{"id":6827,"date":"2018-10-22T01:17:29","date_gmt":"2018-10-22T03:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6827"},"modified":"2018-10-22T01:17:29","modified_gmt":"2018-10-22T03:17:29","slug":"o-avanco-das-lutas-de-mulheres-e-lgbts-em-paises-orientais-tradicionalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/10\/o-avanco-das-lutas-de-mulheres-e-lgbts-em-paises-orientais-tradicionalistas\/","title":{"rendered":"O avan\u00e7o das lutas de mulheres e LGBTs em pa\u00edses orientais tradicionalistas"},"content":{"rendered":"<p>Vivemos num per\u00edodo de muitas mudan\u00e7as com o aprofundamento da crise societal, que nos cobra, cada vez mais, a\u00e7\u00f5es para transformarmos o que gera a crise em algo n\u00e3o mais aceit\u00e1vel entre n\u00f3s, a explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor um lado, temos o crescimento de governos e movimentos de direita com suas propostas conservadoras e sua aceita\u00e7\u00e3o por parcelas da classe trabalhadora. Isso tem contribu\u00eddo para disseminar ideias e a\u00e7\u00f5es xenof\u00f3bicas, homof\u00f3bicas e racistas que nos enfraquecem e dividem para favorecem quem nos explora no avan\u00e7o da retirada de direitos. Por outro lado, temos levantes em alguns pa\u00edses que, at\u00e9 mesmo sem uma organiza\u00e7\u00e3o e propostas estrat\u00e9gicas bem definidas, enfrentam o poder de governos e organiza\u00e7\u00f5es de direita com suas ideias e a\u00e7\u00f5es conservadoras nesse momento de intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nExemplos importantes s\u00e3o os levantes de mulheres ocorridos em muitos pa\u00edses. Em v\u00e1rios desses pa\u00edses, a luta de mulheres tem conquistado direitos civis importantes. Isso demonstra o quanto \u00e9 necess\u00e1ria para compreendermos que a condi\u00e7\u00e3o servil imposta ao g\u00eanero feminino impede de avan\u00e7armos em uma sociedade anticapitalista que possibilitar\u00e1 a continuidade da esp\u00e9cie humana.<br \/>\nDiferente do que conhecemos no Brasil, h\u00e1 pa\u00edses com poucos ou quase nenhum direito para a mulher em que ainda \u00e9 considerada propriedade do homem, sua vida est\u00e1 nas m\u00e3os dele e somente pode realizar algumas vontades e sonhos sob sua permiss\u00e3o como trabalhar, estudar, viajar, ter determinados documentos, etc. Isso quando esses direitos j\u00e1 foram conquistados!<\/p>\n<h2>Avan\u00e7ar tamb\u00e9m nas lutas contra a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Ainda que leis seculares se mantenham em vig\u00eancia em v\u00e1rios pa\u00edses, vemos algumas medidas ocorrendo nesse \u00faltimo per\u00edodo da crise:<br \/>\nEm junho de 2018, mulheres na Ar\u00e1bia Saudita conquistaram licen\u00e7a para dirigir. Isso ocorreu ap\u00f3s um processo de muitas lutas, com 17 ativistas presas sob o \u201ccrime de trai\u00e7\u00e3o\u201d. Esse \u201ccrime\u201d pode lev\u00e1-las a graves penas. No entanto, o pr\u00edncipe Mohamed Bin Salman (MBS) que promoveu a reforma deslegitimou a luta e se colocou como o benfeitor por ter \u201cconcedido\u201d a medida. A luta de mulheres \u00e1rabes se mantem e avan\u00e7a para combater a tutela masculina e a obrigatoriedade de obedi\u00eancia ao homem (pai, irm\u00e3o, esposo, etc.) que deve ou n\u00e3o autorizar na realiza\u00e7\u00e3o de necessidades, vontades, desejos e sonhos \u2013 incluindo uma simples licen\u00e7a para dirigir!<br \/>\nNa \u00cdndia, no m\u00eas de setembro, os e as homossexuais conquistaram a importante vit\u00f3ria de descriminaliza\u00e7\u00e3o! H\u00e1 anos esse embate ocorre no pa\u00eds. A \u00cdndia possui o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas mais populoso do mundo e as pessoas homossexuais enfrentaram diversos grupos religiosos que insistiam em manter a homossexualidade como crime e reivindicavam a nulidade da decis\u00e3o. No entanto, ap\u00f3s vota\u00e7\u00e3o un\u00e2nime da Suprema Corte as pr\u00e1ticas homof\u00f3bicas se tornaram \u201cdiscriminat\u00f3rias e uma viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios constitucionais\u201d. Essa decis\u00e3o alterou a lei colonial de mais de 150 anos! Segundo dados da ILGA (Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Gays e L\u00e9sbicas), em 2015, quase 1.500 pessoas foram detidas e enquadradas nessa lei retr\u00f3grada. Muitas LGBTs comemoraram a decis\u00e3o pelo pa\u00eds com suas bandeiras!