{"id":86,"date":"2009-01-03T16:03:42","date_gmt":"2009-01-03T18:03:42","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/86"},"modified":"2018-05-05T18:01:40","modified_gmt":"2018-05-05T21:01:40","slug":"fidel-renunciou-mas-nos-nao-renunciamos-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/fidel-renunciou-mas-nos-nao-renunciamos-a-revolucao\/","title":{"rendered":"Fidel renunciou, mas n\u00f3s n\u00e3o renunciamos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para n&atilde;o deixarmos nenhuma d&uacute;vida: Defendemos os trabalhadores e o povo cubano contra qualquer tentativa de interven&ccedil;&atilde;o americana!<\/p>\n<p>Consideramos que a Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana foi um dos maiores feitos do povo latino-americano por derrubar o ditador sanguin&aacute;rio Fulg&ecirc;ncio Batista, por expulsar os americanos que tratavam a ilha como um bordel em alto mar e por estatizar, mesmo que n&atilde;o fosse a inten&ccedil;&atilde;o imediata de Fidel, a economia e abrir caminho para a constru&ccedil;&atilde;o de um sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de e de educa&ccedil;&atilde;o que garante o acesso a todos.<\/p>\n<p>O sistema de sa&uacute;de e de educa&ccedil;&atilde;o do povo cubano foi obtido com um baixo n&iacute;vel de desenvolvimento das for&ccedil;as produtivas no pa&iacute;s. Isso mostra a for&ccedil;a de uma economia estatizada e sem propriedade privada, em que o produzido fica nas m&atilde;os do Estado. A Revolu&ccedil;&atilde;o Cubana teve esse m&eacute;rito de obrigar suas dire&ccedil;&otilde;es a estatizar. Foi exatamente a estatiza&ccedil;&atilde;o que permitiu o desenvolvimento da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o at&eacute; transformarem-se em refer&ecirc;ncias para o mundo.<\/p>\n<p>A propriedade privada representa a apropria&ccedil;&atilde;o, por uma pequena parcela da sociedade que nada produz, do trabalho realizado pela classe trabalhadora. &Eacute; a causa maior de todos as desigualdades no mundo. Por isso qualquer revolu&ccedil;&atilde;o que exproprie a burguesia, por mais limites que tenha, merece nosso apoio militante.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a hist&oacute;rica do socialismo se mostra na medida em que ao serem retirados os meios de produ&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os dos capitalistas &eacute; proporcionado &agrave; humanidade condi&ccedil;&otilde;es de vida, em suas v&aacute;rias dimens&otilde;es, jamais sonhadas.<\/p>\n<p>Assim, depois da enfermidade de Fidel e com a ren&uacute;ncia &#8211; mesmo sem ocupar papel central nas decis&otilde;es do Estado cubano, subsistindo apenas o mito &#8211; retornou a gan&acirc;ncia do imperialismo americano e dos contra-revolucion&aacute;rios mafiosos sediados em Miami contra as conquistas do povo cubano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Defender Cuba de todo e qualquer ataque do imperialismo<\/h2>\n<p>Derrotado, durante o processo revolucion&aacute;rio, pela mobiliza&ccedil;&atilde;o de milh&otilde;es de trabalhadores e depois pela her&oacute;ica resist&ecirc;ncia militar na tentativa de invas&atilde;o da Baia dos Porcos, o sanguin&aacute;rio imperialismo americano, com a cumplicidade de todos os governos capitalistas, imp&ocirc;s ao povo de Cuba um bloqueio econ&ocirc;mico que dura mais de 40 anos. Coerente com a sua &acirc;nsia de destrui&ccedil;&atilde;o e domina&ccedil;&atilde;o dos povos do mundo, o imperialismo apelou para bloqueio econ&ocirc;mico na tentativa de matar o povo cubano de fome.<\/p>\n<p>O imperialismo se caracterizado atrav&eacute;s da domina&ccedil;&atilde;o do mundo exercida por monop&oacute;lios (dom&iacute;nio de um determinado ramo da economia capitalista por um &uacute;nico grupo) e oligop&oacute;lios (dom&iacute;nio de poucos, mas fortes, grupos capitalistas). Como a produ&ccedil;&atilde;o capitalista envolve v&aacute;rias etapas que v&atilde;o desde a mat&eacute;ria prima at&eacute; a circula&ccedil;&atilde;o, control&aacute;-las torna-se fundamental para esse dom&iacute;nio. A combina&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e controle do mercado (nacional e mundial) demarca a for&ccedil;a desses grupos imperialistas.<\/p>\n<p>Nesse sistema o controle pol&iacute;tico, direto ou indireto, sobre os Estados Nacionais &eacute; o <b>eixo pol&iacute;tico<\/b> central sobre o qual gira a pol&iacute;tica do imperialismo, uma vez que as col&ocirc;nias (em seu sentido moderno) v&atilde;o servir tanto para o fornecimento de mat&eacute;ria prima (as j&aacute; existentes e as descobertas futuras) como para a expans&atilde;o de mercado.