{"id":92,"date":"2009-01-03T16:18:36","date_gmt":"2009-01-03T18:18:36","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/92"},"modified":"2018-06-01T15:33:33","modified_gmt":"2018-06-01T18:33:33","slug":"jornal-23-novembrodezembro-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/jornal-23-novembrodezembro-2007\/","title":{"rendered":"Jornal 23: Novembro\/Dezembro de 2007"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#titulo1\">Em 2007 avan\u00e7ou a unidade dos trabalhadores e da esquerda contra o governo Lula e os patr\u00f5es<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#titulo2\">Dilemas e perspectivas da categoria de professores da rede estadual de S\u00e3o Paulo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#titulo3\">Balan\u00e7o e perspectivas para os banc\u00e1rios<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#titulo4\">O aprofundamento da viol\u00eancia contra a classe trabalhadora<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u25a0<\/p>\n<h1 id=\"page-title\" style=\"text-align: justify;\"><a name=\"titulo1\"><\/a>Em 2007 avan\u00e7ou a unidade dos trabalhadores e da esquerda contra o governo lula e os patr\u00f5es<\/h1>\n<div id=\"node-93\" style=\"text-align: justify;\">\n<p lang=\"pt-BR\">Ao findar 2007 podemos dizer que foi um ano bem mais din\u00e2mico para os movimentos sociais. Diferente dos anos anteriores em que a CUT e o PT haviam conseguido manter o movimento totalmente paralisado, apoiados nas ilus\u00f5es de grande parte dos trabalhadores no governo Lula e atuantes para reproduzir o discurso governo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Ap\u00f3s quatro anos de ataques e mentiras do governo, a experi\u00eancia de uma parte importante dos trabalhadores avan\u00e7ou e permitiu que surgisse um conjunto muito maior de greves, ocupa\u00e7\u00f5es, paralisa\u00e7\u00f5es, marchas, atos, etc.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">E n\u00e3o \u00e9 para menos. A postura do governo Lula e das demais institui\u00e7\u00f5es do estado burgu\u00eas tem sido cada vez mais de endurecimento perante as condi\u00e7\u00f5es de vida e as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, principalmente das categorias mais organizadas e dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos. Al\u00e9m disso o governo tornou p\u00fablica sua inten\u00e7\u00e3o de atacar at\u00e9 mesmo o mais b\u00e1sico direito dos trabalhadores: o direito de greve.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Essa pol\u00edtica de endurecimento contra os trabalhadores serve para garantir os lucros e o funcionamento do sistema com prioridade para a banca financeira.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Neste ano foram pagos R$ 165,9 bilh\u00f5es s\u00f3 de juros da d\u00edvida p\u00fablica. Mesmo assim, a d\u00edvida vem crescendo e j\u00e1 atingiu R$1,3 trilh\u00e3o! Na pr\u00e1tica essa D\u00edvida j\u00e1 foi paga. Sua exist\u00eancia se tornou um mecanismo de agiotagem que trava qualquer desenvolvimento social do pa\u00eds.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O dinheiro economizado com o achatamento salarial e com a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 canalizado para fornecer a chamada \u201cajuda externa\u201d de que o capital tanto necessita em seu per\u00edodo de crise estrutural. O governo Lula n\u00e3o mede esfor\u00e7os em atacar tamb\u00e9m o ambiente permitindo a constru\u00e7\u00e3o de usinas hidrel\u00e9tricas de alto impacto ambiental e a utiliza\u00e7\u00e3o nas usinas termel\u00e9tricas de combust\u00edveis que estavam sendo banidos por serem muito poluentes, como o carv\u00e3o mineral e o \u00f3leo combust\u00edvel.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Em S\u00e3o Paulo o governo Serra disputa com Lula quem faz mais cortes e ajustes na m\u00e1quina de Estado. Desde o in\u00edcio do ano cortou verbas para a educa\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade, atacou a autonomia das universidades e o sistema de previd\u00eancia dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos de acordo com o governo federal.<\/p>\n<h2>O movimento, pela base, se fez presente<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">Marcou o ano de 2007, sem d\u00favida, o ressurgimento, em v\u00e1rios estados, de lutas em categorias importantes como banc\u00e1rios, correios e funcionalismo p\u00fablico. O movimento estudantil entrou em atividade com novos m\u00e9todos radicalizados de luta, como as ocupa\u00e7\u00f5es de Reitorias.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A retomada das lutas tem um peso importante na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica pois para acontecer precisa passar por cima das principais dire\u00e7\u00f5es do movimento social brasileiro. Tanto no movimento sindical como no estudantil a caracter\u00edstica central dessas lutas \u00e9 a de que ocorreram por fora e contra as dire\u00e7\u00f5es tradicionais do movimento, em especial a CUT e a UNE, correias de transmiss\u00e3o do governo e dos patr\u00f5es no movimento. Essa caracter\u00edstica aponta uma tend\u00eancia geral de recomposi\u00e7\u00e3o, pela esquerda, do movimento.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Organizativamente tamb\u00e9m houve avan\u00e7os importantes nas lutas. Ocorreu o surgimento, ainda embrion\u00e1rio, de uma organiza\u00e7\u00e3o pela base e que extrapola as entidades. Dois exemplos que merecem destaque s\u00e3o as ocupa\u00e7\u00f5es das Reitorias que foram acompanhadas pela constru\u00e7\u00e3o de comandos de base e a greve de Correios em S\u00e3o Paulo. Ambas constru\u00edram o comando de greve, que cumpriu um importante papel na mobiliza\u00e7\u00e3o. O comando de greve \u00e9 importante por apontar uma forma de organizar a greve e, ao mesmo tempo, de se livrar das amarras das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e traidoras.<\/p>\n<h2>A base imp\u00f4s a unidade sobre as principais correntes<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\">As experi\u00eancias dos trabalhadores e as mobiliza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia geraram o sentimento de que era preciso a unidade das lutas e da esquerda para enfrentar os ataques do governo. Esse sentimento j\u00e1 vinha existindo desde o ano passado. Nas p\u00e1ginas de n\u00fameros anteriores deste jornal, o Espa\u00e7o Socialista vinha chamando a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se constituir um p\u00f3lo unit\u00e1rio que servisse de refer\u00eancia para o setor dos trabalhadores em luta. Mesmo assim, a maior parte das grandes correntes resistia a essa necessidade e colocava seus limitados interesses de constru\u00e7\u00e3o acima das necessidades do movimento. No entanto, a press\u00e3o do movimento e dos ativistas pela unidade na luta acabou se disseminando a partir da base e se impondo sobre os interesses particulares das organiza\u00e7\u00f5es sindicais e dos principais partidos de esquerda (PSTU e PSOL).