{"id":6974,"date":"2019-02-22T20:18:32","date_gmt":"2019-02-22T23:18:32","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=6974"},"modified":"2019-02-22T21:22:44","modified_gmt":"2019-02-23T00:22:44","slug":"governo-bolsonaro-e-a-falsificacao-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2019\/02\/governo-bolsonaro-e-a-falsificacao-da-historia\/","title":{"rendered":"Governo Bolsonaro e a Falsifica\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Emerson Bellini Lefcadito de Souza<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cUma mentira repetida mil vezes<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Torna-se verdade\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(<span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/kdfrases.com\/autor\/joseph-goebbels\">Joseph Goebbels<\/a><\/u><\/span>, ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caro(a) leitor(a), permita-me, atrav\u00e9s desse texto, dialogar com voc\u00ea sobre um elemento que ainda n\u00e3o vem sendo muito tratado \u2013 ressalva: a conjuntura t\u00e3o din\u00e2mica, de fato, impede-nos de abordar sobre \u201ctodas\u201d as quest\u00f5es e poss\u00edveis consequ\u00eancias do governo que se iniciou em 1\u00ba de janeiro\/2019 \u2013 no \u00e2mbito da esquerda socialista e, por hora tamb\u00e9m, t\u00e3o pouco por parte de muitos(as) historiadores(as): as a\u00e7\u00f5es da c\u00fapula do governo em falsificar, forjar per\u00edodos e fatos hist\u00f3ricos que marcaram profundamente o Brasil. Mas, aten\u00e7\u00e3o! Esta a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fruto, apenas, da ignor\u00e2ncia intelectual da c\u00fapula que comp\u00f5em o governo, mesmo que em alguns casos acabe por atest\u00e1-la, a exemplo da fala do Ministro do Meio Ambiente \u2013 Ricardo Salles \u2013, em entrevista ao Roda Viva, em que n\u00e3o tecia argumentos m\u00ednimos t\u00e3o poucos plaus\u00edveis ao afirmar sobre a n\u00e3o import\u00e2ncia de Chico Mendes, l\u00edder sindical e ambientalista, guerreiro que lutava pela defesa dos trabalhadores extrativistas e da preserva\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica e dos povos da floresta<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote1sym\" name=\"sdfootnote1anc\">1<\/a><\/sup>.<\/p>\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o, a de falsear e forjar a hist\u00f3ria, \u00e9 um projeto! Um projeto que se soma aos planos que buscar\u00e1 impor goela abaixo os ataques \u00e0 classe trabalhadora e ao povo pobre desse pa\u00eds, acordados em campanha eleitoral com a burguesia. \u00c9 preciso ter clareza que, ao contr\u00e1rio do que certos n\u00facleos de esquerda dizem, as classes dominantes brasileiras aprendem com a hist\u00f3ria. Elas t\u00eam intelectuais qualificados que elaboram projetos a partir do conhecimento da nossa hist\u00f3ria. Da mesma forma em que sempre foram extremamente h\u00e1beis e capazes em elaborarem projetos que levam a exclus\u00e3o do povo da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nas inst\u00e2ncias decis\u00f3rias do poder.<\/p>\n<p>Assusta (ou n\u00e3o?) um pouco iniciar um texto para uma Organiza\u00e7\u00e3o Marxista e Revolucion\u00e1ria com uma frase sabendo, principalmente, as a\u00e7\u00f5es decorrentes dela, que impulsionaram um dos regimes pol\u00edticos mais deplor\u00e1veis da hist\u00f3ria da humanidade \u2013 o nazismo \u2013, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Confesso que a mim sim. E confesso tamb\u00e9m, caro(a) leitor(a) que fiquei em d\u00favida em mant\u00ea-la ou substitu\u00ed-la por uma frase inicial que expressasse car\u00e1ter socialista e revolucion\u00e1rio. Aquelas frases t\u00e3o presentes e necess\u00e1rias atualmente, de guerreiras e guerreiros que nos antecederam, em que muitos e muitas deram a vida pela luta por uma sociedade mais justa e fraterna, s\u00f3 poss\u00edvel no socialismo. Aquelas frases que nos instigam, nos motivam a nos mantermos nas trincheiras da incans\u00e1vel luta contra todos os ataques do Capital. Entretanto, resolvi mant\u00ea-la. E por qu\u00ea? Porque ela atualmente \u00e9 a exemplifica\u00e7\u00e3o do que vivemos na atual conjuntura. Mais ainda, atualmente, quer queiramos ou n\u00e3o, a referida frase \u00e9 um dos elementos norteadores do bolsonarismo.