{"id":89,"date":"2009-01-03T16:08:40","date_gmt":"2009-01-03T18:08:40","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/89"},"modified":"2018-05-05T18:01:28","modified_gmt":"2018-05-05T21:01:28","slug":"venezuela-e-bolivia-ir-alem-de-chavez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/venezuela-e-bolivia-ir-alem-de-chavez\/","title":{"rendered":"Venezuela e Bol\u00edvia: ir al\u00e9m de Chavez"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">Marcelo Marques<\/p>\n<p>Se a din&acirc;mica de enfrentamento da luta de classes fosse capaz de definir o mapa da Am&eacute;rica Latina, ele teria formas muito diferentes da que conhecemos hoje e pa&iacute;ses como Venezuela, Bol&iacute;via e Col&ocirc;mbia ocupariam maior parte de nosso continente latino.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a pol&iacute;tica representada por Ch&aacute;vez e Evo Morales tem sido capaz de evidenciar a pluralidade de posi&ccedil;&otilde;es e o grau de diverg&ecirc;ncias das diversas organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda.<\/p>\n<p>Ao participar desse importante debate evitamos simplifica&ccedil;&otilde;es que rotulam de Revolu&ccedil;&atilde;o Bolivariana realidades t&atilde;o diversas como as experi&ecirc;ncias venezuelana e boliviana e que buscam viabilizar a exporta&ccedil;&atilde;o do modelo de Socialismo do S&eacute;culo XXI para os demais pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Tais simplifica&ccedil;&otilde;es aumentam a confus&atilde;o ideol&oacute;gica da classe trabalhadora latino-americana, permitindo que organiza&ccedil;&otilde;es que defendem pol&iacute;ticas meramente antineoliberais e coliga&ccedil;&otilde;es eleitorais com setores da burguesia nacional possam se esconder sob o manto de esquerda revolucion&aacute;ria simplesmente por apoiar incondicionalmente o discurso antiimperialista de Ch&aacute;vez.<\/p>\n<p>Na Venezuela, com o chavismo nem casamento&#8230;<\/p>\n<p>A confus&atilde;o ideol&oacute;gica alimentada por Ch&aacute;vez tem como base as reformas sociais financiadas pelo alto valor internacional do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo, que permite beneficiar setores populares historicamente empobrecidos e que recebem uma rede de prote&ccedil;&atilde;o social. Essas camadas alcan&ccedil;aram acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a alimentar que antes n&atilde;o havia para a popula&ccedil;&atilde;o pobre. Soma-se a esse real investimento social uma dura ret&oacute;rica antiimperialista e de confronto com os EUA. Dura ret&oacute;rica, mas apenas ret&oacute;rica.<\/p>\n<p>O estado Bolivariano da Venezuela segue firme no cumprimento dos contratos, no pagamento da d&iacute;vida externa, na defesa da propriedade privada e das institui&ccedil;&otilde;es sob regime democr&aacute;tico burgu&ecirc;s. Al&eacute;m disso tenta tolher a iniciativa e a independ&ecirc;ncia do movimento oper&aacute;rio ao pressionar que as organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores adentrem ao rec&eacute;m criado partido do governo, o PSUV.<\/p>\n<p>Os chavistas mais afoitos se apressam em apoiar todos esses atos, argumentam sobre os limites conjunturais por ser a Venezuela um pa&iacute;s pobre, pressionado pelos EUA e enfatizam o n&atilde;o real e efetivo apoio das potencias regionais (Brasil e Argentina). Afirmam ser Ch&aacute;vez um reformador (aprovou a jornada de trabalho de 6 horas di&aacute;rias para 2010), um impulsionador de pol&iacute;ticas antiimperialista e, dentre outras medidas, estar armando o povo (mil&iacute;cias bolivarianas). Reconhecem essa lideran&ccedil;a como a principal promotora da independ&ecirc;ncia latino-americana, portanto, devemos defend&ecirc;-lo intransigentemente pois criticar &eacute; fazer coro com a burguesia imperialista e contra revolucion&aacute;ria.<\/p>\n<p>Participando dessa opini&atilde;o renegar&iacute;amos o marxismo, as intensas experi&ecirc;ncias hist&oacute;ricas que custaram a vida de gera&ccedil;&otilde;es de revolucion&aacute;rios e aceitar&iacute;amos o papel de coveiros da classe oper&aacute;ria e seus aliados.