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Foi assim que no in\u00edcio deste ano a CONLUTAS e a INTERSINDICAL finalmente colocaram-se de acordo no sentido de realizar no dia 25 de mar\u00e7o o Encontro Nacional Contra as Reformas do Governo Lula.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Como decorr\u00eancia deste Encontro as greves, paralisa\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias categorias e setores sociais tiveram uma data unificada para confluir e no dia 23 de maio cerca de 1,5 milh\u00e3o de trabalhadores estavam mobilizados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A seguir foi realizado um Ato de Protesto na Abertura do PAN no Rio de Janeiro e o Plebiscito pela reestatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce, contra o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, contra a Reforma da Previd\u00eancia e contra os Reajustes das tarifas p\u00fablicas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Ao final da semana do Plebiscito, em 7 de setembro, ocorreu o Grito dos Exclu\u00eddos. Esse movimento unificado culminou com a Marcha em Bras\u00edlia, que juntou cerca de 20 mil trabalhadores contra a Reforma da Previd\u00eancia e os demais ataques do governo Lula.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Durante todo esse per\u00edodo, tanto a CUT quanto a UNE com uma postura governista ficaram de fora das principais jornadas de mobiliza\u00e7\u00e3o, o que aumentou o desgaste junto aos trabalhadores e estudantes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Com o receio da CUT e do PT em perderem parte importante de sua influ\u00eancia para o setor de esquerda representado pela CONLUTAS e a INTERSINDICAL essas entidades governistas acabaram pressionando o governo no sentido de ir mais devagar com as Reformas, particularmente, a Reforma da Previd\u00eancia. Isso explica por que, passados quase um ano do lan\u00e7amento do F\u00f3rum da Previd\u00eancia o mesmo tenha terminado sem qualquer acordo a respeito de qual projeto deve ser enviado pelo governo ao Congresso. Pelo menos formalmente a CUT e a For\u00e7a Sindical tiveram que se posicionar contra algumas das principais propostas dos patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Por seu lado o governo tamb\u00e9m tinha interesse em impedir a eclos\u00e3o de um processo maior de lutas que pudesse desestabilizar a governabilidade burguesa do Estado, como no caso da greve nacional dos banc\u00e1rios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Portanto, dentro dessa retomada inicial das lutas, foi decisivo o in\u00edcio da unifica\u00e7\u00e3o da esquerda no sentido de pelo menos atrasar o processo das Reformas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Outro aspecto que tem levado a um atraso nas Reformas \u00e9 a disputa entre os dois principais partidos da ordem (PT e PSDB) e seus respectivos aparatos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Apesar de estarem unidos quanto aos principais pontos contra os trabalhadores, as Reformas e o PAC, h\u00e1 uma disputa de interesses entre os principais partidos do poder. De um lado est\u00e1 o PT, representante direto das burocracias ligadas ao Estado e aos sindicatos, aliado ao PMDB, com uma base de apoio fisiol\u00f3gica que representa construtoras e setores da burguesia com menor liga\u00e7\u00e3o ao mercado internacional. Do outro lado, o PSDB representante da burguesia mais ligada aos bancos, \u00e0 ind\u00fastria e ao mercado estrangeiro. Tem ao seu lado o DEM, representante do setor mais antigo dos latifundi\u00e1rios e da burguesia nordestina (que vem se reciclando e buscando novos nichos de atua\u00e7\u00e3o junto aos empres\u00e1rios de biocombust\u00edveis, \u00e0s construtoras e ao turismo).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Essas diferen\u00e7as de interesses fazem com que esses dois blocos se enfrentem para ver quem vai controlar os ritmos, as formas de implementa\u00e7\u00e3o e, principalmente, quem vai se beneficiar mais com o dinheiro arrancado dos trabalhadores.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O bloco encabe\u00e7ado pelo PT que se apoiou em seu primeiro mandato no PTB e depois no PMDB tem feito um trabalho bastante \u00fatil para a burguesia, principalmente ao paralisar, sabotar e tentar desacreditar qualquer possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds no imediato.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">J\u00e1 o bloco PSDB e DEM possui seus interesses ligados a um ritmo mais r\u00e1pido e direto na implementa\u00e7\u00e3o das Reformas, sem passar pelas media\u00e7\u00f5es de controle, cria\u00e7\u00e3o de cargos e privil\u00e9gios da burocracia pol\u00edtica e sindical ligadas ao PT e \u00e0 CUT.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A media\u00e7\u00e3o da burocracia sindical e pol\u00edtica materializada no PT e na CUT foi necess\u00e1ria \u00e0 burguesia num primeiro momento para conter e tentar desacreditar o movimento social e dessa forma prosseguir na agenda de ajustes a favor do capital. No entanto, \u00e0 medida que alcan\u00e7ou, ainda que parcialmente seus objetivos, a burocracia, passou tamb\u00e9m a representar um problema para um setor mais din\u00e2mico da burguesia que anseia por se livrar do peso econ\u00f4mico dessa burocracia e ao mesmo tempo fazer um processo de ataques mais diretos ao movimento e at\u00e9 mesmo \u00e0 pr\u00f3pria estrutura de Estado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Assim, essa diferen\u00e7a de interesses espec\u00edficos tem provocado o enfretamento entre esses dois blocos que podem, no entanto, estar se encaminhando para um regime de altern\u00e2ncia no estilo do que acontece nos EUA entre os Republicanos e os Democratas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Desde o mensal\u00e3o temos visto esse pseudocombate ora mais ora menos acirrado. Os dois \u00faltimos epis\u00f3dios foram o esc\u00e2ndalo envolvendo Renan Calheiros e a quest\u00e3o da CPMF.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Para o movimento a conseq\u00fc\u00eancia indireta \u00e9 que essa disputa tem se combinado com resist\u00eancias e acarretado um atraso no ritmo das Reformas, o que d\u00e1 um certo f\u00f4lego no sentido de nos prepararmos melhor para o pr\u00f3ximos combates.