<\/p>\n<p>Comprometido com o socialismo e com a emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de conjunto do jugo do capital, o que pressup\u00f5e o fim de sua explora\u00e7\u00e3o pela classe dominante, \u00e9 dever dos socialistas provocar e buscar fornecer para a classe trabalhadora instrumentos a ajudem trilhar o necess\u00e1rio caminho da reflex\u00e3o e dos impactos das a\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por detr\u00e1s de mentiras diuturnas utilizadas para confundir e ludibriar trabalhadoras e trabalhadores pa\u00eds afora. \u00c9 tamb\u00e9m imprescind\u00edvel refletir sobre como o atual governo de Jair Bolsonaro vem trabalhando para desvirtuar a hist\u00f3ria, a\u00e7\u00e3o que se soma aos planos de impor goela abaixo os ataques acordados em campanha com a burguesia. E a reflex\u00e3o, por sua vez, soma-se ao fortalecimento na constru\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia nas ruas, locais de trabalho, nas escolas, nos bairros, enfim, em todos os espa\u00e7os em que a luta se far\u00e1 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>A frase em quest\u00e3o \u00e9 de <span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/kdfrases.com\/autor\/joseph-goebbels\">Joseph Goebbels<\/a><\/u><\/span>, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, cujo papel era o de exercer severo controle sobre as institui\u00e7\u00f5es educacionais e os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Apesar das diferen\u00e7as por se tratarem de momentos hist\u00f3ricos distintos, o fascismo europeu do s\u00e9culo XX tem caracter\u00edsticas centrais presentes no discurso de Jair Bolsonaro: est\u00e1 relacionado com intoler\u00e2ncia a qualquer forma de acordo, com a defesa da manuten\u00e7\u00e3o das hierarquias sociais, com a utiliza\u00e7\u00e3o de uma revolta social para manter as estruturas vigentes e com uma exalta\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia aberta como forma de resolver os conflitos.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, h\u00e1 um movimento t\u00e1tico claro e que t\u00eam sido uma das t\u00f4nicas do governo Bolsonaro: forjar a hist\u00f3ria. A t\u00e1tica em falsear toda uma campanha eleitoral alicer\u00e7ada em prolifera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas (as chamadas fake news) via redes sociais \u2013 Facebook e Whatsapp \u2013 e patrocinadas por grandes empres\u00e1rios do pa\u00eds, prossegue a todo vapor no in\u00edcio deste governo. Agora, com uma t\u00f4nica um pouco diferente, entretanto, n\u00e3o menos deplor\u00e1vel: o atual governo insiste, diariamente, em falsear os acontecimentos hist\u00f3ricos que marcaram o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao voltar nosso olhar rapidamente \u00e0 Hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel identificar que na Alemanha, em 1933, os capitalistas optaram pela entrega do poder a Hitler, atrav\u00e9s do patroc\u00ednio financeiro e da articula\u00e7\u00e3o de sua campanha, al\u00e9m de tra\u00e7arem uma estrat\u00e9gia ret\u00f3rica que buscava extrair da insatisfa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios segmentos sociais elementos para insuflar um ardente nacionalismo entre o povo.<\/p>\n<p>O nazismo nunca teria chegado t\u00e3o longe sem a lideran\u00e7a carism\u00e1tica de Hitler, um sujeito que hipnotizava multid\u00f5es em seus com\u00edcios e tinha um poder de convencimento dif\u00edcil de ser igualado, uma figura que no palanque encarnava o mito do \u2018corpo\u2019 da Alemanha, cujo sistema circulat\u00f3rio era a massa que o aplaudia com devo\u00e7\u00e3o. Mas caro(a) leitor(a), se por um lado estes elementos foram cruciais para atribuir um car\u00e1ter messi\u00e2nico \u00e0 Hitler, elementos muito bem explorados por seu ministro de Propaganda, Joseph Goebbels, que controlava os meios de comunica\u00e7\u00e3o alem\u00e3es, por outro a estreita colabora\u00e7\u00e3o de industriais e banqueiros com os nazistas foram cruciais para perseguir e destruir o sindicalismo e os socialistas, a quem chamavam de \u201cterroristas\u201d (qualquer coincid\u00eancia com o Brasil de hoje \u00e9 mera semelhan\u00e7a?). Detalhe: Hitler extinguiu o Partido Comunista alem\u00e3o um dia depois de tomar posse.