Desde março de 2019 o Espaço Socialista e o Movimento de Organização Socialista se fundiram em uma só organização, a Emancipação Socialista. Não deixe de ler o nosso Manifesto!

Por que apoiar a luta dos estudantes da USP?

A MÍDIA MENTE: O PROBLEMA CENTRAL NÃO É A MACONHA. A LUTA DOS ESTUDANTES NA USP É CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE, PELO DIREITO DE LIVRE EXPRESSÃO E PELO AMPLIAÇÃO DO ACESSO A UNIVERSIDADE PÚBLICA

 

As ações repressivas da polícia no campus da USP já passaram dos limites e acreditar que um movimento com milhares de estudantes em luta, como acontece lá hoje, é principalmente em defesa de 3 estudantes que fumavam maconha – esse foi apenas o estopim que incendiou um descontentamento que já era generalizado contra o regime interno, que exclui a ampla maioria das decisões – é ser ingênuo e cair nas mentiras da mídia, que tem interesses. O movimento estudantil da USP luta contra o projeto de privatização e sucateamentoda universidade; pelo direito do trabalhador ter umaeducação pública, gratuita e de qualidade; por uma USP aberta a quem dela realmente precise. Lutam também contra os interesses dos grandes empresários da educação e do governo, que têm ano após ano piorado a situação da universidade, principalmente nos cursos de licenciatura.

Assim, a brutal repressão da PM foi para intimidar os que resistem a esse projeto. A mídia, ao reduzir a discussão para a maconha, presta assim um serviço à desinformação e desvio do foco do que realmente está em discussão.

 

UNIVERSIDADE PÚBLICA PARA OS TRABALHADORES!

Não é verdade que na USP só estudam “filhinhos de papai”. Há muitos estudantes trabalhadores ou de classe média baixa. Muitos desses moram nos alojamentos do CRUSP. São esses estudantes que estão lutando contra o processo de precarização e privatização na USP. Entretanto, também é verdade que a maioria dos trabalhadores não consegue ter acesso a uma USP, UNICAMP ou UNESP.

O problema é que tanto os governos estaduais quanto o federal investem uma migalha (apenas 4,5% do PIB na Educação), quando o mínimo recomendável seria 10% do PIB já!

Com poucas universidades, as vagas ficam restritas.

A limitação de vagas leva à seleção, que se concretiza num vestibular extremamente concorrido, uma peneira que não permite à maioria dos trabalhadores e a seus filhos estudarem nas Universidades Públicas existentes.

Isso também é parte de um plano que visa beneficiar as redes particulares, pois a maioria dos trabalhadores são obrigados a recorrer, quando muito, ao ensino pago e de pior qualidade.

Temos que lutar para que haja investimento e vagas para todos, com o fim do vestibular nas Universidades Públicas, para que sejam acessíveis aos trabalhadores e seus filhos!

 

O GOVERNO NÃO QUER VOCÊ NA USP

Não investir na USP é proposital para depois alegar que para salvar a universidade é preciso recorrer ao investimento privado. Há muito tempo a pesquisa na USP é voltada para os temas de interesse das empresas em vez de se voltar para temas de interesse do ser humano e do ambiente, como pesquisa de prevenção/cura de doenças, métodos de redução de impactos ambientais, aprimoramento de fontes alternativas de energia, etc. Já existem hoje 30 fundações de direito privado cumprindo este papel dentro da USP, com isenção de impostos e gerando altos lucros a empresários. A ameaça de cobrança de mensalidades ronda a universidade há anos e o setor de trabalhadores que conseguiu lá estudar tem sido expulso aos poucos por diversas medidas.

A POLÍCIA FAZ PARTE DESTE PROJETO

A mídia tenta enganar o povo trabalhador dizendo que a polícia está na USP para garantir a segurança dos estudantes, mas quem mora na periferia sabe muito bem que a polícia não garante segurança alguma, nem acaba com o problema das drogas, e sim massacra ainda mais o trabalhador, com muita humilhação e violência. A USP tem sim problemas de roubo e violência, mas a culpa disto é do próprio abandono e descaso do governo, que torna a universidade despovoada e mal iluminada. A polícia não é a solução nem na USP nem em lugar algum, porém, ela tem servido para reprimir e monitorar os estudantes que lutam contra o projeto do governo, revistá-los e cadastrá-los em um arquivo da reitoria, para impedir que se mobilizem contra seu projeto de privatização.