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Sem nos enganarmos ou iludirmos \u00e9 importante ressaltar que por parte do governo e da burguesia n\u00e3o h\u00e1 uma paralisia em seus projetos. H\u00e1 apenas uma desacelera\u00e7\u00e3o por conta das contradi\u00e7\u00f5es que se afloraram. O envio dos projetos da Reforma Previdenci\u00e1ria do Funcionalismo, as regula\u00e7\u00f5es eleitorais e da Lei de Greve pelo judici\u00e1rio deixa evidente que o projeto de aumentar a explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Devemos aproveitar o atraso no cronograma geral das Reformas devido ao in\u00edcio da resist\u00eancia e \u00e0s disputas entre PT e PSDB para levarmos aos quatro cantos do pa\u00eds a nossa mensagem de luta. A rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora \u00e9 a \u00fanica forma de derrotar as Reformas, o PAC e o governo Lula.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Embora tenha havido um avan\u00e7o em 2007, algumas lacunas persistem no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e da esquerda. J\u00e1 apontamos essas lacunas em outros materiais, mas resumimos aqui os seguintes desafios:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">1) Precisamos ampliar e aprofundar o movimento na base. Aumentar a disputa pela consci\u00eancia dos trabalhadores e jovens ao combatermos os argumentos da patronal e do governo. Para isso precisamos de um novo panfleto nacional com milh\u00f5es de c\u00f3pias para instrumentalizar o prosseguimento da campanha contra as Reformas;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">2) Precisamos realizar no in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano plen\u00e1rias\u00a0regionais e impulsionar a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas contra as reformas, fortalecendo o movimento nas bases e incorporando um n\u00famero maior de ativistas. Foi realizada, em Julho deste ano, no ABC paulista, uma importante Plen\u00e1ria Regional que possibilitou a a\u00e7\u00e3o unificada de v\u00e1rias correntes com atividades na portas de f\u00e1bricas, em pra\u00e7as, em faculdades, etc;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">3) S\u00e3o necess\u00e1rios passos concretos para a unifica\u00e7\u00e3o entre CONLUTAS e INTERSINDICAL em uma s\u00f3 Central de luta e democr\u00e1tica. Os Congressos marcados para o meio do pr\u00f3ximo ano tanto da CONLUTAS quanto da INTESINDICAL devem sancionar essa unifica\u00e7\u00e3o e marcar um Encontro Nacional dos Trabalhadores para fundar uma nova central oper\u00e1ria e popular unificada com uma estrutura sindical verdadeiramente democr\u00e1tica;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">4) Apresentar um Programa M\u00ednimo Socialista que seja uma alternativa ao do governo Lula e ao dos patr\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Apesar de pressentirem que as reformas da burguesia lhes ser\u00e3o prejudiciais, os trabalhadores em sua ampla maioria n\u00e3o vislumbram outro projeto capaz de ultrapassar as restri\u00e7\u00f5es que a ordem capitalista imp\u00f5e. Esse problema \u00e9 realimentado todos os dias pela m\u00eddia burguesa e pela a\u00e7\u00e3o das dire\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas como a CUT, For\u00e7a Sindical, UNE, UBES, PT, PC do B, etc. Essas dire\u00e7\u00f5es reproduzem, de outras formas, o mesmo discurso da burguesia de que \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d e, portanto, temos que nos adaptar ao capitalismo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Diante da crise estrutural do capital, somente a retomada do projeto socialista pode oferecer a perspectiva de uma alternativa global para os problemas da classe e da humanidade.\u00a0Infelizmente, a maioria da esquerda tem desprezado essa tarefa fundamental em fun\u00e7\u00e3o de press\u00f5es imediatistas ou de sua adapta\u00e7\u00e3o aos aparatos sindicais e\/ou eleitorais, o que tem atrasado o desenvolvimento da consci\u00eancia e da luta dos trabalhadores. \u00c9 preciso corrigir essa defasagem para qualificar nossa interven\u00e7\u00e3o junto aos trabalhadores.<\/p>\n<h2>Propostas para um programa socialista dos trabalhadores<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; N\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica interna e externa com o investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">&#8211; Carteira de trabalho e direitos trabalhistas para todos os trabalhadores da cidade e do campo, em todos os ramos da economia; fim das terceiriza\u00e7\u00f5es e do trabalho prec\u00e1rio;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Sal\u00e1rio m\u00ednimo do\u00a0DIEESE\u00a0para toda a classe trabalhadora;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas privatizadas, sob controle dos trabalhadores, com reintegra\u00e7\u00e3o dos demitidos;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores; Fim do latif\u00fandio, por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica, voltada para as necessidades da classe trabalhadora;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Por um governo socialista dos trabalhadores baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Por uma sociedade socialista.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#indice\"><span style=\"color: #000000;\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<h1 id=\"page-title\"><a name=\"titulo2\"><\/a>Dilemas e perspectivas da categoria de professores da rede estadual de S\u00e3o Paulo<\/h1>\n<div id=\"node-94\">\n<p align=\"right\">Cl\u00e1udio Luiz A. Santana<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">V\u00e1rios s\u00e3o os motivos que dificultam o di\u00e1logo entre a categoria de professores de S\u00e3o Paulo e o conjunto dos trabalhadores, embora partilhem de problemas semelhantes. Os professores n\u00e3o t\u00eam conseguido fazer com que os graves problemas apresentados na Educa\u00e7\u00e3o extrapolem os muros das escolas e sejam discutidos e resolvidos por todos que dependem do servi\u00e7o p\u00fablico. Sofrem diretamente as conseq\u00fc\u00eancias da pol\u00edtica educacional dos governos do PSDB\/PT e s\u00e3o sistematicamente responsabilizados, atrav\u00e9s da grande m\u00eddia e por uma parcela da sociedade, pelo caos existente na rede p\u00fablica estadual. Mas o que leva uma categoria, com mais 180 mil professores, a suportar passivamente o med\u00edocre papel reservado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Estado mais rico da federa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Destacamos alguns desses motivos que contribuem para \u201cenquadrar\u201d, desmoralizar e desmobilizar os professores, facilitando a aplica\u00e7\u00e3o de metas governamentais e o aprofundamento do sucateamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">a) Endividamento: H\u00e1 muitos anos sem aumento salarial, com o aumento da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e os \u00edndices inflacion\u00e1rios ocorreu um achatamento salarial, que tem obrigado o professor a contrair d\u00edvidas. Essa situa\u00e7\u00e3o faz com que, muitas vezes, o professor endividado deixe de participar de assembl\u00e9ias e atividades do sindicato para n\u00e3o ter o seu m\u00edsero sal\u00e1rio ainda mais reduzido. Ao n\u00e3o participar enfraquece a luta, torna-se impotente diante da perda do poder de compra de seu sal\u00e1rio e deixa de pressionar suficientemente o governo a fim de reverter a pol\u00edtica salarial adotada;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">b)\u00a0Perspectiva de assegurar o b\u00f4nus (gratifica\u00e7\u00e3o) ou aument\u00e1-lo: Tamb\u00e9m est\u00e1 diretamente relacionada ao achatamento salarial, j\u00e1 que este valor est\u00e1 vinculado \u00e0 freq\u00fc\u00eancia do professor. Esta combina\u00e7\u00e3o de b\u00f4nus com baixo sal\u00e1rio se tornou um importante instrumento de conten\u00e7\u00e3o das lutas e tem funcionado a favor do governo. Como o b\u00f4nus \u00e9 um paliativo ultimamente n\u00e3o tem tido a mesma for\u00e7a pois seu valor vem diminuindo, mesmo para aqueles que n\u00e3o faltam.