<\/p>\n<p>Isso quer dizer, caro(a) leitor(a), que o grande capital internacionalizado esteve nas tratativas, seja nos bastidores ou abertamente, para entregar o poder \u00e0 Hitler em 1933, assim como esteve intimamente atuante para entregar \u00e0 Bolsonaro em 2018 e da mesma forma que o fez com Hitler, atrav\u00e9s do processo eleitoral, buscando, da mesma forma tamb\u00e9m, extrair da grande insatisfa\u00e7\u00e3o de numerosos setores sociais com o atual sistema pol\u00edtico brasileiro elementos que atribu\u00edssem a Jair Bolsonaro a figura de um mito. Todavia, com outras formas. Anita Leoc\u00e1dia Prestes, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em seu texto de 17 de outubro de 2018, intitulado \u201cA amea\u00e7a fascista no Brasil\u201d, exemplifica:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px;\">\u201cNum pa\u00eds como o Brasil, onde inexiste tradi\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, isso pode acontecer sem partido fascista, sem uniformes fascistas e sem a m\u00edstica fascista dos anos 1930, sem expansionismo militar declarado e sem racismo explicito. As formas s\u00e3o outras, mais elaboradas, com a utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala dos meios fornecidos pela inform\u00e1tica, mantendo sempre o discurso anticomunista e propagando a viol\u00eancia contra todos que se op\u00f5em aos seus objetivos, inclusive por meio da a\u00e7\u00e3o de hordas fascistas. Vale lembrar como exemplo desse emprego \u201cmoderno\u201d da inform\u00e1tica a colabora\u00e7\u00e3o com a campanha de Bolsonaro de Steve Bannon, estrategista de Donald Trump e especialista em desinforma\u00e7\u00e3o\u201d (https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/21117\/a-ameaca-fascista-no-brasil\/).<\/p>\n<p>A exemplifica\u00e7\u00e3o t\u00e1cita, l\u00facida, de Anita Leoc\u00e1dia Prestes sobre as formas mais modernas de empregar a desinforma\u00e7\u00e3o para confundir e angariar mentes \u00e9 que motiva esse texto a dar \u00eanfase a um tent\u00e1culo, a uma caracteriza\u00e7\u00e3o do governo Bolsonaro que \u00e9 a de um movimento t\u00e1tico utilizado propositalmente: o de buscar falsear importantes acontecimentos hist\u00f3ricos. Entretanto, para compreendermos melhor as reais inten\u00e7\u00f5es do governo Bolsonaro em buscar forjar a hist\u00f3ria \u00e9 preciso, primeiramente, expor algumas de suas t\u00e1ticas que corroboram para este feito: o de regorjear mentiras, desinforma\u00e7\u00e3o e cinismo.<\/p>\n<h2>Jorro de mentiras como t\u00e1tica<\/h2>\n<p>Caro(a) leitor(a), todos(as) recordam a t\u00e1tica utilizada por Bolsonaro e seu partido, o PSL, durante a campanha eleitoral que, ali\u00e1s, se assemelha muito \u00e0 usada por Trump:<\/p>\n<ul>\n<li>o de se apresentar como algu\u00e9m que fala como as coisas s\u00e3o ao mesmo tempo em que promete desmontar um sistema pol\u00edtico disfuncional e procura cativar muitos cidad\u00e3os que t\u00eam medo de perder seu lugar em uma sociedade cada vez mais diversa e inclusiva. Para tanto, se vendeu ao seu eleitorado e aos que estavam em d\u00favidas ou descontentes em rela\u00e7\u00e3o ao PT, como \u201co homem que n\u00e3o tem medo dizer o que todos estariam pensando\u201d. Isto \u00e9, como algu\u00e9m que vai contra o &#8220;politicamente correto&#8221;, como quando ele disse a uma plateia que teve uma filha &#8220;em uma fraquejada&#8221; depois de quatro filhos homens;<\/li>\n<li>o de atacar as grandes m\u00eddias (com exce\u00e7\u00e3o da Record, do Bispo Macedo, ambos seus vassalos eleitorais), acusando-as de tudo, inclusive de tentarem sabotar sua campanha justamente por ele n\u00e3o ter \u201ccompromisso com partidos\u201d, mas com o pa\u00eds (o que se provou falacioso, considerando a composi\u00e7\u00e3o do atual governo, cujos minist\u00e9rios foram barganhados principalmente com o DEM);<\/li>\n<li>uso priorit\u00e1rio das m\u00eddias sociais, em especial o Facebook e Whatsapp, para se comunicar diretamente aos seus eleitores. Instrumentos utilizados com mais intensidade ap\u00f3s o epis\u00f3dio da suposta facada. Quem n\u00e3o se lembra dos dizeres de seus eleitores nas m\u00eddias sociais: \u201cdescansa capit\u00e3o, e deixe a campanha coma gente\u201d; al\u00e9m disso, algu\u00e9m se recorda da presen\u00e7a de Bolsonaro nos debates propostos pelas emissoras? N\u00e3o foi aos debates alegando quest\u00f5es de sa\u00fade, mas cedia entrevista de 10 minutos \u00e0 emissora do bispo Edir Macedo, que coisa, n\u00e3o?