{"id":97,"date":"2009-01-03T16:39:17","date_gmt":"2009-01-03T18:39:17","guid":{"rendered":"http:\/\/espacosocialista.org\/?q=node\/97"},"modified":"2018-06-01T15:33:42","modified_gmt":"2018-06-01T18:33:42","slug":"jornal-22-setembrooutubro-de-2007","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.espacosocialista.org\/portal\/2009\/01\/jornal-22-setembrooutubro-de-2007\/","title":{"rendered":"Jornal 22: Setembro\/Outubro de 2007"},"content":{"rendered":"<p><a name=\"indice\"><\/a><\/p>\n<p>Leia as mat\u00e9rias online:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo1\">Crise financeira: a \u00faltima?<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo2\">Previd\u00eancia social: um olho no passado e outro no futuro<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo3\">Ag\u00eancias reguladoras: o lobby institucionalizado<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo4\">Agroneg\u00f3cio: super-explora\u00e7\u00e3o e danos ambientais<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo5\">Banc\u00e1rios enfrentam patr\u00f5es, CUT e governo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo6\">Da FIARI ao FELCO: por uma arte revolucion\u00e1ria independente<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#titulo7\">A atualidade da revolu\u00e7\u00e3o nos 90 anos de outubro<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a name=\"titulo1\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Crise financeira: a \u00faltima?<\/h1>\n<div id=\"node-98\">\n<div>\n<p align=\"right\">Alexandre Jos\u00e9 Ferraz (professor da rede estadual de SP e integrante do Espa\u00e7o Socialista)<\/p>\n<p align=\"right\"><a href=\"mailto:alexandrejoseferraz@bol.com.br\">alexandrejoseferraz@bol.com.br<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A crise atual diferencia-se das anteriores do per\u00edodo iniciado com a globaliza\u00e7\u00e3o, pois nenhuma havia tido essa amplitude nem profundidade. Desta vez, n\u00e3o s\u00f3 temos uma crise com os EUA no centro, envolvendo todos os pa\u00edses centrais e sua periferia mais pr\u00f3xima, como tamb\u00e9m podemos afirmar que a crise j\u00e1 ultrapassou a barreira do que se poderia chamar de uma crise apenas financeira, restrita \u00e0s bolsas de valores. Ela j\u00e1 atingiu a esfera produtiva e ter\u00e1 reflexos no mundo inteiro, trazendo a diminui\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico mundial, embora n\u00e3o estejam claras as propor\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Os mercados vinham batendo recordes hist\u00f3ricos desde 2003, no entanto, de 4 meses para c\u00e1, a partir da queda das a\u00e7\u00f5es na China, teve in\u00edcio uma tend\u00eancia de apreens\u00e3o cada vez maior a respeito dos rumos, n\u00e3o apenas do mercado financeiro, mas da pr\u00f3pria economia global.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Os olhos dos investidores estavam voltados para a economia americana, particularmente para o seu mercado imobili\u00e1rio que \u00e9, sem d\u00favida, a parte mais inflada da imensa bolha mundial de endividamento e especula\u00e7\u00e3o que se formou nos \u00faltimos anos. E foi justamente de l\u00e1 que vieram as not\u00edcias que levaram \u00e0 queda simult\u00e2nea de todas as pra\u00e7as financeiras importantes do mundo.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A crise come\u00e7ou com a constata\u00e7\u00e3o de que grande parte dos norte-americanos estavam com problemas para pagar as presta\u00e7\u00f5es mensais dos empr\u00e9stimos pelos quais hipotecaram suas propriedades.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">As hipotecas foram feitas com juros menores que 1% nos anos de 2001 e 2002, mas nos \u00faltimos dois anos, o FED (Banco Central dos EUA) veio aumentando paulatinamente as taxas, at\u00e9 atingirem os atuais 5,25% ao ano. Parece pouco, principalmente quando comparado aos juros no Brasil, mas a quest\u00e3o \u00e9 que, sobre a taxa b\u00e1sica de 5,25%, as financiadoras ainda colocam seus lucros e a previs\u00e3o de riscos, o que aumenta bastante os juros finais dos empr\u00e9stimos.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Um aumento de juros dessa magnitude sobre empr\u00e9stimos de 200 a 300 mil d\u00f3lares, combinado com sal\u00e1rios estagnados, corte de direitos sociais e aumento de impostos, significa um aperto a mais que as fam\u00edlias n\u00e3o est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de suportar.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8220;Cynthia e Joe Esperaza t\u00eam dois filhos e vivem em Santa Clarita, Calif\u00f3rnia. Tomaram um empr\u00e9stimo da Countrywide, a maior empresa de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio dos EUA, h\u00e1 tr\u00eas anos atr\u00e1s. Os Esperaza obtiveram uma taxa de juros de \u2018incentivo\u2019 de 1% nos primeiros dois meses do empr\u00e9stimo. Mas, ent\u00e3o, de acordo com eles, a taxa subiu em degraus de 2,8% no in\u00edcio, at\u00e9 chegar a 8% atualmente. Com o tempo, alcan\u00e7ar\u00e1 9,5%. Para os Esperaza, significa que emprestaram US$ 326 mil h\u00e1 tr\u00eas anos e hoje devem US$ 344 mil. Na Calif\u00f3rnia, onde fica a sede da Countrywide, as execu\u00e7\u00f5es de hipotecas aumentaram 800%, pois os mutu\u00e1rios n\u00e3o conseguem pagar as presta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Outra fam\u00edlia , cujo empr\u00e9stimo foi fixado em 5,9%, passados dois anos desse per\u00edodo de \u2018incentivo\u2019 teve sua taxa de juros aumentada para 8,9%. E vai aumentar um ponto percentual a cada seis meses at\u00e9 alcan\u00e7ar 12,4%. \u2018Eles n\u00e3o nos disseram que isso ia acontecer\u2019, diz o pai da fam\u00edlia. (FSP 18\/08\/2007)&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Mais al\u00e9m do problema de endividamento das fam\u00edlias, h\u00e1 tamb\u00e9m o das empresas que tomaram muito dinheiro emprestado para investir no ramo da constru\u00e7\u00e3o civil. Com a super-oferta de im\u00f3veis e a retra\u00e7\u00e3o das compras, devido aos juros mais altos, grandes investidores tamb\u00e9m est\u00e3o com dificuldades para pagar os empr\u00e9stimos contra\u00eddos.<\/span><\/span><\/p>\n<h2>A crise financeira se propaga para a esfera produtiva&#8230;<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A declara\u00e7\u00e3o da Countrywide no dia 24 de julho, de que seu lucro no segundo trimestre sofrera queda de 33%, foi considerado o estopim da atual instabilidade das Bolsas. As a\u00e7\u00f5es da financiadora ca\u00edram 12,96% em 15\/08 e cerca de 50% apenas neste ano (FSP 16\/08\/2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Na mesma data, O banco franc\u00eas\u00a0<\/span><\/span><span style=\"color: #0000ff;\" data-mce-mark=\"1\"><a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/economia\/cotacoes\/ultnot\/2007\/08\/21\/ult29u57120.jhtm\"><span style=\"color: #000000;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">BNP Paribas<\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">, um dos maiores da Europa, havia impedido seus clientes de sacarem dinheiro de tr\u00eas fundos, por falta de reservas em caixa, medida que fez aumentar fortemente as preocupa\u00e7\u00f5es dos investidores sobre o cr\u00e9dito.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Assim, o que come\u00e7ou como uma crise do mercado imobili\u00e1rio e financeiro norte-americano, propagou-se imediatamente e levou \u00e0 queda, por mais de 15 dias, das bolsas de valores das principais economias do mundo, pois, de alguma forma, s\u00e3o credores dos financiamentos feitos nos EUA e, mais do que isso, no fundo, os demais pa\u00edses centrais enfrentam o mesmo problema de endividamentos e riscos cada vez maiores, mesmo que em graus diferentes.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Com a crise do mercado financeiro, os bancos e as financiadoras j\u00e1 alertam que ficar\u00e3o mais seletivos, o que significa que v\u00e3o oferecer menos empr\u00e9stimos e cobrar juros mais altos logo de cara para compensar os riscos. Isso j\u00e1 est\u00e1 levando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica do n\u00famero de compras, n\u00e3o apenas de novos im\u00f3veis, mas de qualquer bem que exija financiamento a m\u00e9dio ou longo prazo.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Al\u00e9m disso, as empresas ligadas ao setor de &#8220;subprime&#8221; (cr\u00e9dito imobili\u00e1rio para pessoas com hist\u00f3rico ruim de pagamento) come\u00e7aram a demitir: tr\u00eas delas anunciaram cortes de funcion\u00e1rios, totalizando 3.200 demiss\u00f5es. (FSP 23\/08\/2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Ora, o endividamento cada vez maior das fam\u00edlias, empresas e principalmente do estado tem sido justamente o que tem segurado a economia americana, comprando de v\u00e1rios pa\u00edses a n\u00edveis insanos e, por essa via, mantendo a economia mundial com certo crescimento. Com o n\u00edvel desse endividamento, dando provas de que n\u00e3o h\u00e1 mais como se sustentar, \u00e9 l\u00f3gico que o consumo norte-americano tende a cair, diminuindo suas compras e arrastando assim a economia mundial para um n\u00edvel de crescimento menor, ou talvez at\u00e9 para uma recess\u00e3o (crescimento zero).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">No in\u00edcio do ano, a queda das bolsas na China j\u00e1 expressava essa preocupa\u00e7\u00e3o por parte dos especuladores, mas agora, as expectativas de redu\u00e7\u00e3o do consumo nos EUA podem estar se confirmando, e assim amea\u00e7ando o pr\u00f3prio crescimento chin\u00eas e o restante a economia mundial. &#8220;Em 2006, 35% do crescimento mundial foi determinado por EUA e China, umbilicalmente ligados por uma rela\u00e7\u00e3o comercial e financeira, na qual os americanos gastam e os chineses os financiam. (FSP 22\/08\/2007)<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Ora, 18% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras v\u00e3o para os EUA. A China tamb\u00e9m se tornou mais importante para o Brasil, com as exporta\u00e7\u00f5es subindo de 1,8% para 6,1% de 1998 para c\u00e1. (FSP 22\/08\/2007)<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Assim, a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o no crescimento Chin\u00eas levou \u00e0 queda dos mercados de commodities \u2013 mat\u00e9rias-primas como min\u00e9rios, metais e alimentos \u2013, que s\u00e3o justamente os produtos que comp\u00f5em a pauta de exporta\u00e7\u00f5es do Brasil e s\u00e3o um term\u00f4metro das expectativas de aumento ou n\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o mundial.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Esses fatores explicam porqu\u00ea durante apenas duas semanas, 316 empresas listadas na BOVESPA (Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo) registraram perdas no seu valor de mercado de US$ 273,6 bilh\u00f5es, segundo levantamento feito pela consultoria Econom\u00e1tica.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A queda n\u00e3o atingiu apenas o Brasil. Nas sete principais economias da Am\u00e9rica Latina, a perda chegou a US$ 415,1 bilh\u00f5es, envolvendo 775 empresas. Nos Estados Unidos, fonte do estresse atual vivido no mercado, 1.204 empresas pesquisadas perderam, em um m\u00eas, US$ 1,612 trilh\u00e3o do seu valor (FSP \u2013 17\/08\/2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Agora, at\u00e9 mesmo John Lipsky, o n\u00famero dois do FMI, afirmou que &#8220;Isso {a instabilidade nas Bolsas} sem nenhuma d\u00favida restringir\u00e1 o crescimento econ\u00f4mico mundial.&#8221; (FSP 17\/08\/2007)<\/span><\/span><\/p>\n<h2>Uma crise econ\u00f4mica que expressa as dificuldades da estrat\u00e9gia norte-americana e a resist\u00eancia antiimperialista<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A causa mais aparente dessa crise \u00e9 a hipertrofia financeira que, ao longo dos anos 80 e 90, pressionou e obteve de governos submissos e seus agentes o m\u00e1ximo grau de liberdade para circular, se interconectar em tempo real e desenvolver formas sofisticadas de riscos (&#8220;derivativos de cr\u00e9ditos&#8221; e &#8220;securitiza\u00e7\u00e3o&#8221;), que permitem empacotar as d\u00edvidas dos clientes e pass\u00e1-las adiante, a aplicadores finais que, via de regra, nem sabem qual a exata composi\u00e7\u00e3o de sua &#8220;carteira de riscos&#8221;, que fez a massa de capital especulativo atingir a soma impens\u00e1vel de US$ 200 trilh\u00f5es. Essa massa de capitais especulativos percorre diariamente o mundo em busca de maiores lucros e hoje tem o poder de ditar rumos econ\u00f4micos, provocar crises e arrasar economias inteiras em poucos dias ou semanas. Essa nova realidade traz elementos de enorme potencial destrutivo que n\u00e3o existiam nas crises dos per\u00edodos anteriores.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">No entanto, a crise financeira \u00e9 apenas a ponta do iceberg de uma crise muito mais profunda,\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">uma crise econ\u00f4mica<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">\u00a0cujas contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolvidas nos anos anteriores foram apenas jogadas para a frente. Seu principal elemento \u00e9 o endividamento enlouquecido, o fato de que para manterem a economia crescendo de forma artificial, os EUA e os outros pa\u00edses centrais gastam muito, mas muito mais do que podem de fato pagar. Ultimamente, essa tem sido a forma de fazer a economia americana e mundial funcionar.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Estamos diante dos sinais claros do esgotamento do ciclo iniciado a partir de 2001, quando os EUA, para fazer frente \u00e0 sua crise de 2000 gerada pelo estouro da bolha especulativa das empresas de Internet, jogaram os juros no ch\u00e3o e promoveram a expans\u00e3o alucinada do endividamento, como forma de alavancar um novo ciclo de crescimento econ\u00f4mico. Ao mesmo tempo tra\u00e7aram para si mesmos um papel e uma miss\u00e3o muito acima de suas possibilidades. Uma ambi\u00e7\u00e3o de se constituir como o Estado mundial do capital (M\u00e9sz\u00e1ros), ou como um super-imperialismo, ou at\u00e9 mesmo um imp\u00e9rio, segundo as v\u00e1rias designa\u00e7\u00f5es de cada autor.