<br \/>\nNo Marrocos, tamb\u00e9m no m\u00eas de setembro, houve o avan\u00e7o da luta contra o casamento for\u00e7ado e pela criminaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher. A importante lei conquistada, quando avaliada por entidades internacionais de direitos humanos, demonstra lacunas pois trata da viol\u00eancia dentro do casamento e n\u00e3o especifica o conceito de viol\u00eancia, o que deixa muitas margens para interpreta\u00e7\u00e3o. No entanto, surgiu ap\u00f3s indigna\u00e7\u00e3o e repercuss\u00e3o do caso de Khadija Okkarou, de 17 anos, que durante 2 meses foi abusada sexualmente por mais de 10 homens, queimada com cigarro e tatuada por todo o corpo.<br \/>\nDe fato, essas conquistas em pa\u00edses de tradi\u00e7\u00f5es religiosas e conservadoras, que nos parecem anacr\u00f4nicas, exigiram muitas lutas, duros embates e s\u00e3o vit\u00f3rias significativas das liberdades democr\u00e1ticas.<br \/>\nMas, sabemos que o capitalismo n\u00e3o \u00e9 benevolente e, especialmente na atualidade da crise estrutural, busca formas e sa\u00eddas para estancar a queda nos lucros. Uma dessas formas \u00e9 absorver setores que antes podia ignorar desde que ganhe com isso. Assim, at\u00e9 aprova determinadas decis\u00f5es que possam permitir reduzir as lutas e ao mesmo tempo permitir algum est\u00edmulo \u00e0s compras com menos preju\u00edzos aos grandes empres\u00e1rios.<br \/>\nUm exemplo disso \u00e9 a licen\u00e7a para dirigir na Ar\u00e1bia Saudita, que j\u00e1 preconiza o aumento na venda de carro. Isso indica tamb\u00e9m aumento do emprego, inclusive para a m\u00e3o de obra feminina. Segundo previs\u00e3o do governo, a expectativa \u00e9 de que mulheres se tornem 30% da for\u00e7a de trabalho no pa\u00eds (s\u00e3o 10%). Como pa\u00eds extremamente patriarcal que \u00e9, a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho feminina torna-se necess\u00e1ria para substituir a for\u00e7a de trabalho masculina em postos com altos sal\u00e1rios e considerados custosos a fim de reduzir isso.<br \/>\nA popula\u00e7\u00e3o LGBT, que tamb\u00e9m muito luta e avan\u00e7a na conquista de direitos, \u00e9 constantemente vista como nicho de mercado para explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra mais barata e capaz de consumir. O modelo capitalista Pink Money, utiliza as lutas LGBTs para comercializa\u00e7\u00e3o de produtos, muito recorrente no Ocidente avan\u00e7a atrav\u00e9s de grandes empres\u00e1rios tamb\u00e9m sobre o Oriente.<br \/>\nAssim, as v\u00e1rias lutas que se espalham em diversas partes do mundo \u2013 inclusive da legaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Pol\u00f4nia e Argentina, contra presidenci\u00e1veis machistas e mis\u00f3ginos como Trump nos EUA e o #EleN\u00e3o no Brasil \u2013 s\u00e3o importantes demonstra\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia e contr\u00e1rias a aceita\u00e7\u00e3o da imposi\u00e7\u00e3o do conservadorismo com o avan\u00e7o da direita e necessitam avan\u00e7ar tamb\u00e9m na luta contra a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desse modo, necessitamos avan\u00e7ar nas lutas e em sua unifica\u00e7\u00e3o considerando que mulheres e LGBTs da classe trabalhadora \u2013 al\u00e9m de toda opress\u00e3o, machismo e homofobia \u2013 enfrentam a superexplora\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o de suas lutas para os capitalistas, de alguma forma, aumentarem seus lucros.<br \/>\nPortanto, \u00e9 importante que a classe trabalhadora de conjunto assuma essas lutas e as incorporem no cotidiano do local de trabalho, de estudo e moradia para combatermos todas essas injusti\u00e7as, construirmos rela\u00e7\u00f5es de solidariedade e impedirmos que a burguesia se favore\u00e7a com as nossas necessidades, com a nossa divis\u00e3o e se fortale\u00e7a para avan\u00e7ar na explora\u00e7\u00e3o e contra direitos conquistados por s\u00e9culos de luta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos num per\u00edodo de muitas mudan\u00e7as com o aprofundamento da crise societal, que nos cobra, cada vez mais, a\u00e7\u00f5es para<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":6828,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[103],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6827"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6827"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6829,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6827\/revisions\/6829"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}