{"id":6928,"date":"2019-02-04T13:19:52","date_gmt":"2019-02-04T15:19:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6928"},"modified":"2019-02-08T15:13:36","modified_gmt":"2019-02-08T17:13:36","slug":"carnaval-e-folia-e-resistencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2019\/02\/carnaval-e-folia-e-resistencia\/","title":{"rendered":"Carnaval \u00e9 folia e &#8220;Resist\u00eancia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">Alex Brasil*<\/p>\n<p align=\"justify\">O propalado retorno do carnaval de rua do Rio de Janeiro, ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas em que andou esquecido e que ficou \u00e0 sombra dos desfiles das escolas de samba, \u00e9 um dos temas que constantemente tem sido abordado pelos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O interessante, entretanto, \u00e9 observar que diferentemente da retomada do carnaval de rua, o que tem acontecido no Rio de Janeiro \u00e9 muito diferente da tradi\u00e7\u00e3o do velho carnaval carioca: al\u00e9m da continuidade dos blocos de carnaval financiados por pol\u00edticos clientelistas locais (processo que se tornou crescente nos anos oitenta e noventa do s\u00e9culo passado), o novo fen\u00f4meno tem sido os blocos que re\u00fanem dezenas, centenas de milhares de pessoas. Blocos esses que come\u00e7aram como uma divertida e despretensiosa forma de reunir os amigos para somente brincar a folia, agora viraram uma fonte de ganhar dinheiro com profissionais da folia e tornaram-se um lucrativo neg\u00f3cio para as cervejarias (AMBEV \u00e0 frente), financiadoras da grande maioria dessas entidades de foli\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dentro do contexto da mercantiliza\u00e7\u00e3o, o &#8220;novo carnaval de rua do Rio de Janeiro&#8221; para se tornar mais f\u00e1cil de ser comercializado, procurou descaracterizar a m\u00fasica de carnaval \u2013 marchinha, marcha-rancho, frevo, samba de embalo, samba enredo \u2013 substituindo o canto tradicional dos foli\u00f5es (que tornou o Rio de Janeiro a capital do samba e do carnaval) por blocos tem\u00e1ticos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nessa miscel\u00e2nea p\u00f3s-moderna tem-se de tudo, at\u00e9 bons compositores, menos a m\u00fasica tradicional de carnaval. Ent\u00e3o vemos blocos como o Toca, Raul! (somente com m\u00fasicas do roqueiro Raul Seixas); Amigos do Rei (s\u00f3 com composi\u00e7\u00f5es de Roberto Carlos); Fogo e Paix\u00e3o (m\u00fasicas de Wando e outros artistas enquadrados como &#8220;bregas&#8221;), Sargento Pimenta (somente os Beatles), Bloco Lua Vai e Bloco do Pagode dos Anos 90 (neopagode) etc. Alguns blocos mais concorridos como o Bloco da Preta e Monobloco misturam tudo e v\u00e3o do Ax\u00e9, Tim Maia, Jorge Benjor at\u00e9 funk, descambando para Xuxa, Michel Tel\u00f3, Anita, Ludmila e outras vertentes do extremo mau gosto.<\/p>\n<p align=\"justify\">O lament\u00e1vel n\u00e3o foi somente ver a descaracteriza\u00e7\u00e3o de blocos que come\u00e7aram como resist\u00eancia e que se transformaram em lucrativos neg\u00f3cios para as cervejarias e para os &#8220;foli\u00f5es profissionais&#8221;. Foi tamb\u00e9m acompanhar a perda de um referencial hist\u00f3rico como o Cord\u00e3o do Bola Preta (que completou 100 anos em 2018). Considerado o &#8220;Quartel General do Samba&#8221;, o Bola Preta sobreviveu nos mais duros tempos de esvaziamento do carnaval de rua do Rio de Janeiro se tornando o maior reduto de resist\u00eancia e bom gosto nas &#8220;vacas magras&#8221; dos anos oitenta e noventa. Era ali que sobrevivia o verdadeiro carnaval de rua do Rio de Janeiro, sem juntar mais do que dez mil foli\u00f5es. Por\u00e9m, infelizmente, a partir dos anos dois mil o Bola Preta se tornou um neg\u00f3cio lucrativo para cervejarias, fornecedoras de camisas (os chamados &#8220;abad\u00e1s&#8221;) etc. na busca desenfreada em superar em tamanho