{"id":85,"date":"2009-01-03T16:00:47","date_gmt":"2009-01-03T18:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/85"},"modified":"2018-06-01T15:33:30","modified_gmt":"2018-06-01T18:33:30","slug":"jornal-24-janeiromarco-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/jornal-24-janeiromarco-2008\/","title":{"rendered":"Jornal 24: Janeiro\/Mar\u00e7o de 2008"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo1\">Fidel renunciou, mas n\u00f3s n\u00e3o renunciamos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo2\">Mulher trabalhadora, ou seja, guerreira<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo3\">Quando a torcida deve ir \u00e0 luta<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo4\">Venezuela e Bol\u00edvia: ir al\u00e9m de Chavez<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo5\">A dif\u00edcil tarefa da milit\u00e2ncia feminina<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#titulo6\">Encarte Rebeldia Socialista &#8211; n\u00famero 04<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 id=\"page-title\"><a name=\"titulo1\"><\/a>Fidel renunciou, mas n\u00f3s n\u00e3o renunciamos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<div id=\"node-86\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00e3o deixarmos nenhuma d\u00favida: Defendemos os trabalhadores e o povo cubano contra qualquer tentativa de interven\u00e7\u00e3o americana!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideramos que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana foi um dos maiores feitos do povo latino-americano por derrubar o ditador sanguin\u00e1rio Fulg\u00eancio Batista, por expulsar os americanos que tratavam a ilha como um bordel em alto mar e por estatizar, mesmo que n\u00e3o fosse a inten\u00e7\u00e3o imediata de Fidel, a economia e abrir caminho para a constru\u00e7\u00e3o de um sistema p\u00fablico de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o que garante o acesso a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de sa\u00fade e de educa\u00e7\u00e3o do povo cubano foi obtido com um baixo n\u00edvel de desenvolvimento das for\u00e7as produtivas no pa\u00eds. Isso mostra a for\u00e7a de uma economia estatizada e sem propriedade privada, em que o produzido fica nas m\u00e3os do Estado. A Revolu\u00e7\u00e3o Cubana teve esse m\u00e9rito de obrigar suas dire\u00e7\u00f5es a estatizar. Foi exatamente a estatiza\u00e7\u00e3o que permitiu o desenvolvimento da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 transformarem-se em refer\u00eancias para o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A propriedade privada representa a apropria\u00e7\u00e3o, por uma pequena parcela da sociedade que nada produz, do trabalho realizado pela classe trabalhadora. \u00c9 a causa maior de todos as desigualdades no mundo. Por isso qualquer revolu\u00e7\u00e3o que exproprie a burguesia, por mais limites que tenha, merece nosso apoio militante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a hist\u00f3rica do socialismo se mostra na medida em que ao serem retirados os meios de produ\u00e7\u00e3o das m\u00e3os dos capitalistas \u00e9 proporcionado \u00e0 humanidade condi\u00e7\u00f5es de vida, em suas v\u00e1rias dimens\u00f5es, jamais sonhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, depois da enfermidade de Fidel e com a ren\u00fancia &#8211; mesmo sem ocupar papel central nas decis\u00f5es do Estado cubano, subsistindo apenas o mito &#8211; retornou a gan\u00e2ncia do imperialismo americano e dos contra-revolucion\u00e1rios mafiosos sediados em Miami contra as conquistas do povo cubano.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Defender Cuba de todo e qualquer ataque do imperialismo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Derrotado, durante o processo revolucion\u00e1rio, pela mobiliza\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de trabalhadores e depois pela her\u00f3ica resist\u00eancia militar na tentativa de invas\u00e3o da Baia dos Porcos, o sanguin\u00e1rio imperialismo americano, com a cumplicidade de todos os governos capitalistas, imp\u00f4s ao povo de Cuba um bloqueio econ\u00f4mico que dura mais de 40 anos. Coerente com a sua \u00e2nsia de destrui\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o dos povos do mundo, o imperialismo apelou para bloqueio econ\u00f4mico na tentativa de matar o povo cubano de fome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imperialismo se caracterizado atrav\u00e9s da domina\u00e7\u00e3o do mundo exercida por monop\u00f3lios (dom\u00ednio de um determinado ramo da economia capitalista por um \u00fanico grupo) e oligop\u00f3lios (dom\u00ednio de poucos, mas fortes, grupos capitalistas). Como a produ\u00e7\u00e3o capitalista envolve v\u00e1rias etapas que v\u00e3o desde a mat\u00e9ria prima at\u00e9 a circula\u00e7\u00e3o, control\u00e1-las torna-se fundamental para esse dom\u00ednio. A combina\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e controle do mercado (nacional e mundial) demarca a for\u00e7a desses grupos imperialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sistema o controle pol\u00edtico, direto ou indireto, sobre os Estados Nacionais \u00e9 o\u00a0<b>eixo pol\u00edtico<\/b>\u00a0central sobre o qual gira a pol\u00edtica do imperialismo, uma vez que as col\u00f4nias (em seu sentido moderno) v\u00e3o servir tanto para o fornecimento de mat\u00e9ria prima (as j\u00e1 existentes e as descobertas futuras) como para a expans\u00e3o de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira combinada com o eixo pol\u00edtico est\u00e1 a brutal explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. O imperialismo busca impor sobre os povos do mundo o aumento m\u00e1ximo de seu lucro a partir do aumento da extra\u00e7\u00e3o da mais-valia. Essa \u00e9 a base para a redu\u00e7\u00e3o de custo de seus produtos, o que vai lhe facilitar a disputa do mercado. Isso significa maior explora\u00e7\u00e3o do trabalhador, menor custo da mercadoria e consequentemente mais condi\u00e7\u00f5es de competir no mercado mundial. A explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho mundial constitui-se, portanto como o\u00a0<b>eixo econ\u00f4mico<\/b>\u00a0da domina\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o controle pol\u00edtico dos diversos Estados Nacionais \u00e9 fundamental para o imperialismo. Esse controle \u00e9 exercido atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de leis (que reduzem impostos para determinadas opera\u00e7\u00f5es financeiras ou para determinados produtos, Reformas trabalhistas, da previd\u00eancia, etc.) que facilitam a movimenta\u00e7\u00e3o de capitais e mercadorias no mercado interno. \u00c9 por isso que quando os trabalhadores de um pa\u00eds resolvem n\u00e3o deixar mais isso acontecer os capitalistas ficam furiosos, pois uma de suas fontes de lucro secou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A independ\u00eancia de um pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao imperialismo constitui-se como um elemento positivo para o proletariado porque em termos pr\u00e1ticos significa um enfraquecimento do imperialismo, \u00e9 um golpe em suas pretens\u00f5es. Entendemos por independ\u00eancia o conceito cunhado por L\u00eanin: analisando as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-econ\u00f4micas dos movimentos nacionais, ent\u00e3o chegaremos inevitavelmente \u00e1 conclus\u00e3o: por autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es entende-se a sua separa\u00e7\u00e3o estatal das colectividades nacionais estrangeiras, entende-se a forma\u00e7\u00e3o de um Estado Nacional independente. (L\u00eanin, OE, v.1, p. 512).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ante o ataque imperialista &#8211; econ\u00f4mico, pol\u00edtico ou militar &#8211; contra qualquer pa\u00eds que ousou declarar a sua independ\u00eancia \u00e9 dever de todo revolucion\u00e1rio se colocar contra o imperialismo e do lado do povo e dos trabalhadores desses pa\u00edses. No caso concreto de Cuba, de imediato lutamos contra toda e qualquer interfer\u00eancia imperialista. S\u00e3o os trabalhadores cubanos que devem decidir o seu destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como marxistas na luta contra o imperialismo n\u00e3o escolhemos se queremos ser explorados pelos capitalistas nacionais ou imperialista. Somos contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista, seja a realizada por Antonio Erm\u00edrio ou pela Coca-Cola. Por isso a luta contra o imperialismo e pelo direito a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos n\u00e3o significa apoio incondicional \u00e0s suas dire\u00e7\u00f5es, quando essas se tornam obst\u00e1culo para uma verdadeira independ\u00eancia. Em uma luta por autodetermina\u00e7\u00e3o ou por independ\u00eancia nacional atuaremos para que se desenvolva uma luta anticapitalista e socialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Historicamente as lutas por independ\u00eancia ou autodetermina\u00e7\u00e3o t\u00eam sido realizadas por setores da burguesia que reclamam a democracia burguesa. No caso cubano os limites foram de um regime pol\u00edtico burocr\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A defesa da Revolu\u00e7\u00e3o de Cuba e do povo cubano n\u00e3o nos leva a apoiar o regime que hoje tem \u00e0 frente Raul Castro. S\u00e3o v\u00e1rias as raz\u00f5es. Uma delas est\u00e1 no fato de o PC cubano e sua dire\u00e7\u00e3o trataram de excluir os trabalhadores das decis\u00f5es de seu destino. Outra raz\u00e3o est\u00e1 no fato de Raul Castro, contraditoriamente, representar uma amea\u00e7a \u00e0 defesa da soberania e independ\u00eancia de Cuba. Tanto o chamado a Lula (que tem apresentado completa submiss\u00e3o ao imperialismo americano) para que fa\u00e7a a media\u00e7\u00e3o entre Cuba e EUA, quanto o distanciamento de Hugo Ch\u00e1vez (que embora tenha mais ret\u00f3rica do que pr\u00e1tica, possui um forte discurso antiamericano) demonstram claramente a disposi\u00e7\u00e3o do PC em manter rela\u00e7\u00f5es cordiais e amistosas com os americanos. \u00c9 obvio que cordialidade e amistosidade para o imperialismo americano significam abrir as fronteiras para os seus interesses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer pol\u00edtica de aproxima\u00e7\u00e3o com os EUA \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 soberania dos trabalhadores cubanos e coloca em risco o car\u00e1ter independente do estado cubano em rela\u00e7\u00e3o imperialismo.