{"id":91,"date":"2009-01-03T16:12:32","date_gmt":"2009-01-03T18:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/91"},"modified":"2018-05-05T18:03:52","modified_gmt":"2018-05-05T21:03:52","slug":"encarte-rebeldia-socialista-numero-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/encarte-rebeldia-socialista-numero-04\/","title":{"rendered":"Encarte Rebeldia Socialista &#8211; n\u00famero 04"},"content":{"rendered":"<h2>Felicidade! Passei no vestibular. mas a faculdade &eacute; particular! Ela &eacute; particular&#8230; (Martinho da Vila em Pequeno Burgu&ecirc;s)<\/h2>\n<p>Nos &uacute;ltimos vinte anos ouvimos dizer que o estado deveria deixar de custear as atividades econ&ocirc;micas, pois sua fun&ccedil;&atilde;o era priorizar &aacute;reas como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Esse argumento foi amplamente utilizado para convencer o povo brasileiro a apoiar as privatiza&ccedil;&otilde;es de empresas estatais, pois, dessa forma, o estado brasileiro tornar-se-ia mais &aacute;gil e capaz de investir em &aacute;reas sociais.<\/p>\n<p>Outro discurso muito utilizado era o de que, ao subordinar as empresas estatais &agrave;s regras de mercado elas se tornariam mais competitivas, mais eficientes e forneceriam servi&ccedil;os e produtos melhores e mais baratos (foi assim com a telecomunica&ccedil;&atilde;o, eletricidade, Vale do Rio Doce, etc).<\/p>\n<p>At&eacute; aqui n&atilde;o h&aacute; nada de novo, a novidade aparece quando as regras do jogo se tornam obst&aacute;culos para quem as formula. A&iacute; a situa&ccedil;&atilde;o muda de figura e as regras, que antes eram sagradas, d&atilde;o espa&ccedil;o &agrave; inova&ccedil;&otilde;es modernizadoras.<\/p>\n<p>Atualmente os donos de universidades e faculdades podem explorar um ramo privilegiado do mercado, a educa&ccedil;&atilde;o superior. Aqui &eacute; poss&iacute;vel contratar m&atilde;o-de-obra qualificada, pagar baixos sal&aacute;rios, oferecer um servi&ccedil;o de qualidade duvidosa, n&atilde;o se preocupar com a fiscaliza&ccedil;&atilde;o estatal, al&eacute;m de contar com dinheiro p&uacute;blico para financiar suas atividades.<\/p>\n<p>Diferentemente do que pregam os capitalistas, quem lucra com o ensino superior n&atilde;o corre o risco das oscila&ccedil;&otilde;es de mercado, n&atilde;o sofre a efetiva fiscaliza&ccedil;&atilde;o do estado se oferecer um produto de m&aacute; qualidade, e nem arca com os preju&iacute;zos de uma eventual inadequa&ccedil;&atilde;o &agrave;s leis de oferta e procura ao oferecer cursos que n&atilde;o respondem as necessidades sociais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Falta dinheiro &agrave;s universidades federais, sobra recurso p&uacute;blico para o setor privado<\/h2>\n<p>Estamos falando de um ramo de atividade que explora 78%[1] das vagas de gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s e que conta com diversos programas que subsidiam a exist&ecirc;ncia do ensino superior privado como a &uacute;nica t&aacute;bua da salva&ccedil;&atilde;o para o estudante filho de trabalhador. Entre esses programas, talvez o de maior impacto e mais lucrativo para os donos de universidades seja o PROUNI (Programa Universidade Para Todos) que atualmente subsidia as mensalidades (integrais ou parciais) de 300 mil estudantes em gradua&ccedil;&atilde;o superior em todo o pa&iacute;s, e que se prop&otilde;e a atingir a meta de 400 mil at&eacute; o fim do mandato do Presidente Lula, a um custo m&eacute;dio de R$ 7 a 8 mil\/ano[2] cada bolsa. Esse n&uacute;mero significar&aacute; 10% dos estudantes do ensino privado que atualmente &eacute; de 4 milh&otilde;es, ou seja, um d&eacute;cimo da rede privada ser&aacute; subsidiada com dinheiro p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Sabemos que o funil da educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil n&atilde;o se resolve do dia para noite e que muitos estudantes utilizam o Prouni como &uacute;nica forma de estudar um curso de 3&ordm; grau, mas n&atilde;o podemos esquecer que o crit&eacute;rio utilizado pelas faculdades para disponibilizar os cursos &eacute; a baixa procura de quem pode pagar, muitas vezes motivadas pela baixa qualidade ou irrelev&acirc;ncia acad&ecirc;mica.