<\/p>\n<p>De maneira combinada com o eixo pol&iacute;tico est&aacute; a brutal explora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho. O imperialismo busca impor sobre os povos do mundo o aumento m&aacute;ximo de seu lucro a partir do aumento da extra&ccedil;&atilde;o da mais-valia. Essa &eacute; a base para a redu&ccedil;&atilde;o de custo de seus produtos, o que vai lhe facilitar a disputa do mercado. Isso significa maior explora&ccedil;&atilde;o do trabalhador, menor custo da mercadoria e consequentemente mais condi&ccedil;&otilde;es de competir no mercado mundial. A explora&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho mundial constitui-se, portanto como o <b>eixo econ&ocirc;mico<\/b> da domina&ccedil;&atilde;o imperialista.<\/p>\n<p>Assim, o controle pol&iacute;tico dos diversos Estados Nacionais &eacute; fundamental para o imperialismo. Esse controle &eacute; exercido atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de leis (que reduzem impostos para determinadas opera&ccedil;&otilde;es financeiras ou para determinados produtos, Reformas trabalhistas, da previd&ecirc;ncia, etc.) que facilitam a movimenta&ccedil;&atilde;o de capitais e mercadorias no mercado interno. &Eacute; por isso que quando os trabalhadores de um pa&iacute;s resolvem n&atilde;o deixar mais isso acontecer os capitalistas ficam furiosos, pois uma de suas fontes de lucro secou.<\/p>\n<p>A independ&ecirc;ncia de um pa&iacute;s em rela&ccedil;&atilde;o ao imperialismo constitui-se como um elemento positivo para o proletariado porque em termos pr&aacute;ticos significa um enfraquecimento do imperialismo, &eacute; um golpe em suas pretens&otilde;es. Entendemos por independ&ecirc;ncia o conceito cunhado por L&ecirc;nin: analisando as condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rico-econ&ocirc;micas dos movimentos nacionais, ent&atilde;o chegaremos inevitavelmente &aacute; conclus&atilde;o: por autodetermina&ccedil;&atilde;o das na&ccedil;&otilde;es entende-se a sua separa&ccedil;&atilde;o estatal das colectividades nacionais estrangeiras, entende-se a forma&ccedil;&atilde;o de um Estado Nacional independente.  (L&ecirc;nin, OE, v.1, p. 512).<\/p>\n<p>Ante o ataque imperialista &#8211; econ&ocirc;mico, pol&iacute;tico ou militar &#8211; contra qualquer pa&iacute;s que ousou declarar a sua independ&ecirc;ncia &eacute; dever de todo revolucion&aacute;rio se colocar contra o imperialismo e do lado do povo e dos trabalhadores desses pa&iacute;ses. No caso concreto de Cuba, de imediato lutamos contra toda e qualquer interfer&ecirc;ncia imperialista. S&atilde;o os trabalhadores cubanos que devem decidir o seu destino.<\/p>\n<p>Como marxistas na luta contra o imperialismo n&atilde;o escolhemos se queremos ser explorados pelos capitalistas nacionais ou imperialista. Somos contra a explora&ccedil;&atilde;o capitalista, seja a realizada por Antonio Erm&iacute;rio ou pela Coca-Cola. Por isso a luta contra o imperialismo e pelo direito a autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos n&atilde;o significa apoio incondicional &agrave;s suas dire&ccedil;&otilde;es, quando essas se tornam obst&aacute;culo para uma verdadeira independ&ecirc;ncia. Em uma luta por autodetermina&ccedil;&atilde;o ou por independ&ecirc;ncia nacional atuaremos para que se desenvolva uma luta anticapitalista e socialista.<\/p>\n<p>Historicamente as lutas por independ&ecirc;ncia ou autodetermina&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido realizadas por setores da burguesia que reclamam a democracia burguesa.  No caso cubano os limites foram de um regime pol&iacute;tico burocr&aacute;tico.<\/p>\n<p>A defesa da Revolu&ccedil;&atilde;o de Cuba e do povo cubano n&atilde;o nos leva a apoiar o regime que hoje tem &agrave; frente Raul Castro. S&atilde;o v&aacute;rias as raz&otilde;es. Uma delas est&aacute; no fato de o PC cubano e sua dire&ccedil;&atilde;o trataram de excluir os trabalhadores das decis&otilde;es de seu destino. Outra raz&atilde;o est&aacute; no fato de Raul Castro, contraditoriamente, representar uma amea&ccedil;a &agrave; defesa da soberania e independ&ecirc;ncia de Cuba. Tanto o chamado a Lula (que tem apresentado completa submiss&atilde;o ao imperialismo americano) para que fa&ccedil;a a media&ccedil;&atilde;o entre Cuba e EUA, quanto o distanciamento de Hugo Ch&aacute;vez (que embora tenha mais ret&oacute;rica do que pr&aacute;tica, possui um forte discurso antiamericano) demonstram claramente a disposi&ccedil;&atilde;o do PC em manter rela&ccedil;&otilde;es cordiais e amistosas com os americanos. &Eacute; obvio que cordialidade e amistosidade para o imperialismo americano significam abrir as fronteiras para os seus interesses.