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Fidel renuncia o mandato, mas j\u00e1 havia renunciado a revolu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Profundamente marcado como dire\u00e7\u00e3o dos povos americanos e amparado no processo revolucion\u00e1rio mais importante da Am\u00e9rica latina, Fidel Castro sempre oscilou entre o discurso antiamericano e os acordos com setores imperialistas que n\u00e3o aderiram ao bloqueio econ\u00f4mico americano. O discurso antiamericano e a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com as burguesias nacionais dos diversos pa\u00edses do continente passaram a vigorar ap\u00f3s a morte de Che Guevara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aplica\u00e7\u00e3o dessa orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pela Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, na Nicar\u00e1gua, e pela Frente Farabundo Mart\u00ed de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, em El Salvador, levaram \u00e0 derrota. Ao fazerem acordos com as burguesias desses pa\u00edses tanto a FSLN quanto a FMLN abriram m\u00e3o da expropria\u00e7\u00e3o da propriedade privada, o que permitiu a reorganiza\u00e7\u00e3o da burguesa e a contra revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor defesa de uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 exatamente a sua expans\u00e3o. Uma das primeiras medidas dos revolucion\u00e1rios russos foi a reorganiza\u00e7\u00e3o de uma internacional revolucion\u00e1ria que pudesse servir de aporte para as revolu\u00e7\u00f5es, principalmente na Europa. L\u00eanin n\u00e3o cansou de dizer que a sorte da Revolu\u00e7\u00e3o Russa estava nas m\u00e3os do proletariado mundial. Essa tamb\u00e9m era a id\u00e9ia de Che Guevara na frase fa\u00e7amos um, dois, mil Vietn\u00e3. E esse n\u00e3o foi o caminho que Fidel percorreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sorte da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e1 justamente naqueles que est\u00e3o distantes dos centros de decis\u00e3o da pol\u00edtica: os trabalhadores. Sem a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores como sujeitos o destino da revolu\u00e7\u00e3o fica nas m\u00e3os daqueles que representam a amea\u00e7a, pois procuram em primeiro lugar atender os interesses da burocracia estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma necessidade urgente do desenvolvimento de formas independentes e democr\u00e1ticas de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores para enfrentar tanto a burocracia cubana quanto o imperialismo e defender as conquistas da revolu\u00e7\u00e3o avan\u00e7ando em um tipo de Estado em que os trabalhadores organizados decidam todos os rumos da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falamos de democracia e liberdade n\u00e3o falamos como valor da democracia burguesa que defende o direito de explorar e oprimir trabalhadores. Falamos de\u00a0<b>democracia oper\u00e1ria em que a burguesia n\u00e3o ter\u00e1 liberdade e nem democracia. Em que n\u00e3o haver\u00e1 liberdade e nem democracia para a propriedade privada. Em que n\u00e3o haver\u00e1 liberdade e nem democracia para a diplomacia secreta de Estado. Em que as decis\u00f5es passem por organismos controlados pelos trabalhadores e n\u00e3o por parlamentos democr\u00e1ticos formados por quem tem maior poder econ\u00f4mico.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para enfrentar a interven\u00e7\u00e3o americana \u00e9 fundamental a mobiliza\u00e7\u00e3o internacional em defesa dos trabalhadores de Cuba e das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o. Por esta e por outras raz\u00f5es o Encontro Latino Americano que ser\u00e1 realizado logo ap\u00f3s o congresso da CONLUTAS adquire ainda maior import\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora Imperialismo! Recha\u00e7o a interven\u00e7\u00e3o de qualquer via imperialista sobre Cuba!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora ex\u00e9rcito imperialista da base de Guantanamo, pela imediata restitui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ao povo cubano!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora burguesia cubana alojada em Miami! Nenhuma restitui\u00e7\u00e3o aos gusanos cubanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Socializa\u00e7\u00e3o de todos os meios de produ\u00e7\u00e3o expropriados pela revolu\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liberdade aos 5 cubanos presos em Miami!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Mulher trabalhadora, ou seja, guerreira<\/h1>\n<div id=\"node-87\">\n<div>\n<p align=\"right\">Tuca Fontes<\/p>\n<p align=\"right\">Iraci Lacerda<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grau de explora\u00e7\u00e3o de um pequeno grupo social sobre a grande massa da popula\u00e7\u00e3o mundial, composta por trabalhadores, assumiu propor\u00e7\u00f5es incr\u00edveis ao longo do s\u00e9culo XX. Isso mostra-nos que Marx j\u00e1 estava correto no s\u00e9culo XIX ao afirmar em sua an\u00e1lise hist\u00f3rica do capitalismo que livre concorr\u00eancia gera concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o que, por sua vez, ao atingir certo n\u00edvel de desenvolvimento, leva ao monop\u00f3lio. Esta situa\u00e7\u00e3o gera aumento do lucro de poucas grandes empresas sob aniquila\u00e7\u00e3o de muitas pequenas empresas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que a hist\u00f3ria dos homens \u00e9 constru\u00edda atrav\u00e9s das a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas dos indiv\u00edduos num quadro econ\u00f4mico e social que, final do s\u00e9culo XX e come\u00e7o do XXI, era de extrema desigualdade social e opress\u00e3o efetiva da minoria sobre a maioria. Para as mulheres tal opress\u00e3o se concretiza de modo especialmente cruel, j\u00e1 que recai sobre elas um incont\u00e1vel n\u00famero de atribui\u00e7\u00f5es e fun\u00e7\u00f5es sociais cuja face, muitas vezes, \u00e9 assustadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal como na Inglaterra do per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, atualmente, em v\u00e1rias partes do globo, mulheres s\u00e3o mortas e\/ou violentadas aos milhares para que o capitalismo continue sendo cada vez mais o que \u00e9, ou seja, um sistema no qual a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias atinge um desenvolvimento t\u00e3o elevado que a pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho, as pessoas, portanto, se tornam mercadorias, conforme analisa L\u00eanin em\u00a0<i>O Imperialismo, fase superior do capitalismo<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma heran\u00e7a hist\u00f3rica que se perpetua no que se refere \u00e0 explora\u00e7\u00e3o por g\u00eanero. Em todas as regi\u00f5es do planeta h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que chamam a aten\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o das mulheres perante o caos social engendrado pelo capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fronteira do M\u00e9xico com os Estados Unidos a explora\u00e7\u00e3o sobre as mulheres \u00e9 atualmente um nervo exposto. Os acordos de livre com\u00e9rcio abriram irrestritamente as portas do M\u00e9xico \u00e0s multinacionais estadunidenses, que em sua insaci\u00e1vel busca pelo lucro, as empregam em suas linhas de produ\u00e7\u00e3o pagando uma mis\u00e9ria de sal\u00e1rio. Para essas mulheres predominantemente jovens, oriundas de fam\u00edlias cuja terra foi extorquida pelo governo, o trabalho semi-escravo nas f\u00e1bricas \u00e9 a \u00fanica chance de n\u00e3o morrerem de fome. Nessas cidades fronteiri\u00e7as, como Juarez, h\u00e1 milhares de casos de estupros e assassinatos de mulheres oper\u00e1rias, fato que ambos os governos insistem em tentar manter escondido, tudo para n\u00e3o comprometer o bom desempenho financeiro dessas corpora\u00e7\u00f5es sujas e parasit\u00e1rias. Nessa regi\u00e3o a aliena\u00e7\u00e3o do trabalho atingiu n\u00edveis t\u00e3o pitorescos que \u00e9 imposs\u00edvel para aquelas pessoas enxergarem sa\u00edda. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres trabalhadoras e os casos de assassinatos de mulheres s\u00e3o investigados pelas pr\u00f3prias m\u00e3es das v\u00edtimas, pois se n\u00e3o for assim os desaparecimentos nem s\u00e3o registrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O chamado tr\u00e1fico de pessoas \u00e9 outro exemplo. Mulheres e crian\u00e7as, predominantemente, s\u00e3o comercializadas para explora\u00e7\u00e3o sexual em todas as regi\u00f5es do planeta. S\u00e3o milhares de brasileiras prostituindo-se em pa\u00edses estrangeiros, sendo que h\u00e1 um n\u00famero irris\u00f3rio de condena\u00e7\u00f5es de traficantes de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja em canaviais brasileiros, em f\u00e1bricas mexicanas, em periferias nicarag\u00fcenses, porto-riquenhas, asi\u00e1ticas, africanas, no leste europeu ou nos bord\u00e9is da Europa e Estados Unidos, as mulheres s\u00e3o sempre a linha de frente dessa face mais cruel e desumanizadora do sistema capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, nos deparamos claramente com a impossibilidade deste sistema resolver os seus graves problemas atrav\u00e9s de suas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Lei Maria da Penha que deveria reduzir a viol\u00eancia contra a mulher a aumentou. Segundo mat\u00e9ria publicada no\u00a0<i>Estado de S\u00e3o Paulo<\/i>, de 28\/05\/07, o n\u00famero de den\u00fancias por les\u00e3o corporal caiu em 18,8%. Este fato, atribu\u00eddo \u00e0 impossibilidade da mulher retirar a den\u00fancia e ao risco de ter de pagar a fian\u00e7a do pr\u00f3prio bolso, demonstra que continua recaindo sobre a mulher o \u00f4nus de ter sido agredida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Estado burgu\u00eas, que n\u00e3o consegue esconder institui\u00e7\u00f5es machistas e autorit\u00e1rias, apresenta-nos a todo o momento casos como o do juiz de Minas Gerais\/Sete Lagoas, contr\u00e1rio a Lei Maria da Penha por tornar o homem um tolo (<b>Folha de S\u00e3o Paulo<\/b>, 21\/10\/07); como o da menina estuprada sistematicamente numa pris\u00e3o do Par\u00e1\/Abaetetuba; ou at\u00e9 mesmo o caso da campanha da fraternidade da CNBB\/2008 que prega a vida negando a morte de milhares de mulheres por aborto clandestino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes casos de viol\u00eancia contra a mulher evidenciam a mulher da classe trabalhadora. O caso da menina de Abaetetuba \u00e9 um exemplo disso. A delegada, a ju\u00edza e a governadora do PT Ana J\u00falia, autoridades envolvidas no caso e respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio no estado, demarcam claramente uma fronteira existente entre n\u00f3s trabalhadoras e as mulheres dispostas a manter o sistema opressor de explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, contudo, na hist\u00f3ria, processos de resist\u00eancia contra tal opress\u00e3o que contaram com personagens femininas louv\u00e1veis, sem as quais a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e da classe operaria em geral, seria muito mais grave. A hist\u00f3rica luta no campo pelo direito de trabalhar na terra tem sido um f\u00e9rtil terreno para o surgimento de lideran\u00e7as femininas cuja import\u00e2ncia extrapola tal inst\u00e2ncia, refletindo a pr\u00f3pria luta de classes da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido \u00e9 que Margarida Maria Alves, uma paraibana de Alagoa Grande, que nasceu no dia 5 de agosto de 1943, representa a for\u00e7a e o gigantismo das mulheres contra esse sistema que oprime a classe trabalhadora de modo fenomenal. Ela foi a primeira mulher eleita presidente de sindicato rural no estado da Para\u00edba, fun\u00e7\u00e3o que ocupou por 12 anos, nos quais travou uma guerra contra o poder do latif\u00fandio nordestino, sempre a favor da implanta\u00e7\u00e3o de um modelo de desenvolvimento rural e urbano que privilegiasse a agricultura familiar. Em seus anos de luta \u00e0 frente do sindicato foram movidas cerca de 600 a\u00e7\u00f5es trabalhistas contra usineiros e coron\u00e9is de engenho, sendo todas vitoriosas para o trabalhador rural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Margarida Maria Alves, como tantas outras lideran\u00e7as femininas, lutou arduamente pelos direitos dos trabalhadores rurais, pelo d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, registro em carteira, por redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 8 horas, por f\u00e9rias obrigat\u00f3rias remuneradas, enfim, pelos direitos b\u00e1sicos humanos de alimenta\u00e7\u00e3o e moradia. Diante das constantes amea\u00e7as e intimida\u00e7\u00f5es que sofria, fazia quest\u00e3o de torn\u00e1-las p\u00fablicas, respondendo-as com firmeza e coragem. Essa guerreira da luta campesina brasileira foi assassinada na frente de sua casa, com tiros no rosto, no dia 12 de agosto de 1983, aos 40 anos, por pistoleiros a mando do latifundi\u00e1rio Jos\u00e9 Buarque Gusm\u00e3o Neto, absolvido pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 a luta da mulher trabalhadora \u00e9 capaz de mudar a situa\u00e7\u00e3o da mulher. S\u00f3 a luta unit\u00e1ria de homens e mulheres da classe trabalhadora \u00e9 capaz de construir uma sociedade justa e humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LENIN, V.\u00a0<i>O imperialismo, fase superior do capitalismo<\/i>. S\u00e3o Paulo: Global editora, cole\u00e7\u00e3o bases, 1979.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Quando a torcida deve ir \u00e0 luta<\/h1>\n<div id=\"node-88\">\n<p align=\"right\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 13 de outubro de 2007 comemoraram-se os 30 anos da hist\u00f3rica conquista do Campeonato Paulista de 1977 pelo Corinthians, numa final contra a Ponte Preta. Era o primeiro t\u00edtulo oficial depois de uma longa fila de 23 anos, desde o lend\u00e1rio Campeonato do IV Centen\u00e1rio de S\u00e3o Paulo, de 1954.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses 30 anos entre 77 e 2007, o Corinthians conquistou 10 Campeonatos Paulistas (que somaram-se aos 15 anteriores para fazer do clube o maior vencedor da competi\u00e7\u00e3o), 2 Copas do Brasil, 4 Brasileiros e 1 Mundial. Ou seja, os \u00faltimos 30 anos, ou mais especificamente os \u00faltimos 15, foram o per\u00edodo mais vitorioso da hist\u00f3ria do clube, quando se acumularam mais e mais importantes t\u00edtulos do que em toda a vida precedente da agremia\u00e7\u00e3o. Se j\u00e1 era um dos clubes mais tradicionais e dono da 2\u00aa maior torcida do pa\u00eds, o Corinthians tornou-se tamb\u00e9m um dos mais vitoriosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, os torcedores que estiveram no Pacaembu na tarde de 13 de outubro de 2007 para a comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos e para o jogo contra o Internacional\/RS pelo Brasileiro do ano passado n\u00e3o estavam vislumbrando a possibilidade de novas conquistas e sim, ao contr\u00e1rio, angustiados com a amea\u00e7a de rebaixamento do time para a 2\u00aa divis\u00e3o nacional. O rebaixamento acabou se concretizando, ao fim do certame, em dezembro, n\u00e3o sem antes expor a na\u00e7\u00e3o corintiana ao vexame de ver o presidente do clube afastado em meio a um esc\u00e2ndalo policial. As investiga\u00e7\u00f5es da justi\u00e7a sobre a origem do dinheiro que a ent\u00e3o parceira MSI investia esbarraram em lavagem de divisas do crime organizado internacional, especificamente da m\u00e1fia russa, de quem a MSI seria fachada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na esteira dos esc\u00e2ndalos e do afastamento da dire\u00e7\u00e3o, organizaram-se \u00e0s pressas elei\u00e7\u00f5es para uma nova diretoria, ao final das quais os remanescentes do mesmo grupo dirigente permaneceram no comando, tornando-se deposit\u00e1rios duvidosos da complicada tarefa de recolocar o clube no caminho das conquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lembran\u00e7a do t\u00edtulo de 1977 \u00e9 fundamental porque nos leva a um passado n\u00e3o t\u00e3o distante, em que era poss\u00edvel um time ficar 23 anos sem ganhar um campeonato importante, e mesmo assim ver sua torcida crescer ao inv\u00e9s de diminuir. Esse fen\u00f4meno paradoxal merece uma explica\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A torcida do Corinthians \u00e9 a 2\u00aa maior do pa\u00eds, mas est\u00e1 fortemente concentrada no Estado de S\u00e3o Paulo e em especial na regi\u00e3o metropolitana da capital. O crescimento da torcida esteve indissoluvelmente ligado ao pr\u00f3prio crescimento da metr\u00f3pole paulistana nas d\u00e9cadas de 1950, 60 e 70, per\u00edodo de forte urbaniza\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o, e que coincide com boa parte da fila corintiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquelas d\u00e9cadas, trabalhadores de todas as partes do pa\u00eds e em especial do Nordeste emigravam em massa para S\u00e3o Paulo. Ao estabelecer-se, incorporavam juntamente com outros caracteres da sociabiliza\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria o h\u00e1bito de torcer para o Corinthians, time fundado por oper\u00e1rios em 1910. Nada mais natural para essa popula\u00e7\u00e3o sem terra, sem teto, favelada, lutadora, do que torcer para um time sem teto, j\u00e1 que o Corinthians n\u00e3o tem est\u00e1dio. Torcer para um time que n\u00e3o \u00e9 campe\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o peculiar de uma certa atitude geral perante a vida, um esp\u00edrito de luta, de irmandade na dificuldade, de alegria na tristeza. O corintiano se define como maloqueiro e sofredor gra\u00e7as a Deus. Os advers\u00e1rios, naturalmente, n\u00e3o compreendem esse elogio da condi\u00e7\u00e3o de sofredor, e zombam dela como se se tratasse de uma apologia da derrota. Falta-lhes o nexo que nos corintianos liga a atitude perante o futebol \u00e0 atitude perante os companheiros de torcida, de bairro, de viv\u00eancia, e porque n\u00e3o, de classe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-se que o Corinthians n\u00e3o \u00e9 um time que tem uma torcida, mas uma torcida que tem um time. Diz-se que essa torcida vai a campo mais para festejar a si mesma do que ao jogo. Diz-se que a torcida corintiana \u00e9 o 12\u00ba jogador e que praticamente entra em campo para empurrar o time. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que ficou conhecida como fiel torcida (fidelidade atestada por feitos surreais como a inacredit\u00e1vel invas\u00e3o do Maracan\u00e3 em 1976). Todos esses ditos s\u00e3o verdadeiros, embora sua origem esteja ligada a um passado mais rom\u00e2ntico do futebol. Hoje praticamente todas as torcidas s\u00e3o iguais, todas tem suas fac\u00e7\u00f5es organizadas, seus gritos de guerra para empurrar o time, suas escolas de samba, etc., embora ainda caiba \u00e0 fiel o inquestion\u00e1vel m\u00e9rito da originalidade e da autenticidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A originalidade corintiana e sua identidade prolet\u00e1ria manifestaram-se n\u00e3o s\u00f3 no fen\u00f4meno extraordin\u00e1rio e paradoxal do crescimento num per\u00edodo de jejum de t\u00edtulos, mas tamb\u00e9m no excepcional movimento da democracia corintiana, no in\u00edcio dos anos 1980. Naquela quadra hist\u00f3rica, em que se vivia o fim da ditadura, o proletariado brasileiro protagonizou um dos maiores ascensos de sua hist\u00f3ria, desencadeando um forte ciclo de lutas sociais e construindo fortes organismos de massas, como o PT e a CUT.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 \u00e9 claro uma rela\u00e7\u00e3o direta e autom\u00e1tica entre identidade de classe, mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e op\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica (ou seja, nem sempre prolet\u00e1rio e corintiano \u00e9 sin\u00f4nimo de grevista). Entretanto, alguma rela\u00e7\u00e3o existe, pois somente isso pode explicar a coincid\u00eancia temporal entre as lutas oper\u00e1rias e a democracia corintiana. Nessa experi\u00eancia sui generis promovida por uma gera\u00e7\u00e3o de jogadores talentosos, vitoriosos e engajados, implantaram-se pr\u00e1ticas coletivas auto-gestion\u00e1rias e libert\u00e1rias jamais vistas no futebol, como a decis\u00e3o sobre contrata\u00e7\u00f5es, regime de treinamentos, aboli\u00e7\u00e3o das concentra\u00e7\u00f5es, valoriza\u00e7\u00e3o da responsabilidade e da autonomia dos jogadores; pr\u00e1ticas que apontavam um modelo para o conjunto da sociedade, que ent\u00e3o clamava por democracia. Trata-se do mais importante movimento pol\u00edtico da hist\u00f3ria do futebol brasileiro e um dos mais importantes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia o fato de que os dirigentes do ciclo de lutas da d\u00e9cada de 80 (ou seja, o PT) estejam hoje servindo como prepostos do capital financeiro internacional e conduzindo a espolia\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na nova divis\u00e3o do trabalho internacional da fase globalizada do imperialismo; assim como os dirigentes do Corinthians fizeram do clube um balc\u00e3o de neg\u00f3cios do futebol globalizado e suas m\u00e1fias de empres\u00e1rios e investidores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que o rebaixamento n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo para um clube da grandeza do Corinthians, que certamente voltar\u00e1 a vencer. Mas o epis\u00f3dio serve como um exemplo eloq\u00fcente da fal\u00eancia de um certo modelo de gest\u00e3o do futebol. O personalismo, a perpetua\u00e7\u00e3o de dirigentes, a falta de transpar\u00eancia, a caixa preta das finan\u00e7as, os contratos nebulosos envolvendo empres\u00e1rios de jogadores, intermedi\u00e1rios, publicit\u00e1rios e todos os tipos de parasitas; tudo isso precisa ser superado para que o Corinthians tenha n\u00e3o apenas uma mera troca de nomes dos dirigentes, mas uma mudan\u00e7a estrutural na sua administra\u00e7\u00e3o. Por isso propomos:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Afastamento imediato de todos os dirigentes comprometidos com os atos criminosos da gest\u00e3o anterior;<\/li>\n<li>Auditoria externa independente em todas as contas, contratos e departamentos do clube e responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal e patrimonial dos culpados pelas irregularidades encontradas;<\/li>\n<li>Elei\u00e7\u00f5es diretas para a direitoria, com o direito de votar e ser votado estendido a todos os s\u00f3cios;<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso do Corinthians n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o; na verdade o modelo falido de administra\u00e7\u00e3o do alvinegro \u00e9 a regra entre os grandes clubes do Brasil. Por isso, esses pontos de programa s\u00e3o aplic\u00e1veis a todos os clubes, federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es do futebol e do esporte brasileiro em geral. Em fun\u00e7\u00e3o de seu enorme potencial de atrair a aten\u00e7\u00e3o das massas, o esporte e especialmente o futebol brasileiro tem sido mantidos sob controle de indiv\u00edduos e grupos olig\u00e1rquicos, autorit\u00e1rios, corruptos, mafiosos, que enriquecem \u00e0s custas da paix\u00e3o popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A administra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e irrespons\u00e1vel desses dirigentes colabora para o enfraquecimento do futebol brasileiro, o \u00eaxodo dos atletas, o esvaziamento dos campeonatos, a descaracteriza\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o nacional, a queda do n\u00edvel t\u00e9cnico, a diminui\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, o sucateamento dos est\u00e1dios (da qual o maior exemplo foi a morte de 7 torcedores no est\u00e1dio da Fonte Nova, em Salvador, em 25\/11\/07, no que deveria ter sido a festa pelo acesso do Bahia \u00e0 2\u00aa divis\u00e3o), etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de enfrentar-se com esse modelo, o governo Lula optou por dar-lhe sobrevida (como de resto fez com todos os demais aspectos do atraso brasileiro). Acaba de ser aprovada a Timemania, loteria que vai injetar uma fortuna prevista em R$ 114 milh\u00f5es (segundo O Globo online, mat\u00e9ria de 19\/02\/08) nos clubes brasileiros. Esse rio de dinheiro vai ser entregue aos clubes como forma de facilitar a quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas fiscais e previdenci\u00e1rias, sem que se exija deles nenhuma contrapartida real em termos de afastamento e responsabiliza\u00e7\u00e3o criminal e patrimonial dos culpados pelo descalabro em que se encontram, de transpar\u00eancia administrativa e financeira, reorganiza\u00e7\u00e3o e democratiza\u00e7\u00e3o interna, renova\u00e7\u00e3o completa dos atuais quadros dirigentes, etc. Trata-se de mais uma concilia\u00e7\u00e3o do governo Lula com um dos setores mais incompetentes, predat\u00f3rios, corruptos, autorit\u00e1rios e reacion\u00e1rios do pa\u00eds, em troca do apoio venal da bancada da bola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma administra\u00e7\u00e3o desse quilate \u00e9 inconceb\u00edvel que o Brasil tenha sido escolhido para sediar o evento m\u00e1ximo do futebol, a Copa do Mundo de 2014. Est\u00e1 armado o cen\u00e1rio para mais manipula\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o popular, mais ufanismo oportunista dos pol\u00edticos e parasitas, mais chauvinismo e tamb\u00e9m mais tram\u00f3ias, corrup\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o (como a que os moradores de favelas do Rio experimentaram na \u00e9poca do Pan) e trag\u00e9dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem as necess\u00e1rias mudan\u00e7as estruturais no futebol e na sociedade, a Copa de 2014 tem tudo para ser a apoteose do p\u00e3o e circo para as massas. A menos que as torcidas deixem de ser espectadoras passivas do espet\u00e1culo pol\u00edtico e entrem de vez no campo da luta social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora do futebol os falsos dirigentes, os aproveitadores, os sanguessugas, os empres\u00e1rios, os corruptos, os ladr\u00f5es, os mafiosos, os criminosos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salve(m) o Corinthians!