Na verdade, o que a reitoria e o governo do Estado de São Paulo querem é criar um ambiente interno que não permita que a maioria descontente com o projeto de privatização e de manutenção da universidade seja questionado, por isso, a presença da PM no campus tem objetivo de funcionar como instrumento de repressão direta àqueles que lutam. Além da PM, a reitoria já vinha se utilizando de processos administrativos com fins claramente políticos, pois hoje existem dezenas de estudantes ameaçados de expulsão da universidade e inclusive trabalhadores com risco de serem demitidos só por lutarem por melhores salários e condições de trabalho.

 

ESTUDANTES LUTAM POR EDUCAÇÃO GRATUITA E DE QUALIDADE E SÃO PRESOS

Os estudantes hoje em greve na USP são milhares, e não uma minoria como diz a mídia, e reivindicam além disso outras coisas que vão no sentido de defender a USP pública, gratuita e de qualidade. Para isso, os estudantes em protesto ocuparam a reitoria da universidade e foram retirados de lá por 400 homens da tropa de choque, sem identificação em seus uniformes, sofrendo humilhações e violência, acabando 73 deles presos e hoje sofrendo um inquérito que os acusa criminalmente por desobediência e dano ao patrimônio público, recebendo tratamento de criminosos, sendo que faziam uma manifestação política. Após a entrada, a própria tropa de choque recebeu ordens para quebrar tudo na reitoria e o governo se articulou com a mídia para difamar os estudantes, os acusando de vândalos e maconheiros, desviando assim o foco da luta legítima contra a repressão e pela educação pública, jogando a população contra os estudantes. É preciso refletir bem: a mídia nunca apoiou nenhum movimento que questionava as elites e é claro, não iria apoiar este também.

 

A REPRESSÃO SÓ SERVE AO GOVERNO E AO PATRÃO, TODO APOIO AOS LUTADORES!

Diversas ações repressivas têm sido aplicadas pelo governo federal e estadual para abafar o descontentamento dos trabalhadores e impedir que lutem por melhorias – a instalação das UPPs nas favelas do Rio de Janeiro; a nomeação de militares como subprefeitos em São Paulo; a criminalização das greves e movimentos sociais; etc. Aos trabalhadores, a repressão nunca serviu, sempre massacrou e retirou seus direitos, já ao governo e aos patrões, por muitas vezes ela é a única que garante que a maioria se submeta calada aos seus interesses. A luta contra medidas repressivas é fundamental para não perdermos nossos direitos já conquistados, e todo trabalhador deve se unir contra a perseguição dos que lutam. Por isso, defendemos a luta dos estudantes na USP e junto a eles lutaremos por educação pública, gratuita e de qualidade. Para isso, exigimos:

√ Retirada já dos inquéritos criminais contra os 73 estudantes!

√ Fim dos processos administrativos contra estudantes e trabalhadores que lutam!

√ Fim do convênio da USP com a polícia militar. Fora a PM!

√ Não aos projetos de privatização nas universidades públicas!

√ 10% do PIB para a Educação pública Já!

√ Por educação pública, gratuita e de qualidade para todos os trabalhadores, defendemos o acesso de todos à universidade pública!

 

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Fundação Santo André: chapa de esquerda, formada em convenção democrática, vence eleições do D.A.

O início do mês de Junho na Fundação Santo André foi marcado pelo processo eleitoral para o Diretório Acadêmico da FAFIL. A primeira especificidade destas eleições reside no fato de terem se formado quatro chapas para concorrer às eleições, diferentemente do processo ocorrido no ano passado, quando formou-se um "chapão" baseado em um programa e experiência do movimento de que saímos em 2008. Apesar de os membros da chapa estarem de acordo com as reivindicações da greve e que foi fundamental para unir todos os setores de esquerda em uma única chapa de luta, o processo cotidiano da gestão da entidade foi muito complicado, pois vários militantes sequer cumpriam com as tarefas votadas.

A falta de uma séria discussão desse programa não só com os militantes organizados mas também com a base dos estudantes, a falta de acordo entre os membros da chapa com alguns princípios que amarrassem minimamente a atuação no mesmo sentido culminou em um DA esvaziado, ao qual a maioria dos estudantes e membros da própria chapa não se identificavam e não tinham com ele nenhum compromisso.