<\/li>\n<li>o de insinuar a possibilidade de fraude eleitoral nas urnas eletr\u00f4nicas, a mando, sobretudo do PT, caso o resultado das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o o elegesse, num s\u00fabito e claro recado: legitimidade existe somente se eu ganhar;<\/li>\n<li>uso de representantes para falar em seu nome, a exemplo de seus filhos (filhos? Al\u00f4 Queiroz, onde est\u00e1 voc\u00ea meu filho?), atrav\u00e9s de v\u00eddeos compartilhados via m\u00eddias sociais. Ora, se algu\u00e9m fala por mim eu tenho o \u201cargumento\u201d em dizer: \u201ceu nunca disse isso\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Soma-se a essas a\u00e7\u00f5es, a t\u00e1tica de comunica\u00e7\u00e3o utilizada por Bolsonaro e seu cl\u00e3 conhecida como \u201cfirehosing\u201d, de \u201cfirehose\u201d (mangueira de inc\u00eandio), que consiste em bombardeio constante de informa\u00e7\u00f5es, sem nenhum compromisso com a verdade, ou seja, MENTIRAS, de modo a criar um quadro confuso, um jorro imenso e sufocante (da\u00ed a analogia com a mangueira de inc\u00eandio) demandando respostas e esclarecimentos.<\/p>\n<p>Bolsonaro, o PSL e seus marqueteiros sabem que as fake news geram desinforma\u00e7\u00e3o e desorienta\u00e7\u00e3o. Financiado por grande parte do empresariado do pa\u00eds, teve contratada uma ag\u00eancia especializada em proliferar not\u00edcias falsas ao custo de 12 milh\u00f5es, n\u00e3o declarados ao Tribunal Superior eleitoral, o que configura escandalosamente esquema de caixa 2. Entretanto, aos olhos turvos e propositalmente cegos de nosso Judici\u00e1rio, tal a\u00e7\u00e3o \u00e9 tida mais como um descuido eleitoral do que crime eleitoral.<\/p>\n<p>Com este aval classista do Judici\u00e1rio burgu\u00eas, o governo Bolsonaro prossegue num sistema de comunica\u00e7\u00e3o desenvolvido pelo ent\u00e3o presidente do pa\u00eds depois que ele deixou o papel de pedra para assumir o lugar da vidra\u00e7a: reage muito mal, sem aceitar nenhum tipo de cr\u00edtica \u00e0 \u201cnarrativa\u201d constru\u00edda por seus discursos toscos e por meio das redes sociais. Essas falsidades \u2013 ou declara\u00e7\u00f5es feitas com o \u00fanico objetivo de chocar \u2013, por mais absurdas que sejam, acabam por se tornar temas centrais no debate, enquanto os assuntos relevantes s\u00e3o implementados em segundo plano pelos bolsonaristas.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o importa se uma coisa dita ontem \u00e9 desmentida hoje, proferida novamente e negada de novo. Desqualificar qualquer informa\u00e7\u00e3o dos meios tradicionais ou de qualquer outra fonte que n\u00e3o parta do interior da seita \u00e9 essencial nessa estrat\u00e9gia. Ataques em massa contra qualquer voz divergente, criar inimigos imagin\u00e1rios (\u201cideologia de g\u00eanero\u201d, \u201ccomunismo\u201d, \u201cdoutrina\u00e7\u00e3o marxista\u201d) tamb\u00e9m fazem parte do arsenal bolsonarista para sustentar a \u201cnarrativa\u201d do \u201cmito\u201d (de p\u00e9s de barro), que n\u00e3o erra e nem falha, apesar de todas as suas contradi\u00e7\u00f5es ou talvez por isso mesmo.<\/p>\n<h2>Guerras de mem\u00f3ria em tempos sombrios<\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cA mem\u00f3ria \u00e9, pois imprescind\u00edvel na medida que<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">esclarece sobre o v\u00ednculo entre<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">a sucess\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e o tempo<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">hist\u00f3rico que as acompanha.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(ORI\u00c1, 1998, p. 139).<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o de l\u00edderes populistas nacionalistas e de car\u00e1ter liberal fascista \u00e9 uma tend\u00eancia que vem ganhando cada vez mais expressividade nas entranhas da democracia liberal. Estados Unidos, Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha, Holanda, Hungria, Pol\u00f4nia s\u00e3o exemplos de pa\u00edses ocidentais em que a agenda do nacionalismo populista se evidencia de forma crescente. Na Am\u00e9rica Latina, atualmente, esse cen\u00e1rio se evidencia na elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Em jornais impressos, vers\u00f5es online e notas anteriores, o Espa\u00e7o Socialista buscou caracterizar o governo Bolsonaro e a conjuntura cada vez mais sombria que a burguesia aliada ao ent\u00e3o governo busca impor \u00e0 classe trabalhadora, explorados e oprimidos. Dentre todas as tem\u00e1ticas que envolvem essa caracteriza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m um ponto que merece destaque: o de que o governo Bolsonaro e toda a sua c\u00fapula buscam forjar os acontecimentos hist\u00f3ricos que marcaram profundamente a Hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dentre o universo de falseamento da hist\u00f3ria promovida em pouco mais de 2 meses de governo, focaremos em uma especialmente: a Ditadura Militar, que perdurou 21 anos no pa\u00eds (1964-1985).