u00e3o tem a sorte da minoria que conhece essa m\u00edsera prosperidade, coloca seus filhos e esposa para comporem a for\u00e7a de trabalho a ser explorada pela Benetton. Se, antes, a f\u00e1brica o explorava diretamente, agora ele obriga (tal como antes a cadeia de controle do trabalho na f\u00e1brica o obrigava) n\u00e3o apenas filhos e esposa, mas tamb\u00e9m a si pr\u00f3prio, a produzir a mais-valia da Benetton.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Seu lugar na estrutura produtiva continua a mesma: transforma a natureza em bens de subsist\u00eancia (no caso da Benetton); contudo, do ponto de vista jur\u00eddico, deixa de ser um assalariado para ser um pequeno propriet\u00e1rio; do ponto de vista social, a antiga solidariedade de classe que nascia do ch\u00e3o da f\u00e1brica \u00e9 substitu\u00edda pela concorr\u00eancia de todos contra todos do mercado, do ponto de vista de sua consci\u00eancia, o individualismo do esp\u00edrito do empreendedorismo passa a predominar.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Quando a Terceira It\u00e1lia se converteu em exemplo, alguns defenderam a nova modalidade de explora\u00e7\u00e3o do trabalhador como se fosse o fim do capitalismo, pois agora os oper\u00e1rios, sendo propriet\u00e1rios dos meios de produ\u00e7\u00e3o, passariam a controlar a produ\u00e7\u00e3o e, com isso, estar\u00edamos \u201ctransitando para o comunismo nos interst\u00edcios do capital\u201d (lembremos de Antonio Negri, Lazzarato e Hardt, por exemplo). Outros defenderam que a nova modalidade de explora\u00e7\u00e3o seria, na verdade, o fim das classes sociais e o surgimento da sociedade sem classes (Adam Schaff, _____, para ficarmos s\u00f3 com autores \u201cda esquerda\u201d). Outros, ainda, defenderam a novidade divisando nela o fim do capitalismo monopolista e o in\u00edcio de um capitalismo democr\u00e1tico, com uma produ\u00e7\u00e3o dominada por pequenos produtores e n\u00e3o mais pelas gigantescas corpora\u00e7\u00f5es, o que ampliaria a igualdade social (Piore e Sabel, p. ex.).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Poucos anos de hist\u00f3ria demonstraram que estavam todos errados: fazer o oper\u00e1rio entrar na produ\u00e7\u00e3o financiando uma parte do capital constante (aquele investido nos meios de produ\u00e7\u00e3o) n\u00e3o \u00e9 mais que uma forma ainda mais brutal de explora\u00e7\u00e3o do oper\u00e1rio; uma aliena\u00e7\u00e3o ainda mais profunda n\u00e3o apenas porque intensifica a jornada de trabalho a limites antes impens\u00e1veis, n\u00e3o apenas porque subordina a pessoa do oper\u00e1rio ainda mais intensamente \u00e0 sanha do mercado, n\u00e3o apenas porque subordina agora diretamente as rela\u00e7\u00f5es do oper\u00e1rio com seus filhos e esposa ao processo produtivo que ocorre em sua resid\u00eancia \u2013 mas, ainda mais, porque faz desaparecer a antiga solidariedade de classe fabril que \u00e9 substitu\u00edda por uma intensa concorr\u00eancia entre oper\u00e1rios que agora produzem n\u00e3o um com o outro, mas um contra o outro.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Essa intensifica\u00e7\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o desse setor do operariado tem, at\u00e9 agora (j\u00e1 se v\u00e3o l\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas), tido um profundo impacto em sua consci\u00eancia, mais especificamente, na perda de sua consci\u00eancia de classe. Passa a se comportar como um pequeno-burgu\u00eas: seu desejo \u00e9 acumular capital para poder \u201ccrescer\u201d e passar a subempregar outros trabalhadores (imediatamente, seus filhos e esposa, aos quais n\u00e3o pagar\u00e1 qualquer sal\u00e1rio!). O individualismo t\u00edpico do \u201chomem burgu\u00eas\u201d ganha nesta sua nova vida cotidiana um solo social todo prop\u00edcio para seu desdobramento. Na Terceira It\u00e1lia, bem como nos diversos clusters produtivos que essa tend\u00eancia deu origem, at\u00e9 o momento \u2013 at\u00e9 o momento, sublinhe-se \u2013 n\u00e3o se noticia nenhuma forma de resist\u00eancia coletiva que se assemelhe a uma consci\u00eancia de classe, mesmo que no patamar estritamente economicista (Lenin).