<\/p>\n<p>\u00a0<a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Venezuela e Bol\u00edvia: ir al\u00e9m de Chavez<\/h1>\n<div id=\"node-89\">\n<p align=\"right\">Marcelo Marques<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a din\u00e2mica de enfrentamento da luta de classes fosse capaz de definir o mapa da Am\u00e9rica Latina, ele teria formas muito diferentes da que conhecemos hoje e pa\u00edses como Venezuela, Bol\u00edvia e Col\u00f4mbia ocupariam maior parte de nosso continente latino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a pol\u00edtica representada por Ch\u00e1vez e Evo Morales tem sido capaz de evidenciar a pluralidade de posi\u00e7\u00f5es e o grau de diverg\u00eancias das diversas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao participar desse importante debate evitamos simplifica\u00e7\u00f5es que rotulam de Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana realidades t\u00e3o diversas como as experi\u00eancias venezuelana e boliviana e que buscam viabilizar a exporta\u00e7\u00e3o do modelo de Socialismo do S\u00e9culo XXI para os demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Tais simplifica\u00e7\u00f5es aumentam a confus\u00e3o ideol\u00f3gica da classe trabalhadora latino-americana, permitindo que organiza\u00e7\u00f5es que defendem pol\u00edticas meramente antineoliberais e coliga\u00e7\u00f5es eleitorais com setores da burguesia nacional possam se esconder sob o manto de esquerda revolucion\u00e1ria simplesmente por apoiar incondicionalmente o discurso antiimperialista de Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Venezuela, com o chavismo nem casamento&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confus\u00e3o ideol\u00f3gica alimentada por Ch\u00e1vez tem como base as reformas sociais financiadas pelo alto valor internacional do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, que permite beneficiar setores populares historicamente empobrecidos e que recebem uma rede de prote\u00e7\u00e3o social. Essas camadas alcan\u00e7aram acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a alimentar que antes n\u00e3o havia para a popula\u00e7\u00e3o pobre. Soma-se a esse real investimento social uma dura ret\u00f3rica antiimperialista e de confronto com os EUA. Dura ret\u00f3rica, mas apenas ret\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado Bolivariano da Venezuela segue firme no cumprimento dos contratos, no pagamento da d\u00edvida externa, na defesa da propriedade privada e das institui\u00e7\u00f5es sob regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. Al\u00e9m disso tenta tolher a iniciativa e a independ\u00eancia do movimento oper\u00e1rio ao pressionar que as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores adentrem ao rec\u00e9m criado partido do governo, o PSUV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os chavistas mais afoitos se apressam em apoiar todos esses atos, argumentam sobre os limites conjunturais por ser a Venezuela um pa\u00eds pobre, pressionado pelos EUA e enfatizam o n\u00e3o real e efetivo apoio das potencias regionais (Brasil e Argentina). Afirmam ser Ch\u00e1vez um reformador (aprovou a jornada de trabalho de 6 horas di\u00e1rias para 2010), um impulsionador de pol\u00edticas antiimperialista e, dentre outras medidas, estar armando o povo (mil\u00edcias bolivarianas). Reconhecem essa lideran\u00e7a como a principal promotora da independ\u00eancia latino-americana, portanto, devemos defend\u00ea-lo intransigentemente pois criticar \u00e9 fazer coro com a burguesia imperialista e contra revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Participando dessa opini\u00e3o renegar\u00edamos o marxismo, as intensas experi\u00eancias hist\u00f3ricas que custaram a vida de gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios e aceitar\u00edamos o papel de coveiros da classe oper\u00e1ria e seus aliados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos esquecer que somente os trabalhadores s\u00e3o capazes de sua pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o, portanto qualquer avan\u00e7o social ou reformador est\u00e1 fundamentado no f\u00f4lego das lutas populares. O papel dos revolucion\u00e1rios deve ser o de incans\u00e1vel impulsionador das lutas. Para isso \u00e9 imprescind\u00edvel que atuem no sentido de remover qualquer obst\u00e1culo ao avan\u00e7o de consci\u00eancia e de a\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, medidas que v\u00e3o contra a independ\u00eancia de classe devem ser repudiadas. N\u00e3o se pode fazer parte de um partido que governa um Estado burgu\u00eas. Uma mil\u00edcia que reconhece apenas a lideran\u00e7a de Ch\u00e1vez e n\u00e3o se submete a nenhuma inst\u00e2ncia do movimento oper\u00e1rio deve ser encarada com desconfian\u00e7a. Apoiar esperan\u00e7as de que tal ou qual l\u00edder, por mais ret\u00f3rico que tenha, ser\u00e1 capaz de resolver os problemas hist\u00f3ricos da classe trabalhadora ou ao menos garantir sozinho os direitos conquistados \u00e9 colaborar com a ilus\u00e3o e n\u00e3o com a consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m \u00e9 extremamente perigoso propagandear que um estado organizado em s\u00f3lidas institui\u00e7\u00f5es parlamentares, policiais, judici\u00e1rias ficar\u00e1 de bra\u00e7os cruzados quando testemunhar a evolu\u00e7\u00e3o crescente da consci\u00eancia prolet\u00e1ria com a\u00e7\u00f5es que deixar\u00e3o para tr\u00e1s s\u00e9culos de opress\u00e3o aos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sangrento per\u00edodo chileno foi suficiente para deixar profundas marcas na hist\u00f3ria de nosso continente e demonstrar que infelizmente n\u00e3o h\u00e1 atalhos em pol\u00edtica, nem espa\u00e7os vazios de poder. Quanto maior for o processo de organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora maior ser\u00e1 a viol\u00eancia empregada pela burguesia para retomar seu chicote e exercer seu poder de classe dominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por essa perspectiva acreditamos que de todos os frutos envenenados que o apoio incondicional a Ch\u00e1vez possam render, talvez o mais pernicioso seja a vincula\u00e7\u00e3o direta das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores ao Estado. Tal medida, na pr\u00e1tica, retira dos trabalhadores a capacidade e iniciativa de liberar suas for\u00e7as criativas que gerariam novos instrumentos e formas de poder al\u00e9m de manter intacto o Estado burgu\u00eas e todas as institui\u00e7\u00f5es que, ao primeiro sinal de cansa\u00e7o da classe trabalhadora, ir\u00e1 se aproveitar para retomar qualquer palmo de liberdade e autonomia duramente conquistadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;nem div\u00f3rcio, no momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de todos os questionamentos apontados acima n\u00e3o devemos esquecer que Ch\u00e1vez expressa um movimento de reforma e tem refletido a mobiliza\u00e7\u00e3o popular que possibilitou importantes avan\u00e7os sociais. Atr\u00e1s do chavismo ainda caminham setores importantes da classe trabalhadora que lhe d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o. Portanto, os revolucion\u00e1rios devem impulsionar as lutas, apontar os perigos de aceitar as estreitas margens da legalidade burguesa e reivindicar melhorias econ\u00f4micas combinando tudo isso com propostas pol\u00edticas que garantam a independ\u00eancia de suas organiza\u00e7\u00f5es e demonstrem na pr\u00e1tica de onde vem o poder, se das massas trabalhadoras ou das lideran\u00e7as militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa maneira acreditamos que foi um acerto dos setores de esquerda a absten\u00e7\u00e3o no referendo de dezembro de 2007, pois deu relev\u00e2ncia pol\u00edtica ao fato de que \u00e9 o Chavismo que depende dos trabalhadores e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Demonstrou-se tamb\u00e9m que existe amplo setor de trabalhadores capaz de manifestar apoio \u00e0s reformas chavistas, que melhoram as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o venezuelanas. N\u00e3o podemos confundir os resultados com a ret\u00f3rica \u00e0 moda BUSH (de quem n\u00e3o est\u00e1 a favor est\u00e1 contra) t\u00e3o pouco cair na propaganda do imperialismo e de parcelas da burguesia venezuelana (impulsionadores do N\u00c3O ao referendo). A maturidade pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o venezuelana demonstrou que h\u00e1 espa\u00e7o \u00e0 esquerda do chavismo (a absten\u00e7\u00e3o de 6 milh\u00f5es de eleitores no referendo \u00e9 o mesmo n\u00famero que garantiu a enorme margem de votos na reelei\u00e7\u00e3o de Ch\u00e1vez).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditamos tamb\u00e9m que o term\u00f4metro para o posicionamento frente a Ch\u00e1vez deve ser o do grau de resist\u00eancia que ele oferece ao desenvolvimento da consci\u00eancia e da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Portanto, qualquer sinal de repress\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o significar\u00e1 o esgotamento do chavismo como companheiro de viagem de nossa classe e dever\u00e1 ser combatido duramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Bol\u00edvia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo boliviano e o que conduziu Ch\u00e1vez ao poder na Venezuela tem a semelhan\u00e7a que seus l\u00edderes esfor\u00e7am-se para dar. Ambas expressam a tentativa de conter dentro da legalidade burguesa todo o \u00edmpeto das for\u00e7as populares que impulsionam a din\u00e2mica da luta de classes no sentido de mudar o centro de poder da sociedade boliviana em dire\u00e7\u00e3o aos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente da Venezuela, a Bol\u00edvia viveu nas d\u00e9cadas de 70, 80 e 90 um forte movimento de setores reacion\u00e1rios da burguesia para inverter as pequenas conquistas da revolu\u00e7\u00e3o nacionalista de 1952.