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos esquecer que somente os trabalhadores s&atilde;o capazes de sua pr&oacute;pria emancipa&ccedil;&atilde;o, portanto qualquer avan&ccedil;o social ou reformador est&aacute; fundamentado no f&ocirc;lego das lutas populares. O papel dos revolucion&aacute;rios deve ser o de incans&aacute;vel impulsionador das lutas. Para isso &eacute; imprescind&iacute;vel que atuem no sentido de remover qualquer obst&aacute;culo ao avan&ccedil;o de consci&ecirc;ncia e de a&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, medidas que v&atilde;o contra a independ&ecirc;ncia de classe devem ser repudiadas. N&atilde;o se pode fazer parte de um partido que governa um Estado burgu&ecirc;s. Uma mil&iacute;cia que reconhece apenas a lideran&ccedil;a de Ch&aacute;vez e n&atilde;o se submete a nenhuma inst&acirc;ncia do movimento oper&aacute;rio deve ser encarada com desconfian&ccedil;a. Apoiar esperan&ccedil;as de que tal ou qual l&iacute;der, por mais ret&oacute;rico que tenha, ser&aacute; capaz de resolver os problemas hist&oacute;ricos da classe trabalhadora ou ao menos garantir sozinho os direitos conquistados &eacute; colaborar com a ilus&atilde;o e n&atilde;o com a consci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; extremamente perigoso propagandear que um estado organizado em s&oacute;lidas institui&ccedil;&otilde;es parlamentares, policiais, judici&aacute;rias ficar&aacute; de bra&ccedil;os cruzados quando testemunhar a evolu&ccedil;&atilde;o crescente da consci&ecirc;ncia prolet&aacute;ria com a&ccedil;&otilde;es que deixar&atilde;o para tr&aacute;s s&eacute;culos de opress&atilde;o aos trabalhadores.<\/p>\n<p>O sangrento per&iacute;odo chileno foi suficiente para deixar profundas marcas na hist&oacute;ria de nosso continente e demonstrar que infelizmente n&atilde;o h&aacute; atalhos em pol&iacute;tica, nem espa&ccedil;os vazios de poder. Quanto maior for o processo de organiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora maior ser&aacute; a viol&ecirc;ncia empregada pela burguesia para retomar seu chicote e exercer seu poder de classe dominante.<\/p>\n<p>Por essa perspectiva acreditamos que de todos os frutos envenenados que o apoio incondicional a Ch&aacute;vez possam render, talvez o mais pernicioso seja a vincula&ccedil;&atilde;o direta das organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores ao Estado. Tal medida, na pr&aacute;tica, retira dos trabalhadores a capacidade e iniciativa de liberar suas for&ccedil;as criativas que gerariam novos instrumentos e formas de poder al&eacute;m de manter intacto o Estado burgu&ecirc;s e todas as institui&ccedil;&otilde;es que, ao primeiro sinal de cansa&ccedil;o da classe trabalhadora, ir&aacute; se aproveitar para retomar qualquer palmo de liberdade e autonomia duramente conquistadas.<\/p>\n<p>&#8230;nem div&oacute;rcio, no momento.<\/p>\n<p>Apesar de todos os questionamentos apontados acima n&atilde;o devemos esquecer que Ch&aacute;vez expressa um movimento de reforma e tem refletido a mobiliza&ccedil;&atilde;o popular que possibilitou importantes avan&ccedil;os sociais. Atr&aacute;s do chavismo ainda caminham setores importantes da classe trabalhadora que lhe d&atilde;o sustenta&ccedil;&atilde;o. Portanto, os revolucion&aacute;rios devem impulsionar as lutas, apontar os perigos de aceitar as estreitas margens da legalidade burguesa e reivindicar melhorias econ&ocirc;micas combinando tudo isso com propostas pol&iacute;ticas que garantam a independ&ecirc;ncia de suas organiza&ccedil;&otilde;es e demonstrem na pr&aacute;tica de onde vem o poder, se das massas trabalhadoras ou das lideran&ccedil;as militares.