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">c) Intimida\u00e7\u00e3o por parte de alguns diretores de escola: Esta intimida\u00e7\u00e3o interfere diretamente na mobiliza\u00e7\u00e3o dos professores. Uma parcela de diretores se apega em alguns pontos do Estatuto do Magist\u00e9rio (da \u00e9poca da Ditadura) e contam com a desinforma\u00e7\u00e3o de muitos para dificultar a participa\u00e7\u00e3o ativa dos professores nas lutas;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">d) O papel vigilante que a sociedade exerce sobre os professores: associado ao papel simb\u00f3lico destes na sociedade (exemplo a ser seguido dentro de uma ordem moral) fazem com que o professor se sinta intimidado em participar de uma greve ou de uma passeata, pois compromete a \u201cmoral e os bons costumes da sociedade\u201d. No entanto, parte importante desta mesma sociedade conservadora (em primeiro lugar a grande m\u00eddia) cala-se perante o papel reservado \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o no Brasil e os verdadeiros culpados por sua crise;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">e) O imediatismo da sociedade capitalista: Com o processo de pauperiza\u00e7\u00e3o dos professores as preocupa\u00e7\u00f5es imediatas d\u00e3o a t\u00f4nica. Combinadas com a falta de perspectivas de mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o fazem com que os professores s\u00f3 pensem em assegurar o emprego com uma carga hor\u00e1ria que possibilite um sal\u00e1rio suficiente para cobrir seus gastos e sobreviver;<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">f)\u00a0Os projetos individuais:\u00a0Ao buscar sa\u00eddas individuais para os problemas coletivos, como a quest\u00e3o do baixo sal\u00e1rio, muitos professores acumulam cargos em duas ou tr\u00eas redes para aumentar a sua renda. Mas esta sa\u00edda individual se reverte tamb\u00e9m contra o pr\u00f3prio professor que acaba adoecendo ou se tornando um aut\u00f4mato, sem tempo para o descanso, vida social, aprimoramento e aumento de seu n\u00edvel cultural.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">g) O papel cumprido pelo sindicato: Este j\u00e1 tem a sua limita\u00e7\u00e3o por estar dentro da institucionalidade do Estado Burgu\u00eas. Somemos a isso, a atua\u00e7\u00e3o da maioria de sua dire\u00e7\u00e3o formada por um bloco de correntes governistas \u2013 Articula\u00e7\u00e3o Sindical (PT), ArtNova (PT) e CSC (PC do B) \u2013 que tem como caracter\u00edstica principal iludir os professores com pol\u00edticas assistencialistas ou limitadas \u00e0 esfera jur\u00eddica, abaixo-assinados e conv\u00eanios.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Essas correntes usam o sindicato para blindar e defender as pol\u00edticas do governo Lula, alegando que o nosso inimigo \u00e9 apenas o governo Serra. \u00c9 verdade que o governo Serra \u00e9 nosso inimigo mais pr\u00f3ximo, mas \u00e9 um ato irrespons\u00e1vel n\u00e3o reconhecer as esferas da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Estado brasileiro (municipal, estadual e federal) em que uma esfera est\u00e1 vinculada \u00e0 outra. Pudemos observar isso no primeiro semestre deste ano, com a implementa\u00e7\u00e3o da SP-Prev pelo governo Serra, que nada mais \u00e9 do que colocar em pr\u00e1tica uma resolu\u00e7\u00e3o institu\u00edda pela a segunda Reforma da Previd\u00eancia do governo Lula.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Outra confus\u00e3o intencionalmente causada pela Art Sind refere-se \u00e0 municipaliza\u00e7\u00e3o do Ensino Fundamental. Alega-se que foi o\u00a0FUNDEF\u00a0(Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento do Ensino Fundamental) do governo FHC que instituiu a municipaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade, mas o\u00a0FUNDEB\u00a0(Fundo Nacional de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) do governo Lula, que substitui o\u00a0FUNDEF,\u00a0aprofunda o processo de municipaliza\u00e7\u00e3o, o que afeta diretamente a nossa categoria estadual.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Na\u00a0<i>Tese da Articula\u00e7\u00e3o Sindical para o XXII Congresso da APEOESP, 2007,\u00a0<\/i>diz:\u00a0\u201cO\u00a0FUNDEB\u00a0destina mais recursos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e \u00e9 um importante passo para uma pol\u00edtica nacional que articule a colabora\u00e7\u00e3o efetiva dos entes federados para garantir a qualidade da educa\u00e7\u00e3o e a valoriza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio\u201d<i>,\u00a0<\/i>p\u00e1g. 9<i>.<\/i><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">O mesmo ocorre em rela\u00e7\u00e3o ao PDE do governo Lula, que segundo a Articula\u00e7\u00e3o Sindical \u201ccont\u00e9m avan\u00e7os\u201d, p\u00e1g. 8. No entanto, procura encobrir a rela\u00e7\u00e3o direta entre as metas do governo Lula para a educa\u00e7\u00e3o, com as 10 metas ou a\u00e7\u00f5es do governo Serra, em que a avalia\u00e7\u00e3o e o curr\u00edculo s\u00e3o apontados como os grandes problemas da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Desta forma os governos Lula e Serra tentam mais uma vez atribuir aos professores a responsabilidade dos danos causados pelos anos de desrespeito de seus governos com a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O obscurantismo da Art Sind n\u00e3o para por a\u00ed. Faz uma defesa expl\u00edcita do PAC do governo Lula sem ao menos citar o congelamento de sal\u00e1rios dos servidores. \u201cO PAC representa um passo na ruptura com o padr\u00e3o anterior do Estado brasileiro, canalizando investimentos para a produ\u00e7\u00e3o e para a infra-estrutura social\u201d, p\u00e1g. 6.