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Conforme explica o economista argentino Jorge Beinstein:<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8220;A estrat\u00e9gia do governo Bush pode ser sintetizada como a combina\u00e7\u00e3o de duas opera\u00e7\u00f5es que, apoiando-se mutuamente, deveriam ter relan\u00e7ado e consolidado o poderio imperial dos Estados Unidos: a expans\u00e3o r\u00e1pida de uma bolha consumista-financeira para produzir um forte arranque econ\u00f4mico associada a uma ofensiva militar sobre a Eur\u00e1sia que lhe daria a hegemonia energ\u00e9tica global e da\u00ed a primazia financeira, encurralando as outras pot\u00eancias (China, Uni\u00e3o Europeia, R\u00fassia). A partir de 2001 apostou numa contundente vit\u00f3ria das suas for\u00e7as armadas que lhe permitiria controlar militarmente a faixa territorial que vai desde os Balc\u00e3s no Mediterr\u00e2neo Oriental at\u00e9 o Paquist\u00e3o, atravessando a Turquia, a S\u00edria, o Iraque, o Ir\u00e3o, as ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas da \u00c1sia Central, a Bacia do Mar C\u00e1spio, o Afeganist\u00e3o, atapetando-a de implanta\u00e7\u00f5es militares que vigiariam um complexo leque de protectorados. Os preparativos da ofensiva haviam-se desenvolvido ao longo dos anos 1990 sob governos republicanos e democratas: a primeira Guerra do Golfo, os intermin\u00e1veis bombardeios sobre o Iraque ao longo de toda a d\u00e9cada, a guerra do Kosovo. Tratou-se de uma &#8216;pol\u00edtica de Estado&#8217; que incluiu os dois partidos governantes e o conjunto do sistema de poder. Eles sabiam que a borbulha econ\u00f3mica lan\u00e7ada paralelamente \u00e0 ofensiva militar n\u00e3o podia sustentar-se muito tempo, os desajustamentos financeiros acumular-se-iam e a borbulha de cr\u00e9ditos estimulando a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria acabaria por desinchar: 2005-2006 aparecia como uma barreira temporal intranspon\u00edvel. Mas nesse momento, apostavam os falc\u00f5es, a vit\u00f3ria militar do Imp\u00e9rio permitiria redefinir as regras do jogo econ\u00f3micas do planeta, os cowboys do Pent\u00e1gono chegariam just-in-time para auxiliar os magos das finan\u00e7as. Mas tudo saiu errado; os cowboys atolaram-se no Iraque, a ofensiva fulminante sobre a Eur\u00e1sia fracassou na primeira batalha importante, enquanto o globo especulativo entrou em crise e j\u00e1 nenhum punho de ferro pode salv\u00e1-lo.&#8221;\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Estados Unidos: a irresist\u00edvel chegada da recess\u00e3o<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">\u00a0em<\/span><\/span><span style=\"color: #0000ff;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"text-decoration: underline;\" data-mce-mark=\"1\"><a href=\"http:\/\/resistir.info\/t_new\"><span style=\"color: #000000;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">http:\/\/resistir.info\/<\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Podemos agregar a essa an\u00e1lise aguda as dificuldades dos EUA em impor a ALCA na Am\u00e9rica Latina, bem como o estouro de um ciclo de rebeli\u00f5es sociais que, bem ou mal, impuseram aos EUA um n\u00edvel menor de receitas do que o esperado para tampar pelo menos uma parte do rombo do endividamento.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Mesmo nos pa\u00edses em que n\u00e3o ocorreram rebeli\u00f5es, como no Brasil, Chile e Peru, os governos que entraram tiveram que contemplar tamb\u00e9m os interesses de outros setores como as burguesias nacionais, o imperialismo europeu e at\u00e9 algumas pol\u00edticas assistencialistas que, mesmo sendo migalhas, custaram um dinheiro do qual os EUA n\u00e3o tinham pensado em abrir m\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A China, embora vantajosa para as empresas norte-americanas e europ\u00e9ias que l\u00e1 est\u00e3o, come\u00e7ou a se tornar um problema para os EUA, ao invadir seu mercado com produtos a baixos pre\u00e7os e provocar um saldo devedor ainda maior para a economia americana.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O or\u00e7amento militar dos EUA foi aumentado, atingindo agora a soma astron\u00f4mica de 600 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, tanto pela necessidade de manter e aumentar o dom\u00ednio sobre outros pa\u00edses e regi\u00f5es \u2013 o que t\u00eam se tornado mais dif\u00edcil \u2013, como pela press\u00e3o do complexo militar industrial, respons\u00e1vel por puxar boa parte da economia. Assim, a continua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica belicista por George W. Bush elevou os d\u00e9ficits externo e fiscal para US$ 7 trilh\u00f5es, que s\u00e3o financiados pela emiss\u00e3o de d\u00edvidas do Tesouro americano, pap\u00e9is de empresas e d\u00e9bitos das fam\u00edlias (casa pr\u00f3pria, autom\u00f3vel etc).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Para fazer frente a isso sem abrir m\u00e3o se seu projeto, os EUA recorreram a dois expedientes que eles sempre recriminaram para os outros pa\u00edses: a emiss\u00e3o febril de d\u00f3lares e o rolamento das d\u00edvidas atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de expedientes financeiros (derivativos, cr\u00e9ditos de risco, etc). Hoje, nos EUA, o volume de cr\u00e9dito na economia equivale a quase 150% do PIB (quase US$ 17 trilh\u00f5es). No Brasil, ainda \u00e9 de cerca de 35% do PIB.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Por\u00e9m, esses expedientes t\u00eam suas limita\u00e7\u00f5es. A emiss\u00e3o desenfreada de d\u00f3lares acabou levando \u00e0 sua desvaloriza\u00e7\u00e3o frente a todas as demais moedas e \u00e0 perda de sua confiabilidade como moeda mundial. A infla\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a subir nos EUA e muitos pa\u00edses come\u00e7aram a migrar para o euro. Al\u00e9m disso, o n\u00edvel excessivo de endividamento come\u00e7ou a trazer desconfian\u00e7as quanto \u00e0 capacidade dos EUA seguirem pagando futuramente os juros de seus empr\u00e9stimos.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O que os EUA fizeram ent\u00e3o? Precisando atrair mais capitais para empr\u00e9stimos e vendo que os credores se tornavam mais resistentes, preferindo emprestar a outros pa\u00edses, deram in\u00edcio a um aumento progressivo das suas taxas de juros at\u00e9 atingir o patamar de 5,25% atuais ao ano. No primeiro trimestre de 2007 os sintomas j\u00e1 se apresentavam na redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, que foi de apenas 0,6%.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A economia da zona do euro tamb\u00e9m elevou sua taxa de juros para 4% e acredita-se que o BCE (Banco Central Europeu) v\u00e1 aument\u00e1-la para 4,25% no pr\u00f3ximo m\u00eas. Assim, a Europa se desacelerou no segundo trimestre deste ano, crescendo 2,5% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado -a expans\u00e3o nos tr\u00eas primeiros meses de 2007 foi de 3,1%. A Uni\u00e3o Europ\u00e9ia tamb\u00e9m apresentou queda no seu crescimento: de 3,3% para 2,8%. (FSP 15\/08\/2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">\u00c9 justamente esse quadro mais geral de tend\u00eancia \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, e portanto das oportunidades de lucro, o pano de fundo da crise que apenas d\u00e1 seus primeiros sinais.<\/span><\/span><\/p>\n<h2>A crise estrutural do capital iniciada nos anos 70&#8230;<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A crise econ\u00f4mica que ora se esbo\u00e7a representa mais um momento de agravamento da crise econ\u00f4mica estrutural que o capital enfrenta desde in\u00edcio dos 70. Uma crise de superprodu\u00e7\u00e3o de capitais e mercadorias que expressa o aumento da capacidade produtiva da sociedade de forma nunca vista, mas que ao mesmo tempo n\u00e3o consegue encontrar mercados suficientes por onde escoar os capitais e a produ\u00e7\u00e3o de forma lucrativa.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">N\u00e3o se pode esquecer que a tend\u00eancia de expans\u00e3o geogr\u00e1fica do capital possibilitou historicamente que os centros imperialistas transferissem seus problemas e contradi\u00e7\u00f5es para esferas mais externas e em novos patamares, como forma de enfrentar suas crises, protelando assim o dia do acerto de contas. \u00c0 medida, por\u00e9m, que o capital\u00a0 alcan\u00e7ou e subordinou a totalidade dos pa\u00edses e povos aos seus interesses de acumula\u00e7\u00e3o, sua arena de expans\u00e3o quantitativa se esgotou.\u00a0\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Com o desenvolvimento atual e incessante da tecnologia e sua utiliza\u00e7\u00e3o em prol do lucro, ocorre cada vez mais o enxugamento e barateamento da m\u00e3o de obra, o que, por sua vez, reduz o poder de compra dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia, levando \u00e0 limita\u00e7\u00e3o do crescimento dos mercados consumidores e, conseq\u00fcentemente, dificultando a absor\u00e7\u00e3o de tudo o que pode ser produzido. Isso acarreta maior competi\u00e7\u00e3o entre as corpora\u00e7\u00f5es, fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, demiss\u00f5es, nova limita\u00e7\u00e3o dos mercados consumidores, etc e o ciclo segue se agravando.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Assim, a crise estrutural \u00e9 a dificuldade cada vez maior de o capital ser reinvestido na produ\u00e7\u00e3o de forma lucrativa, devido \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o entre o aumento da capacidade produtiva e o lento crescimento dos mercados, em rela\u00e7\u00e3o ao que seria necess\u00e1rio.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A crise estrutural tem tido ciclos de 5 a 6 anos de relativa melhoria, logo seguidos pelos extertores que v\u00eam \u00e0 tona sempre de alguma maneira diferente, mas com o mesmo significado. O n\u00edvel atual de desenvolvimento da tecnologia impossibilita que ao capital os \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico capazes de permitir a gera\u00e7\u00e3o dos empregos necess\u00e1rios e, por essa via, gerar os mercados de que precisa. Por isso, autores como Chesnais utilizam a express\u00e3o de &#8220;tend\u00eancia ao continuum depressivo&#8221;, quer dizer que os per\u00edodos de bonan\u00e7a tendem a se tornar mais curtos, e as crises mais violentas, refletindo o agravamento da crise estrutural que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o do sistema.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">A hipertrofia do capital financeiro representa a impossibilidade de que a totalidade do lucro que sobra nas m\u00e3os dos empres\u00e1rios possa ser novamente investida na produ\u00e7\u00e3o, indo ent\u00e3o parar na esfera financeira, onde o que h\u00e1 \u00e9 apenas ganho e perda de dinheiro, mas n\u00e3o gera\u00e7\u00e3o de valor. No entanto, por mais que a esfera financeira seja uma conseq\u00fc\u00eancia direta da crise estrutural do capital, ela se tornou ao mesmo tempo a forma mais eficaz de impor aos trabalhadores e aos povos dos pa\u00edses dominados taxas ainda maiores de explora\u00e7\u00e3o, pois agora trata-se de remunerar lucrativamente n\u00e3o apenas o capital produtivo investido, mas tamb\u00e9m o financeiro. A forma financeira do capital (dinheiro) lhe d\u00e1 maior liberdade de movimento e resgate imediato em caso de d\u00favidas quanto \u00e0 seguran\u00e7a ou lucratividade.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Por\u00e9m, n\u00e3o nos esque\u00e7amos de que o capital financeiro tem suas pr\u00f3prias regras e tempos, aumentando assim seu tamanho e sua voracidade muito mais rapidamente do que o capital produtivo. Isso acontece at\u00e9 que a mais-valia produzida na esfera produtiva &#8211; a \u00fanica esfera que de fato produz valor \u2013 n\u00e3o seja mais suficiente para garantir a lucratividade conjunta do capital produtivo e do capital especulativo. Os endividamentos e as especula\u00e7\u00f5es se demonstram excessivos, sobrevem a quebradeira e com ela a crise. Como, por\u00e9m, as esferas produtiva e especulativa do capital est\u00e3o umbilicalmente ligadas, possuindo as empresas sempre grande parte e muitas vezes a maior parte de seu capital na esfera especulativa, os efeitos passam rapidamente, em maior ou menor grau para a esfera da economia real. N\u00e3o h\u00e1 uma separa\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e muito menos uma oposi\u00e7\u00e3o de interesses gerais entre o capital financeiro e o produtivo: ambas s\u00e3o parte integrante do mesmo sistema, e s\u00f3 existem em rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia m\u00fatua.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Portanto, no fim das contas, o capital financeiro constitui um fator de agravamento da crise estrutural, ao requerer para si uma parte de le\u00e3o da mais-valia produzida, levando a estragos maiores e mais profundos na destrui\u00e7\u00e3o da economia e dos empregos.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Essa situa\u00e7\u00e3o, extremamente grave do ponto de vista estrutural, faz com que o capital n\u00e3o possa mais oferecer reformas ou concess\u00f5es significativas aos trabalhadores e nem abrir espa\u00e7o para o desenvolvimento de pa\u00edses como o Brasil de forma independente no mercado mundial.