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos trinta anos subseq\u00fcentes o vento da espolia\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e das reservas de energia varreu a Bol\u00edvia, mesmo com a grande resist\u00eancia oferecida pelos mineiros bolivianos e suas dinamites. Nesse per\u00edodo a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores piorou ainda mais, culminando em v\u00e1rias rebeli\u00f5es populares como a Guerra da \u00c1gua, a Guerra do G\u00e1s, o afastamento de presidentes e a elei\u00e7\u00e3o de Evo Morales baseada nas organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e dos trabalhadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua elei\u00e7\u00e3o tem como pano de fundo o fortalecimento da identidade ind\u00edgena, a busca de um projeto boliviano para se colocar frente ao mercado globalizado, o esgotamento das minas de cobre, o conseq\u00fcente empobrecimento e desemprego dos mineiros, a retomada das empresas estatais e o controle real sobre o \u00faltimo recurso natural abundante no pa\u00eds, o g\u00e1s natural. Tanto Evo Morales como Ch\u00e1vez representam grupos pol\u00edticos que buscam sustentar-se como mediadores das classes em luta e que necessitam do apoio de for\u00e7as pol\u00edticas que v\u00e3o al\u00e9m das suas bases de apoio incondicional. Tais for\u00e7as pol\u00edticas t\u00eam reivindica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, o que obriga Morales e Ch\u00e1vez a manter sempre a iniciativa pol\u00edtica e buscar esvaziar, a todo o momento, o conte\u00fado das disputas entre as classes.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">As semelhan\u00e7as<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que assemelha Ch\u00e1vez e Evo Morales \u00e9 a incessante busca por solu\u00e7\u00f5es constitucionais alicer\u00e7adas na democracia burguesa e suas institui\u00e7\u00f5es de Estado. O maior obst\u00e1culo para tal c\u00e1lculo pol\u00edtico \u00e9 que a burguesia n\u00e3o faz quest\u00e3o de sua democracia, nem do mito da unidade nacional. Ch\u00e1vez j\u00e1 sofreu o golpe e Morales n\u00e3o est\u00e1 longe dessa possibilidade. Sob o discurso de autonomia das prov\u00edncias, a regi\u00e3o da meia lua (Santa Cruz de La Sierra, Pando, Beni e Tarija) levantou, em dezembro de 2007, a possibilidade real de independ\u00eancia e secess\u00e3o do pa\u00eds caracterizando um grave risco para todos aqueles que depositam esperan\u00e7as na democracia burguesa. N\u00e3o podemos ser inocentes. A separa\u00e7\u00e3o de tais prov\u00edncias do Estado boliviano ser\u00e1 seguida de violenta repress\u00e3o ao movimento popular dessas regi\u00f5es, que atualmente est\u00e1 desarmado. Portanto, por mais que se diga que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de armar as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores \u00e9 imprescind\u00edvel tomar medidas que torne vi\u00e1vel tal tarefa e garanta ao proletariado condi\u00e7\u00f5es de exercer a autodefesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o in\u00edcio de 2008 nota-se um moment\u00e2neo recuo na proposta de independ\u00eancia das regi\u00f5es, que devido ao pouco apoio externo encontrou resist\u00eancia em setores da burguesia ligada ao mercado mundial e que, por enquanto, pouco se beneficiaria da independ\u00eancia, uma vez que est\u00e1 fora da regi\u00e3o em quest\u00e3o. Al\u00e9m disso, a burguesia boliviana fora da meia lua n\u00e3o v\u00ea com bons olhos a possibilidade de setores do movimento popular se apoiar no discurso separatista para impor a\u00e7\u00f5es muito mais radicalizadas, as quais at\u00e9 agora o movimento, em seu conjunto, tem levado a efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de tal cen\u00e1rio acreditamos que a pol\u00edtica dos revolucion\u00e1rios bolivianos assemelha-se a dos venezuelanos no sentido de seguir intransigentemente na defesa de medidas reformadoras ao mesmo tempo em que aponta e combate os limites da democracia burguesa respeitada por Ch\u00e1vez e Morales, lutando pela independ\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores e por instrumentos de poder que estejam fora do estado burgu\u00eas.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>Total independ\u00eancia da classe trabalhadora frente ao Estado venezuelano!<\/li>\n<li>Todo apoio \u00e0s conquistas do povo venezuelano!<\/li>\n<li>Contra qualquer tentativa de golpe separatista das elites bolivianas!<\/li>\n<li>Pela organiza\u00e7\u00e3o armada do povo boliviano!<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A guerrilha colombiana apresenta suas armas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer militante conseq\u00fcente de esquerda defende o direito dos trabalhadores se armarem para se defenderem dos ataques da burguesia e de suas for\u00e7as armadas em qualquer parte do mundo. Na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o poderia ser diferente. Durante muito tempo o continente foi palco de lutas guerrilheiras e algumas at\u00e9 alcan\u00e7aram a vit\u00f3ria militar como em Cuba e Nicar\u00e1gua, enquanto outras foram derrotadas ou cooptadas pelo regime democr\u00e1tico burgu\u00eas, mas h\u00e1 ainda organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras que sobreviveram aos ataques e ao tempo. A defesa intransigente da guerrilha como bra\u00e7o armado das organiza\u00e7\u00f5es populares n\u00e3o significa o sil\u00eancio frente \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es, que se n\u00e3o forem superadas podem caminhar para a derrota da guerrilha ou para o genoc\u00eddio. Esse \u00e9 um debate importante sobre a FARC-EP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias Colombianas\/Ex\u00e9rcito do Povo nasceram com o ideal de ruptura com o poder burgu\u00eas constitu\u00eddo na Col\u00f4mbia. Ao longo de anos de cont\u00ednuo conflito a estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria esmaeceu e se manteve vigorosa a t\u00e1tica de financiamento da luta pela negocia\u00e7\u00e3o com narcotraficantes e por meio do seq\u00fcestro de militares e civis. Esse m\u00e9todo debilita politicamente a disputa contra as for\u00e7as do Estado, pois n\u00e3o consegue avan\u00e7ar no processo de consci\u00eancia dos trabalhadores uma vez que s\u00e3o bombardeados ideologicamente pela grande m\u00eddia, facilitando o estabelecimento de pol\u00edticas fascistas pelo governo de Uribe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente o governo dos EUA mant\u00e9m estreitas liga\u00e7\u00f5es com Uribe e \u00e9 respons\u00e1vel por alimentar a for\u00e7a armada colombiana por meio do Plano Col\u00f4mbia. Esse plano foi capaz de investir aproximadamente 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no per\u00edodo de 2000 a 2006. Assumiu publicamente a bandeira de combate ao narcotr\u00e1fico, mas na pr\u00e1tica se revela como estrat\u00e9gia militar para desestabilizar os grupos armados de esquerda na Col\u00f4mbia, que s\u00e3o as FARC e o Exercito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional. Estabeleceu na Col\u00f4mbia uma \u00e1rea de influ\u00eancia militar para favorecer a pol\u00edtica imperialista norte- americana de controlar geopoliticamente o cone sul, cujas evid\u00eancias est\u00e3o no aumento de tropas americanas no territ\u00f3rio colombiano. E tenta cunhar o status de organiza\u00e7\u00e3o terrorista \u00e0s FARC e ao ELN, o mesmo concedido \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia no oriente m\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O esfor\u00e7o da grande m\u00eddia de classificar as FARC como organiza\u00e7\u00e3o terrorista e Hugo Ch\u00e1vez como piv\u00f4 de um golpe atentando contra a soberania da Col\u00f4mbia corrobora com o entendimento da CIA (ag\u00eancia central de intelig\u00eancia americana) de classificar a Venezuela como eixo do mal, ou seja, coloca o pa\u00eds entre aqueles que fornecem suporte a organiza\u00e7\u00f5es terroristas que causam desestabiliza\u00e7\u00e3o na ordem mundial. \u00c9 a grande m\u00eddia lan\u00e7ando m\u00e3o de seu marketing pol\u00edtico baseada no manique\u00edsmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente, as FARC exigem a desmilitariza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas pr\u00f3ximas aos munic\u00edpios de Pradera e Floridas, pr\u00f3ximas cerca de 50 km da cidade de Cali, como condi\u00e7\u00e3o para discutir a liberta\u00e7\u00e3o de outros 750 prisioneiros dos quais est\u00e3o parlamentares colombianos e a ex-candidata a presid\u00eancia Ingrid Betancort, cidad\u00e3 francesa que permite \u00e0 Fran\u00e7a a condi\u00e7\u00e3o de parte diretamente interessada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a esquerda latino-americana e especialmente para a esquerda colombiana est\u00e1 colocada a dura necessidade de construir uma estrat\u00e9gia socialista de ruptura com as estruturas de poder nacionais e com a atual ordem mundial. Tamb\u00e9m a necessidade de reorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para que as lutas armadas na Am\u00e9rica Latina n\u00e3o nos conduzam a mais uma vit\u00f3ria do capital.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\" style=\"text-align: justify;\">A dif\u00edcil tarefa da milit\u00e2ncia feminina<\/h1>\n<div id=\"node-90\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<p>Quando a mulher trabalhadora adquire consci\u00eancia de classe e se prop\u00f5e a lutar e desenvolver sua milit\u00e2ncia pol\u00edtica e\/ou sindical, essa milit\u00e2ncia j\u00e1 est\u00e1 sobrecarregada. Pesa sobre nossos ombros todas as atividades que a mulher trabalhadora n\u00e3o militante executa: responsabilidades das tarefas dom\u00e9sticas; responsabilidades com filhos, fam\u00edlia, trabalho, etc.