<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Repetimos: essa forma de produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica n\u00e3o pode ser estendida a todos os setores econ\u00f4micos (produ\u00e7\u00e3o de vidro, papel e celulose, siderurgia, petroqu\u00edmica, automobil\u00edstica etc.) mas, sempre e onde foi poss\u00edvel, se tornou uma das op\u00e7\u00f5es mais vantajosas ao capital no per\u00edodo de crise estrutural. Com modifica\u00e7\u00f5es e com adapta\u00e7\u00f5es, foi sendo adotada em v\u00e1rios setores produtivos. Um deles o do transporte no Brasil.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Caminhoneiros: oper\u00e1rios ou empres\u00e1rios?<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">O car\u00e1ter de classe dos caminhoneiros hoje no Brasil \u00e9 um belo exemplo para compreendermos e nos aprofundarmos em como Marx tratou as classes sociais. O fato de elas serem determinadas pelo local que ocupam no processo produtivo tem por consequ\u00eancia que nem sempre os limites entre elas sejam cristalinamente claros. O limite existe e \u00e9 real, atua n\u00e3o apenas na objetividade da reprodu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas tamb\u00e9m na subjetividade, na consci\u00eancia dos envolvidos. Contudo, dependendo da maneira como se organiza a produ\u00e7\u00e3o, a exist\u00eancia imediata torna-se confusa do ponto de vista do pertencimento de classe e a consci\u00eancia tende a ser determinada por esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 muito conhecido o caso da aristocracia oper\u00e1ria. Sem deixar de ser oper\u00e1ria, se converteu no s\u00e9culo 20 e nos dias de hoje em um importante fator de manuten\u00e7\u00e3o da ordem do capital, tendo inclusive seus representantes assumido por vezes a chefia de governos liberais ou neo-liberais (caso Lula no Brasil etc.). A situa\u00e7\u00e3o social imediata de um setor de uma classe pode fazer com que ele se volte contra os interesses hist\u00f3ricos de sua pr\u00f3pria classe. O caso cl\u00e1ssico \u00e9 o da aristocracia oper\u00e1ria, mas est\u00e1 longe de ser o \u00fanico. E tamb\u00e9m n\u00e3o ocorre apenas entre os oper\u00e1rios: n\u00e3o raramente, como no caso agora das empresas de transporte, um setor da burguesia se volta contra os interesses globais e gerais do capital.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">No caso brasileiro, n\u00e3o tivemos uma f\u00e1brica como a Benetton tomando a iniciativa de reestruturar as rela\u00e7\u00f5es de emprego no setor de transporte. Foi o pr\u00f3prio crescimento da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, o pr\u00f3prio aumento da necessidade de transporte, que gerou a racionaliza\u00e7\u00e3o capitalista do setor. N\u00e3o era mais vi\u00e1vel econ\u00f4mica e administrativamente que as pr\u00f3prias empresas contratassem seus pr\u00f3prios fretes de acordo com a oferta di\u00e1ria do mercado. A ado\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas do just-in-time, da lean production etc. implicou que as f\u00e1bricas passassem a necessitar de um fluxo constante de mat\u00e9rias-primas e componentes e, correspondentemente, de uma sa\u00edda constante dos seus produtos para os mercados consumidores. Os centros de abastecimento necessitam de um fluxo constante de entrada e sa\u00edda de mercadorias. Nada disso pode ser \u201cracionalmente\u201d ordenado se se mant\u00e9m a depend\u00eancia de caminhoneiros individuais que fluem de um ponto a outro do mercado em busca de melhores fretes.