<\/p>\n<p>Para mergulhar na reflex\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel inici\u00e1-la apontando que a nega\u00e7\u00e3o e a falsifica\u00e7\u00e3o de acontecimentos hist\u00f3ricos desse pa\u00eds s\u00e3o alimentadas, em grande medida, pela impunidade (aus\u00eancia de justi\u00e7a) e pela aus\u00eancia de arrependimento, remorso ou culpa por parte dos algozes diretos e indiretos e dos apoiadores de ontem e de hoje.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 13\/02, o vice-presidente general Ant\u00f4nio Hamilton Mour\u00e3o (PRTB) afirmou em um encontro para o empresariado brasileiro, que o Regime Militar n\u00e3o se tratou de uma Ditadura imposta por militares, mas de um governo autorit\u00e1rio<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote2sym\" name=\"sdfootnote2anc\">2<\/a><\/sup> que se deu de forma ordeira e normal em nosso pa\u00eds. Segundo ele, o autoritarismo do Regime s\u00f3 durou por 10 anos em que o restante do per\u00edodo correu sem instrumentos de exce\u00e7\u00e3o. Seu cinismo de canalhocrata termina por afirmar que o Regime que perdurou por 21 anos (1964-1985) foi um per\u00edodo de governo de presidentes militares no poder com o aval do povo, e n\u00e3o um Regime de Ditadura Militar.<\/p>\n<p>Pois bem, caro(a) leitor(a), \u00e9 preciso contrapor esse falseamento hist\u00f3rico. E um dos passos importantes \u00e9 revelar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica que foi arrancada da classe trabalhadora: conhecer sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria como classe trabalhadora, \u00e9 parte fundamental para que os trabalhadores consigam enxergar o que os patr\u00f5es e seus governos tentam esconder com o objetivo de tentar frear a luta, \u00fanica ferramenta capaz de se contrapor ao aumento do arrocho salarial, do desemprego, da retirada de direitos. Reflitamos, portanto.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, completar\u00e1 55 anos que o pa\u00eds mergulhava em um dos per\u00edodos mais tenebrosos de sua hist\u00f3ria, ap\u00f3s o per\u00edodo escravocrata: o golpe de 1964 promovido pelos militares em 31 de mar\u00e7o daquele ano, impondo uma Ditadura Militar no Brasil. Depuseram o presidente Jo\u00e3o Goulart, por meio de um golpe militar que contou com apoio empresarial, objetivando salvar as classes dominantes que estavam politicamente derrotadas pela intensa mobiliza\u00e7\u00e3o popular da \u00e9poca. Por isso, implantaram um regime que subtraiu as liberdades democr\u00e1ticas, imp\u00f4s o arrocho salarial, ampliou a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, com maior favorecimento ao capital internacional e se alinhou \u00e0 pol\u00edtica de guerra fria no interesse do imperialismo estadunidense, cujo pa\u00eds forneceu as informa\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia, as t\u00e9cnicas de tortura e apoio diplom\u00e1tico aos militares golpistas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a corrup\u00e7\u00e3o se alastrou pelos espa\u00e7os do Estado: a infraestrutura do pa\u00eds continuou a ser direcionada para atender as demandas do Capital e na estrutura do governo militar, os empres\u00e1rios n\u00e3o pouparam esfor\u00e7os e gastos para agilizarem que seus interesses na m\u00e1quina do Estado fossem atendidos. Os empres\u00e1rios tiveram atrav\u00e9s dos militares e de seus ministros civis, seus pleitos garantidos atrav\u00e9s do pagamento de propinas que s\u00f3 mudam a forma como s\u00e3o pagas hoje, mas que j\u00e1 existiam antes e tamb\u00e9m durante o governo militar.<\/p>\n<p>Tais a\u00e7\u00f5es foram promovidas e financiadas pelos capitalistas que buscavam agir para aprofundar a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e, ao mesmo tempo, conter a luta de classes. Documentos do Ato Institucional n\u00ba 5, de 1968, mostram como os capitalistas arquitetaram o endurecimento do regime para frear a luta de classes no Brasil. Antes do AI 5, a classe trabalhadora se movimentava para intensificar os processos de luta, com greves marcantes, como foi a greve dos metal\u00fargicos na Cobrasma, empresa metal\u00fargica instalada na cidade de Osasco em S\u00e3o Paulo, a greve dos metal\u00fargicos em Contagem\/MG em que os trabalhadores paralisaram