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Diante de todos esses problemas o corporativismo existente na categoria de professores serve apenas para isolar ainda mais esses profissionais. As metas propostas pelo governo Serra no Estado de S\u00e3o Paulo, que v\u00e3o ao encontro das propostas pelo governo Lula para os demais Estados, al\u00e9m de aprofundar essa situa\u00e7\u00e3o visam especialmente reduzir o n\u00famero de professores empregados. Com o fechamento de salas-de-aula, per\u00edodos, escolas, mudan\u00e7as na grade curricular a cada ano uma imensid\u00e3o de professores vai ficando fora da escola.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Junte-se a isso a progress\u00e3o continuada (promo\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica), a falta de verbas, a viol\u00eancia dentro das escolas, a m\u00e1 qualidade da merenda, a aus\u00eancia de concursos para outros funcion\u00e1rios, o despreparo do pessoal de apoio&#8230; e tem-se um breve quadro do caos estabelecido nos locais onde a nossa juventude deve se formar intelectualmente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Para reagirmos a todos esses problemas torna-se cada vez mais necess\u00e1ria a unidade entre todos n\u00f3s que dependemos do servi\u00e7o p\u00fablico e merecemos qualidade. Precisamos de organismos de luta independente de qualquer governo, que unifique as lutas de todos os trabalhadores, desempregados e movimentos sociais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">N\u00e3o podemos mais aceitar que as dire\u00e7\u00f5es sindicais utilizem os sindicatos para facilitar a aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas do governo contra os trabalhadores. Sindicato tem que ser de luta e para a luta, por isso defendemos que em todas as categorias do funcionalismo p\u00fablico, particularmente professores, haja a discuss\u00e3o sobre a desfilia\u00e7\u00e3o da\u00a0CUT\u00a0e que os valores enviados mensalmente para essa central burocr\u00e1tica e governista (R$ 100 mil dos professores) sejam revertidos em prol dos trabalhadores denunciando as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e desmascarando a m\u00eddia burguesa.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Na categoria de professores da rede p\u00fablica estadual torna-se cada vez mais necess\u00e1ria a uni\u00e3o das oposi\u00e7\u00f5es a partir de um programa m\u00ednimo para derrotar o governo e bloco instalado na dire\u00e7\u00e3o do sindicato por mais de vinte anos. Os dois grandes desafios para o pr\u00f3ximo ano s\u00e3o: 1) Impulsionar na categoria e junto \u00e0 comunidade uma campanha explicativa sobre as conseq\u00fc\u00eancias das medidas dos governos Serra e Lula para retomarmos a luta por qualidade, condi\u00e7\u00f5es de ensino e aprendizagem, e sal\u00e1rio; 2) Batalhar pela forma\u00e7\u00e3o de uma Chapa \u00danica de Oposi\u00e7\u00e3o, para as elei\u00e7\u00f5es da\u00a0APEOESP\u00a0no meio do ano, com vistas a mudar a dire\u00e7\u00e3o, o funcionamento interno e transformar a\u00a0APEOESP\u00a0em um sindicato de luta e democr\u00e1tico. Somente a uni\u00e3o das Oposi\u00e7\u00f5es com um programa m\u00ednimo de luta, com democracia sindical e independ\u00eancia frente ao governo e aos patr\u00f5es poder\u00e1 derrubar o bloco Art Sind, ArtNova e CSC. E somente a luta conjunta dos trabalhadores poder\u00e1 reservar para a Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica o objetivo do conhecimento.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#indice\"><span style=\"color: #000000;\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<h1 id=\"page-title\"><a name=\"titulo3\"><\/a>Balan\u00e7o e perspectivas para os banc\u00e1rios<\/h1>\n<div id=\"node-95\">\n<p align=\"right\">Daniel M. Delfino<\/p>\n<p align=\"right\">M\u00e1rcio Cardoso<\/p>\n<h2>Os bancos s\u00e3o hoje os verdadeiros donos da economia brasileira<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Atrav\u00e9s da compra de t\u00edtulos p\u00fablicos, os bancos tornam-se credores do Estado. Ao mesmo tempo, seus representantes no governo (Banco Central \u201caut\u00f4nomo\u201d) t\u00eam o controle da taxa de juros oficial da economia, que faz com que a d\u00edvida do governo se multiplique astronomicamente, e com ela os lucros dos banqueiros. Al\u00e9m de explorar a d\u00edvida p\u00fablica, os bancos exploram tamb\u00e9m as demais empresas capitalistas, os consumidores e seus pr\u00f3prios trabalhadores. O setor banc\u00e1rio vem tendo lucros crescentes a cada ano e em especial desde a posse de Lula. As mat\u00e9rias da imprensa burguesa demonstram copiosamente o quanto o atual governo tem sido lucrativo para os bancos: \u201cNo per\u00edodo (1996-2006), em apenas tr\u00eas anos o retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido do setor banc\u00e1rio como um todo ultrapassou 20%: 2002, 2005 e 2006\u201d (Ney Hayashi da Cruz,\u00a0<i>Folha de S\u00e3o Paulo<\/i>, 12 de mar\u00e7o de 2007).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">A mesma mat\u00e9ria diz que, de 1996 para c\u00e1, a receita obtida com tarifas saltou de R$ 12,1 para R$ 47,5 bilh\u00f5es (alta de 293%). Essa receita que antes cobria apenas 48% da folha de pagamento dos funcion\u00e1rios passou a cobrir 123%, ou seja, somente com as tarifas os bancos pagam todos os funcion\u00e1rios e ainda tem um lucro de 23%. O faturamento alcan\u00e7ado com juros de empr\u00e9stimos chegou a R$ 152,3 bilh\u00f5es em 2006, 137% a mais do que em 1996. No caso das aplica\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos, as receitas somaram R$ 87,8 bilh\u00f5es, aumento de 119%.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Esses n\u00fameros excepcionais dos bancos brasileiros configuram um resultado \u00fanico no setor banc\u00e1rio mundial, qui\u00e7\u00e1 na hist\u00f3ria do capitalismo mundial. Essa excepcionalidade da economia brasileira \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es para a violenta concentra\u00e7\u00e3o de renda e a b\u00e1rbara mis\u00e9ria em que vive a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Justamente por isso, na constru\u00e7\u00e3o de uma economia socialista, a estatiza\u00e7\u00e3o dos bancos \u00e9 uma das tarefas mais fundamentais, como forma de assegurar o controle social sobre os recursos econ\u00f4micos.