<\/p>\n<p>Dessa maneira acreditamos que foi um acerto dos setores de esquerda a absten&ccedil;&atilde;o no referendo de dezembro de 2007, pois deu relev&acirc;ncia pol&iacute;tica ao fato de que &eacute; o Chavismo que depende dos trabalhadores e n&atilde;o o contr&aacute;rio. Demonstrou-se tamb&eacute;m que existe amplo setor de trabalhadores capaz de manifestar apoio &agrave;s reformas chavistas, que melhoram as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o venezuelanas. N&atilde;o podemos confundir os resultados com a ret&oacute;rica &agrave; moda BUSH (de quem n&atilde;o est&aacute; a favor est&aacute; contra) t&atilde;o pouco cair na propaganda do imperialismo e de parcelas da burguesia venezuelana (impulsionadores do N&Atilde;O ao referendo). A maturidade pol&iacute;tica da popula&ccedil;&atilde;o venezuelana demonstrou que h&aacute; espa&ccedil;o &agrave; esquerda do chavismo (a absten&ccedil;&atilde;o de 6 milh&otilde;es de eleitores no referendo &eacute; o mesmo n&uacute;mero que garantiu a enorme margem de votos na reelei&ccedil;&atilde;o de Ch&aacute;vez).<\/p>\n<p>Acreditamos tamb&eacute;m que o term&ocirc;metro para o posicionamento frente a Ch&aacute;vez deve ser o do grau de resist&ecirc;ncia que ele oferece ao desenvolvimento da consci&ecirc;ncia e da organiza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. Portanto, qualquer sinal de repress&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o significar&aacute; o esgotamento do chavismo como companheiro de viagem de nossa classe e dever&aacute; ser combatido duramente.<\/p>\n<p>Na Bol&iacute;via&#8230;<\/p>\n<p>O processo boliviano e o que conduziu Ch&aacute;vez ao poder na Venezuela tem a semelhan&ccedil;a que seus l&iacute;deres esfor&ccedil;am-se para dar. Ambas expressam a tentativa de conter dentro da legalidade burguesa todo o &iacute;mpeto das for&ccedil;as populares que impulsionam a din&acirc;mica da luta de classes no sentido de mudar o centro de poder da sociedade boliviana em dire&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores.<\/p>\n<p>Diferentemente da Venezuela, a Bol&iacute;via viveu nas d&eacute;cadas de 70, 80 e 90 um forte movimento de setores reacion&aacute;rios da burguesia para inverter as pequenas conquistas da revolu&ccedil;&atilde;o nacionalista de 1952.<\/p>\n<p>Nos trinta anos subseq&uuml;entes o vento da espolia&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais e das reservas de energia varreu a Bol&iacute;via, mesmo com a grande resist&ecirc;ncia oferecida pelos mineiros bolivianos e suas dinamites. Nesse per&iacute;odo a situa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores piorou ainda mais, culminando em v&aacute;rias rebeli&otilde;es populares como a Guerra da &Aacute;gua, a Guerra do G&aacute;s, o afastamento de presidentes e a elei&ccedil;&atilde;o de Evo Morales baseada nas organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Sua elei&ccedil;&atilde;o tem como pano de fundo o fortalecimento da identidade ind&iacute;gena, a busca de um projeto boliviano para se colocar frente ao mercado globalizado, o esgotamento das minas de cobre, o conseq&uuml;ente empobrecimento e desemprego dos mineiros, a retomada das empresas estatais e o controle real sobre o &uacute;ltimo recurso natural abundante no pa&iacute;s, o g&aacute;s natural. Tanto Evo Morales como Ch&aacute;vez representam grupos pol&iacute;ticos que buscam sustentar-se como mediadores das classes em luta e que necessitam do apoio de for&ccedil;as pol&iacute;ticas que v&atilde;o al&eacute;m das suas bases de apoio incondicional. Tais for&ccedil;as pol&iacute;ticas t&ecirc;m reivindica&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, o que obriga Morales e Ch&aacute;vez a manter sempre a iniciativa pol&iacute;tica e buscar esvaziar, a todo o momento, o conte&uacute;do das disputas entre as classes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>As semelhan&ccedil;as<\/h2>\n<p>O que assemelha Ch&aacute;vez e Evo Morales &eacute; a incessante busca por solu&ccedil;&otilde;es constitucionais alicer&ccedil;adas na democracia burguesa e suas institui&ccedil;&otilde;es de Estado. O maior obst&aacute;culo para tal c&aacute;lculo pol&iacute;tico &eacute; que a burguesia n&atilde;o