{"id":90,"date":"2009-01-03T16:09:52","date_gmt":"2009-01-03T18:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/90"},"modified":"2018-05-05T18:01:15","modified_gmt":"2018-05-05T21:01:15","slug":"a-dificil-tarefa-da-militancia-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/a-dificil-tarefa-da-militancia-feminina\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil tarefa da milit\u00e2ncia feminina"},"content":{"rendered":"<p>Quando a mulher trabalhadora adquire consci&ecirc;ncia de classe e se prop&otilde;e a lutar e desenvolver sua milit&acirc;ncia pol&iacute;tica e\/ou sindical, essa milit&acirc;ncia j&aacute; est&aacute; sobrecarregada. Pesa sobre nossos ombros todas as atividades que a mulher trabalhadora n&atilde;o militante executa: responsabilidades das tarefas dom&eacute;sticas; responsabilidades com filhos, fam&iacute;lia, trabalho, etc.<\/p>\n<p>Precisamos estar dispostas a vencer os preconceitos e discrimina&ccedil;&otilde;es, dar conta de todos os compromissos e ainda superar intoler&acirc;ncias, seja na fam&iacute;lia, no ambiente de trabalho ou, algumas vezes, no interior do pr&oacute;prio grupo de milit&acirc;ncia.<\/p>\n<p>A mulher reproduz na sociedade aquilo que a pr&oacute;pria sociedade determinou. Nesta sociedade, cuidar da casa, dos filhos, preocupar-se com alimenta&ccedil;&atilde;o e limpeza s&atilde;o atributos considerados como prolongamento do <i>ser mulher<\/i>. Quando sa&iacute;mos para trabalhar ou para participar de compromissos com a milit&acirc;ncia, carregamos a casa e os filhos na cabe&ccedil;a e nos ombros. Se o filho fica na creche ou na escola, a preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; se ter&aacute; leite suficiente para ele em casa, se vai dar tempo de comprar o que falta, lavar a lou&ccedil;a, fazer o jantar, e assim por diante.  Dificilmente quando o homem sai para trabalhar carrega as mesmas preocupa&ccedil;&otilde;es que a mulher.  A emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher, entre outras coisas, significou um ac&uacute;mulo ou acr&eacute;scimo de tarefas. A id&eacute;ia de que isso facilitou a nossa vida &eacute; falsa. Na realidade, a constru&ccedil;&atilde;o social que determina essas fun&ccedil;&otilde;es como sendo de natureza feminina &eacute; usada para manuten&ccedil;&atilde;o da domina&ccedil;&atilde;o do ser humano feminino.  A partir da d&eacute;cada de 70, com a globaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, cada vez mais a for&ccedil;a de trabalho feminina serviu ao sistema capitalista que se apoderou da suposta liberdade adquirida pela mulher. Na verdade, foi a necessidade de manter o sustento da fam&iacute;lia que nos deu condi&ccedil;&otilde;es de competir profissionalmente em p&eacute; de igualdade com o homem. No entanto, passamos a sofrer ainda mais as opress&otilde;es do sistema, tornando-nos um dos pilares de sua domina&ccedil;&atilde;o. Estabeleceu-se, em muitos casos, a emancipa&ccedil;&atilde;o financeira, mas com a crueldade de recebermos em m&eacute;dia 15% menos para igual trabalho desenvolvido por um homem.<\/p>\n<h2>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de igualdade de g&ecirc;nero<\/h2>\n<p>Os programas governamentais falam em liberdade e igualdade de direitos. Fazem propaganda de que houve avan&ccedil;os para a emancipa&ccedil;&atilde;o feminina. Mostram estat&iacute;sticas de que as mulheres est&atilde;o em maior n&uacute;mero nas esferas de poder p&uacute;blico. O governo Lula criou a Secretaria Especial de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, no entanto, a realidade mostra que nada mudou. As Reformas prev&ecirc;em cortes em