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0A luta dos banc\u00e1rios<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Naturalmente, os seguidores de Lula no movimento sindical da categoria banc\u00e1ria est\u00e3o a anos-luz de lan\u00e7ar uma tal reivindica\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, a Articula\u00e7\u00e3o, corrente do PT que dirige os mais importantes sindicatos da categoria banc\u00e1ria e os principais sindicatos do pa\u00eds, lan\u00e7ou este ano a proposta de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel. A proposta reivindicava uma porcentagem sobre as tarifas e venda de produtos banc\u00e1rios, o que tornaria os trabalhadores escravos de metas abusivas de vendas, legitimando o ass\u00e9dio moral das chefias sobre os funcion\u00e1rios e a extors\u00e3o dos clientes por meio de pr\u00e1ticas como a venda casada. Al\u00e9m disso, a Articula\u00e7\u00e3o mostrou-se favor\u00e1vel \u00e0 proposta da patronal de acordos v\u00e1lidos por dois anos, o que a deixa de m\u00e3os livres para colocar os sindicatos a servi\u00e7o do PT nos anos eleitorais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Felizmente, essas duas propostas foram barradas com mais uma greve nacional dos banc\u00e1rios em 2007 a exemplo do que j\u00e1 ocorrera nas \u00faltimas quatro campanhas salariais desde a posse de Lula. No entanto, essa foi a greve mais fraca desde a retomada do ciclo de lutas da categoria, o que exige uma reflex\u00e3o mais aprofundada.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\">Ao longo das \u00faltimas campanhas o Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria (MNOB) defendeu a estrat\u00e9gia de assembl\u00e9ias espec\u00edficas como forma de alavancar a disposi\u00e7\u00e3o de luta dos funcion\u00e1rios de bancos p\u00fablicos, que constituem o grosso da vanguarda de ativistas e grevistas que mantiveram vivo o movimento nos \u00faltimos anos. Atrav\u00e9s de assembl\u00e9ias espec\u00edficas na fase de prepara\u00e7\u00e3o da campanha, haveria espa\u00e7os democr\u00e1ticos para que as verdadeiras reivindica\u00e7\u00f5es viessem \u00e0 tona e para que um comando democr\u00e1tico de campanha controlado pelos trabalhadores banc\u00e1rios fosse formado. Com isso seria poss\u00edvel construir uma luta que obtivesse conquistas parciais que serviriam de par\u00e2metro para os demais segmentos. Concretamente, se algum dos bancos p\u00fablicos obtivesse um plano de reposi\u00e7\u00e3o de perdas ou de isonomia entre funcion\u00e1rios novos e antigos, essa conquista serviria de base para a reivindica\u00e7\u00e3o dos colegas de outros bancos.<\/p>\n<h2>A campanha salarial de 2007<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O MNOB trabalhou nos \u00faltimos anos com a consigna de \u201ccampanha unificada em mesas separadas\u201d. Em 2007, a Articula\u00e7\u00e3o atendeu essa reivindica\u00e7\u00e3o, mas do avesso, transformando-a no seu contr\u00e1rio: \u201cmesa unificada para campanhas separadas\u201d. Neste ano realizaram-se assembl\u00e9ias espec\u00edficas, mas n\u00e3o na fase de prepara\u00e7\u00e3o da campanha e sim somente depois que o formato da campanha j\u00e1 estava burocraticamente decidido no comando cutista hegemonizado pela Articula\u00e7\u00e3o. Mais uma vez, a campanha esteve amarrada com a reedi\u00e7\u00e3o da fat\u00eddica mesa \u00fanica da\u00a0FENABAN. Assim, vendo-se mais uma vez diante da impossibilidade de lutar por suas reivindica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, os funcion\u00e1rios do BB simplesmente n\u00e3o compareceram \u00e0s assembl\u00e9ias das principais bases. Em S\u00e3o Paulo, havia cerca de 800 gerentes na assembl\u00e9ia para aceitar a proposta do governo Lula defendida pela Articula\u00e7\u00e3o e somente 300 banc\u00e1rios dispostos a rejeit\u00e1-la. Desse modo, foi f\u00e1cil para a Articula\u00e7\u00e3o desmontar a greve no BB, nos bancos privados na maior parte dos Estados e enfrentar apenas uma greve da CEF.<\/p>\n<h2>Os problemas da oposi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O fechamento da campanha salarial deste ano tamb\u00e9m fecha um ciclo no movimento. O MNOB, consolidado na rebeli\u00e3o de base na greve hist\u00f3rica de 30 dias em 2004, j\u00e1 n\u00e3o tem a mesma for\u00e7a na categoria. Os trabalhadores v\u00eaem o Movimento como um corpo \u00e0 parte, uma entidade destacada do conjunto da categoria. Os banc\u00e1rios n\u00e3o v\u00eaem a si pr\u00f3prios como Oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o entendem como tarefa sua o desafio de expurgar do sindicato a Articula\u00e7\u00e3o e seus pelegos, burocratas, governistas e agentes da patronal. Diante deste quadro, cabe-nos fazer um bala\u00e7o profundo sobre a atua\u00e7\u00e3o da Oposi\u00e7\u00e3o. Indicamos a seguir os principais problemas da oposi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">1. Priorizar as elei\u00e7\u00f5es sindicais \u2013 O MNOB \u00e9 visto como um corpo \u00e0 parte do restante da categoria porque na maior parte das vezes se apresenta apenas como uma chapa de oposi\u00e7\u00e3o para a disputa de elei\u00e7\u00f5es sindicais e de entidades representativas. O MNOB s\u00f3 aparece na \u00e9poca das campanhas salariais e das elei\u00e7\u00f5es de entidades. No restante do ano, ele n\u00e3o existe. Sua atividade \u00e9 sempre reativa, jamais pr\u00f3-ativa. O MNOB somente tenta responder aos fatos, jamais se antecipa a eles. Embora esteja presente em todas as lutas, n\u00e3o \u00e9 capaz de conduz\u00ed-las para a vit\u00f3ria, pois n\u00e3o acumula for\u00e7a pol\u00edtica suficiente para inverter a correla\u00e7\u00e3o a favor da categoria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">N\u00e3o se trata aqui de propor a aus\u00eancia do MNOB nas elei\u00e7\u00f5es sindicais, mas de desenvolver um projeto estrat\u00e9gico que fa\u00e7a das campanhas eleitorais um meio e n\u00e3o um fim. A forma\u00e7\u00e3o de chapas tem que ser um instrumento para fortalecer o movimento na categoria, com vistas \u00e0s lutas cotidianas dos banc\u00e1rios e aos processos de longo prazo da luta de classes. A prioridade dada para as disputas superestruturais, sem um projeto estrat\u00e9gico claro, impediu que o MNOB desenvolvesse um trabalho estrutural de educa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores banc\u00e1rios e eleva\u00e7\u00e3o da sua consci\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">2. Aus\u00eancia de organicidade \u2013 A inexist\u00eancia do MNOB na maior parte do ano se traduz pela aus\u00eancia de reuni\u00f5es. A falta de uma periodicidade das reuni\u00f5es impede que os problemas sejam conhecidos por todos, que o debate se realize, que as propostas sejam refinadas, que as tarefas sejam distribu\u00eddas, que exista controle e balan\u00e7o das atividades. A cada retomada do movimento, o MNOB \u00e9 obrigado a reinventar a roda, redistribuir tarefas, refazer cadastros, retomar as finan\u00e7as, que jamais deveriam ter parado de funcionar. Essa aus\u00eancia de organicidade se reflete na diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de militantes. N\u00e3o se acumula um saldo organizativo para os pr\u00f3ximos embates.