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A racionaliza\u00e7\u00e3o foi obtida pelo surgimento de empresas de transporte que contratam os fretes em larga escala e os sublocam aos caminhoneiros propriet\u00e1rios de seus pr\u00f3prios ve\u00edculos. Os dados que eu tenho \u00e0 m\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o seguros, indicam que algo pr\u00f3ximo \u00e0 metade do transporte terrestre \u00e9 realizado sob essa modalidade, a outra parte sendo realizada por oper\u00e1rios das pr\u00f3prias empresas de transporte. Os caminhoneiros, para entrarem no processo produtivo, precisam oferecer uma parte do capital fixo necess\u00e1rio: na Terceira It\u00e1lia, entram com as m\u00e1quinas de confec\u00e7\u00e3o de roupas; nos transportes, com seus pr\u00f3prios ve\u00edculos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Ainda que por mecanismos e processos muito distintos aos da Terceira It\u00e1lia, a ess\u00eancia \u00e9 similar: para se empregarem, precisam entrar com a propriedade de seus caminh\u00f5es, isto \u00e9, com uma parcela importante do capital fixo. Os impactos nas condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho s\u00e3o tamb\u00e9m an\u00e1logos: aumenta a intensidade do trabalho, diminui o tempo de repouso e lazer, as doen\u00e7as profissionais se intensificam e se multiplicam etc.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Os impactos na consci\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o menores. Ainda que por mecanismos muito diversos, por processos muito distintos daqueles que deram origem \u00e0 aristocracia oper\u00e1ria, algo similar ocorre com os caminhoneiros. S\u00e3o um elo da cadeia produtiva que opera o interc\u00e2mbio material com a natureza (Marx), contudo sua inser\u00e7\u00e3o imediata na sociedade faz com que sua luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e sal\u00e1rio se confunda com a sua luta pela sua propriedade privada, pelo seu direito de acumula\u00e7\u00e3o capitalista: comportam-se como empres\u00e1rios embora n\u00e3o passem de oper\u00e1rios. Com um agravante: como sua origem, no passado, n\u00e3o est\u00e1 em uma f\u00e1brica (como a Benetton no caso italiano) mas em um enorme conjunto de pequenos propriet\u00e1rios de ve\u00edculos, herdam do passado o individualismo do empreendedorismo de seus \u201cancestrais\u201d nas estradas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Seu futuro n\u00e3o poderia ser menos promissor: os caminhoneiros tendem a se aliar com seu inimigo de classe na defesa da propriedade privada na esperan\u00e7a, absolutamente v\u00e3, de se tornar um dia burgueses. Sem compreender seu real papel na sociedade, n\u00e3o apenas se comportam como burgueses que n\u00e3o s\u00e3o, como ainda deixam de se comportar como os oper\u00e1rios que, de fato, s\u00e3o. Seu futuro n\u00e3o poderia ser menos promissor, diz\u00edamos: a tend\u00eancia \u00e9 sua explora\u00e7\u00e3o se tornar cada vez mais intensa, no futuro sua vida e condi\u00e7\u00f5es de trabalho tender\u00e3o sempre a piorar. N\u00e3o possuem condi\u00e7\u00f5es de defender seus interesses hist\u00f3ricos at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias; curto e grosso: t\u00eam sido sempre joguetes nas m\u00e3os dos capitalistas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Portanto, enquanto classe social, os caminhoneiros s\u00e3o oper\u00e1rios, sem lugar a nenhuma d\u00favida. Tal como os oper\u00e1rios da Benetton que se convenceram terem se tornado empres\u00e1rios ao adquirirem a propriedade da m\u00e1quina em que produzem a mais-valia, os caminhoneiros propriet\u00e1rios de seus caminh\u00f5es imaginam terem deixado sua condi\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e se convertido em capitalistas. Ledo engano: o lugar que ocupam na