faz quest&atilde;o de sua democracia, nem do mito da unidade nacional. Ch&aacute;vez j&aacute; sofreu o golpe e Morales n&atilde;o est&aacute; longe dessa possibilidade. Sob o discurso de autonomia das prov&iacute;ncias, a regi&atilde;o da meia lua (Santa Cruz de La Sierra, Pando, Beni e Tarija) levantou, em dezembro de 2007, a possibilidade real de independ&ecirc;ncia e secess&atilde;o do pa&iacute;s caracterizando um grave risco para todos aqueles que depositam esperan&ccedil;as na democracia burguesa. N&atilde;o podemos ser inocentes. A separa&ccedil;&atilde;o de tais prov&iacute;ncias do Estado boliviano ser&aacute; seguida de violenta repress&atilde;o ao movimento popular dessas regi&otilde;es, que atualmente est&aacute; desarmado. Portanto, por mais que se diga que n&atilde;o h&aacute; possibilidade de armar as organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores &eacute; imprescind&iacute;vel tomar medidas que torne vi&aacute;vel tal tarefa e garanta ao proletariado condi&ccedil;&otilde;es de exercer a autodefesa.<\/p>\n<p>Com o in&iacute;cio de 2008 nota-se um moment&acirc;neo recuo na proposta de independ&ecirc;ncia das regi&otilde;es, que devido ao pouco apoio externo encontrou resist&ecirc;ncia em setores da burguesia ligada ao mercado mundial e que, por enquanto, pouco se beneficiaria da independ&ecirc;ncia, uma vez que est&aacute; fora da regi&atilde;o em quest&atilde;o. Al&eacute;m disso, a burguesia boliviana fora da meia lua n&atilde;o v&ecirc; com bons olhos a possibilidade de setores do movimento popular se apoiar no discurso separatista para impor a&ccedil;&otilde;es muito mais radicalizadas, as quais at&eacute; agora o movimento, em seu conjunto, tem levado a efeito.<\/p>\n<p>Dentro de tal cen&aacute;rio acreditamos que a pol&iacute;tica dos revolucion&aacute;rios bolivianos assemelha-se a dos venezuelanos no sentido de seguir intransigentemente na defesa de medidas reformadoras ao mesmo tempo em que aponta e combate os limites da democracia burguesa respeitada por Ch&aacute;vez e Morales, lutando pela independ&ecirc;ncia das organiza&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores e por instrumentos de poder que estejam fora do estado burgu&ecirc;s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Total independ&ecirc;ncia da classe trabalhadora frente ao Estado venezuelano!<\/li>\n<li>Todo apoio &agrave;s conquistas do povo venezuelano!<\/li>\n<li>Contra qualquer tentativa de golpe separatista das elites bolivianas!<\/li>\n<li>Pela organiza&ccedil;&atilde;o armada do povo boliviano!<\/li>\n<\/ol>\n<h2>A guerrilha colombiana apresenta suas armas<\/h2>\n<p>Qualquer militante conseq&uuml;ente de esquerda defende o direito dos trabalhadores se armarem para se defenderem dos ataques da burguesia e de suas for&ccedil;as armadas em qualquer parte do mundo. Na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o poderia ser diferente. Durante muito tempo o continente foi palco de lutas guerrilheiras e algumas at&eacute; alcan&ccedil;aram a vit&oacute;ria militar como em Cuba e Nicar&aacute;gua, enquanto outras foram derrotadas ou cooptadas pelo regime democr&aacute;tico burgu&ecirc;s, mas h&aacute; ainda organiza&ccedil;&otilde;es guerrilheiras que sobreviveram aos ataques e ao tempo. A defesa intransigente da guerrilha como bra&ccedil;o armado das organiza&ccedil;&otilde;es populares n&atilde;o significa o sil&ecirc;ncio frente &agrave;s contradi&ccedil;&otilde;es, que se n&atilde;o forem superadas podem caminhar para a derrota da guerrilha ou para o genoc&iacute;dio. Esse &eacute; um debate importante sobre a FARC-EP.