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">3. Falta de um projeto estrat\u00e9gico \u2013 O projeto estrat\u00e9gico do MNOB deve ir al\u00e9m das campanhas salariais e das campanhas eleitorais dos sindicatos. Precisa ter como horizonte preparar a categoria para os enfrentamentos mais globais da luta de classes. Precisa desenvolver na categoria uma consci\u00eancia capaz de nos situar no conjunto da classe trabalhadora, como participantes de um processo de lutas mais amplo, que se enfrenta n\u00e3o apenas com a Articula\u00e7\u00e3o no controle dos sindicatos, mas com o governo e a burguesia no controle da economia. \u00c9 preciso fornecer aos trabalhadores um horizonte mais amplo, uma alternativa de sociedade que permita vislumbrar sa\u00eddas concretas, socialistas, para a crise do Brasil e da humanidade.<\/p>\n<h2>Propostas para o pr\u00f3ximo per\u00edodo<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Conforme os problemas apontados acima, propomos as seguintes medidas para superar a crise organizativa do MNOB e sua conseq\u00fcente debilidade pol\u00edtica:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">1. Estrutura\u00e7\u00e3o profissional do MNOB \u2013 \u00c9 preciso retomar um calend\u00e1rio de reuni\u00f5es peri\u00f3dicas (no m\u00ednimo, quinzenais) para debater estrategicamente os rumos da categoria e uma divis\u00e3o de tarefas, como a organiza\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as, a reda\u00e7\u00e3o de materiais e sua diagrama\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o dos boletins por circunscri\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia dos militantes, etc.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">2. Priorizar a disputa pol\u00edtico-ideol\u00f3gica dos banc\u00e1rios e da popula\u00e7\u00e3o \u2013 Os boletins do MNOB precisam ir al\u00e9m de quest\u00f5es corporativas e incorporar os interesses de todos os trabalhadores. A luta dos banc\u00e1rios \u00e9 uma luta contra a pol\u00edtica dos bancos de agiotagem contra o conjunto da sociedade e de extors\u00e3o dos trabalhadores em particular (tarifas astron\u00f4micas, juros escorchantes, venda-casada, filas e p\u00e9ssimo atendimento nas ag\u00eancias). A classe trabalhadora precisa ver o trabalhador banc\u00e1rio como seu aliado e n\u00e3o como inimigo. E entre os trabalhadores banc\u00e1rios, \u00e9 preciso contar os funcion\u00e1rios de bancos privados e tamb\u00e9m os terceirizados. Cabe ao MNOB desenvolver esse debate mais profundo: qual o papel dos bancos no capitalismo brasileiro? E numa transi\u00e7\u00e3o ao socialismo?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">3. Uma pol\u00edtica definida para os banc\u00e1rios da rede privada \u2013 Os funcion\u00e1rios de bancos privados s\u00e3o a imensa maioria da categoria, mas n\u00e3o est\u00e3o praticamente representados no MNOB. \u00c9 preciso incorporar as bandeiras hist\u00f3ricas deste setor fragilizado da categoria nos boletins da Oposi\u00e7\u00e3o e desenvolver formas de atua\u00e7\u00e3o que viabilizem sua milit\u00e2ncia, tendo em vista a amea\u00e7a de demiss\u00e3o iminente dos ativistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Esperamos com essas propostas contribuir para superar a paralisia do MNOB, para retomar a sua estrutura\u00e7\u00e3o e sua capacidade de ini<span style=\"color: #000000;\">ciativa pol\u00edtica, para enraizar o movimento na categoria e preparar os trabalhadores para os duros embates que se aproximam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#indice\"><span style=\"color: #000000;\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<h1 id=\"page-title\"><span style=\"color: #000000;\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/span><span style=\"color: #000000;\">A aprofundamento da viol\u00eancia contra a classe trabalhadora<\/span><\/h1>\n<div id=\"node-96\">\n<p align=\"right\"><i>Do rio que tudo arrasta, diz-se que \u00e9 violento. Mas ningu\u00e9m chama violentas \u00e0s margens que o comprimem.<\/i><\/p>\n<p align=\"right\">Bertolt Brecht<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Para fazermos uma an\u00e1lise da viol\u00eancia em 2007 precisamos retornar ao ano de 2006. O suposto ataque do PCC passou a legitimar, para o senso comum, uma pr\u00e1tica da pol\u00edcia de atirar primeiro e depois perguntar. Os dados oficiais minimizam, mas, n\u00e3o negam que muitos dos que foram mortos em a\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia na \u201crea\u00e7\u00e3o contra o PCC\u201d n\u00e3o tinham sequer passagem pela pol\u00edcia. A pr\u00f3pria m\u00eddia fala na a\u00e7\u00e3o de grupos de exterm\u00ednio liderados por policiais. Al\u00e9m disso, velhas discuss\u00f5es voltaram \u00e0 cena como a pena de morte, a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal, o endurecimento das penas e o fim do \u201cprivil\u00e9gio\u201d da progress\u00e3o continuada da pena. Como j\u00e1 demonstrado anteriormente (\u201cA quem serve o discurso da redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal\u201d,\u00a0<i>Espa\u00e7o Socialista<\/i>, n\u00ba 21) esse discurso s\u00f3 serve para colocar cortina de fuma\u00e7a no problema e esconder a real situa\u00e7\u00e3o do ser humano sob o regime capitalista.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">No processo de enrijecimento da a\u00e7\u00e3o policial contra trabalhadoras e trabalhadores, vemos que o Haiti foi um tubo de ensaio. No Haiti desde 2004, com a cria\u00e7\u00e3o da\u00a0MINUSTAH\u00a0(sigla do franc\u00eas Mission des Nations Unies pour la stabilisation en Haiti\u00a0&#8211;\u00a0Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a estabiliza\u00e7\u00e3o no Haiti), o Brasil utiliza o lema do\u00a0&#8220;bra\u00e7o forte, m\u00e3o amiga&#8221; e d\u00e1 \u00eanfase exagerada ao \u201cbra\u00e7o forte\u201d. Isso se demonstra nas not\u00edcias de carnificina praticada pelo ex\u00e9rcito de \u201cpaz\u201d liderado pelo Brasil. Curiosamente diz-se que o Haiti est\u00e1 pacificado, mas, a\u00a0ONU\u00a0s\u00f3 pretende sair de l\u00e1 em 2011. A quest\u00e3o \u00e9 que no Haiti o ex\u00e9rcito brasileiro reprime e mata trabalhadores. A pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o do coronel Cunha Mattos \u2013 chefe do sistema de comunica\u00e7\u00e3o social do ex\u00e9rcito\u00a0(CCOMSEX), se referindo ao fato de que os \u201cbandidos\u201d no Haiti usam coquetel molotov em compara\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o no Morro do Alem\u00e3o \u2013 diz que \u201cos bandidos est\u00e3o bem armados com potentes fuzis e granadas de m\u00e3o.\u201d Dessa forma justifica que o governo brasileiro deva manter no Haiti mais de 1200 soldados.