<\/p>\n<p>Precisamos estar dispostas a vencer os preconceitos e discrimina\u00e7\u00f5es, dar conta de todos os compromissos e ainda superar intoler\u00e2ncias, seja na fam\u00edlia, no ambiente de trabalho ou, algumas vezes, no interior do pr\u00f3prio grupo de milit\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A mulher reproduz na sociedade aquilo que a pr\u00f3pria sociedade determinou. Nesta sociedade, cuidar da casa, dos filhos, preocupar-se com alimenta\u00e7\u00e3o e limpeza s\u00e3o atributos considerados como prolongamento do\u00a0<i>ser mulher<\/i>. Quando sa\u00edmos para trabalhar ou para participar de compromissos com a milit\u00e2ncia, carregamos a casa e os filhos na cabe\u00e7a e nos ombros. Se o filho fica na creche ou na escola, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 se ter\u00e1 leite suficiente para ele em casa, se vai dar tempo de comprar o que falta, lavar a lou\u00e7a, fazer o jantar, e assim por diante. Dificilmente quando o homem sai para trabalhar carrega as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es que a mulher. A emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, entre outras coisas, significou um ac\u00famulo ou acr\u00e9scimo de tarefas. A id\u00e9ia de que isso facilitou a nossa vida \u00e9 falsa. Na realidade, a constru\u00e7\u00e3o social que determina essas fun\u00e7\u00f5es como sendo de natureza feminina \u00e9 usada para manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o do ser humano feminino. A partir da d\u00e9cada de 70, com a globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, cada vez mais a for\u00e7a de trabalho feminina serviu ao sistema capitalista que se apoderou da suposta liberdade adquirida pela mulher. Na verdade, foi a necessidade de manter o sustento da fam\u00edlia que nos deu condi\u00e7\u00f5es de competir profissionalmente em p\u00e9 de igualdade com o homem. No entanto, passamos a sofrer ainda mais as opress\u00f5es do sistema, tornando-nos um dos pilares de sua domina\u00e7\u00e3o. Estabeleceu-se, em muitos casos, a emancipa\u00e7\u00e3o financeira, mas com a crueldade de recebermos em m\u00e9dia 15% menos para igual trabalho desenvolvido por um homem.<\/p>\n<h2>Pol\u00edticas p\u00fablicas de igualdade de g\u00eanero<\/h2>\n<p>Os programas governamentais falam em liberdade e igualdade de direitos. Fazem propaganda de que houve avan\u00e7os para a emancipa\u00e7\u00e3o feminina. Mostram estat\u00edsticas de que as mulheres est\u00e3o em maior n\u00famero nas esferas de poder p\u00fablico. O governo Lula criou a Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres, no entanto, a realidade mostra que nada mudou. As Reformas prev\u00eaem cortes em direitos historicamente adquiridos, como a Licen\u00e7a Maternidade e o 13\u00b0 Sal\u00e1rio. Fomentam ainda mais a incid\u00eancia do trabalho informal (sem carteira assinada) com a terceiriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra. Objetivam cortes em despesas com v\u00ednculos empregat\u00edcios (FGTS, PIS, INSS). Essas pol\u00edticas n\u00e3o atingem somente as trabalhadoras, atinge toda a nossa classe, mas \u00e9 sobre n\u00f3s (m\u00e3e, filha, av\u00f3, etc) que recai a lideran\u00e7a da fam\u00edlia com a responsabilidade do sustento e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>A mulher no sindicato<\/h2>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o podemos observar, como exemplo, a categoria de professores em S\u00e3o Paulo. Dos mais de 100.000 integrantes do quadro do magist\u00e9rio, 92% s\u00e3o professoras. Ao observarmos a atua\u00e7\u00e3o no sindicato (APEOESP) podemos perceber a dura luta da mulher trabalhadora. Sendo uma categoria quase que exclusivamente feminina e diante das dificuldades de milit\u00e2ncia, encontramos na dire\u00e7\u00e3o do sindicato um n\u00famero reduzido de mulheres, longe de representar proporcionalmente a sua base. Assim, os problemas enfrentados pela mulher trabalhadora s\u00e3o restritos a um Grupo de Trabalho. Somemos a isto as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas escolas, os baixos sal\u00e1rios e uma diretoria sindical governista e machista, para termos no\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminina no meio educacional. Essa realidade ainda favorece os menos politizados que atentam moralmente contra companheiras que se destacam na luta e no calor dos debates. Essa pr\u00e1tica, que deve ser severamente condenada e abolida do meio sindical, marcou o Congresso da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE) realizado no m\u00eas de Janeiro em Bras\u00edlia. Incapaz de defender a pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o mantida no governo Lula, um representante da Articula\u00e7\u00e3o Sindical, corrente petista que est\u00e1 na dire\u00e7\u00e3o estadual do sindicato h\u00e1 mais de 20 anos, partiu para a agress\u00e3o verbal contra companheiras da CONLUTAS a fim de ofend\u00ea-las moralmente e desestabiliz\u00e1-las no momento em que defendiam a cria\u00e7\u00e3o da Secretaria de Mulheres e GLBTT na Confedera\u00e7\u00e3o. Para a CONLUTAS\/Oposi\u00e7\u00e3o Alternativa esta Secretaria assumiria a importante tarefa de organizar e conduzir a luta da categoria contra a opress\u00e3o da mulher, a explora\u00e7\u00e3o, o machismo e a viol\u00eancia sexista. No entanto, por tr\u00e1s da pr\u00e1tica desse representante esconde-se o modo petista de governar, adotado nos governos e nos sindicatos cutistas em que as diversas conseq\u00fc\u00eancias de atos de viol\u00eancia contra a mulher recaiam tamb\u00e9m sobre ela pr\u00f3pria. Isso se confirma com a negativa da diretoria majorit\u00e1ria da CNTE em assinar a mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio contra os atos violentos de seu representante. E se reafirma com a negativa em assinar uma mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio contra a pris\u00e3o da menina de Abaetetuba\/Par\u00e1. Enquanto age assim, a atual dire\u00e7\u00e3o restringe as a\u00e7\u00f5es do sindicato ao ato do 8 de mar\u00e7o. E quest\u00f5es espec\u00edficas como tripla jornada, creches p\u00fablicas, licen\u00e7a gestante e tantas outras sequer s\u00e3o apresentadas para o debate na categoria. O que observamos at\u00e9 aqui \u00e9 uma pequena demonstra\u00e7\u00e3o de como a mulher trabalhadora, que decide ser militante, sobrevive nesse sistema. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es como essas que nos fazem lutar e defender:<\/p>\n<ol>\n<li>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, com cotas proporcionais para mulheres negras, sem dupla ou tripla jornada;<\/li>\n<li>A licen\u00e7a gestante de 06 meses. Redu\u00e7\u00e3o da jornada, ap\u00f3s a volta ao trabalho, para amamenta\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Creches p\u00fablicas, gratuitas, com qualidade educacional. Funcionamento 24 horas e fins-de-semana. Nos locais de trabalho e estudo. Enquanto n\u00e3o temos essas creches exigimos o Aux\u00edlio Bab\u00e1;<\/li>\n<li>Que durante as atividades militantes os sindicatos devam criar condi\u00e7\u00f5es (contratar bab\u00e1 ou creche) para a participa\u00e7\u00e3o de m\u00e3es trabalhadoras e pais com a guarda dos filhos;<\/li>\n<li>Cotas proporcionais, ao n\u00famero de mulheres nas categorias, nos \u00f3rg\u00e3os de dire\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>A descriminaliza\u00e7\u00e3o e legaliza\u00e7\u00e3o do aborto;<\/li>\n<li>Que a mulher decida sobre o seu pr\u00f3prio corpo, em todos os sentidos;<\/li>\n<li>Carteira assinada e direitos trabalhistas a todas as mulheres trabalhadoras;<\/li>\n<li>Diminui\u00e7\u00e3o da idade de aposentadoria para todas as mulheres que trabalham dentro ou fora de casa;<\/li>\n<li>A aboli\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o est\u00e9tico bul\u00edmico e anor\u00e9xico;<\/li>\n<li>Uni\u00e3o civil homossexual com direito \u00e0 ado\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Uma sexualidade livre dos preconceitos religioso, de ra\u00e7a, de orienta\u00e7\u00e3o sexual e n\u00e3o submetida ao capital;<\/li>\n<li>O fim da ditadura do parto normal e f\u00f3rceps na rede p\u00fablica de sa\u00fade e do parto cesariana nos hospitais conveniados;<\/li>\n<li>Um programa espec\u00edfico para a sa\u00fade da mulher negra para tratamento de doen\u00e7as com anemia falciforme;<\/li>\n<li>O fim da discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher trabalhadora nos livros did\u00e1ticos;<\/li>\n<li>A inclus\u00e3o da disciplina de orienta\u00e7\u00e3o sexual no curr\u00edculo escolar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 com toda essa dificuldade, e por causa dela, que n\u00f3s mulheres trabalhadores assumimos tamb\u00e9m a nossa milit\u00e2ncia. N\u00e3o aceitamos essa realidade injusta! \u00c9 isso que nos leva a lutar pela transforma\u00e7\u00e3o da sociedade e por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>Conforme palestra de Ivone Guebara em 16\/05\/97. Depto de Geografia\/USP.<\/p>\n<p>Mo\u00e7\u00e3o de Rep\u00fadio ao machismo ocorrido no XXX Congresso da CNTE, Caderno de Mo\u00e7\u00f5es. p. 25 e 26.<\/p>\n<p>Caderno de Teses para o XXII Congresso Estadual da Apeoesp. Novembro de 2007. S\u00e3o Paulo: Serra Negra.