<\/p>\n<p>J&aacute; na rede p&uacute;blica, o or&ccedil;amento das universidades federais &eacute; de R$ 10 bilh&otilde;es ao ano para investir em 600 mil vagas, esse n&uacute;mero reflete o valor de R$ 16,6 mil por aluno ao ano[3], conta com 85% de professores com dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva, em sua maioria doutores, al&eacute;m de custear laborat&oacute;rios, pesquisa, extens&atilde;o universit&aacute;ria e uma ampla rede de atendimento &agrave; comunidade. Esse modelo faz da universidade p&uacute;blica brasileira refer&ecirc;ncia latino-americana quando o assunto &eacute; pesquisa e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Apesar da excel&ecirc;ncia das p&uacute;blicas sobre as privadas, e sem cair na armadilha dos n&uacute;meros, n&atilde;o bastaria investir o dinheiro p&uacute;blico gasto com o Prouni para abrir mais vagas nas universidades federais se o nosso objetivo &eacute; atender os filhos da classe trabalhadora, pois mais uma vez ser&iacute;amos postos para fora no funil dos vestibulares. Mais do que uma discuss&atilde;o matem&aacute;tica sobre os recursos e investimentos, a decis&atilde;o &eacute; eminentemente pol&iacute;tica e est&aacute; subordinada a l&oacute;gica perversa do capital de subordinar toda e qualquer necessidade da sociedade &agrave; sua pr&oacute;pria l&oacute;gica do lucro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Para o jovem estudar ele precisa arrumar um emprego. Para ser contratado ele precisa estar estudando.<\/h2>\n<p>Conforme dados do DIEESE em 2007, dos 3,5 milh&otilde;es de desempregados nas seis regi&otilde;es metropolitanas pesquisadas (S&atilde;o Paulo, Porto Alegre, Bras&iacute;lia, Belo Horizonte, Salvador e Recife), 46,4%, portanto quase metade, s&atilde;o jovens de 16 a 24 anos. Nessa idade, o jovem que deveria estar cursando uma faculdade est&aacute; procurando trabalho. &Eacute; um momento da vida que faz parecer uma sa&iacute;da providencial quando se consegue cursar uma faculdade particular sem pagar no ato.<\/p>\n<p>A l&oacute;gica que faz do jovem m&atilde;o-de-obra barata e subempregada &eacute; a mesma que lucra com o PROUNI, e para sermos conseq&uuml;entes devemos enfrentar o problema pela raiz. Somente um conjunto de medidas pol&iacute;ticas que abarcam todo o conjunto da sociedade poder&aacute; reduzir o flagelo e desespero da juventude trabalhadora, invertendo a l&oacute;gica mercantil das universidades para que elas possam ser utilizadas na busca de solu&ccedil;&otilde;es para a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas produzindo m&atilde;o-de-obra e servi&ccedil;os que beneficiem toda a sociedade, e n&atilde;o apenas quem vive do trabalho de alunos, estagi&aacute;rios e rec&eacute;m formados.<\/p>\n<p>Para tanto defendemos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>O fim do vestibular, por vagas em escolas p&uacute;blicas para todos.  Que a admiss&atilde;o em escolas t&eacute;cnicas p&uacute;blicas e universidades p&uacute;blicas considere como crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o a propor&ccedil;&atilde;o regional de alunos de escolas p&uacute;blicas e privadas.<\/li>\n<li>Educa&ccedil;&atilde;o em per&iacute;odo integral (8h), com investimento financeiro que propicie um ensino e equipamentos de qualidade, combinado com atividades culturais e de lazer.<\/li>\n<li>Gest&atilde;o parit&aacute;ria. Que os alunos tenham possibilidade real de interferir na constru&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do que estudam nas escolas e faculdades.<\/li>\n<li>Cotas proporcionais &agrave; popula&ccedil;&atilde;o negra e ind&iacute;gena em todos os processos seletivos das escolas t&eacute;cnicas p&uacute;blicas e universidades p&uacute;blicas.<\/li>\n<li>Implementa&ccedil;&atilde;o da lei 10639, que institui a obrigatoriedade do ensino de Hist&oacute;ria e Literatura Africanas em todas as escolas e universidades, bem como a hist&oacute;ria de resist&ecirc;ncia dos negros na &Aacute;frica, no Brasil e no mundo.<\/li>\n<li>Redu&ccedil;&atilde;o da jornada de trabalho do jovem para 06 horas\/di&aacute;rias, por menos horas de trabalho, por novas contrata&ccedil;&otilde;es.<\/li>\n<li>Que se respeite a proporcionalidade de afrodescendentes e ind&iacute;genas em cada regi&atilde;o nas ofertas de vagas de trabalho.<\/li>\n<li>Pelo fim do trabalho precarizado, que todo jovem tenha direitos trabalhistas. Fim do est&aacute;gios como forma de precarizar o trabalho do estudante.<\/li>\n<li>Fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos est&aacute;gios por organismos de base do movimento estudantil, que o est&aacute;gio esteja a servi&ccedil;o do aprendizado e n&atilde;o seja forma de precarizar o trabalho do estudante.<\/li>\n<li>M&iacute;nimo do Dieese como refer&ecirc;ncia salarial a ser aplicado ao c&aacute;lculo da remunera&ccedil;&atilde;o proporcional dos est&aacute;gios.<br \/>\n<h2>Refer&ecirc;ncias<\/h2>\n<p>    [1] Centro de Estudos sobre Educa&ccedil;&atilde;o Superior e Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas     (Cespe)<\/p>\n<p>[2] idem<\/p>\n<p>[3] idem<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<h2>Felicidade! Passei no vestibular. mas a faculdade &eacute; particular! 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