direitos historicamente adquiridos, como a Licen&ccedil;a Maternidade e o 13&deg; Sal&aacute;rio. Fomentam ainda mais a incid&ecirc;ncia do trabalho informal (sem carteira assinada) com a terceiriza&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra. Objetivam cortes em despesas com v&iacute;nculos empregat&iacute;cios (FGTS, PIS, INSS). Essas pol&iacute;ticas n&atilde;o atingem somente as trabalhadoras, atinge toda a nossa classe, mas &eacute; sobre n&oacute;s (m&atilde;e, filha, av&oacute;, etc) que recai a lideran&ccedil;a da fam&iacute;lia com a responsabilidade do sustento e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h2>A mulher no sindicato<\/h2>\n<p>Diante dessa situa&ccedil;&atilde;o podemos observar, como exemplo, a categoria de professores em S&atilde;o Paulo. Dos mais de 100.000 integrantes do quadro do magist&eacute;rio, 92% s&atilde;o professoras. Ao observarmos a atua&ccedil;&atilde;o no sindicato (APEOESP) podemos perceber a dura luta da mulher trabalhadora.  Sendo uma categoria quase que exclusivamente feminina e diante das dificuldades de milit&acirc;ncia, encontramos na dire&ccedil;&atilde;o do sindicato um n&uacute;mero reduzido de mulheres, longe de representar proporcionalmente a sua base. Assim, os problemas enfrentados pela mulher trabalhadora s&atilde;o restritos a um Grupo de Trabalho. Somemos a isto as p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho nas escolas, os baixos sal&aacute;rios e uma diretoria sindical governista e machista, para termos no&ccedil;&atilde;o da atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica feminina no meio educacional. Essa realidade ainda favorece os menos politizados que atentam moralmente contra companheiras que se destacam na luta e no calor dos debates.  Essa pr&aacute;tica, que deve ser severamente condenada e abolida do meio sindical, marcou o Congresso da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional de Trabalhadores em Educa&ccedil;&atilde;o (CNTE) realizado no m&ecirc;s de Janeiro em Bras&iacute;lia.  Incapaz de defender a pol&iacute;tica de destrui&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o mantida no governo Lula, um representante da Articula&ccedil;&atilde;o Sindical, corrente petista que est&aacute; na dire&ccedil;&atilde;o estadual do sindicato h&aacute; mais de 20 anos, partiu para a agress&atilde;o verbal contra companheiras da CONLUTAS a fim de ofend&ecirc;-las moralmente e desestabiliz&aacute;-las no momento em que defendiam a cria&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Mulheres e GLBTT na Confedera&ccedil;&atilde;o.  Para a CONLUTAS\/Oposi&ccedil;&atilde;o Alternativa esta Secretaria assumiria a importante tarefa de organizar e conduzir a luta da categoria contra a opress&atilde;o da mulher, a explora&ccedil;&atilde;o, o machismo e a viol&ecirc;ncia sexista.  No entanto, por tr&aacute;s da pr&aacute;tica desse representante esconde-se o modo petista de governar, adotado nos governos e nos sindicatos cutistas em que as diversas conseq&uuml;&ecirc;ncias de atos de viol&ecirc;ncia contra a mulher recaiam tamb&eacute;m sobre ela pr&oacute;pria. Isso se confirma com a negativa da diretoria majorit&aacute;ria da CNTE em assinar a mo&ccedil;&atilde;o de rep&uacute;dio contra os atos violentos de seu representante. E se reafirma com a negativa em assinar uma mo&ccedil;&atilde;o de rep&uacute;dio contra a pris&atilde;o da menina de Abaetetuba\/Par&aacute;.  Enquanto age assim, a atual dire&ccedil;&atilde;o restringe as a&ccedil;&otilde;es do sindicato ao ato do 8 de mar&ccedil;o. E quest&otilde;es espec&iacute;ficas como tripla jornada, creches p&uacute;blicas, licen&ccedil;a gestante e tantas outras sequer s&atilde;o apresentadas para o debate na categoria.  