o Galo da Madrugada, de Pernambuco. Enfim, o Bola perdeu-se no gigantismo e jogou fora o que tinha de melhor: o compromisso com a tradi\u00e7\u00e3o do velho carnaval de rua do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir desse processo de pasteuriza\u00e7\u00e3o produzido pelo Capital no qual passa o carnaval de rua no Rio de Janeiro (com certeza um fen\u00f4meno extensivo aos mais expressivos carnavais do pa\u00eds, como Pernambuco e Bahia) e entendendo o carnaval de rua como uma forma hist\u00f3rica de resist\u00eancia popular, fica a pergunta: na atual conjuntura \u00e9 poss\u00edvel fazer &#8220;a resist\u00eancia na Resist\u00eancia&#8221; e lutar contra os ardis mercantis que se apropriaram dessa festa popular?<\/p>\n<h2 class=\"western\" align=\"justify\">Historicizando o porqu\u00ea de o carnaval sempre ter sido um espa\u00e7o de resist\u00eancia popular<\/h2>\n<p align=\"justify\">A substitui\u00e7\u00e3o dos b\u00e1rbaros folguedos coloniais, no governo do Imperador Pedro II (segunda metade do s\u00e9culo XIX), por um modelo de carnaval de inspira\u00e7\u00e3o veneziano buscava uma miss\u00e3o de domestica\u00e7\u00e3o da cultura popular. Tentava-se construir um carnaval da oligarquia, com padr\u00f5es europeus, na antiga capital do Imp\u00e9rio e futura capital da Rep\u00fablica. Dessa forma, se camuflava a repress\u00e3o \u00e0 cultura do povo, notadamente de origem africana, dentre as manifesta\u00e7\u00f5es o samba. Esse modelo perdurou at\u00e9 o fim da Rep\u00fablica Velha (1930), mas com contradi\u00e7\u00f5es: a chamada &#8220;miss\u00e3o civilizadora&#8221; das elites se misturou com os pleitos do povo e das chamadas camadas m\u00e9dias e deu um car\u00e1ter cada vez mais popular ao carnaval, com o passar dos anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir da &#8220;Rep\u00fablica Nova&#8221;, o Estado Brasileiro em a\u00e7\u00e3o coadunada com institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil passaram a ter, ao inv\u00e9s de uma pol\u00edtica de repress\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es populares, uma pol\u00edtica de coopta\u00e7\u00e3o das mesmas, incluindo nessa pol\u00edtica o samba. Com o advento do r\u00e1dio como principal meio de comunica\u00e7\u00f5es de massas do pa\u00eds, a realiza\u00e7\u00e3o de concursos de escolas de samba e os concursos de marchinha a chamada m\u00fasica de carnaval se consagrou no Distrito Federal. Surgiu atrav\u00e9s dela a primeira gera\u00e7\u00e3o de ouro da M\u00fasica Popular Brasileira (a segunda surgiria com os festivais da can\u00e7\u00e3o dos anos sessenta e setenta) com expoentes como: Cartola, Noel Rosa, Lamartine Babo, Jo\u00e3o de Barro (o Braguinha), Ataulfo Alves, Herivelto Martins, Ari Barroso, se revelaram nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mesmo duramente reprimido pela ditadura do Estado Novo varguista, o Partido Comunista do Brasil (PCB), pela sua forte penetra\u00e7\u00e3o nas camadas mais desfavorecidas do povo, construiu um s\u00f3lido trabalho nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais como as escolas de samba e junto aos artistas populares: Jararaca, um dos autores de &#8220;Mam\u00e3e, eu Quero!&#8221; era ligado ao PCB; Paulo da Portela, &#8220;cidad\u00e3o samba&#8221; nos anos trinta e fundador da famosa escola de Oswaldo Cruz, era comunista; o famoso ator M\u00e1rio Lago, coautor de tr\u00eas estrondosos sucessos de carnaval (&#8220;Aurora&#8221;, &#8220;Am\u00e9lia&#8221;, &#8220;Atire a Primeira Pedra&#8221;) nos anos trinta e quarenta, era militante do &#8220;partid\u00e3o&#8221;. E a dupla e casal Nora Ney e Jorge Goulart, dois dos mais famosos int\u00e9rpretes do carnaval carioca, tamb\u00e9m era ligada aos comunistas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tanto que com o fim do Estado Novo e a chamada redemocratiza\u00e7\u00e3o, o PCB rapidamente alavancou sua