empresas como a Belgo-Mineira e a Mannesmann. Al\u00e9m da repress\u00e3o do governo colocando militares para atacar as manifesta\u00e7\u00f5es, empresas multinacionais instaladas no Brasil, como a Volkswagen financiaram os servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o do governo para perseguir, prender e torturar, trabalhadores que organizavam a retomada das lutas. Fora do Brasil, outros movimentos ganhavam for\u00e7a, como na Fran\u00e7a, onde estudantes ocupavam as ruas de Paris, exigindo liberdade. Ou seja, o ano de 1968 foi mais um dos momentos em que os capitalistas agiram para conter a luta dos trabalhadores que se fortalecia exigindo liberdade e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho.<\/p>\n<p>O estudo sobre o Regime Militar \u00e9 extenso, h\u00e1 dezenas de disserta\u00e7\u00f5es de Mestrado, teses de Doutorado, artigos acad\u00eamicos cient\u00edficos, livros publicados que abordam o tema em seus diversos aspectos pol\u00edtico, econ\u00f4mico, social e cultural. H\u00e1 dezenas de depoimentos \u2013 em que a ci\u00eancia da Hist\u00f3ria caracteriza como Hist\u00f3ria Oral \u2013, de v\u00edtimas desse Regime e que relatam as atrocidades, as torturas pelas quais foram submetidas e os assassinatos de centenas de pessoas que se opunham \u00e0 Ditadura. Inclusive, o Coronel Brilhante Ustra, \u00eddolo enaltecido sempre que pode por Jair Bolsonaro e o seu cl\u00e3, \u00e9 um dos mais citados como o mais temido torturador daquele per\u00edodo, com pr\u00e1ticas abomin\u00e1veis que iam desde o estupro de mulheres na frente de seus filhos e filhas, como a introdu\u00e7\u00e3o de ratos nas vaginas das v\u00edtimas, ou a retirada dos bicos dos seios das v\u00edtimas mulheres. Sob seu comando, o terror da tortura n\u00e3o poupava nem crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Houve uma Comiss\u00e3o da Verdade<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote3sym\" name=\"sdfootnote3anc\">3<\/a><\/sup> que durante dois anos e sete meses de trabalho produziu um relat\u00f3rio reunindo 4.328 p\u00e1ginas em tr\u00eas volumes<sup><a class=\"sdfootnoteanc\" href=\"#sdfootnote4sym\" name=\"sdfootnote4anc\">4<\/a><\/sup>. O relat\u00f3rio apresentou quatro conclus\u00f5es inquestion\u00e1veis acerca do per\u00edodo da Ditadura de 1964: I) houve graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos; II) estas possu\u00edram um car\u00e1ter sistem\u00e1tico e generalizado; III) configurou-se claramente um quadro de crimes contra a humanidade; IV) por fim, estas viola\u00e7\u00f5es persistem no presente.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o acima, caro(a) leitor(a) t\u00e3o necess\u00e1ria em tempos de amea\u00e7as aos direitos trabalhistas e sociais, ao direito de organiza\u00e7\u00e3o e luta por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Nessa dire\u00e7\u00e3o, fundamental \u00e9 revelar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica. Fundamental \u00e9 esclarecer a classe trabalhadora de conjunto e contrapor declara\u00e7\u00f5es como a do vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, mas tamb\u00e9m contrapor \u201cintelectuais\u201d que prestam um desservi\u00e7o \u00e0 Hist\u00f3ria e a classe, como \u00e9 o exemplo do livro \u201cDitadura \u00e0 brasileira. 1964-1985: a democracia golpeada \u00e0 esquerda e \u00e0 direita\u201d, de um historiador bastante presente na grande imprensa: Marco Ant\u00f4nio Villa. Um dos problemas desse livro \u00e9 que paira sobre a argumenta\u00e7\u00e3o de Villa a ideia da \u201cditabranda\u201d. Caracterizar dessa forma um dos per\u00edodos mais sombrios de nossa Hist\u00f3ria \u00e9 deixar aflorar a mitologia da \u201cditabranda\u201d, que parece fundar uma classifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da ditadura brasileira, porque significa exumar os espectros de uma cordialidade brasileira, faca de dois gumes, mas cortante, que sempre serviu como v\u00e9u da viol\u00eancia mais pervasiva de uma sociabilidade marcada pela perman\u00eancia de domina\u00e7\u00f5es. Essa \u201ccomunidade intelectual\u201d age por meio da divis\u00e3o social e institucional do trabalho de nega\u00e7\u00e3o e\/ou revisionismo em que trabalham colaboradores da Wikip\u00e9dia e da Metap\u00e9dia, militares ativos e da reserva, passando tamb\u00e9m, por exemplo, por boa parte da chamada \u201cNova Direita\u201d, por jornalistas e historiadores.