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">No Haiti o ex\u00e9rcito brasileiro desenvolveu a \u201cexperi\u00eancia\u201d utilizada pelas tropas militares no patrulhamento de ruas e favelas cariocas, antiga reivindica\u00e7\u00e3o da burguesia. Nas v\u00e9speras do PAN, ocorreu a maior a\u00e7\u00e3o policial no complexo do Alem\u00e3o. Foram 1.350 policiais e soldados da For\u00e7a Nacional, que teve como saldo 19 civis mortos com desconfian\u00e7as de v\u00e1rias execu\u00e7\u00f5es. O laudo da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB diz que \u00e9 poss\u00edvel \u201cdeduzir\u201d que algumas v\u00edtimas foram executadas. Obviamente porque o laudo do IML era propositalmente limitado, pois os corpos chegaram ao IML em condi\u00e7\u00f5es preparadas para acobertar as situa\u00e7\u00f5es reais. Esses fatos foram divulgados pela pr\u00f3pria m\u00eddia burguesa, que admitiu a possibilidade de pelo menos 5 corpos terem sido alvejados \u00e0 queima roupa. Imaginemos como ficaram as fam\u00edlias das trabalhadoras e trabalhadores, testemunhas oculares desse tipo de a\u00e7\u00e3o do Estado. Ali\u00e1s, boa parte j\u00e1 \u00e9 v\u00edtima da trucul\u00eancia da pol\u00edcia, cuja a\u00e7\u00e3o parece reproduzir o pensamento de que morador da favela \u00e9 bandido.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Dentro dessa mesma l\u00f3gica de trucul\u00eancia e legitima\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia a PM do Rio utiliza nas favelas o \u201cCaveir\u00e3o\u201d: Um carro de guerra amea\u00e7ador, que chega entoando uma m\u00fasica que incita \u00e0 viol\u00eancia e que tem uma caveira estampada em suas portas. Pesa 8 toneladas, atinge 120 Km\/h e possui 21 pontos de tiros, onde os policiais encaixam os fuzis. Esta \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo de policiamento da PM que, segundo organizadores da campanha \u201cCaveir\u00e3o N\u00e3o\u201d, utiliza m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o que implantam o medo e n\u00e3o garantem a seguran\u00e7a. De dentro do \u201ccaveir\u00e3o\u201d os policiais efetuam disparos e intimidam a popula\u00e7\u00e3o sem serem identificados. Os relatos dos moradores d\u00e3o conta de que os alto-falantes do ve\u00edculo assustam e ofendem os moradores e moradoras das favelas. Contam que o Caveir\u00e3o desfila pelas comunidades com corpos de jovens assassinados presos nos ganchos do ve\u00edculo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A justificativa para o uso do Caveir\u00e3o \u00e9 de que as favelas do Rio vivem uma \u201csitua\u00e7\u00e3o de guerra\u201d. Morados e l\u00edderes das comunidades afirmam que esse argumento \u00e9 a desculpa utilizada pelo governo e pela pol\u00edcia para justificar as execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, tiroteios indiscriminados e outros abusos cometidos pela pol\u00edcia nas favelas e comunidades pobres.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Estes fatos revelam o papel da pol\u00edcia no Estado: reprimir e intimidar o trabalhador para que \u201cN\u00e3o se rebele\u201d. O \u00fanico problema dessa pol\u00edcia, segundo a burguesia, \u00e9 o de que existem algumas laranjas podres. Esse problema \u00e9 apresentado e refor\u00e7ada no filme\u00a0<i>Tropa de Elite<\/i>, que cai no gosto popular e na ideologia da classe dominante. Mas, observando a a\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edcia vemos que a pr\u00e1tica desta \u201claranja podre\u201d \u00e9 a regra e n\u00e3o a exce\u00e7\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o da \u201claranja podre\u201d n\u00e3o \u00e9 mera a\u00e7\u00e3o individual, mas, pr\u00e1tica institucional.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O registro da viol\u00eancia em S\u00e3o Paulo, no Rio de Janeiro e no Haiti nos faz girar o olhar para outras formas de viol\u00eancia existentes no Estado brasileiro:<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; O exterm\u00ednio sistem\u00e1tico da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, em especial, do povo de etnia Guarani-Kaiow\u00e1 do Mato Grosso do Sul \u2013 at\u00e9 o final de outubro registrou-se o assassinato de 35 ind\u00edgenas (destes, 12 assassinados tinham entre 14 e 20 anos de idade), sem contar as tentativas de assassinato, as v\u00edtimas de desnutri\u00e7\u00e3o, contaminados por HIV e outros que n\u00e3o resistem \u00e0 press\u00e3o e cometem suic\u00eddio. H\u00e1 o caso da idosa Xuret\u00ea Lopes (70 anos), rezadeira e lideran\u00e7a do povo, morta por pistoleiros a mando de fazendeiros da regi\u00e3o, cujo assassinato segue impune. (CIMI\u00a0\u2013 Conselho Indigenista Mission\u00e1rio).<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; Os assassinatos e intimida\u00e7\u00f5es no campo. O MST e trabalhadores sem-terra continuam sendo alvo de a\u00e7\u00f5es de grupos paramilitares (leia-se pistoleiros pagos por latifundi\u00e1rios). Em 21 de outubro \u00faltimo foi assassinado o trabalhador rural Valmir Mota de Oliveira (Keno), e mais cinco pessoas ficaram gravemente feridas. Esses trabalhadores estavam acampados no campo experimental de transg\u00eanicos da Syngenta Seeds, no Paran\u00e1. Esse assassinato continua impune.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">&#8211; A noite de sexta-feira, 16 de novembro, foi testemunha da 25\u00aa chacina em S\u00e3o Paulo. Agora j\u00e1 \u00e9 99 o n\u00famero de mortos em chacinas em 2007. Supera os \u00edndices \u201coficiais\u201d de 2006, que em 21 chacinas morreram 76 pessoas. E alguns casos a pol\u00edcia investiga o envolvimento de policiais, que atuam em um \u201cgrupo de exterm\u00ednio\u201d.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Esse ano de 2007 foi especialmente cruel para os trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es. Mas, quem mais sofreu foi justamente o trabalhador n\u00e3o organizado, que n\u00e3o compreende bem a viol\u00eancia que o Estado pratica e o papel da pol\u00edcia na repress\u00e3o aos trabalhadores. Este trabalhador acredita que a pol\u00edcia est\u00e1 acima das classes sociais, e est\u00e1 a\u00ed para defender o bem, mas n\u00e3o consegue explicar porque a pol\u00edcia trata t\u00e3o diferente o morador da favela em rela\u00e7\u00e3o ao morador dos bairros nobres. Esse trabalhador v\u00ea que a pol\u00edcia \u00e9 r\u00e1pida para desocupar universidades ocupadas por estudantes, mas, demora para resolver outros casos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Essa pol\u00edcia, forjada pelo sistema capitalista, servi\u00e7al da burguesia e instrumento de repress\u00e3o em tempos de ditadura ou \u201cdemocracia\u201d, n\u00e3o serve aos trabalhadores. Somente a unidade dos trabalhadores rumo a uma sociedade socialista poder\u00e1 por fim ao assassinato de trabalhadores.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=92#indice\"><span style=\"color: #000000;\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2007 avan\u00e7ou a unidade dos trabalhadores e da esquerda contra o governo Lula e os patr\u00f5es Dilemas e perspectivas<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[99],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6252,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92\/revisions\/6252"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}