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Caso o capital, enquanto &#8220;modo de controle do metabolismo social&#8221; (Mesz\u00e1ros), n\u00e3o seja superado, a luta entre as corpora\u00e7\u00f5es e entre os estados que lhes d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o pelos mercados e recursos naturais ainda existentes, bem como a destrui\u00e7\u00e3o compulsiva do ambiente, apontam para a barb\u00e1rie ou mesmo para o holocausto nuclear da humanidade. Mais do que nunca, a alternativa socialista \u00e9 a \u00fanica capaz de controlar as enormes for\u00e7as produtivas desenvolvidas, evitando a destrui\u00e7\u00e3o da humanidade e da vida, e colocando-as a servi\u00e7o do bem- estar humano.<\/span><\/span><\/p>\n<h2>Quais as perspectivas imediatas e a m\u00e9dio prazo?<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Os EUA estar\u00e3o cada vez mais colocados perante o esgotamento do ciclo de super-endividamento aprofundado a partir de 2001, que agora est\u00e1 se esgotando, j\u00e1 que a outra parte da estrat\u00e9gia \u2013 a domina\u00e7\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e da Am\u00e9rica Latina, que pudesse trazer uma nova hegemonia econ\u00f4mica dos EUA perante o mundo \u2013 n\u00e3o conseguiu se concretizar, pelo menos por enquanto.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Se os EUA insistirem em manter a atual taxa de juros, ter\u00e3o um aumento do montante da d\u00edvida do estado, das fam\u00edlias e das presta\u00e7\u00f5es dos financiamentos. Para se ter uma id\u00e9ia, a constru\u00e7\u00e3o de casas novas nos EUA j\u00e1 caiu 6,1% em julho e atingiu o menor n\u00edvel desde janeiro de 1997. Ante julho do ano passado, esse \u00edndice registrou queda de 21%. Novas quebradeiras ir\u00e3o ocorrer at\u00e9 que grande parte da massa de capital excessivo se desfa\u00e7a, e o sistema volte a proporcionar uma taxa m\u00e9dia de lucros razo\u00e1vel. Isso vai levar, sem d\u00favida, a uma diminui\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico, ou talvez a uma recess\u00e3o, pois at\u00e9 o sistema purgar grande parte do capital especulativo, grandes corpora\u00e7\u00f5es ter\u00e3o quebrado.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Outro problema que poderia se combinar com a possibilidade de recess\u00e3o econ\u00f4mica e agrav\u00e1-la \u00e9 a tend\u00eancia de manuten\u00e7\u00e3o ou mesmo o aumento do pre\u00e7o do petr\u00f3leo para al\u00e9m de 80 d\u00f3lares por barril. Esse cen\u00e1rio caracterizaria a estagfla\u00e7\u00e3o, ou seja, a combina\u00e7\u00e3o de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com infla\u00e7\u00e3o. Uma combina\u00e7\u00e3o extremamente complicada para a economia e para os empregos em particular.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Se, por\u00e9m o FED resolver baixar as taxas de juros, os efeitos imediatos podem ser de melhoria, mas \u00e0s custas do aumento da infla\u00e7\u00e3o, pois com juros menores o estado ter\u00e1 dificuldade de atrair empr\u00e9stimos e assim, ter\u00e1 que emitir d\u00f3lares ou tentar rolar a d\u00edvida mais para frente, na expectativa de poder relan\u00e7ar uma contra-ofensiva mais bem sucedida do que a de agora. Mas o principal problema ser\u00e1 o crescimento ainda maior da bolha do endividamento e da especula\u00e7\u00e3o que poderia ent\u00e3o estourar de uma vez, trazendo o cen\u00e1rio de uma depress\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Talvez ocorra um meio termo entre essas duas possibilidades, com os EUA, Europa e Jap\u00e3o injetando dinheiro no mercado para socorrer as grandes corpora\u00e7\u00f5es, e deixando quebrar as m\u00e9dias e pequenas empresas, para tentar evitar pelo menos que a economia dos EUA e, por extens\u00e3o, a economia mundial entrem em recess\u00e3o. At\u00e9 agora, os EUA j\u00e1 jogaram 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e em n\u00edvel mundial, algo pr\u00f3ximo de 450 bilh\u00f5es de d\u00f3lares no ralo do mercado financeiro, sem perspectiva de retorno. S\u00f3 a Countrywide pegou US$ 11,5 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos emergenciais para tentar retomar a sua liquidez. (UOL, 17\/08)<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Em qualquer dos casos, por\u00e9m, podemos ter certeza que a burguesia e os estados n\u00e3o v\u00e3o ficar olhando tudo isso acontecer sem fazer nada. A burguesia sempre coloca o estado a servi\u00e7o de buscar sangue novo (mais-valia) do \u00fanico lugar de onde ele pode surgir: do aumento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Podemos esperar uma nova rodada de ataques redobrados para as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e dos pa\u00edses dominados. \u00c9 previs\u00edvel, por\u00e9m, que desta vez os pa\u00edses centrais tenham que aprofundar os ataques \u00e0 sua pr\u00f3pria classe trabalhadora, at\u00e9 hoje as menos afetadas pelas \u00faltimas crises econ\u00f4micas. Quais ser\u00e3o as repercuss\u00f5es disso? S\u00f3 o tempo dir\u00e1, mas provavelmente um aumento das lutas nos pa\u00edses centrais, com grandes e concentrados batalh\u00f5es de trabalhadores e com alto n\u00edvel cultural e de tecnologia.<\/span><\/span><\/p>\n<h2>Quais as conseq\u00fc\u00eancias para a am\u00e9rica latina e brasil ?<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Nem \u00e9 preciso dizer que os estados \u2013 principalmente os dos pa\u00edses dominados \u2013 redobrar\u00e3o sua preocupa\u00e7\u00e3o com o pagamento dos juros da D\u00edvida P\u00fablica. No Brasil, s\u00f3 neste ano, a D\u00edvida P\u00fablica cresceu R$ 105 bi e atingiu R$ 1,325 trilh\u00e3o em junho, mesmo o setor p\u00fablico tendo pago neste mesmo ano R$ 79 bi em juros. (FSP 27\/07\/2007). Portanto, o governo Lula tem tido uma atua\u00e7\u00e3o elogi\u00e1vel aos olhos dos agiotas internacionais, e seu objetivo \u00e9 ainda mais ousado: chegar ao d\u00e9ficit nominal zero, isto \u00e9, conseguir pagar a totalidade dos juros anuais e n\u00e3o &#8220;apenas&#8221; 70% deles, como \u00e9 hoje.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Aos compromissos com a D\u00edvida, somam-se cada vez mais as isen\u00e7\u00f5es de impostos e empr\u00e9stimos a juros baixos e prazos longos aos empres\u00e1rios.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Para garantir essa agenda de sustenta\u00e7\u00e3o do capital, o governo pretende manter a cobran\u00e7a da CPMF, a desvincula\u00e7\u00e3o de 20% das receitas da uni\u00e3o, e intensificar a cobran\u00e7a de impostos dos trabalhadores e da classe m\u00e9dia.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">No Brasil, a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e contribui\u00e7\u00f5es federais atingiu nos sete primeiros meses do ano R$ 332,8 bilh\u00f5es (valores correntes, sem descontar a infla\u00e7\u00e3o), mais um recorde da Receita Federal para o per\u00edodo janeiro-julho, com alta de 10,34% sobre 2006.(FSP 22\/08\/2007). Nada mais contr\u00e1rio aos preceitos neolibeais de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o do Estado na economia&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Outra conseq\u00fc\u00eancia ser\u00e1 o aumento da press\u00e3o pelas &#8220;reformas estruturais&#8221;. Com as reformas, o objetivo \u00e9 respaldar e impulsionar o movimento, que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, de precariza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, queda dos sal\u00e1rios e dos investimentos sociais, com vistas a aumentar os lucros patronais.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O ministro Guido Mantega j\u00e1 resumiu sua receita: o aumento do aperto fiscal, com o objetivo de garantir que a d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o saia do controle em caso de alta do d\u00f3lar e\/ou dos juros, combinado com um conjunto de projetos \u2013 como a reforma da Previd\u00eancia \u2013, e o limite a 1,5% por ano da expans\u00e3o dos gastos com pessoal acima da infla\u00e7\u00e3o. &#8220;(FSP 18\/08\/2007)<\/span><\/span><\/p>\n<h2>Levantar um programa socialista dos trabalhadores contra a crise<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Aos trabalhadores, s\u00f3 h\u00e1 a alternativa de enfrentar a crise com suas lutas. A crise econ\u00f4mica que se anuncia, apresentar\u00e1 cada vez mais a possibilidade de os trabalhadores perceberem os horrores provocados pelo sistema do capital, buscarem uma alternativa para a situa\u00e7\u00e3o e estarem abertos \u00e0s propostas socialistas. Por\u00e9m, apenas isto.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">S\u00e3o as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es socialistas que devem se colocar \u00e0 altura dos acontecimentos, no sentido de disputar a consci\u00eancia dos trabalhadores com a burguesia e seus meios de aliena\u00e7\u00e3o, apontando uma pol\u00edtica e um programa justos para o momento, que possam levar os trabalhadores a entenderem a necessidade de assumirem o poder e o destino da sociedade. Caso contr\u00e1rio, o sistema ir\u00e1 superar sua crise \u2013 mesmo que momentaneamente \u2013 pela destrui\u00e7\u00e3o de grande parte das for\u00e7as produtivas, de seres humanos e da natureza, como parte de sua estrat\u00e9gia de se tornar novamente rent\u00e1vel.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O per\u00edodo que estamos adentrando exigir\u00e1 cada vez mais o tensionamento de nossas for\u00e7as e a capacidade de combinarmos a m\u00e1xima unidade nas lutas, com a organiza\u00e7\u00e3o de base e a disputa da consci\u00eancia dos trabalhadores no sentido de retomar a luta pelo socialismo e pela revolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Diante deste panorama, propomos:<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; N\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, interna e externa. Investimento desse dinheiro num programa de obras e servi\u00e7os p\u00fablicos sob controle dos trabalhadores, para gerar empregos e melhorar as condi\u00e7\u00f5es imediatas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, transporte, cultura e lazer;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores, para acabar com a especula\u00e7\u00e3o e impedir a remessa de divisas e a fuga de capitais;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Reestatiza\u00e7\u00e3o das empresas privatizadas, sob controle dos trabalhadores, com reintegra\u00e7\u00e3o dos demitidos;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Carteira de trabalho e direitos trabalhistas para todos, em todos os ramos da economia, da cidade e do campo. Fim das terceiriza\u00e7\u00f5es e do trabalho prec\u00e1rio;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Sal\u00e1rio m\u00ednimo do DIEESE (R$ 1.564,52) para todos os trabalhadores;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Que as empresas que intencionarem fugir ou fechar sejam expropriadas e fiquem sob controle dos trabalhadores;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Reforma agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores. Fim do latif\u00fandio. Por uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica, voltada para as necessidades da classe trabalhadora;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">&#8211; Por um governo socialista dos trabalhadores, baseado em suas organiza\u00e7\u00f5es de luta;<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-size: small;\">&#8211; Por uma sociedade socialista.<\/span><\/span><strong style=\"font-size: 2em;\">\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo2\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Previd\u00eancia Social: um olho no passado e outro no futuro<\/h1>\n<div id=\"node-99\">\n<h2>Uma conquista das lutas<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A Classe trabalhadora, propriet\u00e1ria apenas da sua for\u00e7a de trabalho, sobrevive de sua venda. Mas, o que fazer quando o \u00fanico instrumento de sobreviv\u00eancia lhe falta? Onde se socorrer quando a doen\u00e7a, a velhice ou os acidentes de trabalho, agravados pela superexplora\u00e7\u00e3o capitalista, lhe colocam para fora do mercado de trabalho?<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Pensando nisso, os trabalhadores buscaram uma prote\u00e7\u00e3o coletiva, mas enquanto os trabalhadores alem\u00e3es conquistaram o primeiro sistema de previd\u00eancia social da hist\u00f3ria em 1881, no Brasil, apenas com o Decreto N\u00ba 4.682, de 24\/01\/1923 se implantou a Previd\u00eancia Social, criando as \u201ccaixas de aposentadorias e pens\u00f5es\u201d para empregados de empresas ferrovi\u00e1rias, contemplando-as com os benef\u00edcios de aposentadoria por invalidez, aposentadoria ordin\u00e1ria (que seria atualmente a nossa aposentadoria por tempo de contribui\u00e7\u00e3o), pens\u00e3o por morte e assist\u00eancia m\u00e9dica. Aos poucos, esses benef\u00edcios foram estendidos aos empregados das empresas portu\u00e1rias, de servi\u00e7os telegr\u00e1ficos, de \u00e1gua, energia, transporte a\u00e9reo, g\u00e1s, minera\u00e7\u00e3o, entre outras, e, por fim, todas essas \u201ccaixas de categorias\u201d foram unificadas na Caixa de Aposentadoria e Pens\u00f5es dos Ferrovi\u00e1rios e Empregados em Servi\u00e7os P\u00fablicos. Certamente, esses benef\u00edcios n\u00e3o foram um presente do Estado, mas fruto de mobiliza\u00e7\u00e3o, reivindica\u00e7\u00e3o e luta dos trabalhadores. S\u00f3 com o fortalecimento da organiza\u00e7\u00e3o desses trabalhadores \u00e9 que a conquista desses direitos tornou-se poss\u00edvel.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 reafirmou o direito dos trabalhadores a essa prote\u00e7\u00e3o, e decidiu que o custeio da seguridade social, que inclui aposentadorias, aux\u00edlio doen\u00e7a, entre outros, \u00e9 de responsabilidade tripartite \u2013 Estado, patr\u00f5es e trabalhadores ativos: &#8220;A seguridade social compreende um conjunto integrado de a\u00e7\u00f5es de iniciativa dos poderes p\u00fablicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 previd\u00eancia e \u00e0 assist\u00eancia social.