<\/p>\n<p>Nesses tempos sombrios, travar o bom combate tamb\u00e9m perpassa pelo reconhecimento de quem s\u00e3o os assassinos da mem\u00f3ria, por se tratar de um importante instrumento somador na constru\u00e7\u00e3o de mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da luta por parte da classe trabalhadora frente aos ataques que vir\u00e3o. Os assassinos da mem\u00f3ria, isto \u00e9, os capitalistas e os governos que s\u00e3o vassalos dos seus intermin\u00e1veis interesses, buscam desconstruir a hist\u00f3ria e per\u00edodos em que patrocinavam as barb\u00e1ries para manterem a l\u00f3gica perversa do lucro a qualquer custo.<\/p>\n<p>Para conseguirem isso, utilizam de todas as artimanhas e recursos dispon\u00edveis, seja atrav\u00e9s de entretenimentos vazios, com o objetivo de aumentar nossa sensibilidade social e se acostumar a ver a vulgaridade e a estupidez como as coisas mais normais do mundo, incapacitando-nos de alcan\u00e7ar uma consci\u00eancia cr\u00edtica da realidade. Nesta subcultura do entretenimento vazio, o que \u00e9 promovido, \u00e9 um sistema baseado nos valores do individualismo possessivo, no qual a solidariedade e o apoio m\u00fatuo s\u00e3o considerados algo ing\u00eanuo. Seja pelo patroc\u00ednio a prolifera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, de narrativas toscas que hipnotizam a muitos, criando uma realidade paralela principalmente por meio das redes sociais. Seja descaracterizando ou minimizando per\u00edodos e que buscam ocultar os fatos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 t\u00e3o fundamental a classe trabalhadora conhecer a verdade sobre sua hist\u00f3ria, sobre suas lutas para garantir direitos pol\u00edticos e sociais, para n\u00e3o serem enganadas ou embarcarem em aventuras autorit\u00e1rias. Conhecer o passado para n\u00e3o se repetir trag\u00e9dias no futuro. S\u00f3 lutando mudamos a vida. Venceremos!<\/p>\n<p>*Texto escrito por Emerson Bellini Lefcadito de Souza. Historiador, militante do Espa\u00e7o Socialista, Servidor P\u00fablico Federal, pai e apaixonado pelo Corinthians.<\/p>\n<p>*Indica\u00e7\u00f5es de leitura al\u00e9m dos materiais do Espa\u00e7o Socialista:<\/p>\n<p>&#8211; Brasil: Nunca Mais \u2013 Paulo Evaristo Arns<\/p>\n<p>&#8211; Ainda Estou Aqui \u2013 Marcelo Rubens Paiva<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 isso, companheiro? \u2013 Fernando Gabeira<\/p>\n<p>&#8211; Marighella \u2013 M\u00e1rio Magalh\u00e3es<\/p>\n<p>&#8211; As meninas \u2013 Lygia Fagundes Telles<\/p>\n<p>&#8211; Ecos Do Golpe: A Persist\u00eancia Da Ditadura 50 Anos Depois &#8211; Organizada por Eduardo Granja Coutinho e Mauro Luis Iasi<\/p>\n<p>&#8211; Mem\u00f3rias da Resist\u00eancia &#8211; Organizadores: Marco Escriv\u00e3o, Tito Fl\u00e1vio Bellini, Pedro F. Russo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"sdfootnote1\">\n<p align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote1anc\" name=\"sdfootnote1sym\">1<\/a><sup><span style=\"font-size: small;\">\u0002<\/span><\/sup><span style=\"font-size: small;\"> Em 1988, Chico Mendes recebeu o pr\u00eamio Global 500 da ONU. Aos 47 anos, em 22 de dezembro desse mesmo ano, foi morto com tiros de espingarda no peito a mando de um fazendeiro da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote2\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote2anc\" name=\"sdfootnote2sym\">2<\/a><sup><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>\u0002<\/b><\/span><\/sup><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"> https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/nao-foi-ditadura-mas-governo-autoritario-diz-mourao-sobre-regime-de-1964-23448994<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote3\">\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote3anc\" name=\"sdfootnote3sym\">3<\/a><sup><span style=\"font-size: small;\"><b>\u0002<\/b><\/span><\/sup><span style=\"font-size: small;\"> A Lei que cria a Comiss\u00e3o da Verdade (CNV) foi sancionada pela presidente Dilma Roussef e previa a apura\u00e7\u00e3o das graves viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos e\/ou crimes de lesa-humanidade, entre 1946 e 1988, mas n\u00e3o possu\u00eda car\u00e1ter punitivo. A CNV trouxe \u00e0 tona o debate sobre a necessidade de apurar os crimes praticados pela Ditadura Militar, amplamente apoiada pelo imperialismo norte-americano e por diversos setores da sociedade, como a TFP \u2013 Sociedade Brasileira de Defesa da Tradi\u00e7\u00e3o, Fam\u00edlia e Propriedade, os principais jornais do pa\u00eds e empres\u00e1rios de todos os ramos. A CNV tinha como tarefa institucional estabelecer as circunst\u00e2ncias em que aconteceram as mortes, torturas e outros crimes praticados pelos agentes do Estado. Em seu trabalho, a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade deveria levar em considera\u00e7\u00e3o a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o das elites civis com os ditadores militares desde o golpe que os levou ao poder.