{"id":6882,"date":"2018-12-16T12:17:16","date_gmt":"2018-12-16T14:17:16","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6882"},"modified":"2018-12-16T12:16:24","modified_gmt":"2018-12-16T14:16:24","slug":"nota-de-solidariedade-ao-mst-e-aos-familiares-dos-sem-terra-assassinados-por-latifundiarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2018\/12\/nota-de-solidariedade-ao-mst-e-aos-familiares-dos-sem-terra-assassinados-por-latifundiarios\/","title":{"rendered":"Nota de solidariedade ao MST e aos familiares dos Sem-Terra assassinados por latifundi\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">O Espa\u00e7o Socialista manifesta, sobretudo, total solidariedade \u00e0s fam\u00edlias de Rodrigo Celestino e Jos\u00e9 Bernardo da Silva, coordenadores do acampamento Dom Jos\u00e9 Maria Pires, na \u00e1rea da fazenda Guarapu, do Grupo Santa Tereza, Para\u00edba, ocupada desde julho de 2007, covardemente assassinados por jagun\u00e7os contratados por latifundi\u00e1rios, no \u00faltimo dia 08\/12.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estendemos nossa solidariedade para todas as guerreiras e guerreiros que comp\u00f5em o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que debaixo de lonas pretas lutam diuturnamente pela terra exigindo o cumprimento de sua fun\u00e7\u00e3o social, o cumprimento da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a Reforma Agr\u00e1ria e uma sociedade justa e fraterna.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 exatamente no marco dos 70 anos de exist\u00eancia da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos (com v\u00e1rios dispositivos para garantias de direitos sociais democr\u00e1ticos fundamentais para a humanidade, em especial para a maioria da popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel) e dos 30 anos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (apesar de suas limita\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas um importante instrumento para a garantia da redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil) que esse crime hediondo acontece<a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_edn1\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em tempos de criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais ou daqueles que contestam o sistema capitalista e a democracia burguesa, o assassinato de Jos\u00e9 Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino confirma, mais uma vez, que a viol\u00eancia contra trabalhadoras e trabalhadores rurais nunca esteve perto de solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Viol\u00eancia que se repete ao longo da hist\u00f3ria, segue um certo padr\u00e3o e \u00e9 assegurada pelo pacto entre capital\/Estado e latif\u00fandio, combina v\u00e1rias formas de explora\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o contra as trabalhadoras e trabalhadores que est\u00e3o em luta por Reforma Agr\u00e1ria, pelo direito e reconhecimento de territ\u00f3rios, para manter suas formas tradicionais de reprodu\u00e7\u00e3o social, para resistir \u00e0 migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada devido a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de exclus\u00e3o e desigualdade, que consideram a maioria da popula\u00e7\u00e3o que vive no campo como parte atrasada e fora do projeto de modernidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nessa l\u00f3gica violenta, para Estado\/latif\u00fandio, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas para essas pessoas, a n\u00e3o ser compensat\u00f3rias e pr\u00f3prias para a condi\u00e7\u00e3o de \u201cinferioridade\u201d ou para atender press\u00f5es sociais.. Embora dominante, essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o avan\u00e7a sem expor suas contradi\u00e7\u00f5es. Por um lado, a crise do emprego e suas consequ\u00eancias para a migra\u00e7\u00e3o campo-cidade. Por outro lado, a rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora do campo, que n\u00e3o aceita passivamente essa marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o reagindo com luta \u2013 principalmente a partir da d\u00e9cada de 70 \u2013 e construindo vias alternativas de resist\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural e educacional.<\/p>\n<p align=\"justify\">A viol\u00eancia e a criminaliza\u00e7\u00e3o no campo n\u00e3o s\u00e3o por acaso. Diferentemente de muitos outros pa\u00edses, o capitalismo no Brasil se constituiu com a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, rentista. Isso significa que a renda da terra era conditio sine qua non da reprodu\u00e7\u00e3o do capital no nosso pa\u00eds. A concentra\u00e7\u00e3o da propriedade privada de terra n\u00e3o pode ser compreendida como um desequil\u00edbrio, ao contr\u00e1rio, foi parte da forma\u00e7\u00e3o do capitalismo que se desenvolveu no pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um capitalismo que j\u00e1 nasceu como um projeto que trouxe em sua ess\u00eancia a busca desenfreada do lucro com a terra e tamb\u00e9m com o lucro do tr\u00e1fico de escravos, ambos como elementos para o seu desenvolvimento no campo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A estrutura fundi\u00e1ria brasileira muito pouco foi alterada ao longo desses mais de 500 anos de hist\u00f3ria. Isso significa que a ideologia