&#8221; (Constitui\u00e7\u00e3o Federal, art. 194)<\/p>\n<h2>O papel do governo Lula, PT, CUT e UNE<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A ironia da hist\u00f3ria \u00e9 que esses direitos conquistados a duras penas est\u00e3o prestes a sofrer um ataque hist\u00f3rico por um ex-metal\u00fargico e dirigente sindical, apoiado pelo partido que diz ser dos trabalhadores, por uma central sindical entreguista, e por uma entidade estudantil que h\u00e1 muito abandonou as lutas em troca de dinheiro p\u00fablico. Falamos, respectivamente, do PT, da CUT e da UNE.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">No bojo das reformas preparadas pelo governo Lula est\u00e1 o fim do FGTS, da licen\u00e7a maternidade, da aposentadoria de trabalhadores rurais que n\u00e3o contribu\u00edram para a previd\u00eancia, idade m\u00ednima para aposentadoria de 65 anos igual para homens e mulheres, entre outras medidas. Em 2003, o governo Lula fez, com apoio do PT e da CUT, uma mini-reforma da previd\u00eancia, afetando os trabalhadores do setor do funcionalismo p\u00fablico. Agora, o governo vem com toda for\u00e7a \u2013 e a CUT ter\u00e1 o mesmo comportamento \u2013 contra os direitos trabalhistas para \u201ceconomizar mais\u201d, e assim manter as altas taxas de lucro da burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Esse ano, o ataque do governo come\u00e7ou com o PAC, que colocou em risco o dinheiro dos trabalhadores, os recursos do FGTS. Esse fundo \u00e9 uma garantia para o caso de demiss\u00e3o sem justa causa, e agora este governo, ou outro pior que o suceder, poder\u00e1 utilizar at\u00e9 80% dos recursos do fundo, sem qualquer garantia ou contra-partida da burguesia. Esse dinheiro dos trabalhadores ser\u00e1 usado para construir estradas e hidrel\u00e9tricas. E para os trabalhadores? Sobrar\u00e1 luz el\u00e9trica mais cara e ped\u00e1gios absurdos, ou ent\u00e3o algum outro buraco de metr\u00f4. Sob o pretexto da gera\u00e7\u00e3o de empregos, a CUT ap\u00f3ia o PAC, escondedo o alt\u00edssimo custo para a gera\u00e7\u00e3o de t\u00e3o poucos cargos, e al\u00e9m do mais, sem a contra-partida de investimentos da burguesia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A burguesia da constru\u00e7\u00e3o civil ficou irritada com o uso do FGTS para a constru\u00e7\u00e3o da infra-estrutura, mas vence quem tem maior influ\u00eancia sobre o governo. Briga entre setores da burguesia \u00e0 parte, o hist\u00f3rico de governos burgueses de utilizar dinheiro dos trabalhadores n\u00e3o vem de agora. Nos anos 70, o governo militar usou dinheiro da Previd\u00eancia para fazer obras que favoreciam as multinacionais \u2013 entre elas a Ponte Rio-Niter\u00f3i e Itaipu \u2013, causando, para alguns, a origem do alegado \u201cd\u00e9ficit\u201d da previd\u00eancia.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Como vemos, o governo s\u00f3 \u00e9 bondoso com os donos das grandes empresas, construindo a infra-estrutura para que a burguesia possa explor\u00e1-la e explorar-nos melhor. N\u00e3o h\u00e1 porque estranhar a presen\u00e7a de tantas construtoras e bancos na lista milion\u00e1ria de doadores do governo Lula \u2013 s\u00e3o eles os maiores beneficiados com o Proer e com in\u00fameras isen\u00e7\u00f5es e refinanciamentos concedidos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Para mostrar-se \u201crespons\u00e1vel\u201d perante os organismos de financiamento internacional, o governo Lula se revela irrespons\u00e1vel quanto ao futuro da classe trabalhadora. Lula deseja a qualquer custo atingir o chamado \u201csuper\u00e1vit prim\u00e1rio\u201d; para tanto, quer reduzir o investimento do governo na \u00e1rea social, e j\u00e1 elegeu seu principal alvo \u2013 a Previd\u00eancia Social. Suas medidas v\u00e3o desde dificultar o acesso ao benef\u00edcio da aposentadoria, at\u00e9 o aumento para 65 anos da idade m\u00ednima para aposentadoria para qualquer pessoa. Mas, enquanto ataca nossos direitos, o governo continua concedendo isen\u00e7\u00e3o fiscal, renegociando d\u00edvidas, concedendo Proer e fazendo vistas grossas para a sonega\u00e7\u00e3o da burguesia. O argumento de que \u201co brasileiro est\u00e1 vivendo mais\u201d n\u00e3o se sustenta, pois o brasileiro come\u00e7a a trabalhar bem antes do que o europeu ou americano: enquanto nos EUA ou Europa o jovem primeiro termina a faculdade, aqui j\u00e1 come\u00e7amos aos 13, 14 anos, na lavoura ou em subempregos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Os Patr\u00f5es n\u00e3o querem contribuir para a Previd\u00eancia social para n\u00e3o afetar as taxas de lucro. E para aument\u00e1-las continuam sonegando, pilhando e sugando o governo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Talvez a maior injusti\u00e7a que ser\u00e1 realizada por essa reforma \u00e9 o fim da aposentadoria para um dos setores empobrecidos da classe trabalhadora, que n\u00e3o tiveram condi\u00e7\u00f5es de contribuir para a Previd\u00eancia, e que, na velhice, sobreviver\u00e3o com um m\u00edsero sal\u00e1rio m\u00ednimo: os trabalhadores rurais.<\/p>\n<h2>Defendendo direitos<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Esses ataques da burguesia, assumidos e promovidos pelo governo Lula, exigem uma resposta organizada e unit\u00e1ria dos instrumentos da classe trabalhadora. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para disputas de aparatos ou bases, sob pena de a classe trabalhadora brasileira sofrer uma derrota gigantesca, com reflexos duradouros e nefastos. Acreditamos que as \u00faltimas a\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias da vanguarda da classe t\u00eam dado algum alento na luta.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">J\u00e1 vimos que o discurso do d\u00e9ficit da previd\u00eancia n\u00e3o passa de fal\u00e1cia, que o problema est\u00e1 no fato de o governo utilizar recursos do INSS indevidamente, dar muitas isen\u00e7\u00f5es e incentivos onerosos, e n\u00e3o fiscalizar quem deve para a Previd\u00eancia.<\/p>\n<h2>Por isso, propomos quatro medidas b\u00e1sicas para enfrentar esse problema:<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Que cada um cumpra sua parte \u2013 Estado, patr\u00f5es e trabalhadores ativos \u2013, e que o governo acabe com a farra da ren\u00fancia fiscal e co\u00edba a sonega\u00e7\u00e3o e o calote ao INSS, algo ainda dentro do modelo capitalista, at\u00e9 que consigamos suplant\u00e1-lo. Dados mais modestos d\u00e3o conta de que o calote das empresas com o INSS ultrapassa os R$ 200 bilh\u00f5es (dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Servidores da Previd\u00eancia Social \u2013 ANASPS, 2004). A ANASPS tamb\u00e9m denuncia que s\u00e3o fortes a sonega\u00e7\u00e3o e a evas\u00e3o fiscal no meio rural \u2013 al\u00e9m da ren\u00fancia fiscal do governo que os beneficia \u2013, e que o setor do agroneg\u00f3cio contribui com apenas 2,5% sobre a comercializa\u00e7\u00e3o dos seus produtos, contra 22% dos setores da ind\u00fastria, com\u00e9rcio e servi\u00e7os, sendo um dos maiores benefici\u00e1rios das ren\u00fancias da Previd\u00eancia Social em 2004: 40% dos R$ 15 bilh\u00f5es, cerca de R$ 6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Que se anule o leil\u00e3o de privatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce, utilizando os lucros da empresa integralmente na \u00e1rea social e no desenvolvimento sustent\u00e1vel, contra o agroneg\u00f3cio, que \u00e9 nocivo aos interesses do povo e do meio ambiente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Que se suspenda imediatamente o pagamento das d\u00edvidas externa e interna, utilizando seus recursos para atender as necessidades b\u00e1sicas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Que a Previd\u00eancia Social e o FGTS sejam direitos garantidos dos trabalhadores, sob o controle e a administra\u00e7\u00e3o direta dos mesmos, e sem a presen\u00e7a das centrais sindicais entreguistas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0Conclu\u00edmos fazendo um chamado a todos \u2013 trabalhadores e estudantes \u2013 para participarem das atividades preparat\u00f3rias e do pr\u00f3prio Plebiscito Popular: 1\u00ba) rejeitando a Reforma da Previd\u00eancia do Governo; 2\u00ba) exigindo a anula\u00e7\u00e3o do leil\u00e3o de privatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce; 3\u00ba) posicionando-se contra o pagamento das d\u00edvidas externa e interna, e 4\u00ba) sendo contra o aumento das tarifas p\u00fablicas ocasionadas pelas privatiza\u00e7\u00f5es do saneamento b\u00e1sico, da \u00e1gua e da luz.<\/p>\n<\/div>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo3\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Ag\u00eancias reguladoras: o lobby institucionalizado<\/h1>\n<div id=\"node-100\">\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Pistas de pouso e decolagem inadequadas, defeitos mec\u00e2nicos em aeronaves, incorre\u00e7\u00f5es em dados gerados por computador para o monitoramento do tr\u00e1fego a\u00e9reo, controladores denunciando a falta de controle e, de repente, o descontrole, o \u00faltimo v\u00f4o e a tr\u00e1gica e tenebrosa explos\u00e3o que iluminou o c\u00e9u de S\u00e3o Paulo e reacendeu o debate acerca da crise a\u00e9rea. Por\u00e9m, desta vez as fagulhas atingiram, de forma mais avassaladora, o \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Defesa que tem por finalidade regular e fiscalizar as empresas de transporte a\u00e9reo, a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil \u2013 ANAC.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Como de praxe no governo Lula, surgem os problemas, trocam-se os ministros. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal \u2013 STF, Nelson Jobim, foi alocado no cargo de ministro da defesa e, diante do descaso da ANAC perante os usu\u00e1rios e as v\u00edtimas do acidente com o avi\u00e3o da TAM, a grande m\u00eddia, apontando a total incompet\u00eancia da Ag\u00eancia na defesa do interesse p\u00fablico, pressionou o governo para que demitisse o agora ilustre Milton Zuanazzi, diretor-presidente da ANAC. Todavia, Zuanazzi n\u00e3o permitiu que sua cabe\u00e7a fosse servida na bandeja do Jornal Nacional e defendeu-se com o argumento de que n\u00e3o poderia legalmente ser retirado do cargo pelo presidente da rep\u00fablica, como o foi o anterior ministro da defesa, porque foi legitimamente eleito e as ag\u00eancias reguladoras n\u00e3o s\u00e3o subordinadas, mas apenas vinculadas aos respectivos minist\u00e9rios. E de fato \u00e9 procedente tal defesa, pois a legisla\u00e7\u00e3o relativa \u00e0s ag\u00eancias reguladoras somente possibilitam a revoga\u00e7\u00e3o pelo presidente dos mandatos de diretor das ag\u00eancias em casos especiais expl\u00edcitos na lei, muito embora sejam escolhidos pelo presidente a partir de uma lista tr\u00edplice eleita pelo Senado Federal.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O epis\u00f3dio Zuanazzi e a inefici\u00eancia da ANAC na sua miss\u00e3o institucional (pelo menos na miss\u00e3o formal), associada \u00e0 crise a\u00e9rea e ao acidente da TAM, que abalaram moralmente os setores m\u00e9dios da popula\u00e7\u00e3o \u2013 que s\u00e3o a maior parcela dos usu\u00e1rios do transporte a\u00e9reo comercial, e que historicamente representam grande peso pol\u00edtico \u2013, influenciaram a grande m\u00eddia, que focou a quest\u00e3o da autonomia das ag\u00eancias reguladoras de conjunto, culminando em projetos de lei em tramita\u00e7\u00e3o no parlamento que buscam criar mecanismos para flexibilizar a autonomia desses \u00f3rg\u00e3os.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">As ag\u00eancias reguladoras no \u00e2mbito federal surgiram a partir de 1996, ano em que foi institu\u00edda a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica \u2013 ANEEL. Atualmente, s\u00e3o 9 (nove) as ag\u00eancias reguladoras federais no Brasil, quais sejam, a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis \u2013 ANP; a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas \u2013 ANA; a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica \u2013 ANEEL; a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres \u2013 ANTT; a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios \u2013 ANTAQ; a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria \u2013 ANVISA; a Ag\u00eancia Nacional do Cinema \u2013 ANCINE; a Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil \u2013 ANAC e a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar \u2013 ANS. As ag\u00eancias reguladoras s\u00e3o autarquias especiais federais, quer dizer, s\u00e3o pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico vinculadas a administra\u00e7\u00e3o central federal, mais especificamente aos respectivos minist\u00e9rios, e que gozam de independ\u00eancia administrativa e funcional e de autonomia financeira. Isso significa que, embora sejam ligadas ao governo central e dele recebam verbas, as ag\u00eancias t\u00eam poder de decis\u00e3o no que se refere a sua administra\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o de recursos financeiros e, sobretudo, na sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a regula\u00e7\u00e3o e controle de determinados setores do mercado.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Portanto, as ag\u00eancias reguladoras s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os cujo objetivo \u00e9 a regulamenta\u00e7\u00e3o \u2013 cria\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios, diretrizes e normas \u2013, e o controle ou fiscaliza\u00e7\u00e3o de partes do mercado, que se constituem principalmente de servi\u00e7os pr\u00f3prios do Estado cuja execu\u00e7\u00e3o foi privatizada ou de alguma forma entregue ao capital privado.