<\/p>\n<p>As For&ccedil;as Armadas Revolucion&aacute;rias Colombianas\/Ex&eacute;rcito do Povo nasceram com o ideal de ruptura com o poder burgu&ecirc;s constitu&iacute;do na Col&ocirc;mbia. Ao longo de anos de cont&iacute;nuo conflito a estrat&eacute;gia revolucion&aacute;ria esmaeceu e se manteve vigorosa a t&aacute;tica de financiamento da luta pela negocia&ccedil;&atilde;o com narcotraficantes e por meio do seq&uuml;estro de militares e civis. Esse m&eacute;todo debilita politicamente a disputa contra as for&ccedil;as do Estado, pois n&atilde;o consegue avan&ccedil;ar no processo de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores uma vez que s&atilde;o bombardeados ideologicamente pela grande m&iacute;dia, facilitando o estabelecimento de pol&iacute;ticas fascistas pelo governo de Uribe.<\/p>\n<p>Atualmente o governo dos EUA mant&eacute;m estreitas liga&ccedil;&otilde;es com Uribe e &eacute; respons&aacute;vel por alimentar a for&ccedil;a armada colombiana por meio do Plano Col&ocirc;mbia. Esse plano foi capaz de investir aproximadamente 4 bilh&otilde;es de d&oacute;lares no per&iacute;odo de 2000 a 2006. Assumiu publicamente a bandeira de combate ao narcotr&aacute;fico, mas na pr&aacute;tica se revela como estrat&eacute;gia militar para desestabilizar os grupos armados de esquerda na Col&ocirc;mbia, que s&atilde;o as FARC e o Exercito de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional. Estabeleceu na Col&ocirc;mbia uma &aacute;rea de influ&ecirc;ncia militar para favorecer a pol&iacute;tica imperialista norte- americana de controlar geopoliticamente o cone sul, cujas evid&ecirc;ncias est&atilde;o no aumento de tropas americanas no territ&oacute;rio colombiano. E tenta cunhar o status de organiza&ccedil;&atilde;o terrorista &agrave;s FARC e ao ELN, o mesmo concedido &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia no oriente m&eacute;dio.<\/p>\n<p>O esfor&ccedil;o da grande m&iacute;dia de classificar as FARC como organiza&ccedil;&atilde;o terrorista e Hugo Ch&aacute;vez como piv&ocirc; de um golpe atentando contra a soberania da Col&ocirc;mbia corrobora com o entendimento da CIA (ag&ecirc;ncia central de intelig&ecirc;ncia americana) de classificar a Venezuela como eixo do mal, ou seja, coloca o pa&iacute;s entre aqueles que fornecem suporte a organiza&ccedil;&otilde;es terroristas que causam desestabiliza&ccedil;&atilde;o na ordem mundial. &Eacute; a grande m&iacute;dia lan&ccedil;ando m&atilde;o de seu marketing pol&iacute;tico baseada no manique&iacute;smo.<\/p>\n<p>Atualmente, as FARC exigem a desmilitariza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas pr&oacute;ximas aos munic&iacute;pios de Pradera e Floridas, pr&oacute;ximas cerca de 50 km da cidade de Cali, como condi&ccedil;&atilde;o para discutir a liberta&ccedil;&atilde;o de outros 750 prisioneiros dos quais est&atilde;o parlamentares colombianos e a ex-candidata a presid&ecirc;ncia Ingrid Betancort, cidad&atilde; francesa que permite &agrave; Fran&ccedil;a a condi&ccedil;&atilde;o de parte diretamente interessada.<\/p>\n<p>Para a esquerda latino-americana e especialmente para a esquerda colombiana est&aacute; colocada a dura necessidade de construir uma estrat&eacute;gia socialista de ruptura com as estruturas de poder nacionais e com a atual ordem mundial. Tamb&eacute;m a necessidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora para que as lutas armadas na Am&eacute;rica Latina n&atilde;o nos conduzam a mais uma vit&oacute;ria do capital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p align=\"right\">Marcelo Marques<\/p>\n<p>Se a din&acirc;mica de enfrentamento da luta de classes fosse capaz de definir o mapa da Am&eacute;rica Latina, ele teria formas muito diferentes da que conhecemos hoje e pa&iacute;ses como Venezuela, Bol&iacute;via e Col&ocirc;mbia ocupariam maior parte de nosso continente latino.<\/p>\n<p>A for&ccedil;a pol&iacute;tica representada por Ch&aacute;vez e Evo Morales tem sido capaz de evidenciar a pluralidade de posi&ccedil;&otilde;es e o grau de diverg&ecirc;ncias das diversas organiza&ccedil;&otilde;es de esquerda.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=89"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6248,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/89\/revisions\/6248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=89"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}