dominante, desde a sua fase colonial at\u00e9 o momento atual sob a hegemonia neoliberal, segue afirmando que a grande propriedade da terra \u00e9 a forma mais eficiente para responder aos desafios de um modelo de desenvolvimento rural que satisfa\u00e7a \u00e0 expectativa burguesa de interessesecon\u00f4micos nacionais e estrangeiros dominantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enfim, a concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no Brasil cumpre um papel essencial na acumula\u00e7\u00e3o capitalista comoeconomia dependente do capital internacional de grandes pot\u00eancias econ\u00f4micas. Dessa forma, \u00e9 imposs\u00edvel superar as injusti\u00e7as e desigualdades sociais, pol\u00edticas e econ\u00f4micas enquanto houver essa concentra\u00e7\u00e3o de terra no Brasil em que nenhum grande propriet\u00e1rio aceita socializar e democratizar essa concentra\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_edn2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">A manuten\u00e7\u00e3o dessa l\u00f3gica perversa faz com que os indicadores de viol\u00eancia no campo tenham, infelizmente, um aumento ligado\u00a0aos conflitos resultantes da luta Reforma Agr\u00e1ria\u00a0nos assentamentos, \u00e1reas quilombolas, comunidades ind\u00edgenas, \u00e1reas de pequenos produtores, faxinais, entre outras. Ou seja, s\u00e3o precisamente os modelos de agroneg\u00f3cio, de minera\u00e7\u00e3o e de hidroneg\u00f3cio que t\u00eam gerado um rastro de conflitos no interior do pa\u00eds, causando significativo aumento da viol\u00eancia. No ano de 2017, por exemplo e segundo a CPT<a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_edn3\">[iii]<\/a>, foram cometidos 71 assassinatos no campo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com o crescimento da extrema-direita no Brasil, que se expressou tamb\u00e9m nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es, a burguesia ataca cada vez mais os direitos dos trabalhadores e seus espa\u00e7os de luta, partidos, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es e movimentos sociais como o MST. Al\u00e9m disso, j\u00e1 conta com a Lei Antiterrorismo aprovada no governo Dilma (PT), com o discurso de \u00f3dio t\u00e3o difundido por Jair Bolsonaro (PSL), dentre outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Reafirmamos nossa solidariedade \u00e0s trabalhadoras e aos trabalhadores do MST, em especial \u00e0s fam\u00edlias dos companheiros covardemente assassinados, ao mesmo tempo REPUDIAMOS tais pr\u00e1ticas a mando dos grandes latifundi\u00e1rios, que concentram quase 50% das terras desse pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para se ter uma ideia do que esse n\u00famero representa, os 3,75 milh\u00f5es de minif\u00fandios (propriedades m\u00ednimas de terra) somados equivalem a quase um quinto disso, ou seja, 10,2% da \u00e1rea total registrada no Incra. Atualmente, menos de 1% dos grandes propriet\u00e1rios concentra mais de 45% de toda a \u00e1rea rural. Enquanto isso, pequenos propriet\u00e1rios, com menos de 10 hectares, ocupam menos de 2,3% da \u00e1rea rural.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esses e tantos outros exemplos relacionados \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do trabalho no campo s\u00e3o provas inequ\u00edvocas da urg\u00eancia de uma Reforma Agr\u00e1ria que, n\u00e3o somente atue na desconcentra\u00e7\u00e3o de terras para acabar com o latif\u00fandio, fundamentalmente, coloque a rela\u00e7\u00e3o ser humano-natureza sob as bases das necessidades humanas e n\u00e3o subordinada aos imperativos do capital.<\/p>\n<p align=\"justify\">Rodrigo Celestino e Jos\u00e9 Bernardo da Silva, PRESENTES! Lutar n\u00e3o \u00e9 crime!<\/p>\n<p align=\"justify\">Pelo fim da viol\u00eancia no campo! Pela Reforma Agr\u00e1ria e pelo fim dos latif\u00fandios!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h3 align=\"justify\">Breve Hist\u00f3rico do MST:<\/h3>\n<p align=\"justify\">O Movimento tem seu marco inicial em 1979, em Cascavel (PR), quando centenas de trabalhadores e trabalhadoras rurais decidiram fundar um movimento social campon\u00eas, aut\u00f4nomo para lutar pela terra, pela Reforma Agr\u00e1ria e pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais necess\u00e1rias ao Brasil. Composto por posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores, etc., ou seja, trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terras que estavam desprovidos do direito \u00e0 moradia e de produzir alimentos. Expulsos por um projeto autorit\u00e1rio para o campo, capitaneado pela ditadura militar que cerceava direitos e liberdades de toda a sociedade. Um projeto que anunciava a \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d do campo quando, na verdade, estimulava o uso massivo de agrot\u00f3xicos e a mecaniza\u00e7\u00e3o, que eram alimentados por fartos (e exclusivos ao latif\u00fandio) cr\u00e9ditos rurais. E ao mesmo tempo ampliavam o controle da agricultura nas m\u00e3os de grandes conglomerados agroindustriais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Entretanto, entendemos que a semente para o surgimento do MST j\u00e1 estava lan\u00e7ada quando os primeiros nativos se levantaram contra a mercantiliza\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o pelos invasores portugueses do que era comum e coletivo: a terra, bem da natureza.