penetra\u00e7\u00e3o nas escolas de samba chegando a dirigir a Uni\u00e3o Geral das Escolas de Samba (UGES) e a ter um desfile de 21 agremia\u00e7\u00f5es em homenagem ao ent\u00e3o senador da Rep\u00fablica Luiz Carlos Prestes, em 1946. Foi preciso o acirramento da Guerra Fria e a nova ilegalidade do PCB, em 1947, para que esta agremia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica perdesse a hegemonia que come\u00e7ava a construir nas escolas de samba. Substitu\u00edda pelos trabalhistas que, a partir de uma escola com grande peso do Sindicato dos Estivadores (Imp\u00e9rio Serrano), seria sensa\u00e7\u00e3o no final dos anos quarenta e in\u00edcio dos anos cinquenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto nos anos cinquenta as escolas de samba ainda estavam longe de ser um produto comercializ\u00e1vel, o carnaval de rua e a marchinha de carnaval ganhavam grande proje\u00e7\u00e3o, associada ao cinema brasileiro e \u00e0s chanchadas. As marchinhas se tornaram uma forte oportunidade para cr\u00edtica de costumes e moral da sociedade vigente, assim como tamb\u00e9m da pol\u00edtica presente. Assumia o carnaval de rua cada vez mais o seu verdadeiro sentido de ser: an\u00e1rquico (no melhor sentido da palavra), sem tutelas, sem Estado, sem controles.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por\u00e9m, dois processos foram matando a marchinha de carnaval. Primeiro, a entrada das grandes gravadoras, nos anos cinquenta, que passaram a considerar a produ\u00e7\u00e3o de discos somente para uma fase do ano (o carnaval) um gasto desnecess\u00e1rio. O segundo processo foi a ida de um grupo de intelectuais e artistas da Escola de Belas Artes (Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Maria Augusta, Jo\u00e3osinho Trinta, entre outros) para a escola de samba Acad\u00eamicos do Salgueiro. Com o m\u00e9rito de ter tornado tem\u00e1tica nos seus enredos o negro brasileiro e a sua luta constante, o Salgueiro, entretanto, produziu altera\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas no desfile das escolas de samba e buscou absorver as chamadas classes m\u00e9dias, o que mexeu dessa forma na tradi\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria das agremia\u00e7\u00f5es e o que \u00e9 pior: alterou o canto das escolas. Dessa forma, o samba tradicional foi substitu\u00eddo por um samba &#8220;marcheado&#8221;, uma marchinha disfar\u00e7ada. Dava-se assim um tiro no samba tradicional assim como na velha marchinha, que passou a entrar, definitivamente, em decad\u00eancia, nos anos sessenta.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 vigendo a ditadura militar esta, diferentemente da ditadura varguista, n\u00e3o procurava cooptar as manifesta\u00e7\u00f5es populares e sim intimid\u00e1-las e\/ou reprimi-las, assim foi com sambas de Silas de Oliveira, Mano D\u00e9cio da Viola e Manoel Ferreira (Imp\u00e9rio Serrano, 1969) e de Martinho da Vila (samba derrotado na Unidos de Vila Isabel, 1974). Tamb\u00e9m estimulou o fortalecimento de uma pequena escola que, com enredos patri\u00f3ticos se al\u00e7ou a maior for\u00e7a do carnaval do Rio de Janeiro, a Beija-Flor que teve um remanescente da Escola de Belas Artes \u00e0 frente, Jo\u00e3osinho Trinta, criador de uma concep\u00e7\u00e3o de carnaval espet\u00e1culo, apoiado na televis\u00e3o (j\u00e1 o principal meio de comunica\u00e7\u00f5es de massas) para ser comercializado no exterior. Para isso usou uma frase que defendia a sua concep\u00e7\u00e3o de carnaval: &#8220;Pobre gosta de luxo, quem gosta de mis\u00e9ria \u00e9 intelectual&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como resist\u00eancia a esse processo de mercantiliza\u00e7\u00e3o, de destrui\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias das escolas de samba e da adultera\u00e7\u00e3o de seu canto um dos maiores sambistas de todos os tempos o Antonio Candeia Filho (campeon\u00edssimo na Portela), claramente influenciado pelo ent\u00e3o comunista Paulinho da Viola e pelo jornalista esquerdista Juarez Barroso, fundou a escola de samba alternativa Quilombo e cunhou uma express\u00e3o para se contrapor a Jo\u00e3osinho Trinta: &#8220;Samba dentro da realidade brasileira&#8221;. A Quilombo, escola que n\u00e3o participava da disputa de carnavais e trazia os desfiles das agremia\u00e7\u00f5es como eram na sua origem, foi um grande acontecimento cultural na segunda metade da d\u00e9cada de setenta, que trouxe grandes sambistas e intelectuais, mas, n\u00e3o foi mais a mesma ap\u00f3s a morte de Candeia, em 1978.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mesmo assim, como m\u00e9rito de Candeia e da Quilombo se trouxe para a realidade das escolas de samba o chamado samba enredo pol\u00edtico, que se confundiu com a luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, no final dos anos setenta e oitenta. Escolas como Unidos da Tijuca, Caprichosos dos Pilares, Vila Isabel, Unidos da Ponte, Em Cima da Hora, S\u00e3o Clemente se destacaram nesse contexto. E, no carnaval de 1988 (no centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o), Vila Isabel (presidida pela futura vereadora comunista L\u00edcia Maria Canin\u00e9, Russa, esposa de Martinho da Vila) e a Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira foram, respectivamente, campe\u00e3 e vice-campe\u00e3 com a produ\u00e7\u00e3o de dois sambas enredos considerados obras primas: &#8220;Kizomba, a Festa da Ra\u00e7a&#8221; de Rodolpho, Jonas e Luiz Carlos da Vila, este \u00faltimo disc\u00edpulo de Candeia e &#8220;Cem Anos, Liberdade, Realidade ou Ilus\u00e3o?&#8221; de Jurandir, H\u00e9lio Turco e Alvinho. Foi o estertor do samba enredo pol\u00edtico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Com as mudan\u00e7as produzidas no mundo, ap\u00f3s a Queda do Mundo de Berlim, o carnaval do Rio de Janeiro, comandado pelos contraventores da Liga das Escolas de Samba (LIESA), ficou definitivamente reduzido \u00e0s escolas de samba e a sua vis\u00e3o empresarial e mercantilista, pr\u00f3pria do modelo neoliberal que se implantou no pa\u00eds nos anos dos governos Collor e FHC. Paralelamente, as marchinhas de carnaval sumiram, o carnaval de rua se reduziu a poucas iniciativas como o Bola Preta e os pr\u00f3prios blocos de embalo (Cacique de Ramos, Bafo da On\u00e7a e Boh\u00eamios de Iraj\u00e1) foram esquecidos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Somente no final dos anos noventa e in\u00edcio da d\u00e9cada passada \u00e9 que come\u00e7aram a se ampliar as formas de resist\u00eancia a essa vis\u00e3o neoliberalizante n\u00e3o somente da pol\u00edtica e da economia do nosso pa\u00eds, mas expressas tamb\u00e9m nas manifesta\u00e7\u00f5es e express\u00f5es culturais. Paralelos \u00e0 resist\u00eancia popular ao projeto privatizante e neoliberal, no samba e no carnaval carioca, surgiram os chamados &#8220;pagodes de mesa&#8221; em contraposi\u00e7\u00e3o ao &#8220;neopagode&#8221; e voltou o carnaval de rua, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, entretanto, todo esse processo foi cooptado, posteriormente, pelo Capital e o grande empresariado. Assim milhares de ativistas foram cooptados pelos governos petistas que se propuseram governar para o Capital e os novos blocos entraram na l\u00f3gica mercantilista do carnaval. Assim tamb\u00e9m novos compositores de samba que surgiram nos pagodes de mesa entraram nos esquemas das escolas (corrompidas por patronos, contraventores, vendas de enredos) h\u00e1 ainda o fato de participar de &#8220;escrit\u00f3rios&#8221; (diz de compositores que fazem composi\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias agremia\u00e7\u00f5es e bota &#8220;laranjas&#8221; para assinar as obras) e contratar torcidas etc.<\/p>\n<h2 class=\"western\" align=\"justify\">\u00c9 poss\u00edvel resistir sem se vender!