O que observamos at&eacute; aqui &eacute; uma pequena demonstra&ccedil;&atilde;o de como a mulher trabalhadora, que decide ser militante, sobrevive nesse sistema. S&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es como essas que nos fazem lutar e defender:<\/p>\n<ol>\n<li>A redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho sem redu&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio, com cotas   proporcionais para mulheres negras, sem dupla ou tripla jornada;<\/li>\n<li>A licen&ccedil;a gestante de 06 meses. Redu&ccedil;&atilde;o da jornada, ap&oacute;s a volta ao trabalho,   para amamenta&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>Creches p&uacute;blicas, gratuitas, com qualidade educacional. Funcionamento 24 horas   e fins-de-semana. Nos locais de trabalho e estudo. Enquanto n&atilde;o temos essas creches exigimos o Aux&iacute;lio Bab&aacute;;<\/li>\n<li>Que durante as atividades militantes os sindicatos devam criar condi&ccedil;&otilde;es   (contratar bab&aacute; ou creche) para a participa&ccedil;&atilde;o de m&atilde;es trabalhadoras e pais com a guarda dos filhos;<\/li>\n<li>Cotas proporcionais, ao n&uacute;mero de mulheres nas categorias, nos &oacute;rg&atilde;os de   dire&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>A descriminaliza&ccedil;&atilde;o e legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto;<\/li>\n<li>Que a mulher decida sobre o seu pr&oacute;prio corpo, em todos os sentidos;<\/li>\n<li>Carteira assinada e direitos trabalhistas a todas as mulheres trabalhadoras;<\/li>\n<li>Diminui&ccedil;&atilde;o da idade de aposentadoria para todas as mulheres que trabalham   dentro ou fora de casa;<\/li>\n<li>A aboli&ccedil;&atilde;o do padr&atilde;o est&eacute;tico bul&iacute;mico e anor&eacute;xico;<\/li>\n<li>Uni&atilde;o civil homossexual com direito &agrave; ado&ccedil;&atilde;o;<\/li>\n<li>Uma sexualidade livre dos preconceitos religioso, de ra&ccedil;a, de orienta&ccedil;&atilde;o   sexual e n&atilde;o submetida ao capital;<\/li>\n<li>O fim da ditadura do parto normal e f&oacute;rceps na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de e do   parto cesariana nos hospitais conveniados;<\/li>\n<li>Um programa espec&iacute;fico para a sa&uacute;de da mulher negra para tratamento de doen&ccedil;as   com anemia falciforme;<\/li>\n<li>O fim da discrimina&ccedil;&atilde;o &agrave; mulher trabalhadora nos livros did&aacute;ticos;<\/li>\n<li>A inclus&atilde;o da disciplina de orienta&ccedil;&atilde;o sexual no curr&iacute;culo escolar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&Eacute; com toda essa dificuldade, e por causa dela, que n&oacute;s mulheres trabalhadores assumimos tamb&eacute;m a nossa milit&acirc;ncia. N&atilde;o aceitamos essa realidade injusta! &Eacute; isso que nos leva a lutar pela transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade e por uma sociedade socialista!<\/p>\n<p>Conforme palestra de Ivone Guebara em 16\/05\/97. Depto de Geografia\/USP.<\/p>\n<p>Mo&ccedil;&atilde;o de Rep&uacute;dio ao machismo ocorrido no XXX Congresso da CNTE, Caderno de Mo&ccedil;&otilde;es. p. 25 e 26.<\/p>\n<p>Caderno de Teses para o XXII Congresso Estadual da Apeoesp. Novembro de 2007. S&atilde;o Paulo: Serra Negra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a mulher trabalhadora adquire consci&ecirc;ncia de classe e se prop&otilde;e a lutar e desenvolver sua milit&acirc;ncia pol&iacute;tica e\/ou sindical, essa milit&acirc;ncia j&aacute; est&aacute; sobrecarregada. 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