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como imaginar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra hoje sem o exemplo de Sep\u00e9 Tiaraj\u00fa e da comunidade Guarani em defesa de sua terra sem os Males. Ou da resist\u00eancia coletiva dos quilombos ou de Canudos? Da indigna\u00e7\u00e3o organizada de Contestado? Como imaginar o Movimento sem o aprendizado e a experi\u00eancia das Ligas Camponesas ou do Movimento de Agricultores Sem Terra (Master). O MST, portanto, \u00e9 herdeiro e continuador dessas lutas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m disso, o MST tamb\u00e9m \u00e9 parte das lutas do sindicalismo combativo, da liberdade pol\u00edtica e das Diretas-J\u00e1 em 1984, quando em seu primeiro Congresso afirmou que \u201cSem Reforma Agr\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 democracia\u201d. E se empenhou, tamb\u00e9m, na constru\u00e7\u00e3o da nova Constituinte, aprovada em 1988, conquistando, dentre outras vit\u00f3rias, os artigos 184 e 186, que garantem a desapropria\u00e7\u00e3o de terras que n\u00e3o cumpram sua fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os objetivos do Movimento s\u00e3o muito claros e pautados em tr\u00eas facetas de lutas bem determinadas: lutar pela terra, lutar por Reforma Agr\u00e1ria, lutar por uma sociedade mais justa e fraterna. Somado a isso, tamb\u00e9m, busca iniciativas que solucionem os graves problemas estruturais do pa\u00eds como a desigualdade social e de renda, a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e de g\u00eanero, a concentra\u00e7\u00e3o dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o, a explora\u00e7\u00e3o do trabalhador urbano, etc.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesse sentido, a realiza\u00e7\u00e3o da Reforma Agr\u00e1ria, para democratizar o acesso \u00e0 terra e produ\u00e7\u00e3o de alimentos, \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o mais efetiva do Movimento para a realiza\u00e7\u00e3o de um Projeto para a classe trabalhadora do campo.<\/p>\n<p align=\"justify\">_________________<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_ednref1\">[i]<\/a>\u00a0Dados da CPT mostram que, desde 1985, 1.833 camponeses e lideran\u00e7as pela Reforma Agr\u00e1ria morreram em conflitos e latif\u00fandio cresceu 375%.<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_ednref2\">[ii]<\/a>\u00a0Importante destacar que o Brasil registrou durante o primeiro governo de Dilma Rousseff (PT) um aumento de concentra\u00e7\u00e3o de terras em grandes propriedades privadas de pelo menos 2,5%. Dados do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) revelam que, entre 2010 e 2014, seis milh\u00f5es de hectares passaram para as m\u00e3os dos grandes propriet\u00e1rios, quase tr\u00eas vezes o estado de Sergipe. Segundo o Sistema Nacional de Cadastro Rural, as grandes propriedades privadas saltaram de 238 milh\u00f5es para 244 milh\u00f5es de hectares. No governo Lula (PT), de 2003 a 2010, o aumento das grandes propriedades, p\u00fablicas e privadas, foi ainda maior do que na gest\u00e3o de Dilma. Saltaram de 214,8 milh\u00f5es, em 2003, para 318 milh\u00f5es de hectares em 2010: aumento de 114 milh\u00f5es de hectares (FARAH, 2015).<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"https:\/\/mail.yahoo.com\/d\/folders\/1\/messages\/1974?.intl=br&amp;.lang=pt-BR&amp;.partner=none&amp;.src=fp#_ednref3\">[iii]<\/a>\u00a0Entre 1964 e 2016, o n\u00famero total de assassinatos no campo foi de 2.507 homens e mulheres pelas regi\u00f5es do Brasil, segundo os dados da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (que recolhe os dados sistematicamente desde 1984) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (que reuniu dados anteriores a 1986). No decorrer desse per\u00edodo um dos picos mais violentos ocorreu na d\u00e9cada de 1980, quando o pa\u00eds se reencontrou com a democracia. A d\u00e9cada foi marcada pela funda\u00e7\u00e3o do MST e pelo aumento das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais e lutas para democratizar a terra. Depois da restaura\u00e7\u00e3o do poder civil, entre 1985 e 2016, a CPT registrou 1.833 assassinatos no campo. Em outras palavras, houve tr\u00eas vezes mais registros de mortes derivadas de conflitos no campo no per\u00edodo democr\u00e1tico do que nos anos anteriores \u00e0 redemocratiza\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o significa que ocorreram mais mortes no per\u00edodo democr\u00e1tico, pois antes os registros eram mais prec\u00e1rios mostra sim a relev\u00e2ncia dos conflitos desde 1985.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Espa\u00e7o Socialista manifesta, sobretudo, total solidariedade \u00e0s fam\u00edlias de Rodrigo Celestino e Jos\u00e9 Bernardo da Silva, coordenadores do acampamento<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":6883,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[57,63,21],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6882"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/12"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6882"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6886,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6882\/revisions\/6886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}