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: small;\"> Vale ressaltar que a luta pela verdade e justi\u00e7a ainda est\u00e1 muito atrasada no Brasil. Basta dizer que, entre os pa\u00edses que integraram a OPERA\u00c7\u00c3O CONDOR (alian\u00e7a secreta entre Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, orquestrada pelos Estados Unidos, entre os anos de 1960 e 1970, para combater movimentos de esquerda), s\u00f3 o Brasil n\u00e3o instalou a Comiss\u00e3o da Verdade, nem come\u00e7ou a PUNIR os militares que cometeram crimes de LESA HUMANIDADE.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: small;\"> O Comit\u00ea de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) recomendou, em 02 de novembro de 2005, que o Brasil tornasse p\u00fablicos os documentos relevantes sobre os crimes cometidos durante essa fase do pa\u00eds, RESPONSABILIZANDO SEUS AUTORES. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, um \u00f3rg\u00e3o da OEA \u2013 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, j\u00e1 CONDENOU o Brasil por n\u00e3o esclarecer os fatos, n\u00e3o prestar a repara\u00e7\u00e3o dos parentes de v\u00edtimas, nem PUNIR OS RESPONS\u00c1VEIS PELA REPRESS\u00c3O.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-size: small;\"> Entretanto, \u00e9 sabido e not\u00f3rio que o aparato repressivo da Ditadura n\u00e3o foi desmontado totalmente e deixa suas marcas nos milhares de jovens, na grande maioria negra, exterminada nas favelas e meninas violentadas. N\u00e3o deve ser desmerecido a cria\u00e7\u00e3o da CNV, por\u00e9m, fundamental seria uma Comiss\u00e3o Nacional da Verdade que fa\u00e7a JUSTI\u00c7A \u2013 por meio da luta e do apoio popular \u2013 dando-se um passo para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade comprometida com a MEM\u00d3RIA, com a VERDADE e com a JUSTI\u00c7A (Fonte: Movimento pela Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, Maio de 2012).<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"sdfootnote4\">\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><a class=\"sdfootnotesym\" href=\"#sdfootnote4anc\" name=\"sdfootnote4sym\">4<\/a><sup><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\"><b>\u0002<\/b><\/span><\/sup> <span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">Links para acesso ao Relat\u00f3rio Final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade: <\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_I_Tomo_I.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_I_Tomo_I.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_I_Tomo_II.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_I_Tomo_II.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_II.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/Relatorio_Final_CNV_Volume_II.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Introducao.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Introducao.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1950-1969.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1950-1969.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1970-1971.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1970-1971.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1972-Maiode1973.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_1972-Maiode1973.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Junhode1973-Abrilde1974.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Junhode1973-Abrilde1974.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p class=\"sdfootnote\" align=\"justify\"><span style=\"color: #0000ff;\"><u><a href=\"http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Maiode1974-Outubrode1985.pdf\"><span style=\"font-family: Times New Roman, serif;\">http:\/\/estaticog1.globo.com\/2014\/12\/10\/MortoseDesaparecidos_Maiode1974-Outubrode1985.pdf<\/span><\/a><\/u><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emerson Bellini Lefcadito de Souza &nbsp; 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