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A partir da d\u00e9cada de 90, com a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva de um lado, e o aprofundamento das pol\u00edticas neoliberais pelos Estados nacionais alinhados ao Consenso de Washington de outro, iniciou-se um processo progressivo de privatiza\u00e7\u00f5es, sobretudo na infra-estrutura. O Brasil, seguindo os ditames do capital globalizado, durante o governo FHC privatizou v\u00e1rios setores da infra-estrutura, como rodovias, explora\u00e7\u00e3o de ferrovias, distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, telefonia, transportes e outros segmentos econ\u00f4micos para al\u00e9m da infra-estrutura, como as institui\u00e7\u00f5es financeiras, a exemplo o BANESPA, e empresas estrat\u00e9gicas para a economia como a CIA Vale do Rio Doce. Esse fen\u00f4meno de desestatiza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o do Estado visa fornecer ao mercado globalizado novas possibilidades de acumula\u00e7\u00e3o de capital, enaltecendo o conceito de Estado m\u00ednimo, o qual deve conceder ou delegar a execu\u00e7\u00e3o de determinadas fun\u00e7\u00f5es para o capital privado e resguardar para si apenas o poder de controlar a execu\u00e7\u00e3o desses servi\u00e7os. Mais ainda, o Estado, dentro da l\u00f3gica neoliberal, deve tornar o mercado atrativo para os investidores externos. Para isso, deve garantir seguran\u00e7a jur\u00eddica, lucratividade e assegurar a competitividade.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">E para possibilitar essas garantias, o pa\u00eds deve estabelecer marcos regulat\u00f3rios definidos, ou seja, determinar diretrizes basilares fortes para o mercado, viabilizando contratos duradouros e bem estruturados para a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a livre concorr\u00eancia. \u00c9 justamente para propiciar marcos regulat\u00f3rios que foram institu\u00eddas as ag\u00eancias reguladoras, que al\u00e9m de garantir lucro para os empres\u00e1rios, devem zelar pelo interesse p\u00fablico, ou seja, conciliar os interesses dos setores envolvidos no mercado, que s\u00e3o o Estado, as empresas e a popula\u00e7\u00e3o. Isso, a partir da perspectiva do desenvolvimento sustent\u00e1vel e da teoria p\u00f3s-moderna de que as finalidades sociais se realizam na empresa, seria um modelo excelente. Por\u00e9m, essa teoria ignora contradi\u00e7\u00f5es do sistema capitalista que colocam em conflito classes sociais antag\u00f4nicas e distor\u00e7\u00f5es de poder nos Estados decorrentes da influ\u00eancia dos grandes monop\u00f3lios transnacionais e dos oligop\u00f3lios nacionais. Ora, os servi\u00e7os privatizados como a energia el\u00e9trica e os demais setores regulados pelas ag\u00eancias \u2013 a exemplo o de medicamentos e alimentos no caso da ANVISA \u2013, s\u00e3o estrat\u00e9gicos e est\u00e3o sob o controle do grande capital: vejamos, por exemplo, o caso dos medicamentos, cuja fabrica\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o realizadas por laborat\u00f3rios controlados por grandes grupos transnacionais como a Roche; no setor da telefonia, a Telef\u00f4nica, que \u00e9 uma das maiores operadoras do pa\u00eds, tem seu capital majoritariamente nas m\u00e3os da Espanha.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00c9 estrat\u00e9gico para a burguesia a reestrutura\u00e7\u00e3o da infra-estrutura, tanto para potencializar a produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e servi\u00e7os, como tamb\u00e9m para implementar formas mais eficientes de extra\u00e7\u00e3o de mais-valia, viabilizadas por meio das pol\u00edticas neoliberais. A explora\u00e7\u00e3o da infra-estrutura pelo capital privado \u00e9 altamente rent\u00e1vel, n\u00e3o somente por conta da sua dimens\u00e3o, mas, sobretudo, pelos baixos sal\u00e1rios pagos pelas empresas prestadoras aos trabalhadores, sendo comumente terceirizada parte de seus servi\u00e7os a outras empresas, aumentando assim a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Tomemos o exemplo das concession\u00e1rias de rodovias, que s\u00e3o fiscalizadas pelas ANTT: elas faturam absurdamente mais do que o necess\u00e1rio para a conserva\u00e7\u00e3o das malhas rodovi\u00e1rias concedidas, e as concess\u00f5es s\u00e3o precedidas de reformas modernizadoras executadas pelo pr\u00f3prio Poder P\u00fablico, diminuindo o valor dos investimentos privados e aumentando, dessa forma, o lucro das empresas.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Contudo, a privatiza\u00e7\u00e3o da infra-estrutura \u00e9 parte de um processo maior de privatiza\u00e7\u00f5es regido pelo capital mundial, este personificado na figura da ONU e das institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional \u2013 FMI, as quais fixam metas para que os pa\u00edses, sobretudo os denominados emergentes \u2013 como o Brasil, M\u00e9xico, Chile e Argentina, para citar a Am\u00e9rica Latina \u2013, as cumpram, sob pena de n\u00e3o mais receberem recursos desses fundos e sofrerem san\u00e7\u00f5es ou embargos. O n\u00facleo central dessas metas s\u00e3o os programas de privatiza\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os e empresas p\u00fablicas e os marcos regulat\u00f3rios para os investimentos privados internacionais. O governo Lula, seguindo o caminho tra\u00e7ado pelo governo anterior, tem aprofundado essas pol\u00edticas, sob a justificativa de um necess\u00e1rio crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, mas que na pr\u00e1tica amplia o abismo entre a classe prolet\u00e1ria e a dominante. Ora, em pa\u00edses onde a desigualdade e a explora\u00e7\u00e3o do trabalho assumem patamares elevados como no Brasil, a diminui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os prestados diretamente pelo Estado, al\u00e9m de acabar com postos de trabalho p\u00fablicos, cujos sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o melhores, aumenta a exclus\u00e3o social, pois impossibilita que uma parcela cada vez maior da popula\u00e7\u00e3o tenha acesso a esses servi\u00e7os essenciais, principalmente por causa das tarifas e pre\u00e7os altos. E nesse contexto, as ag\u00eancias reguladoras n\u00e3o representam o papel de proteger a popula\u00e7\u00e3o, mas, por outro lado, realizam parte de sua miss\u00e3o, que \u00e9 garantir o lucro das empresas. A exemplo, a ANEEL, cuja miss\u00e3o (formal) \u00e9 regular e fiscalizar as concession\u00e1rias e permission\u00e1rias que exploram a infra-estrutura el\u00e9trica do pa\u00eds, publicou resolu\u00e7\u00e3o que permite a empresa prestadora do servi\u00e7o interromper o fornecimento de energia el\u00e9trica em caso de n\u00e3o pagamento da conta. Ora, a energia el\u00e9trica \u00e9 servi\u00e7o essencial, cuja interrup\u00e7\u00e3o pode comprometer a vida humana.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Parece que as ag\u00eancias reguladoras, que s\u00e3o tend\u00eancia nos pa\u00edses do ocidente, s\u00e3o estrat\u00e9gicas n\u00e3o apenas porque atuam em segmentos altamente relevantes da economia, mas tamb\u00e9m porque s\u00e3o aparelhos estatais que propiciam maior intera\u00e7\u00e3o por parte da burguesia nas pol\u00edticas do Estado sobre o mercado, em outras palavras, as ag\u00eancias, por serem \u00f3rg\u00e3os dotados de grande poder decis\u00f3rio e autonomia perante a administra\u00e7\u00e3o central, s\u00e3o utilizadas pelos grandes monop\u00f3lios e oligop\u00f3lios, concession\u00e1rios e permission\u00e1rios ou integrantes de outra forma de mercados regulados, como mecanismos de manipula\u00e7\u00e3o direta de elementos de regula\u00e7\u00e3o e controle do mercado, influenciando de maneira brutal na fixa\u00e7\u00e3o das tarifas p\u00fablicas, na forma de execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, na qualidade, na seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, nos pre\u00e7os das mercadorias, na circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e na rela\u00e7\u00e3o trabalho\/capital. Outros fatores facilitadores do controle do grande capital sobre as ag\u00eancias \u2013 que deveriam os controlar \u2013, s\u00e3o a falta de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos servidores, sobretudo das ger\u00eancias e chefias, cujos cargos seguem crit\u00e9rio pol\u00edticos e n\u00e3o t\u00e9cnicos; problemas salariais e de condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Esse cen\u00e1rio cria condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para a corrup\u00e7\u00e3o, que parece corroer esses \u00f3rg\u00e3os, levando-nos a poder dizer de forma liter\u00e1ria que as ag\u00eancias reguladoras s\u00e3o jardins do lobby.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Talvez agora se torne mais l\u00facido por qu\u00ea a ANAC n\u00e3o consegue resolver de forma eficiente o problema da insatisfa\u00e7\u00e3o dos setores m\u00e9dios. Na verdade, essa ag\u00eancia est\u00e1 muito compenetrada na elabora\u00e7\u00e3o de planos para inchar as contas banc\u00e1rias das empresas a\u00e9reas, e tamb\u00e9m lembremos que o ilustre Zuanazzi tem por h\u00e1bito entregar o comando do AIRBUS ANAC para o co-piloto da TAM. A trag\u00e9dia da TAM realmente abalou o pa\u00eds, por\u00e9m, o que continua inquietante \u00e9 o fato de que a grande m\u00eddia n\u00e3o se importa com os milhares que morrem anualmente em acidentes terrestres, que se abatem sobre passageiros de \u00f4nibus que circulam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias pelo Brasil, por causa da enorme defici\u00eancia de um servi\u00e7o o qual \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da ANTT fiscalizar. Claro, s\u00e3o trabalhadores! E o pior ainda est\u00e1 por vir, j\u00e1 que agora a discuss\u00e3o \u00e9 viabilizar a privatiza\u00e7\u00e3o no setor da \u00e1gua, que \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da ANA.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Embora, ap\u00f3s o caso TAM, esteja sendo discutida a redu\u00e7\u00e3o da autonomia das ag\u00eancias, o projeto inicial \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do seu poder decis\u00f3rio, e certamente a burguesia brigar\u00e1 pelo seu projeto de domina\u00e7\u00e3o. Aos prolet\u00e1rios est\u00e1 colocada a tarefa de lutar contra esse programa de privatiza\u00e7\u00f5es do governo Lula e seus parceiros transnacionais e nacionais burgueses, pela extin\u00e7\u00e3o desses \u00f3rg\u00e3os e a imediata incorpora\u00e7\u00e3o de seus servidores pelos respectivos minist\u00e9rios.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo4\"><\/a><\/p>\n<h1>Agroneg\u00f3cio: super-explora\u00e7\u00e3o e danos ambientais<\/h1>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Os problemas associados \u00e0 quest\u00e3o da terra no Brasil n\u00e3o s\u00e3o recentes. Possuem suas origens no Brasil Colonial, mais precisamente em 1534, quando a Coroa portuguesa criou a Lei das Sesmarias, dividindo a col\u00f4nia brasileira em 14 Capitanias Heredit\u00e1rias.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Irei me deter no momento mais recente, em que a agricultura moderna, atrav\u00e9s do agroneg\u00f3cio, tem destaque na agenda de pol\u00edticos, economistas e de uma elite brasileira mesquinha.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Aclamado pela m\u00eddia brasileira pelos recordes de exporta\u00e7\u00e3o, pelas divisas geradas, e apresentado como a sa\u00edda econ\u00f4mica para o desenvolvimento, o agroneg\u00f3cio no Brasil esconde uma realidade bem distinta daquela que \u00e9 mostrada para a popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A expans\u00e3o de monoculturas (cana-de-a\u00e7\u00facar, caf\u00e9, fumo, laranja, soja) voltadas para a exporta\u00e7\u00e3o, avan\u00e7a sobre regi\u00f5es do Pantanal e da Amaz\u00f4nia, utilizando trabalho escravo, trocando trabalhadores por m\u00e1quinas e provocando impactos ambientais at\u00e9 ent\u00e3o nunca vistos. Al\u00e9m de destruir a pequena e m\u00e9dia propriedade, que t\u00eam um papel importante no abastecimento do com\u00e9rcio local, essa expans\u00e3o traz consigo a monopoliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e venda de sementes transg\u00eanicas pelas multinacionais.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Se as multinacionais conseguirem impor o uso das sementes transg\u00eanicas por completo, a independ\u00eancia dos pa\u00edses na produ\u00e7\u00e3o de alimentos e a sobreviv\u00eancia dos camponeses ficar\u00e1 amea\u00e7ada. No mundo, dez multinacionais controlam a distribui\u00e7\u00e3o de sementes. No Brasil, duas se destacam: a Cargil e a Monsanto. A produ\u00e7\u00e3o e a comercializa\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, carnes, leite e outros alimentos em todo o mundo \u00e9 controlada por 11 companhias, com destaque para Cargil, Bunge, Dreyfus, Conagra, IBP, Nestl\u00e9, e Unilever.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Por tr\u00e1s da euforia do governo Lula em torno dos biocombust\u00edveis, encontramos a super-explora\u00e7\u00e3o de trabalhadores rurais. S\u00f3 no estado de S\u00e3o Paulo entre 2005 e 2006, 17 trabalhadores morreram \u2013 13 s\u00f3 no ano passado &#8211; por exaust\u00e3o, no agro-neg\u00f3cio do \u00e1lcool e do a\u00e7\u00facar. No Par\u00e1, no dia 30 de junho deste ano, fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho libertaram 1108 trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o na Fazenda Pacrisa ( Par\u00e1 Pastoril Agr\u00edcola S\/A), \u00fanica propriedade no estado que cultiva cana-de-a\u00e7\u00facar para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool (Rep\u00f3rter Brasil, acesso em 23\/ago\/2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Outro aspecto importante, tamb\u00e9m omitido pelo governo Lula, diz respeito \u00e0 alta do pre\u00e7o dos alimentos. Segundo Frei Beto, \u201cos gr\u00e3os dever\u00e3o aumentar de 30% a 50%. No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o pagou tr\u00eas vezes mais pelos alimentos no primeiro semestre deste ano se comparando com o mesmo per\u00edodo de 2006.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O principal economista do FMI, Simon Johnson, tamb\u00e9m avalia que os pre\u00e7os dos alimentos t\u00eam subido mais do que esperado em muitos pa\u00edses, em parte devido \u00e0 mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o para o etanol.