estrutura produtiva (transporte) faz parte do metabolismo da sociedade com a natureza que \u00e9 o trabalho. Marx, no Volume I de O Capital, o exp\u00f5e com clareza e nada indica que, neste particular, a evolu\u00e7\u00e3o do mundo tenha revogado a validade de suas considera\u00e7\u00f5es a esse respeito: s\u00e3o oper\u00e1rios. Quando s\u00e3o propriet\u00e1rios de seus caminh\u00f5es n\u00e3o passam de assalariados disfar\u00e7ados ao subcontratarem um frete de uma empresa de transporte; quando s\u00e3o assalariados de uma empresa de transporte, s\u00e3o oper\u00e1rios imediata e diretamente.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Por essa raz\u00e3o, sua participa\u00e7\u00e3o na luta de classe tem sido, at\u00e9 o presente momento, marcada pela defesa da propriedade privada, mais especificamente, pela defesa do seu direito de acumula\u00e7\u00e3o do capital, a defesa do sonho de se converter, de sublocat\u00e1rio de fretes de uma empresa, em empres\u00e1rio com v\u00e1rios sublocat\u00e1rios de frete sendo por ele explorados. N\u00e3o passa do sonho pequeno-burgu\u00eas de se tornar, finalmente, um burgu\u00eas no futuro. A contradi\u00e7\u00e3o esgar\u00e7ante de suas vidas \u00e9 que esse sonho se passa na cabe\u00e7a de um prolet\u00e1rio, n\u00e3o na de um pequeno-burgu\u00eas.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 por isso que, ao longo do tempo, tem sido esse setor da classe oper\u00e1ria t\u00e3o facilmente manipul\u00e1vel pelo capital. Mas \u00e9 tamb\u00e9m por isso que a atual greve dos caminhoneiros \u00e9 politicamente ainda mais expressiva da crise em que se encontra a domina\u00e7\u00e3o burguesa em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Caminhoneiros versus Temer<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">As informa\u00e7\u00f5es de que disponho indicam que est\u00e1 havendo alguma mudan\u00e7a significativa no setor de transporte em duas dire\u00e7\u00f5es principais. A primeira \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o dos fretes mais lucrativos, os de longo percursos e feitos com carretas, na maiores empresas do setor. Para os caminhoneiros tendem a caber os fretes menos lucrativos, de menor percurso e que podem ser realizados com caminh\u00f5es mais baratos. A evolu\u00e7\u00e3o dessa tend\u00eancia, pela simples concorr\u00eancia, resulta em que os caminhoneiros precisam trabalhar com uma margem de lucro cada vez menor. A segunda dire\u00e7\u00e3o \u00e9 a generaliza\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de subloca\u00e7\u00e3o e sub-subloca\u00e7\u00e3o de fretes por empresas que, muitas vezes, atuam apenas como intermedi\u00e1rias entre os caminhoneiros e as empresas que necessitam de transporte. \u00c0 tend\u00eancia \u00e0 queda da margem de lucro dos caminhoneiros, associada \u00e0 tend\u00eancia das empresas que atuam como intermedi\u00e1rias se apoderarem de uma fatia crescente desse lucro, faz com que os caminhoneiros tenham que trabalhar cada vez mais intensamente, com todas as consequ\u00eancias negativas deste fato.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A tend\u00eancia a piora das condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dos caminhoneiros que resulta dessas duas dire\u00e7\u00f5es principais n\u00e3o \u00e9 algo que atinge apenas os caminhoneiros. Para n\u00e3o falar dos trabalhadores em geral, mesmo a aristocracia oper\u00e1ria vem sendo atingida por ela. \u00c9 crescente e cada vez mais frequente os casos de aristocratas oper\u00e1rios que perdem seus empregos entre os 35 e 40 anos de idade para oper\u00e1rios mais jovens, que aceitam condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de assalariamento significativamente piores.