<\/p>\n<p>Qualquer pol&iacute;tica de aproxima&ccedil;&atilde;o com os EUA &eacute; uma amea&ccedil;a &agrave; soberania dos trabalhadores cubanos e coloca em risco o car&aacute;ter independente do estado cubano em rela&ccedil;&atilde;o imperialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Fidel renuncia o mandato, mas j&aacute; havia renunciado a revolu&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>Profundamente marcado como dire&ccedil;&atilde;o dos povos americanos e amparado no processo revolucion&aacute;rio mais importante da Am&eacute;rica latina, Fidel Castro sempre oscilou entre o discurso antiamericano e os acordos com setores imperialistas que n&atilde;o aderiram ao bloqueio econ&ocirc;mico americano. O discurso antiamericano e a orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de concilia&ccedil;&atilde;o com as burguesias nacionais dos diversos pa&iacute;ses do continente passaram a vigorar ap&oacute;s a morte de Che Guevara.<\/p>\n<p>A aplica&ccedil;&atilde;o dessa orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica pela Frente Sandinista de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional, na Nicar&aacute;gua, e pela Frente Farabundo Mart&iacute; de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional, em El Salvador, levaram &agrave; derrota. Ao fazerem acordos com as burguesias desses pa&iacute;ses tanto a FSLN quanto a FMLN abriram m&atilde;o da expropria&ccedil;&atilde;o da propriedade privada, o que permitiu a reorganiza&ccedil;&atilde;o da burguesa e a contra revolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A melhor defesa de uma revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; exatamente a sua expans&atilde;o. Uma das primeiras medidas dos revolucion&aacute;rios russos foi a reorganiza&ccedil;&atilde;o de uma internacional revolucion&aacute;ria que pudesse servir de aporte para as revolu&ccedil;&otilde;es, principalmente na Europa. L&ecirc;nin n&atilde;o cansou de dizer que a sorte da Revolu&ccedil;&atilde;o Russa estava nas m&atilde;os do proletariado mundial. Essa tamb&eacute;m era a id&eacute;ia de Che Guevara na frase fa&ccedil;amos um, dois, mil Vietn&atilde;.  E esse n&atilde;o foi o caminho que Fidel percorreu.<\/p>\n<p>A sorte da revolu&ccedil;&atilde;o est&aacute; justamente naqueles que est&atilde;o distantes dos centros de decis&atilde;o da pol&iacute;tica: os trabalhadores. Sem a participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores como sujeitos o destino da revolu&ccedil;&atilde;o fica nas m&atilde;os daqueles que representam a amea&ccedil;a, pois procuram em primeiro lugar atender os interesses da burocracia estatal.<\/p>\n<p>H&aacute; uma necessidade urgente do desenvolvimento de formas independentes e democr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores para enfrentar tanto a burocracia cubana quanto o imperialismo e defender as conquistas da revolu&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ando em um tipo de Estado em que os trabalhadores organizados decidam todos os rumos da sociedade.<\/p>\n<p>Quando falamos de democracia e liberdade n&atilde;o falamos como valor da democracia burguesa que defende o direito de explorar e oprimir trabalhadores. Falamos de <b>democracia oper&aacute;ria em que a burguesia n&atilde;o ter&aacute; liberdade e nem democracia. Em que n&atilde;o haver&aacute; liberdade e nem democracia para a propriedade privada. Em que n&atilde;o haver&aacute; liberdade e nem democracia para a diplomacia secreta de Estado. Em que as decis&otilde;es passem por organismos controlados pelos trabalhadores e n&atilde;o por parlamentos democr&aacute;ticos formados por quem tem maior poder econ&ocirc;mico.<\/b><\/p>\n<p>Para enfrentar a interven&ccedil;&atilde;o americana &eacute; fundamental a mobiliza&ccedil;&atilde;o internacional em defesa dos trabalhadores de Cuba e das conquistas da Revolu&ccedil;&atilde;o. Por esta e por outras raz&otilde;es o Encontro Latino Americano que ser&aacute; realizado logo ap&oacute;s o congresso da CONLUTAS adquire ainda maior import&acirc;ncia.<\/p>\n<p>Fora Imperialismo! Recha&ccedil;o a interven&ccedil;&atilde;o de qualquer via imperialista sobre Cuba!<\/p>\n<p>Fora ex&eacute;rcito imperialista da base de Guantanamo, pela imediata restitui&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio ao povo cubano!<\/p>\n<p>Fora burguesia cubana alojada em Miami! Nenhuma restitui&ccedil;&atilde;o aos gusanos cubanos.<\/p>\n<p>Socializa&ccedil;&atilde;o de todos os meios de produ&ccedil;&atilde;o expropriados pela revolu&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Liberdade aos 5 cubanos presos em Miami!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para n&atilde;o deixarmos nenhuma d&uacute;vida: Defendemos os trabalhadores e o povo cubano contra qualquer tentativa de interven&ccedil;&atilde;o americana!<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":650,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions\/650"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}