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">O agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m diminuiu a variedade de alimentos. Em 1960, \u201chavia a op\u00e7\u00e3o de 35 tipos de gr\u00e3os para a alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros. Hoje, as empresas padronizaram o consumo de alimentos em cinco variedades de gr\u00e3os: trigo, soja, milho arroz e feij\u00e3o. (Isaura Conte,\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Brasil de Fato<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">, mar\u00e7o de 2007).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Por fim, o agroneg\u00f3cio causa danos irrevers\u00edveis ao meio ambiente e \u00e0 biodiversidade, pois a monocultura \u00e9 colocada no lugar de milhares de esp\u00e9cies de plantas, animais e microorganismos que s\u00e3o exterminados; o uso de agrot\u00f3xicos e fertilizantes, polui os cursos d`\u00e1gua e os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">A gan\u00e2ncia em obter lucros com os biocombust\u00edveis, est\u00e1 expandindo a fronteira agr\u00edcola sobre a Floresta Amaz\u00f4nica, acentuando ainda mais o desmatamento e comprometendo o modo de vida dos povos da floresta.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Al\u00e9m disso, 97% das sementes transg\u00eanicas existentes no mercado t\u00eam sua utiliza\u00e7\u00e3o casada com o uso necess\u00e1rio de algum tipo de agrot\u00f3xico, herbicida, inseticida, etc, produzido pela mesma empresa que vende a semente transg\u00eanica. \u201cMuitas sementes transg\u00eanicas possuem o componente \u201cterminator\u201d, que as esteriliza para a utiliza\u00e7\u00e3o como sementes no ano seguinte. Isso obriga os agricultores a ficarem dependentes da empresa fornecedora. S\u00e3o as chamadas sementes suicidas\u201d. (St\u00e9dile,\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Caros Amigos<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">, mar\u00e7o de 2003).<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">Diante do exposto, fica evidente que o agroneg\u00f3cio \u00e9 um mal que precisa ser combatido pelos trabalhadores. \u00c9 preciso levantarmos um programa anticapitalista e socialista para a agricultura que tenha como pontos centrais:<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0<span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">&#8211; Reforma Agr\u00e1ria sob controle dos trabalhadores, sem indeniza\u00e7\u00e3o, e com o fim do latif\u00fandio<\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">&#8211; Expropria\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio e sua coloca\u00e7\u00e3o sob controle dos trabalhadores<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">&#8211; Mudan\u00e7a para uma agricultura coletiva, org\u00e2nica e ecol\u00f3gica voltada para as necessidades da classe trabalhadora.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo5\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Banc\u00e1rios enfrentam patr\u00f5es, CUT e governo<\/h1>\n<div id=\"node-101\">\n<p>Come\u00e7a mais uma campanha salarial dos banc\u00e1rios. A categoria, mais uma vez ter\u00e1 que se indispor n\u00e3o somente contra os patr\u00f5es, como tamb\u00e9m contra os sindicatos ligados \u00e0 CONTRAF-CUT, e contra o governo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0Por meio dos f\u00f3runs viciados promovidos pela burocracia sindical, a CONTRAF-CUT impediu a participa\u00e7\u00e3o da base, evitando que a categoria pudesse montar uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00f3 contemplasse aumento real do sal\u00e1rio, mas tamb\u00e9m colocasse na mesa de negocia\u00e7\u00e3o as reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas dos banc\u00e1rios da rede privada e das estatais federais e estaduais; tais como reposi\u00e7\u00e3o de perdas salariais desde julho de 1994, estabilidade de emprego, em especial para os trabalhadores da rede privada; plano de carreira, respeito \u00e0 jornada de trabalho de 6 horas, etc.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0A novidade no comportamento pelego do bra\u00e7o sindical do governo neoliberal \u00e9 que a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es apresentada pela primeira vez contempla a reivindica\u00e7\u00e3o patronal de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, tendo como base de pagamento a venda de produtos e arrecada\u00e7\u00e3o de tarifas banc\u00e1rias, aumentando, assim, o ass\u00e9dio moral para o cumprimento de metas intang\u00edveis. Abandona-se a bandeira de reajuste real dos sal\u00e1rios, como forma de dar uma vida digna aos trabalhadores, contribuindo para que a press\u00e3o por venda de produtos e \u00edndices de adoecimento continue por aumentar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Isso muda a qualidade da rela\u00e7\u00e3o dos banc\u00e1rios com a sociedade: a categoria deixaria de ser aliada da sociedade para ser aliada dos patr\u00f5es, opondo-se \u00e0 qualquer aumento de despesas para melhor atender popula\u00e7\u00e3o, como mais contrata\u00e7\u00f5es para as ag\u00eancias e aumento de caixas para a diminui\u00e7\u00e3o das intermin\u00e1veis filas que martirizam a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que depende dos servi\u00e7os banc\u00e1rios.<\/p>\n<h2 lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0Possibildade de mudan\u00e7a<\/h2>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Apesar da aparente desvantagem em que a categoria banc\u00e1ria come\u00e7a a campanha salarial deste ano,\u00a0 o Movimento Nacional de Oposi\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria (MNOB,) junto aos sindicatos que n\u00e3o est\u00e3o alinhados com o governo, montou uma pauta de reivindica\u00e7\u00f5es\u00a0 que, al\u00e9m de trazer a bandeira de aumento real dos sal\u00e1rios, contempla a quest\u00e3o da reposi\u00e7\u00e3o das perdas da categoria desde o in\u00edcio do plano real. H\u00e1 tamb\u00e9m outras novidades que contemplam reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas da categoria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">a) Fim da mesa \u00fanica &#8211;\u00a0\u00a0A \u201cunidade\u201d que os pelegos tanto apregoam nada mais \u00e9 do que uma manobra para rebaixar a proposta dos banc\u00e1rios, e esconder o governo Lula da atribui\u00e7\u00e3o de principal causador disso, pois o PT pressiona os bancos privados a conceder um reajuste menor o poss\u00edvel para ter a \u201cdesculpa\u201d de n\u00e3o dar a corre\u00e7\u00e3o devida aos bancos federais. Conseq\u00fc\u00eancia disso \u00e9 que os banc\u00e1rios da rede privada acumulam perdas desde o in\u00edcio do governo Lula e da unifica\u00e7\u00e3o das perdas. Com o fim da mesa unificada de negocia\u00e7\u00e3o, os bancos privados n\u00e3o ter\u00e3o o empecilho do governo para rebaixar o \u00edndice de negocia\u00e7\u00e3o; al\u00e9m do que, o governo n\u00e3o ter\u00e1 mais a mesa da FENABAN (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Bancos) como prote\u00e7\u00e3o a atender as reivindica\u00e7\u00f5es dos trabalhadores dos bancos estatais.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">b) Reposi\u00e7\u00e3o de perdas \u2013\u00a0\u00c9 uma reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos banc\u00e1rios, sobretudo dos banc\u00e1rios estatais. Cada setor da categoria tem um \u00edndice diferente necess\u00e1rio para a reposi\u00e7\u00e3o de perdas salariais decorrentes da pol\u00edtica do plano real de arrocho salarial. Para os banc\u00e1rios privados, o \u00edndice \u00e9 de 29%; para os banc\u00e1rios do Banco do Brasil \u00e9 de 90%; e para os banc\u00e1rios da Caixa Econ\u00f4mica Federal, o \u00edndice necess\u00e1rio \u00e9 de 103%. A CONTRAF-CUT n\u00e3o contempla este item, seguindo as orienta\u00e7\u00f5es do governo do PT.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">c) Estabilidade no emprego \u2013\u00a0pro\u00edbe a demiss\u00e3o imotivada durante a vig\u00eancia da Conven\u00e7\u00e3o Coletiva. Trata-se de uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica para os banc\u00e1rios do setor privado que sofrem com as freq\u00fcentes demiss\u00f5es em massa, por dar mais seguran\u00e7a para que este setor da categoria possa se mobilizar sem ter a demiss\u00e3o como retalia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do patr\u00e3o.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">d) Jornada de trabalho de 5 horas \u2013\u00a0Tal medida garantiria mais contrata\u00e7\u00f5es de banc\u00e1rios, al\u00e9m de permitir o aumento do per\u00edodo de abertura das ag\u00eancias de 6 para 10 horas, por\u00e9m, com dois turnos de 5 horas. Isso daria uma melhor qualidade de vida para o trabalhador, bem como atenderia ao clamor da popula\u00e7\u00e3o pela extens\u00e3o do hor\u00e1rio banc\u00e1rio. \u00c9 bom ressaltar que a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho se dar\u00e1 sem a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio. Este item tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 na pauta patronal da CONTRAF-CUT.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O MNOB entregar\u00e1 a pauta de reivindica\u00e7\u00f5es diretamente para os patr\u00f5es e para o governo, entendendo que a CONTRAF-CUT n\u00e3o tem mais legitimidade para falar em nome da categoria, haja vista as seguidas trai\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos quatro anos. Ser\u00e1 necess\u00e1rio que as bases sindicais de todo o pa\u00eds se rebelem diante do governismo dos sindicatos cutistas e elejam, em assembl\u00e9ia, os banc\u00e1rios comprometidos com a luta, para comporem um Comando Nacional de Base, independente de patr\u00f5es e do governo.<\/p>\n<p>Sabemos que os traidores da categoria trabalhar\u00e3o o tempo todo, junto aos patr\u00f5es e ao governo, para que a campanha seja derrotada mediante a aprova\u00e7\u00e3o de um \u00edndice rebaixado e de uma pauta retr\u00f3grada. No entanto, para se evitar a bancarrota da campanha, bem como a aprova\u00e7\u00e3o da pauta alternativa, \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a massiva da base nas assembl\u00e9ias, como forma de tomar a dire\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es para a uma campanha vitoriosa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo6\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">Da FIARI ao FELCO: por uma arte revolucion\u00e1ria independente<\/h1>\n<div id=\"node-102\">\n<p align=\"right\">Michel Silva<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Vemos, nos \u00faltimos anos, surgir e se organizar na Am\u00e9rica Latina uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica estreitamente ligada \u00e0s lutas e rebeli\u00f5es que v\u00eam ocorrendo no continente. O Festival Latino-americano de la Clase Obrera (FELCO), cuja primeira edi\u00e7\u00e3o foi realizada em Buenos Aires, em 2004, tem grande import\u00e2ncia neste processo. N\u00e3o apenas as salas de cinema e as universidades servem de cen\u00e1rios para o festival, mas principalmente as sedes dos movimentos piqueteros, os sindicatos e as f\u00e1bricas recuperadas. O FELCO est\u00e1 se consolidando como uma iniciativa vitoriosa em criar um espa\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o dos artistas que lutam pela transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade capitalista.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O FELCO \u00e9 parte da tradi\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o do cinema pol\u00edtico na Am\u00e9rica Latina, com seus locais de exibi\u00e7\u00e3o alternativos, festivais e espa\u00e7os de debate pol\u00edtico. Mas o FELCO tamb\u00e9m busca inspira\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o Internacional da Arte Revolucion\u00e1ria Independente (FIARI), cujo documento de funda\u00e7\u00e3o \u00e9 o manifesto Por uma arte revolucion\u00e1ria independente, redigido em 1938 pelo poeta surrealista franc\u00eas Andr\u00e9 Breton e pelo dirigente revolucion\u00e1rio russo Leon Trotsky. A vida curta da FIARI se deve, principalmente, a uma conjuntura dif\u00edcil, com a proximidade de uma guerra que viria a arrasar o mundo, e com o aparato stalinista dominando as principais organiza\u00e7\u00f5es art\u00edsticas do mundo, na defesa da burocracia que governava a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O manifesto da FIARI teve algumas de suas partes superadas pelo tempo. Exemplos disso s\u00e3o o fascismo e o stalinismo, que n\u00e3o t\u00eam hoje a mesma for\u00e7a pol\u00edtica e ideol\u00f3gica que ent\u00e3o possu\u00edam. Era uma conjuntura na qual se eliminava todo e qualquer movimento art\u00edstico associado \u00e0s vanguardas. Nenhuma arte independente tinha espa\u00e7o para surgir, pois os artistas eram ou ca\u00e7ados e mortos ou coagidos a aceitar est\u00e9ticas que cumprissem o papel de ideologias do Estado. Como afirma o manifesto, \u201co fascismo hitlerista, depois de ter eliminado da Alemanha todos os artistas que expressaram em alguma medida o amor pela liberdade (&#8230;) obrigou aqueles que ainda podiam consentir em manejar uma pena ou um pincel a se tornarem os lacaios do regime e a celebr\u00e1-lo de encomenda (&#8230;) Exceto quanto \u00e0 propaganda, a mesma coisa aconteceu na URSS durante o per\u00edodo de furiosa rea\u00e7\u00e3o que agora atingiu seu apogeu\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Hoje n\u00e3o temos mais o aparato stalinista e sua corte de puxa-sacos ocupados em fazer apologia a seus l\u00edderes, enquanto estes assassinavam toda oposi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o temos o nazismo, que condenava as vanguardas e se ocupava de fortalecer uma arte que priorizasse a propaganda. Outro aspecto diferente da conjuntura atual \u00e9 a n\u00e3o imin\u00eancia da guerra mundial, que o manifesto da FIARI previa. Mas as mudan\u00e7as conjunturais n\u00e3o tiram a atualidade do manifesto, pois a forma capitalista de produ\u00e7\u00e3o da vida ainda persiste e \u00e9 dominante. Outro aspecto a se considerar \u00e9 que o fascismo nada mais \u00e9 que uma face autorit\u00e1ria do regime de classes burgu\u00eas. Ou seja, a burguesia pode utilizar um regime com caracter\u00edsticas fascistas como resposta a uma crise do capitalismo ou ao ascenso de alternativas radicais para a sociedade. Al\u00e9m disso, o manifesto n\u00e3o apenas previa a guerra que se avizinhava, como tamb\u00e9m apontava que a burguesia amea\u00e7ava o mundo com suas armas e modernas t\u00e9cnicas de morte. Mesmo num per\u00edodo supostamente de paz, a burguesia colocava em risco o mundo, atrav\u00e9s dos armamentos que produzia para garantir a manuten\u00e7\u00e3o de sua ordem. Portanto, embora se trate de conjunturas diferentes, estamos falando do sistema mundial dominado pelo capital. Embora mudem os governos e mesmo as formas de governo, estamos falando de uma domina\u00e7\u00e3o de classe que a cada conjuntura pode assumir as mais variadas faces.