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Em poucas palavras, com o aprofundamento da crise estrutural do sistema do capital, as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho mesmo dos aristocratas oper\u00e1rios e \u2013 no nosso caso \u2013 dos caminhoneiros tendem a piorar. O que, em tese ao menos, deve intensificar a contradi\u00e7\u00e3o deles com o capital no seu todo \u2013 ainda que como isso vir\u00e1 a se refletir nas suas consci\u00eancias \u00e9 algo que n\u00e3o possa ser conhecido de antem\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 importante assinalar o acima, porque, at\u00e9 o momento, n\u00e3o se nota na greve uma disposi\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros de se voltarem contra os capitalistas do transporte. Entre as empresas de transporte e os caminhoneiros h\u00e1 uma conflu\u00eancia de objetivos e finalidades: alterar a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobr\u00e1s. De fato, na greve dos caminhoneiros, h\u00e1 uma homogeneirdade entre os empres\u00e1rios do setor e os caminhoneiros: a pol\u00edtica de aumento de pre\u00e7os dos combust\u00edveis tornou invi\u00e1vel a produ\u00e7\u00e3o da mais-valia nesse setor da economia. Os caminhoneiros estacionam nas rodovias e as empresas de transporte os apoiam. A opini\u00e3o p\u00fablica sabe que suas reivindica\u00e7\u00f5es s\u00e3o capitalisticamente justas: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transportar as mercadorias com esse pre\u00e7o do diesel.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Nenhum conflito entre as empresas de transporte que sublocam os fretes e os caminhoneiros que sublocam esses fretes: n\u00e3o h\u00e1, ainda, um conflito pelo aumento do valor dos fretes. Essa luta dividiria os caminhoneiros dos burgueses do setor de transporte; o foco da luta \u00e9 contra a pol\u00edtica de pre\u00e7os da Petrobras, uma bandeira de luta que unifica patr\u00f5es e oper\u00e1rios, burgueses e caminhoneiros! O inimigo passa a ser o governo Temer, e inimigo de burgueses e oper\u00e1rios unidos! O que de fato poderia melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dos caminhoneiros, uma luta coletiva contra o capital que os explora, est\u00e1 a anos luz de dist\u00e2ncia de sua consci\u00eancia e de sua pr\u00e1tica. Quando se unificam, \u00e9 em defesa do que imaginam serem seus verdadeiros interesses mas que, de fato, n\u00e3o passam dos interesses do capital. Nisso, de algum modo, lembram os camponeses franceses do s\u00e9culo 19: eram uma classe incapaz de ser algo mais do que massa de manobra da burguesia.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">N\u00e3o \u00e9 mero acaso que, quando h\u00e1 algum sinal de politiza\u00e7\u00e3o, ocorra pelo seu vi\u00e9s mais \u00e0 direita, mais conservadora: pedidos de interven\u00e7\u00e3o militar ou apoio \u00e0 candidatura Bolsonaro. Quase nenhuma palavra de retorno ao per\u00edodo petista, parcos sinais de apoio ao PT ou ao PSOL-PCB-PCdoB.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"justify\">Fora Temer!<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A greve nos transportes, contudo, n\u00e3o se limita a esse aspecto. Ocorre em um momento em que parece poder servir de catalisadora das insatisfa\u00e7\u00f5es generalizadas com o governo Temer e com o Estado burgu\u00eas no seu todo. A exaust\u00e3o da sociedade para com o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, para com a corrup\u00e7\u00e3o e a bandalheira generalizada, para com a dissolu\u00e7\u00e3o dos centros urbanos em campos de batalha, para o descalabro dos servi\u00e7os p\u00fablicos etc. parece ter encontrado na manifesta\u00e7\u00e3o do setor de transporte um canal para sua express\u00e3o que h\u00e1 tempos carecia. Apesar do desconforto que provoca, a greve conta com a simpatia e apoio generalizados da popula\u00e7\u00e3o a ponto de o sindicado nacional dos policiais federais manifestar seu apoio ao movimento. A greve dos petroleiros deve agravar a situa\u00e7\u00e3o e intensificar a press\u00e3o sobre o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, com consequ\u00eancias dif\u00edceis de serem previstas no momento. N\u00e3o falta muito para assistirmos manifesta\u00e7\u00f5es de massa\u2026 e o cen\u00e1rio atual pode se alterar rapidamente.