<\/h2>\n<p align=\"justify\">O Bloco do Rabugento surgiu em 2000, na Vila da Penha, em homenagem a um vira-lata da popula\u00e7\u00e3o canina de rua, j\u00e1 falecido. Como um dos fundadores tem Luiz Carlos da Vila, autor de &#8220;Kizomba, a Festa da Ra\u00e7a&#8221;, compositor do Quilombo, parceiro e disc\u00edpulo de Candeia, j\u00e1 falecido. Ao longo desses 19 anos nunca teve financiamento privado para os seus desfiles (empres\u00e1rios, ONGS, pol\u00edticos) e nem de governos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tanto foi assim que quando o prefeito Marcello Crivella, da Igreja Universal do Reino de Deus, em uma atitude canalha, cortou a verba de carnaval em 2018 muitos blocos grandes deixaram de sair (como, por exemplo, o &#8220;Timoneiros da Viola&#8221;, feito em homenagem a Paulinho da Viola). O Rabugento n\u00e3o sentiu o &#8220;tranco&#8221;: sempre fez o seu carnaval vendendo a camisa do bloco, mas sem tolher aquele que queira participar sem a camisa, pois \u00e9 contra &#8220;cordinha no bloco&#8221;. Enfim, \u00e9 um bloco caracterizado como de esquerda com participantes que s\u00e3o ligados ao Movimento de Organiza\u00e7\u00e3o Socialista, ao PSTU, ao PCB, ao PSOL e anarquistas. E nele s\u00f3 se toca a m\u00fasica tradicional de carnaval. Nesse ano, o Rabugento vir\u00e1 com o enredo &#8220;Levanta a Bola, Rabugento&#8221;, de Marcelo Bizar e Marco Trindade, que ironiza o momento presente do pa\u00eds, o fato de um fascista ocupar a presid\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">A partir de 2013, o Bloco do Rabugento passou a apadrinhar o Bloco da Ceguinha, organizado por trabalhadores do Judici\u00e1rio, independentes do sindicato da categoria, que seguem a mesma concep\u00e7\u00e3o do Rabugento. Esse ano, o Bloco da Ceguinha vir\u00e1 com enredo &#8220;No Circo do Bozo, a Ceguinha chuta o pau da barraca!&#8221;, de V\u00edlson Siqueira e do autor desse artigo. Essas iniciativas e outras como Comuna que Pariu, ligado ao PCB, Agbara Dudu e Embaixadores da Folia mostram que \u00e9 poss\u00edvel resistir sem se vender. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio manter a independ\u00eancia financeira do bloco, sua autossustenta\u00e7\u00e3o, preservar a tradi\u00e7\u00e3o cultural e qualidade. E, fundamentalmente, desprezar o gigantismo que tem pautado hoje os principais blocos e que fizeram sucumbir muitas propostas interessantes como o &#8220;Cord\u00e3o do Prata Preta&#8221;, iniciativa do PCB em homenagem ao capoeirista negro que liderou a Revolta da Vacina, em 1904, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">*Militante do Movimento de Organiza\u00e7\u00e3o Socialista, resiste no Bola Preta h\u00e1 34 anos e \u00e9 um dos fundadores do Bloco do Rabugento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Bibliografia:<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;O PCB cai no Samba \u2013 os comunistas e a cultura popular 1945-1950&#8221; de Val\u00e9ria Lima Guimar\u00e3es. Edi\u00e7\u00e3o: Arquivo P\u00fablico, 2009.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Os cronistas de Momo \u2013 Imprensa e Carnaval na Primeira Rep\u00fablica&#8221; de Eduardo Granja Coutinho. Editora: UFRJ, 2006.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Yes, n\u00f3s temos Braguinha&#8221; de Jairo Severiano. Editora: FUNARTE, 1987.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alex Brasil* O propalado retorno do carnaval de rua do Rio de Janeiro, ap\u00f3s mais de duas d\u00e9cadas em que<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6931,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6928"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6928"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6949,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6928\/revisions\/6949"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}