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Tamb\u00e9m a quest\u00e3o do stalinismo, embora seus aparatos estatais tenham ru\u00eddo, n\u00e3o perdeu sua atualidade, pois persiste ainda uma de suas pol\u00edticas mais nefastas e poderosas: as frentes populares. Esse tipo de governo, baseado na unidade pol\u00edtica de um partido oper\u00e1rio com setores da burguesia, no que se refere \u00e0 arte assume uma postura de eleger uma cultura \u201cpopular\u201d para transform\u00e1-la em mercadoria. Sob o discurso de preservar a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 mesmo que ela seja machista, sexista, racista etc. \u2013 esses governos tra\u00e7am uma pol\u00edtica que privilegia manifesta\u00e7\u00f5es culturais que, n\u00e3o sendo produtos criados pela ind\u00fastria cultural, supostamente expressam o \u201cpovo\u201d e as formas locais de \u201ccultura\u201d. Essa \u201ccultura\u201d, contudo, expressa muito mais a domina\u00e7\u00e3o de classe do que as manifesta\u00e7\u00f5es culturais de grupos sociais tradicionais. Confunde-se cultura e arte, valorizando apenas a arte qualificada como \u201cpopular\u201d, cria-se artificialmente identidades comuns ao \u201cpovo\u201d e transforma-se patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos em chamariz tur\u00edstico, ou seja, em mercadoria.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Contudo, o que h\u00e1 de mais atual no manifesto da FIARI \u00e9 a defesa da liberdade da arte, opondo-se a qualquer coer\u00e7\u00e3o externa: \u201ca arte n\u00e3o pode consentir sem degrada\u00e7\u00e3o em curvar-se a qualquer diretiva estrangeira e a vir docilmente preencher as fun\u00e7\u00f5es que alguns julgam poder atribuir-lhe, para fins pragm\u00e1ticos, extremamente estreitos\u201d. Reivindica-se para o artista a livre escolha de temas, sem restringir o campo de explora\u00e7\u00e3o de sua criatividade. \u201cEm mat\u00e9ria de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, importa essencialmente que a imagina\u00e7\u00e3o escape a qualquer coa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino\u201d. No manifesto op\u00f5e-se, diante das press\u00f5es para que o artista consinta que a arte seja \u201csubmetida a uma disciplina que consideramos radicalmente incompat\u00edvel com seus meios, (&#8230;) uma recusa inapel\u00e1vel e nossa vontade deliberada de nos apegarmos \u00e0 f\u00f3rmula: toda licen\u00e7a em arte\u201d. Esse \u00e9 o \u00fanico caminho para se chegar a uma arte que n\u00e3o se contenta com varia\u00e7\u00f5es sobre modelos prontos, mas se esfor\u00e7a por dar uma express\u00e3o \u00e0s necessidades interiores do homem e da humanidade de hoje. Essa arte precisa ser revolucion\u00e1ria, \u201ctem que aspirar a uma reconstru\u00e7\u00e3o completa e radical da sociedade\u201d, mesmo que seu objetivo seja apenas \u201clibertar a cria\u00e7\u00e3o intelectual das cadeias que a bloqueiam e permitir a toda a humanidade elevar-se a alturas que s\u00f3 os g\u00eanios isolados atingiram no passado\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O capitalismo n\u00e3o pode dar qualquer liberdade para a arte. Sua l\u00f3gica interna, de intensa valoriza\u00e7\u00e3o de mercadorias e reprodu\u00e7\u00e3o da mais valia, permite \u00e0s dissid\u00eancias apenas que se adaptem e se tornem produto vend\u00e1vel. No manifesto afirma-se que, \u201cna \u00e9poca atual, caracterizada pela agonia do capitalismo, tanto democr\u00e1tico quanto fascista, o artista, sem ter sequer necessidade de dar a sua dissid\u00eancia social uma forma manifesta, v\u00ea-se amea\u00e7ado da priva\u00e7\u00e3o do direito de viver e de continuar sua obra pelo bloqueio de todos os seus meios de difus\u00e3o\u201d. Est\u00e1 claro que o decl\u00ednio da sociedade capitalista provoca uma exacerba\u00e7\u00e3o insuport\u00e1vel das condi\u00e7\u00f5es sociais, traduzindo-se em contradi\u00e7\u00f5es individuais, que d\u00e1 origem a uma exig\u00eancia ainda mais exaltada de uma arte libertadora. O capitalismo decadente \u00e9 incapaz de oferecer condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para o desenvolvimento de correntes art\u00edsticas. Nesse sentido, segundo o manifesto, o que a arte conserva de individualidade, \u201cnaquilo que aciona qualidades subjetivas para extrair um certo fato que leva a um enriquecimento objetivo\u201d, tudo isso \u201caparece como o fruto de um acaso precioso, quer dizer, como uma manifesta\u00e7\u00e3o mais ou menos espont\u00e2nea da necessidade\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Os autores do manifesto t\u00eam clareza de que a fun\u00e7\u00e3o da arte na sociedade capitalista define-se por sua rela\u00e7\u00e3o com a revolu\u00e7\u00e3o. Nesse sentido a \u201coposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica\u201d, segundo o manifesto, \u00e9 \u201cuma das for\u00e7as que podem com efic\u00e1cia contribuir para o descr\u00e9dito e ru\u00edna dos regimes que destroem, ao mesmo tempo, o direito da classe explorada de aspirar a um mundo melhor e todo sentimento da grandeza e mesmo da dignidade humana\u201d. Em nossa \u00e9poca \u201ca tarefa suprema da arte (&#8230; ) \u00e9 participar consciente e ativamente da prepara\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o\u201d. Mas \u201co artista s\u00f3 pode servir \u00e0 luta emancipadora quando est\u00e1 compenetrado subjetivamente de seu conte\u00fado social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarna\u00e7\u00e3o art\u00edstica a seu mundo interior\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">O outro aspecto atual do manifesto da FIARI tem a ver com a organiza\u00e7\u00e3o dos artistas. Os autores do manifesto partiam do diagn\u00f3stico de que \u201cmilhares e milhares de pensadores e de artistas isolados, cuja voz \u00e9 coberta pelo tumulto odioso dos falsificadores arregimentados, est\u00e3o atualmente dispersos no mundo\u201d. O fascismo difamava como \u201cdegenerada\u201d toda a tend\u00eancia progressiva que reivindicava a independ\u00eancia da arte, enquanto toda cria\u00e7\u00e3o livre era declarada fascista pelo estalinismo. Nesse sentido, o manifesto chama a arte revolucion\u00e1ria independente a unir-se contra as persegui\u00e7\u00f5es, em defesa do seu direito de existir, sendo tal uni\u00e3o a proposta central de organiza\u00e7\u00e3o da FIARI. O objetivo do manifesto era \u201cencontrar um terreno para reunir todos os defensores revolucion\u00e1rios da arte, para servir \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o pelos m\u00e9todos da arte e defender a pr\u00f3pria liberdade da arte contra os usurpadores da revolu\u00e7\u00e3o. Estamos profundamente convencidos de que o encontro nesse terreno \u00e9 poss\u00edvel para os representantes de tend\u00eancias est\u00e9ticas, filos\u00f3ficas e pol\u00edticas razoavelmente divergentes\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">D\u00e9cadas depois, as palavras do manifesto parecem estar ainda mais coloridas, seja em fun\u00e7\u00e3o das belas imagens da Am\u00e9rica Latina exibidas no FELCO, seja pela degrada\u00e7\u00e3o crescente da arte, produzida em massa pela ind\u00fastria cultural, e seja pela marginaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos e artistas que n\u00e3o se submetem \u00e0 l\u00f3gica do capital. Ontem e hoje, a unidade dos artistas que reivindicam a liberdade de cria\u00e7\u00e3o, e que buscam uma transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade capitalista, \u00e9 t\u00e3o fundamental quanto necess\u00e1ria. Mas esse movimento organizado tem de estar colado aos trabalhadores, n\u00e3o se resumindo a mostrar suas lutas, mas fazendo parte delas.\u00a0<b>Mais do que nunca, em todo o mundo os artistas precisam fazer correr por suas veias o sangue da revolu\u00e7\u00e3o. Realista ou abstrata, surrealista ou concreta, subjetiva ou descritiva, enfim, n\u00e3o h\u00e1 qualquer limite est\u00e9tico para a arte que se coloca ao lado da revolu\u00e7\u00e3o. Como afirma-se no manifesto da FIARI: \u201ca revolu\u00e7\u00e3o comunista n\u00e3o teme a arte\u201d.<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Contamos hoje em nosso continente com a vitoriosa constru\u00e7\u00e3o do FELCO, que a cada ano cresce, transformando-se em refer\u00eancia para os artistas que se colocam como parte da luta dos trabalhadores. Em sua curta e vitoriosa trajet\u00f3ria, o FELCO colocou na ordem do dia dois grandes debates. Primeiro, sobre a necessidade de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dos artistas, que devem se reunir tanto para exibir sua produ\u00e7\u00e3o quanto para discutir e deliberar sobre suas lutas pol\u00edticas principais. Segundo, sobre o papel do artista num contexto de lutas sociais radicais dos explorados, onde o poder estatal da burguesia e a propriedade privada s\u00e3o amea\u00e7ados, tendo o artista de se colocar de um lado ou de outro da trincheira. Se o FELCO vem sendo vitorioso, n\u00e3o \u00e9 apenas por estender suas fronteiras para v\u00e1rios pa\u00edses al\u00e9m da Argentina, como Bol\u00edvia e Brasil, mas tamb\u00e9m por manter colabora\u00e7\u00e3o com cineastas ativistas de outros lugares do mundo, como \u00c1sia, Europa e Estados Unidos.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Da mesma forma que a FIARI deve seu primeiro passo \u00e0 IV Internacional, tamb\u00e9m o FELCO \u00e9 produto dessa tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Toda a hist\u00f3ria da FIARI e do FELCO liga-se \u00e0 batalha por um espa\u00e7o onde a arte revolucion\u00e1ria possa se expressar artisticamente e construir uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em conjunturas diversas e de diferentes formas, as duas experi\u00eancias foram vitoriosas, mas est\u00e1 claro que hoje o FELCO precisa avan\u00e7ar ainda mais. Esse avan\u00e7o passa tanto pela constru\u00e7\u00e3o de um Festival Mundial da Classe Obreira como pela reorganiza\u00e7\u00e3o da FIARI.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Faz-se urgente um chamado mundial a toda a arte revolucion\u00e1ria independente para que, tomando a experi\u00eancia concreta do FELCO como ponto de partida, possa-se caminhar para a constru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o mundial que aglutine os artistas comprometidos com a transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade. Faz-se necess\u00e1rio, unindo a arte revolucion\u00e1ria independente dispersa pelo mundo, erigir uma vez mais a FIARI.<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\" data-mce-mark=\"1\"><span style=\"font-size: small;\" data-mce-mark=\"1\">Florian\u00f3polis, 23 de julho de 2007<\/span><\/span><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\n<\/div>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a name=\"titulo7\"><\/a><\/p>\n<h1 id=\"page-title\">A atualidade da revolu\u00e7\u00e3o nos 90 anos de outubro<\/h1>\n<div id=\"node-103\">\n<p>\u201c<em>Quem domina o presente domina o passado; quem domina o passado domina o futuro<\/em>\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">George Orwell, <em>in<\/em>\u00a0\u201c1984\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0\u201c<em>S\u00f3 conhecemos uma Ci\u00eancia, a Ci\u00eancia da Hist\u00f3ria<\/em>\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Marx e Engels, <em>in<\/em>\u00a0\u201cA Ideologia Alem\u00e3\u201d<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00a0A Revolu\u00e7\u00e3o Russa \u00e9 o acontecimento mais importante da Hist\u00f3ria da Humanidade. Pela primeira vez a classe trabalhadora tomou o poder em todo um pa\u00eds e conseguiu manter-se. Aquilo que os explorados, os oprimidos, os humilhados e ofendidos de todas as \u00e9pocas tentaram, os oper\u00e1rios russos conseguiram em 1917. Desde os escravos com Sp\u00e1rtacus, passando pelas revoltas dos camponeses medievais na Europa, dos ind\u00edgenas e quilombolas nas Am\u00e9ricas, dos dominados em todos os continentes, pelos radicais de 1524, de 1647, de 1792, de 1848, at\u00e9 os comunardos de 1871; todas as vezes em que as classes subalternas ousaram levantar a cabe\u00e7a contra a opress\u00e3o, terminaram cruelmente afogadas no pr\u00f3prio sangue pela vingan\u00e7a implac\u00e1vel dos poderosos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Outubro de 1917 mostrou que a Hist\u00f3ria poderia ser diferente e os vencidos podem tamb\u00e9m vencer. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa \u00e9 diferente tamb\u00e9m qualitativamente, porque inaugurou a \u00e9poca hist\u00f3rica da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista. A \u00e9poca em que vivemos n\u00e3o \u00e9 a das revoltas cegas contra a opress\u00e3o e as inf\u00e2mias da sociedade de classe, \u00e9 a da luta pela afirma\u00e7\u00e3o consciente de um projeto alternativo de sociedade, a ser constru\u00eddo a partir da pot\u00eancia criadora do trabalho socializado. Nesta \u00e9poca, est\u00e1 colocada a tarefa da destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem classes, sem opressores nem oprimidos. Tarefa grandiosa: p\u00f4r fim \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem e emancipar todas as for\u00e7as criativas do trabalho, da ci\u00eancia, da cultura, da arte, da subjetividade, da sexualidade, criando um mundo digno de ser chamado Humano.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Mas esta tarefa \u00e9 tamb\u00e9m problem\u00e1tica, pois em nossa \u00e9poca o capital mais e mais aprofunda seu dom\u00ednio feroz sobre todas as dimens\u00f5es da vida. O sistema do capital arremessa o mundo na barb\u00e1rie da guerra, da degrada\u00e7\u00e3o ambiental, do desemprego, da mis\u00e9ria, da fome, das doen\u00e7as, da ignor\u00e2ncia, das neuroses; no limite, compromete a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana. Reconstruir a perspectiva da transforma\u00e7\u00e3o socialista \u00e9 pois uma tarefa tamb\u00e9m cada vez mais urgente e vital. Uma das frentes de batalha fundamentais dessa luta \u00e9 a disputa pela interpreta\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria. Do ponto de vista do capital, vivemos precisamente o \u201cFim da Hist\u00f3ria\u201d, ou seja, n\u00e3o existe \u201coutro mundo poss\u00edvel\u201d, apenas o mundo tal como o conhecemos, o mundo do capital. O imperialismo, sob sua nova face de capital financeiro globalizado, se oferece como horizonte definitivo da civiliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do qual \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d. Para tornar essa hip\u00f3tese sedutora, nosso imagin\u00e1rio \u00e9<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">saturado com imagens reluzentes do consumo, \u00edcones do culto \u00e0 forma mercadoria, chamarizes vulgares de uma falsa felicidade, artificial, plastificada, sem conte\u00fado; disfarce insultuoso para a t\u00e9trica barb\u00e1rie em que definham 90% dos seres humanos.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A apologia vulgar da ordem estabelecida \u00e9 uma necessidade crucial para as classes dominantes, pois a sociedade de classes n\u00e3o se sustentaria se os dominados tivessem consci\u00eancia da sua capacidade de agir e de transformar a realidade. Exatamente por isso, \u00e9 preciso negar a possibilidade de mudar radicalmente o mundo, \u00e9 preciso apagar todos os tra\u00e7os dessa consci\u00eancia, todos os vislumbres dessa possibilidade, todos os momentos de inquieta\u00e7\u00e3o em que a imagina\u00e7\u00e3o criativa amea\u00e7a romper com a hedionda banalidade do existente. \u00c9 preciso sitiar aguerridamente o passado, controlar cuidadosamente sua narra\u00e7\u00e3o, fabricar convenientemente a Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A Hist\u00f3ria \u00e9 sempre contada pelos vencedores. Do ponto de vista dos vencedores, a Hist\u00f3ria s\u00f3 pode conduzir justamente \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que s\u00e3o vencedores. O passado \u00e9 transformado em apologia e justifica\u00e7\u00e3o do presente. O mundo \u00e9 tal qual \u00e9, porque n\u00e3o poderia ser de outra maneira. Tudo aquilo que, no passado, poderia conduzir a um desfecho diferenciado, ou seja, a uma situa\u00e7\u00e3o em que a atual classe dominante n\u00e3o estivesse no poder, \u00e9 tratado como desvio, acidente, equ\u00edvoco, absurdo, crime. \u00c9 esse o caso da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. A ousadia dos revolucion\u00e1rios de Outubro precisa ser convertida em via para o desastre, de modo que a Revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja jamais imitada.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Na concep\u00e7\u00e3o burguesa de Hist\u00f3ria, os acontecimentos se sucedem como uma fileira de causas e conseq\u00fc\u00eancias mecanicamente justapostas. Os resultados da a\u00e7\u00e3o dos sujeitos hist\u00f3ricos corresponderiam exatamente \u00e0s suas inten\u00e7\u00f5es. Ou seja, na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro j\u00e1 estaria contido automaticamente o terror stalinista, a ditadura burocr\u00e1tica, o fracasso do \u201csocialismo real\u201d. N\u00e3o haveria contradi\u00e7\u00f5es, conflitos, lutas, avan\u00e7os e retrocessos, nuances de consci\u00eancia e inconsci\u00eancia, claridade e obscuridade. Nessa concep\u00e7\u00e3o distorcida, o passado \u00e9 sempre inevit\u00e1vel, \u00e9 o reino da fatalidade, dos impasses e dilemas insol\u00faveis.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A compreens\u00e3o cient\u00edfica da Hist\u00f3ria, pelo contr\u00e1rio, consiste exatamente no resgate das for\u00e7as vivas que moldaram os acontecimentos, atuando com toda a riqueza das suas possibilidades criativas, articulando-se na complexa dial\u00e9tica dos seus condicionamentos rec\u00edprocos. Os agentes hist\u00f3ricos, que s\u00e3o as classes sociais em luta, vivem os seus problemas com toda a dramaticidade do momento presente, no qual devem fazer suas escolhas decisivas. \u00c0 medida em que aquele momento presente se afasta no tempo e se torna passado, fica mais dif\u00edcil para n\u00f3s, os p\u00f3steros, localizar no labirinto das escolhas passadas o fio de Ariadne daquelas que forjaram o nosso pr\u00f3prio presente e que podem iluminar as trilhas do futuro. A Hist\u00f3ria \u00e9 vivida em aberto, mas \u00e9 narrada como algo fechado. Reconstituir a sua abertura, trazendo \u00e0 tona os conflitos, as contradi\u00e7\u00f5es, com toda sua intensidade, \u00e9 o desafio para quem se prop\u00f5e a alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o da forma mais fiel poss\u00edvel do\u00a0passado.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O desafio da compreens\u00e3o cient\u00edfica da Hist\u00f3ria n\u00e3o ser\u00e1 superado com o recurso aos m\u00e9todos pr\u00f3prios da historiografia burguesa. N\u00e3o ser\u00e1 com uma narrativa unilateral, un\u00edvoca, uniforme, unilinear, que se ter\u00e1 um retrato fiel da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. A concep\u00e7\u00e3o burguesa da Hist\u00f3ria \u00e9 a da inevitabilidade; a dos socialistas \u00e9 a da abertura e da possibilidade. \u201cAs id\u00e9ias dominantes de uma \u00e9poca s\u00e3o as id\u00e9ias da classe dominante\u201d, advertiram Marx e Engels nA Ideologia Alem\u00e3. Romper com o dom\u00ednio material da burguesia exige romper tamb\u00e9m com suas id\u00e9ias e seu modo de pensar.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Situar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa como uma etapa da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista em escala mundial \u00e9 a via que permite reatar o fio que d\u00e1 sentido aos acontecimentos. A Revolu\u00e7\u00e3o Socialista em processo \u00e9 o pano de fundo que nos unifica a Outubro de 1917, e nesse processo hist\u00f3rico multissecular \u00e9 natural que sejam experimentados ritmos variados de desenvolvimento nos diferentes n\u00edveis da realidade. O movimento contradit\u00f3rio da totalidade s\u00f3cio-hist\u00f3rica constantemente redefine os contornos da situa\u00e7\u00e3o nas diferentes esferas que a conformam: modificam-se as problem\u00e1ticas econ\u00f4micas, pol\u00edticas, sociais, culturais, psicol\u00f3gicas e, conseq\u00fcentemente, modificam-se as estrat\u00e9gias de enfrentamento correlatas.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">\u00c9, pois, como parte desse movimento contradit\u00f3rio que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa deve ser situada. Resgatar a Revolu\u00e7\u00e3o Russa n\u00e3o equivale simplesmente a enaltec\u00ea-la ou fazer algo geometricamente oposto ao que os intelectuais da burguesia produzem, invertendo o sinal de suas invectivas e impreca\u00e7\u00f5es. A tarefa que se coloca \u00e9 a de superar qualitativamente este m\u00e9todo, apresentar a realidade como s\u00edntese contradit\u00f3ria de tend\u00eancias e contra-tend\u00eancias em luta constante. Sem isso, n\u00e3o se pode compreender como o processo da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista foi tragicamente interrompido imediatamente ap\u00f3s ser deflagrado de maneira t\u00e3o in\u00e9dita e her\u00f3ica pelos eventos de Outubro de 1917 na R\u00fassia. Sem essa compreens\u00e3o, n\u00e3o se conseguir\u00e3o tirar li\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas da hist\u00f3ria e contribuir materialmente para desbloquear a Revolu\u00e7\u00e3o no presente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Alcan\u00e7ar a compreens\u00e3o cient\u00edfica de um evento como Outubro, n\u00e3o \u00e9, para os socialistas, um objeto de curiosidade diletante. Do ponto de vista de quem se prop\u00f5e a desenvolver hoje a luta revolucion\u00e1ria, a compreens\u00e3o cient\u00edfica do passado \u00e9 um imperativo absolutamente vital. Para os revolucion\u00e1rios, apenas a verdade nua e crua \u00e9 \u00fatil, completamente despida da mescla das ilus\u00f5es auto-complacentes e sentimentalismos ret\u00f3ricos. Reviver os momentos decisivos de 1917 n\u00e3o significa canonizar os seus protagonistas como her\u00f3is infal\u00edveis (esse \u00e9 o m\u00e9todo da burguesia em rela\u00e7\u00e3o aos seus her\u00f3is), significa observ\u00e1-los como seres humanos concretos, enfrentando desafios extraordin\u00e1rios, impulsionados por qualidades tamb\u00e9m extraordin\u00e1rias e tolhidos por obst\u00e1culos os mais inesperados e desconcertantes. \u00c9 desse modo que tais protagonistas podem nos servir de exemplo.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">A burguesia n\u00e3o se cansa de celebrar seus her\u00f3is, os grandes estadistas, pol\u00edticos, militares, etc. Aqueles a quem a burguesia chama de her\u00f3is, por\u00e9m, para a classe trabalhadora, n\u00e3o passam de carrascos. Estes s\u00e3o na verdade os respons\u00e1veis pelo rol de horrores que preenche a maior parte da Hist\u00f3ria: guerras, genoc\u00eddios, massacres, assassinatos, torturas, viol\u00eancias, estupros, saques, roubos, profana\u00e7\u00f5es, imposturas, com o corol\u00e1rio da odiosa escravid\u00e3o do trabalho e da subjetividade at\u00e9 hoje vigente. No entanto, esses her\u00f3is s\u00e3o apresentados como \u201cnossos her\u00f3is\u201d, como guias da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d, e tudo o que fizeram, seus crimes infind\u00e1veis, aparecem como condutores, \u201capesar de tudo\u201d, para o \u201cbem comum\u201d, raz\u00e3o pela qual merecem ser absolvidos. Ora, a \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d celebrada pela hist\u00f3ria oficial com seus \u201cher\u00f3is\u201d n\u00e3o passa de uma monumental e monstruosa espolia\u00e7\u00e3o da maioria da humanidade, privada at\u00e9 mesmo da condi\u00e7\u00e3o de constituir-se em efetivamente Humana, em<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">benef\u00edcio exclusivo das classes dominantes em cada momento.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Em contraponto, a classe trabalhadora deve aprender tamb\u00e9m a celebrar os seus her\u00f3is, seus revolucion\u00e1rios, seus m\u00e1rtires, seus g\u00eanios; mas deve acima de tudo celebrar as massas an\u00f4nimas que, estas sim, carregam o fardo mais pesado da Hist\u00f3ria. S\u00f3 o movimento de toda uma classe consciente, como eram os oper\u00e1rios russos de 1917, pode produzir l\u00edderes como foram os bolcheviques. Reconstruir a hist\u00f3ria de Outubro \u00e9, em grande parte, reconstruir essa rela\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria entre a classe revolucion\u00e1ria e seus l\u00edderes.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">Num momento hist\u00f3rico como o atual, em que a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista parece distante no horizonte, resgatar os feitos her\u00f3icos dos trabalhadores no passado \u00e9 parte fundamental do esfor\u00e7o de rearmamento te\u00f3rico da esquerda no presente. Uma vez que a revolu\u00e7\u00e3o que nos cabe fazer \u00e9 a \u201cafirma\u00e7\u00e3o consciente de um projeto alternativo de sociedade\u201d, o resgate da Hist\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m, necessariamente, um estudo cr\u00edtico. N\u00e3o basta repetir mecanicamente, 90 anos depois, os nomes, bandeiras e palavras de ordem da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, \u00e9 preciso medir-se cientificamente, criticamente, com a realidade passada e presente, para que esses s\u00edmbolos retomem seu significado, import\u00e2ncia e valor pr\u00e1tico, revigorando seus tra\u00e7os de continuidade no presente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\">O Espa\u00e7o Socialista impulsionou a constru\u00e7\u00e3o da Revista PRIMAVERA VERMELHA, partindo do entendimento de que a reorganiza\u00e7\u00e3o da milit\u00e2ncia socialista demanda necessariamente a reativa\u00e7\u00e3o do trabalho te\u00f3rico, do esfor\u00e7o de pesquisa, estudo, reflex\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica e debate. Tal era o m\u00e9todo do partido bolchevique, portanto, nada mais adequado, para homenagear a tradi\u00e7\u00e3o inaugurada pelos bolcheviques, do que dedicar a edi\u00e7\u00e3o de lan\u00e7amento da revista aos 90 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Remetemos os leitores a este primeiro n\u00famero e ao estudo da hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa no intuito de fazer com que este estudo seja um instrumento a servi\u00e7o da qualifica\u00e7\u00e3o do debate e da milit\u00e2ncia socialista no presente.<\/p>\n<p lang=\"pt-BR\" align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/espacosocialista.org\/portal\/?p=97#indice\">\u25b2 voltar ao \u00edndice<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia as mat\u00e9rias online: Crise financeira: a \u00faltima? 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