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">A greve dos transportes, al\u00e9m disso, \u00e9 o primeiro momento em que uma parte da burguesia, os empres\u00e1rios do transporte, tomam uma a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e contundente contra as pol\u00edticas ultra-neo-liberais (se \u00e9 que h\u00e1 um \u201cultra\u201d poss\u00edvel ao neoliberalismo) de Temer e Meirelles. Isso \u00e9 uma novidade no cen\u00e1rio pol\u00edtico: as diverg\u00eancias no interior da burguesia e desta com o estamento pol\u00edtico-burocr\u00e1tico, at\u00e9 agora, n\u00e3o haviam levado a essa forma de confronto de uma parte do capital com o governo.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 imposs\u00edvel, no momento em que escrevo, divisar a evolu\u00e7\u00e3o da crise. O governo aposta na divis\u00e3o do movimento (da\u00ed a proposta de aprova\u00e7\u00e3o de uma tabela de pre\u00e7o m\u00ednimo do frete, que contempla os caminhoneiros, mas contraria os capitalistas do setor, da\u00ed a negocia\u00e7\u00e3o com os sindicatos pelegos e n\u00e3o com os caminhoneiros, da\u00ed a press\u00e3o sobre os capitalistas do setor pela abertura de investiga\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00e1tica de locaute por eles\u2026) e numa repress\u00e3o que parece n\u00e3o contar com o apoio nem da pol\u00edcia nem do ex\u00e9rcito. Uma parte da burguesia prejudicada pela paralisa\u00e7\u00e3o pressiona o governo para resolver \u201cj\u00e1\u201d o problema e tenta virar a opini\u00e3o p\u00fablica contra a greve atrav\u00e9s dos \u00f3rg\u00e3os de imprensa. Por outro lado, a pulveriza\u00e7\u00e3o do movimento e a condi\u00e7\u00e3o a que foram levados os caminhoneiros pela pol\u00edtica dos pre\u00e7os dos derivados do petr\u00f3leo parece indicar que o movimento tem f\u00f4lego para chegar \u00e0 quarta-feira e passar a contar com o apoio da greve dos petroleiros\u2026 tamb\u00e9m contra a pol\u00edtica de Temer para os combust\u00edveis. Portanto, com uma vasta plataforma comum.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"justify\">Como diz\u00edamos no in\u00edcio: o car\u00e1ter de classe dos caminhoneiros, sua alian\u00e7a com o patronato do setor de transportes, s\u00e3o limites claros e objetivos do movimento. Contudo, sua import\u00e2ncia na atual conjuntura e o papel catalisador que pode desempenhar na desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo s\u00e3o fatores que precisam ser considerados em uma \u201can\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta\u201d. Na situa\u00e7\u00e3o em que pessoalmente me encontro, sem nenhuma vincula\u00e7\u00e3o direta com o movimento, care\u00e7o das informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas necess\u00e1rias para propor uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de atua\u00e7\u00e3o: essa \u00e9 mis\u00e9ria de se ser professor universit\u00e1rio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o individual que n\u00e3o necessariamente expressa a opini\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o e por este motivo se apresenta<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":6610,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,75],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6609"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6616,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6609\/revisions\/6616"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}