Ao final da gestão, as reuniões contavam com poucos participantes, todos militantes organizados ou que possuíam alguma ligação com a militância organizada presentes. A formação do "chapão" terminou por resultar em um órgão que não tinha força para sequer tocar as tarefas mínimas e que contou com sérios problemas na relação partido- movimento por parte dos militantes do PSTU. Se por um lado, não negamos, têm o mérito de não terem abandonado a gestão como muitos fizeram, por outro, tentavam usar o Diretório na maioria das vezes exclusivamente para implementar suas políticas nacionais, valendo-se de graves problemas de método e uma grande falta de discernimento do seu papel na construção do movimento.

Gastou-se muito tempo e energia dos poucos resistentes que ainda participavam das cansativas reuniões finais da última gestão do DA com discussões externas à FSA, que devem e precisam ser feitas, mas não devem se sobrepor mecanicamente às demandas dos estudantes da FSA.

A construção do processo democrático

Diante da caracterização da atuação do DA no último período, este ano decidimos impulsionar a realização de uma Convenção de estudantes da FSA, aberta e democrática, que garantisse um amplo debate para a construção de um programa mínimo e de uma chapa que o representasse. Assim nascia a UNIDADE PELA LUTA.

Uma intensa mobilização se armou. Todas as salas da FAFIL foram convidadas, e após várias reuniões preparatórias, realizamos em 20/05 a CONVENÇÃO, contando com mais de 50 alunos, dos 11 cursos da FAFIL. Esse número de alunos pode parecer pequeno no universo de 2.500 alunos da FAFIL, mas, é um avanço diante do quadro de desmobilização no qual o Movimento Estudantil da FSA se encontra.

Outro fato que merece destaque é que o processo de Convenção garantiu a discussão e constituição de um programa próprio dos estudantes da FSA. Mesmo com algumas lacunas que podem ser apontadas no mesmo, ele está longe de ser aqueles programas exógenos, concebidos longe da FSA e que são oferecidos aos estudantes da FAFIL como um contrato de adesão: aceita ou aceita. Em sua simplicidade, o programa resultante da Convenção queria dizer: sim, nós podemos fazer algo por nossa própria autonomia. E no ano que vem será ainda melhor.

Sobre um processo de sucessão para o DA com 4 chapas, achamos que foi positivo para conhecermos as forças políticas em atuação (ou não) dentro da FAFIL. Dessas chapas, três eram formadas por militantes e ativistas de esquerda e uma, que embora tivesse alguns participantes que participaram das mobilizações de 2007- 2008, agora se apoiavam num discurso de "garantir as aulas", numa negação daquele processo que foi o estopim da queda do reitor corrupto.

Outro fato bastante negativo é do que são capazes algumas correntes políticas de esquerda quando perceberam o risco de saírem derrotadas do processo, utilizando de expedientes de difamação e boataria, e até o famoso "pão e circo", quando se ofertou um Telão para assistir ao jogo "Corinthians x Vasco", como cortesia de uma certa chapa. Ou seja, vimos "mais do mesmo", repetição das usuais práticas da direita.

A UNIDADE PELA LUTA foi eleita dentro da concepção de um D.A. executivo, que coloca em prática o que é discutido e aprovado nas esferas de decisão dos estudantes (Assembléia Geral, Assembléias de Curso, Conselho de Representantes de Classe, e reuniões deliberativas convocadas para decidir algum tema específico).

Por isso, dentro dessa concepção de DA horizontal, que garanta voz e voto para todo aluno da FAFIL, conclamamos as demais chapas, correntes políticas, e independentes, a ajudar a construir um DA forte, que dê vez e voz aos estudantes da FAFIL. O único risco – se houver – é aprovar e implementar a vontade dos estudantes presentes na reunião.

Caracterizamos o próximo período como de ataques contra os estudantes, em particular aos estudantes trabalhadores (inadimplência, tentativa de aumento das mensalidades, fechamento de salas, sucateamento dos laboratórios e bibliotecas, entre outras ações) vindo de todas as frentes (da Reitoria da CUFSA, da prefeitura e dos governos estadual e federal). Por isso, mais do que nunca, faz- se necessária a UNIDADE de ação no DA, uma vez que a unidade não foi possível nas eleições.

Esse apelo é feito a todos, especialmente àqueles que já se anunciaram como oposição. Fazer oposição ao DA no próximo período – horizontal e aberto como pretendemos – é colocar-se em oposição aos estudantes da FAFIL.

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