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\" style=\"text-align: justify;\">Encarte Rebeldia Socialista &#8211; N\u00famero 04<\/h1>\n<div id=\"node-91\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Felicidade! Passei no vestibular. mas a faculdade \u00e9 particular! Ela \u00e9 particular&#8230; (Martinho da Vila em Pequeno Burgu\u00eas)<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos vinte anos ouvimos dizer que o estado deveria deixar de custear as atividades econ\u00f4micas, pois sua fun\u00e7\u00e3o era priorizar \u00e1reas como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Esse argumento foi amplamente utilizado para convencer o povo brasileiro a apoiar as privatiza\u00e7\u00f5es de empresas estatais, pois, dessa forma, o estado brasileiro tornar-se-ia mais \u00e1gil e capaz de investir em \u00e1reas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro discurso muito utilizado era o de que, ao subordinar as empresas estatais \u00e0s regras de mercado elas se tornariam mais competitivas, mais eficientes e forneceriam servi\u00e7os e produtos melhores e mais baratos (foi assim com a telecomunica\u00e7\u00e3o, eletricidade, Vale do Rio Doce, etc).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 aqui n\u00e3o h\u00e1 nada de novo, a novidade aparece quando as regras do jogo se tornam obst\u00e1culos para quem as formula. A\u00ed a situa\u00e7\u00e3o muda de figura e as regras, que antes eram sagradas, d\u00e3o espa\u00e7o \u00e0 inova\u00e7\u00f5es modernizadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente os donos de universidades e faculdades podem explorar um ramo privilegiado do mercado, a educa\u00e7\u00e3o superior. Aqui \u00e9 poss\u00edvel contratar m\u00e3o-de-obra qualificada, pagar baixos sal\u00e1rios, oferecer um servi\u00e7o de qualidade duvidosa, n\u00e3o se preocupar com a fiscaliza\u00e7\u00e3o estatal, al\u00e9m de contar com dinheiro p\u00fablico para financiar suas atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferentemente do que pregam os capitalistas, quem lucra com o ensino superior n\u00e3o corre o risco das oscila\u00e7\u00f5es de mercado, n\u00e3o sofre a efetiva fiscaliza\u00e7\u00e3o do estado se oferecer um produto de m\u00e1 qualidade, e nem arca com os preju\u00edzos de uma eventual inadequa\u00e7\u00e3o \u00e0s leis de oferta e procura ao oferecer cursos que n\u00e3o respondem as necessidades sociais.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Falta dinheiro \u00e0s universidades federais, sobra recurso p\u00fablico para o setor privado<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos falando de um ramo de atividade que explora 78%[1] das vagas de gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e que conta com diversos programas que subsidiam a exist\u00eancia do ensino superior privado como a \u00fanica t\u00e1bua da salva\u00e7\u00e3o para o estudante filho de trabalhador. Entre esses programas, talvez o de maior impacto e mais lucrativo para os donos de universidades seja o PROUNI (Programa Universidade Para Todos) que atualmente subsidia as mensalidades (integrais ou parciais) de 300 mil estudantes em gradua\u00e7\u00e3o superior em todo o pa\u00eds, e que se prop\u00f5e a atingir a meta de 400 mil at\u00e9 o fim do mandato do Presidente Lula, a um custo m\u00e9dio de R$ 7 a 8 mil\/ano[2] cada bolsa. Esse n\u00famero significar\u00e1 10% dos estudantes do ensino privado que atualmente \u00e9 de 4 milh\u00f5es, ou seja, um d\u00e9cimo da rede privada ser\u00e1 subsidiada com dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabemos que o funil da educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil n\u00e3o se resolve do dia para noite e que muitos estudantes utilizam o Prouni como \u00fanica forma de estudar um curso de 3\u00ba grau, mas n\u00e3o podemos esquecer que o crit\u00e9rio utilizado pelas faculdades para disponibilizar os cursos \u00e9 a baixa procura de quem pode pagar, muitas vezes motivadas pela baixa qualidade ou irrelev\u00e2ncia acad\u00eamica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na rede p\u00fablica, o or\u00e7amento das universidades federais \u00e9 de R$ 10 bilh\u00f5es ao ano para investir em 600 mil vagas, esse n\u00famero reflete o valor de R$ 16,6 mil por aluno ao ano[3], conta com 85% de professores com dedica\u00e7\u00e3o exclusiva, em sua maioria doutores, al\u00e9m de custear laborat\u00f3rios, pesquisa, extens\u00e3o universit\u00e1ria e uma ampla rede de atendimento \u00e0 comunidade. Esse modelo faz da universidade p\u00fablica brasileira refer\u00eancia latino-americana quando o assunto \u00e9 pesquisa e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da excel\u00eancia das p\u00fablicas sobre as privadas, e sem cair na armadilha dos n\u00fameros, n\u00e3o bastaria investir o dinheiro p\u00fablico gasto com o Prouni para abrir mais vagas nas universidades federais se o nosso objetivo \u00e9 atender os filhos da classe trabalhadora, pois mais uma vez ser\u00edamos postos para fora no funil dos vestibulares. Mais do que uma discuss\u00e3o matem\u00e1tica sobre os recursos e investimentos, a decis\u00e3o \u00e9 eminentemente pol\u00edtica e est\u00e1 subordinada a l\u00f3gica perversa do capital de subordinar toda e qualquer necessidade da sociedade \u00e0 sua pr\u00f3pria l\u00f3gica do lucro.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Para o jovem estudar ele precisa arrumar um emprego. Para ser contratado ele precisa estar estudando.<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme dados do DIEESE em 2007, dos 3,5 milh\u00f5es de desempregados nas seis regi\u00f5es metropolitanas pesquisadas (S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Bras\u00edlia, Belo Horizonte, Salvador e Recife), 46,4%, portanto quase metade, s\u00e3o jovens de 16 a 24 anos. Nessa idade, o jovem que deveria estar cursando uma faculdade est\u00e1 procurando trabalho. \u00c9 um momento da vida que faz parecer uma sa\u00edda providencial quando se consegue cursar uma faculdade particular sem pagar no ato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A l\u00f3gica que faz do jovem m\u00e3o-de-obra barata e subempregada \u00e9 a mesma que lucra com o PROUNI, e para sermos conseq\u00fcentes devemos enfrentar o problema pela raiz. Somente um conjunto de medidas pol\u00edticas que abarcam todo o conjunto da sociedade poder\u00e1 reduzir o flagelo e desespero da juventude trabalhadora, invertendo a l\u00f3gica mercantil das universidades para que elas possam ser utilizadas na busca de solu\u00e7\u00f5es para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas produzindo m\u00e3o-de-obra e servi\u00e7os que beneficiem toda a sociedade, e n\u00e3o apenas quem vive do trabalho de alunos, estagi\u00e1rios e rec\u00e9m formados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para tanto defendemos:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">O fim do vestibular, por vagas em escolas p\u00fablicas para todos. Que a admiss\u00e3o em escolas t\u00e9cnicas p\u00fablicas e universidades p\u00fablicas considere como crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o a propor\u00e7\u00e3o regional de alunos de escolas p\u00fablicas e privadas.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Educa\u00e7\u00e3o em per\u00edodo integral (8h), com investimento financeiro que propicie um ensino e equipamentos de qualidade, combinado com atividades culturais e de lazer.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Gest\u00e3o parit\u00e1ria. Que os alunos tenham possibilidade real de interferir na constru\u00e7\u00e3o do conte\u00fado que estudam nas escolas e faculdades.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Cotas proporcionais \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena em todos os processos seletivos das escolas t\u00e9cnicas p\u00fablicas e universidades p\u00fablicas.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Implementa\u00e7\u00e3o da lei 10639, que institui a obrigatoriedade do ensino de Hist\u00f3ria e Literatura Africanas em todas as escolas e universidades, bem como a hist\u00f3ria de resist\u00eancia dos negros na \u00c1frica, no Brasil e no mundo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho do jovem para 06 horas\/di\u00e1rias, por menos horas de trabalho, por novas contrata\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Que se respeite a proporcionalidade de afrodescendentes e ind\u00edgenas em cada regi\u00e3o nas ofertas de vagas de trabalho.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pelo fim do trabalho precarizado, que todo jovem tenha direitos trabalhistas. Fim do est\u00e1gios como forma de precarizar o trabalho do estudante.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Fiscaliza\u00e7\u00e3o dos est\u00e1gios por organismos de base do movimento estudantil, que o est\u00e1gio esteja a servi\u00e7o do aprendizado e n\u00e3o seja forma de precarizar o trabalho do estudante.<\/li>\n<li>M\u00ednimo do Dieese como refer\u00eancia salarial a ser aplicado ao c\u00e1lculo da remunera\u00e7\u00e3o proporcional dos est\u00e1gios.<br \/>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Refer\u00eancias<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Centro de Estudos sobre Educa\u00e7\u00e3o Superior e Pol\u00edticas P\u00fablicas (Cespe)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] idem<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] idem<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=85#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: Fidel renunciou, mas n\u00f3s n\u00e3o renunciamos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o Mulher trabalhadora, ou seja, guerreira Quando a torcida<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6428,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85\/revisions\/6428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}